Notas Iniciais:
Err, hello! Estou de volta!
Estou experimentando usar os honoríficos aqui, mas não estou muito certa sobre os corretos. Peço desculpas pelos eventuais erros.
Esta fic obedece ao universo do anime clássico, ele é situado logo após a primeira aparição da Sailor Venus e antes da Usagi saber quem é o Tuxedo Kamen.
Esta história conterá uma trupe fictícia chamada Harotsuka, qualquer fato relatado é pura ficção, mas eu me inspirei em um grupo especializado em musicais que realmente existe chamado Takarazuka Kagekidan. Por outro lado, os dados fornecidos não serão fidedignos.
Sailor Moon não me pertence, não lucro nada com isto.
Olho Azul Apresenta:
Na Cabeça,
No Coração
Capítulo 1 – A Agenda Secreta de Mamoru
Raros eram os dias em que Usagi conseguia encontrar Mamoru de maneira saudável, sem incluir um tombo, uma batida ou um arremesso de objeto pesados. Tão raros que ela pôde apenas olhar abobalhada quando estava saindo do salão de jogos e seus olhos encontraram os dele.
Mamoru Chiba era o típico sujeito intragável, talvez o pior homem que ela já houvesse conhecido — e seu trabalho secreto como Sailor Moon já lhe havia assegurado conhecer seres bem desprezíveis, capazes de matar. Melhor retirar o que dizia, Mamoru não seria capaz de matar ninguém, certo? Ele parecia bravo no momento, uma veia saltitando em sua testa contraída numa carranca. Talvez fosse sim capaz de matar. E não era ela, já que ele Mamoru percorria todo o ambiente do salão com o olhar.
— Ei, cabeça de vento, você viu o Motoki por aí?
— Pra sua informação, Mamoru-san — ela acentuou o honorífico para fazer seu ponto —, eu tenho um nome e estaria com mais vontade de te ajudar se você o usasse.
Baixando a vista para ela, Mamoru exibiu um sorriso de escárnio.
— Usagi-chama — ele também acentuava o honorífico exagerado, como se precisasse disso para fazer seu próprio ponto —, você teria visto meu grande amigo, Motoki?
— É uma surpresa descobrir que sabe como me chamo — ela disse. Divertia-se com a expressão impaciente do outro enquanto ela tomava tempo para pronunciar cada palavra. — Mas não tive a felicidade de encontrar o Motoki-niisan ainda. — Ela devolveu um sorriso mais ácido que ele lhe havia tornado e acrescentou: — Ele não vem hoje.
O desapontamento misturou a algo parecido a raiva no rosto de Mamoru, e ele virou o rosto para observar o outro lado da rua.
— Não me diga que está com problemas com... — ela deixou a voz morrer e a substituiu por um gesto indicando dinheiro.
Usagi mesmo não sabia se estava brincando sobre ou não, pois Mamoru realmente parecia preocupado como se houvesse agiotas perigosos vigiando aquela conversa. Não ajudava sua imaginação fértil notar, com aquele movimento, que ele parecia machucado no ombro.
Quando ela decidiu experimentar tocar o local supostamente ferido — se ele gritasse agudo como nos filmes, não haveria dúvidas! —, Mamoru virou-se brusco para trás e resmungou algo indecifrável. Sua vista apontava certamente para um casal despedindo-se na saída de um restaurante-lanchonete. A mulher devia já ter mais de trinta anos e era bastante alta, portando uma postura invejável, tinha o cabelo castanho abaixo do queixo e agora colocava sobre o rosto óculos escuros pretos. À sua frente, um rapaz de cabelos negros e altura semelhante curvava-se cerimonioso em despedida, a expressão grave atraía a curiosidade de Usagi sobre o que poderia ter acontecido.
Ao menos, não pareciam nem de perto com agiotas.
— Então, seu tipo são mulheres mais velhas, é? — Usagi brincou, acertando o braço de Mamoru com o ombro para lhe chamar a atenção. — Mas olha, acho que essa já tem partido. E que partido!
Mamoru contraiu-se, aumentando as suspeitas de estar lesionado de alguma forma.
— É uma mulher. As duas são — corrigiu com o tom nada engajado na brincadeira.
— Sério? — Usagi abriu a boca para observar o "homem" de cabelo preto. — Mas ele é tão charmoso! Poderia estar no SMAP ou coisa assim! Não, acho que ele tem mais idade pro Arashi, né? — acrescentou, decidindo que o "homem" era mais novo alguns anos que a mulher de cabelo castanho. — Mas se é mulher e bonita assim, devia ser modelo. Ou do Harotsuka!
