Retratação: Saint Seiya e seus personagens não me pertencem. Eles são propriedades de Kurumada, Toei e Bandai.
Essa é uma fic yaoi, ou seja, que mostra relacionamento homossexual. Se não gosta, não leia.
A Razão do meu Amor
Prólogo
Fazia pouco tempo que ele aceitara o amor do outro. Sim, aceitara. Não poderia dizer que correspondia. Não ainda, mas estava tentando. Desde o inicio do namoro, aliás, este só começou depois que ele percebeu que havia algum sentimento por ele a mais que a amizade. Ainda pequeno, misterioso, é verdade, mas era um sentimento. E junto com esse sentimento veio o desejo. O desejo de tê-lo para si. Pensou que era apenas curiosidade, querer experimentar algo novo... Mas não era só o desejo, não é? Havia aquele sentimento. Ele poderia não saber bem o que era, mas sabia que ele existia. E apenas com esse sentimento e o desejo aceitou o namoro. E desde então estavam juntos. Mais ou menos quatro meses.
Não brigava muito, ou melhor, não brigavam. O outro vivia sempre feliz e ele... bom, ele não sabia bem o que sentia. Tudo era novo para ele. As sensações que tinha quando o outro estava perto, quando o tocava. Era incrível como o outro conseguia desfazer qualquer raciocínio, pensamento, que estivesse na mente dele no momento. E mesmo que quase sempre não admitisse, o sorriso do outro era o que ele mais gostava. Não só por ser realmente um sorriso lindo, esteticamente falando, os dentes brancos e perfeitamente alinhados e os lábios carnudos emoldurando-os. Não, não era só isso e ele já havia admitido para si mesmo. Para ele aquele sorriso era sincero, profundo. Parecia refletir sua própria alma