Ela havia sem querer acertado de novo o braço de Mamoru. Novamente contraído, Mamoru virou-se para Usagi e riu fraco. Cansado...
— Não sabe o que é o Harotsuka? — perguntou ela, querendo acreditar que aquela expressão era somente confusão e não de uma dor em razão do descuido dela. — Não é desses grupos enormes de menina com voz esganiçada, não! — pontuou Usagi, gesticulando exagerada. Parte de si sentia orgulho de poder se exibir como conhecedora algo tão mais cultural que boy bands como o Arashi e o SMAP. — Elas são de um teatro que só tem mulheres, incluindo para os papéis masculinos! — E apontou para a mulher, ex-homem, que já havia partido e agora virava a esquina, possivelmente em direção à estação de trem.
Mamoru, contudo, não estava prestando atenção, pois atravessou a rua quando ela estava pronta a explicar como essas atrizes dedicavam anos da vida para ficarem ainda mais atraentes que homens de verdade, como ele próprio — óbvio, Usagi iria deixar claro que não o considerava seu tipo, que ele só não era feio.
Perda dele que não ficara para ouvi-la admitir algo tão embaraçoso. Ou lucro dela. Ainda assim, que cavalheiro largaria uma jovem falando sozinha no meio da rua? Fosse uma atriz de Harotsuka, onde elas recebem educação dignas de uma herdeira da alta sociedade, ele ao menos fingiria estar interessado e aí se despediria com um beijo nas costas de sua mão.
Eca! Usagi abraçou-se tremendo. Por que diabos ia querer que Mamoru lhe beijasse a mão? Virou os olhos e decidiu segui-lo. Podia ter sido trocada pela mulher de cabelo castanho, mas ela faria barulho e delataria tudo. Amiga ou não de alguém de Harotsuka, com aquela postura, a mulher com certeza vinha de uma educação que não ia permitir tamanho absurdo.
— Vou te queimar antes de você ter chance, Mamoru! — anunciou quando pisou a calçada. — Ela vai saber de todas as vilanias que me faz passar, começando por essa de me deixar sozinha ali!
Usagi parou com a boca ainda aberta. Mesmo por trás dos óculos escuros, era perceptível o olhar curioso que a mulher lhe lançava.
— É sua namorada, Chiba-kun? — ela perguntou com um gesto para os dois.
Fosse um concurso de rapidez, os dois teriam empatado ao negar aquela pergunta.
— Esta é somente a conhecida de um amigo, Sakamoto-san.
A explicação de Mamoru, porém, soava estranha para Usagi. Mesmo enquanto ele falava, o tom denunciava saber ele ter aumentado demais a distância de sua relação. Ao mesmo tempo, como mais explicar? Esta é a garota que vive batendo em mim e a quem eu vivo xingando?
A mulher, quem ele chamara de Sakamoto, assentiu com um sorriso nos lábios que deixou Usagi alerta. Ela também havia percebido o tom, mas entendera tudo errado. Antes que houvesse tempo para ser corrigida, os olhos de Sakamoto despontaram alarmados para o ombro de Mamoru.
— Chiba-kun, seu casaco! — ela se aproximou com a mão levantada para tocar o blazer verde que parecia o favorito de Mamoru. Mas parou no meio do caminho. — É um machucado. Por isso estava andando estranho desde mais cedo, né?
Mamoru olhou de volta, a expressão culpada traindo a negativa que parecia prestes a tentar dizer.
Havia tanto para Usagi olhar no apartamento de Mamoru, enquanto ele trocava a camisa e limpava de novo seu machucado, que ela custou a ouvir a mulher chamá-la. Usagi voltou do corredor até a sala onde ambas haviam sido deixadas e desculpou-se com um gesto de cabeça.
— Estava me perguntando se você mora por aqui.
— No apartamento dele? — Usagi indagou sem se importar com o próprio tom enojado.
A mulher... Sakamoto era o nome dela! Sakamoto sorriu divertida e balançou a cabeça.
— Quis dizer, se mora por esta vizinhança.
— Ah! — disse animada com uma razão para abrir a porta da sacada. Acenou que Sakamoto a seguisse e apontou para um grupo de casas a algumas quadras à direita. — Ih, acho que é mais pra lá! — corrigiu, mudando o dedo para uma direção a noroeste do prédio. — Espera, pra onde fica o templo Hikawa? — entortou a boca enquanto espremia os olhos à procura da casa da Rei.
Ouviu Sakamoto rir.
— É que eu nunca vim na casa do Mamoru, fiquei meio perdida.
— É mesmo? E não se sente fora de lugar no apartamento de um homem solteiro?
— Nah! — Usagi fez uma careta e balançou a mão com desdém. — É só o Mamoru — disse deixando implícito o adjetivo "babaca" em suas palavras.
Novamente, Sakamoto riu. Fazia-o bem baixo, mas o som emitido parecia sincero, diferente da risada de escárnio que Mamoru soltaria caso a ouvisse.
— É uma bela vista — Sakamoto falou com o olhar no horizonte. — Eu até moro em um prédio bem alto assim, mas não sou daqui. Sempre que paro pra ver a janela, eu me sinto hipnotizada com as luzes de Tóquio piscando.
— É mesmo, você soa como alguém do Oeste agora que mencionou! — Usagi comentou com certeza.
Vinham conversando em termos formais, por isso, o único indicativo seria a entonação de Sakamoto. Mesmo assim, o sotaque era tão discreto que apenas ouvindo a confissão que Usagi reparara.
— Sim, eu nasci em Hyogo e, até ano passado, vivi toda minha vida por ali, exceto por umas estadas a trabalho aqui por Tóquio.
— E agora seu sotaque do Oeste fica tão óbvio — notou Usagi com uma gargalhada. — Mas você veio há muito tempo?
— Há quase um ano, acho que não é muito.
— Como eu nem tinha notado, achei que já estava há mais de dez por aqui.
— Creio que isso seja bom — disse Sakamoto, ainda distraída com todo o bairro que se estendia debaixo da sacada de Mamoru. — Não se sente insegura aqui às vezes?
Usagi devolveu uma expressão confusa.
— Eu nunca tinha vindo aqui, Sakamoto-san.
— Digo, em Tóquio — ela corrigiu com calma, seus olhos retornando da vista.
Agora que ela estava sem os óculos, Usagi notava que Sakamoto parecia um pouco mais perto dos quarenta anos, com linhas de expressão formando em torno dos olhos quase redondos e também dos lábios. Embora se aprofundassem sempre que sorria, Usagi não se sentia imparcial com o charme que a mulher exalava. Devia ser sua postura? Ou as palavras, sempre tão apropriadamente posicionadas?
— Desde que me mudei, tenho ouvido algumas notícias de monstros. Nunca os vi ao vivo, mas sempre que mostram na tevê, sinto-me dentro de uma peça de teatro.
— As Sailor Senshi sempre irão nos proteger! — exclamou mais rápido que o natural.
— Sailors? — Sakamoto franziu a testa
Usagi mordeu o próprio lábio. Os estragos pelos ataques e suas testemunhas não costumavam descrever sua aparição e muito menos as chamavam assim com muita frequência. Não era impossível que alguém as conhecesse, mas soava pouco natural.
— Aquelas meninas que lutam contra eles, usando uniforme de marinheiro? É isso que você quer dizer?
— Isso! — Usagi suspirou. Pelo tom da outra, ela culpava sua ignorância no fato de ser de fora, embora suas atividades como senshi provavelmente tenham começado depois que Sakamoto se mudara.
— E você já as viu? Digo, pessoalmente. Tem tão pouca foto nos jornais delas.
— Claro! — disse sem pensar, apenas para se arrepender de novo. — Digo, não foi muito de perto nem nada assim — titubeou.
— Eu não ficaria tão empolgado para encontrar pessoas que só aparecem num momento de perigo, Sakamoto-san. — Mamoru havia retornado com uma camisa preta, uma escolha de cor que preocupava Usagi mais que suas indiscrições.
Sakamoto voltou a olhar para longe, assentindo distraída.
— Bem, sinto muito pela demora, mas já podemos ir para o último compromisso. — Mamoru olhou o relógio no pulso. — E seria melhor nos apressarmos — complementou com a expressão culpada antes de andar até a mesa próxima à saída e sacudir um molho de chaves.
Enquanto esperavam o elevador, Usagi estudou novamente o ombro de Mamoru. Era difícil explicar a ele por que aquilo a incomodava tanto, quando nem ela mesma compreendia aquela tensão. Ainda assim, arriscou perguntar:
— O que aconteceu, afinal? — E apontou para o braço, este parecia um pouco mais encolhido que o outro.
— Eu caí da moto — Mamoru respondeu bem quando a porta do elevador se abriu.
— Nossa, devia ter mais cuidado.
— Sim — resumiu-se a dizer, apertando o térreo.
— Não seria melhor você só me acompanhar até o táxi, Chiba-kun? Com um machucado desses, deveria estar deitado, dando tempo ao seu corpo.
— Sinto muito, mas preciso me certificar de haver tudo em seu camarim. Como estou cobrindo o trabalho de seu assistente para um conhecido, não quero dar margem a problemas.
Usagi sentiu a orelha levantar-se sozinha.
— Camarim? — indagou admirada. — Tipo o que as estrelas usam?
Rindo, Sakamoto assentiu.
— Mas não é nada demais, eu o compartilho com outras atrizes.
— Atrizes? — Tornou estarrecida para a direção de Mamoru. — A Sakamoto-san é uma atriz?
— Peço desculpas, agora noto que nunca nos apresentamos. — Sakamoto curvou o corpo. — Eu me chamo Nao Sakamoto, e só estou fazendo umas pontas em um drama. Na verdade, pode me chamar de Nao-san. Confesso que me sinto estranha porque nunca me chamam pelo sobrenome.
— Nao Sakamoto soa tão como o nome de uma atriz!
Antes que houvesse chance para uma resposta, a porta do elevador abriu-se no hall dos elevadores do prédio. Mamoru saiu automaticamente, como se não fizesse parte do grupo, apenas para se lembrar de estar acompanhado com uma virada de cabeça repentina para aguardar as duas.
— Usagi-chan, não era? — Sakamoto... Nao perguntou após presenciar a cena. — O que acharia de nos acompanhar até o set de filmagem? Só não tem muito para ver do meu camarim.
— Sim! Eu aceito! Não tem problema nenhum!
Sakamoto sorriu e desta vez parecia haver algo mais por trás do gesto.
— Com uma pequena condição — ela acrescentou, o indicador direito levantado.
— Qualquer coisa! Quer que eu faça o trabalho do Mamoru?
— De jeito nenhum, se for assim, é melhor ninguém ir — ele interveio, os olhos apenas parcialmente atentos aos táxis na rua. — Ela comeria a comida antes de chegar à mesa.
— Não era essa a tarefa que eu tinha em mente — Nao explicou divertida. Então, gesticulou na direção de Mamoru. — Gostaria que voltasse para casa com ele.
— Quê? — Usagi perguntou distante e aturdida.
— Tenho medo de ele decidir mudar de rumo pelo caminho e não ir descansar. Poderia se assegurar por mim de deixá-lo em casa, por favor?
Usagi olhou Mamoru fazer sinal que Nao entrasse no táxi, e esta espichou a cabeça para fora.
— Vamos, Usagi-chan? Posso tentar conseguir o autógrafo de um rapaz do Johnny's que participa da filmagem. O que acha?
— Já tinha me ganhado quando disse camarim, Nao-san! — ela respondeu, pulando para o banco ao lado de Nao antes que Mamoru o fizesse.
Continuará...
Anita
Notas da Autora:
Retorno com uma fic de Sailor Moon bambeando entre meu estilo mais básico e algo um pouco diferente do que já fiz. Não sei se é fato estranho a algum fã, mas a Naoko Takeuchi (a mangaka, lembra?) é muitíssimo, ou era, do Takarazuka Revue. Não é por isso que eu quis fazer esta minha versão do Takarazuka, mas o fato de tanto a Usagi quanto a Rei parecerem ser fãs também foi o que me inspirou. Por um tempo montei esta fic usando o próprio Takarazuka. Mas depois de consultar várias pessoas, acabei concluindo ser melhor criar uma versão simplificada. Até porque, se é pra eu sair explicando detalhe e detalhe, que eu fizesse algo novo para quem já conhecesse, né? Na verdade, inicialmente e por muito tempo fiquei com receio de publicar aqui, mas decidi que gosto desta história e que quero ver no que dá.
Além de minhas expectativas, foi ainda mais legal ver a interação da Usagi com o Mamoru numa circunstância um pouco diferente da minha de costume. Espero que gostem do que está vindo pela frente! A participação das senshi não será muito relevante, abrindo espaço para este ou aquele personagem original, e o foco estará como sempre nos meus amados UsaMamo. *_* (e na Usagi dando uma de fangirl xD ADORO ISSO!)
Muitos agradecimentos à Pandora Imperatrix pelos comentários e o incentivo com a fic. E claro, um agradecimento especial a você leitor! Espero que gostem!
Até o próximo capítulo!
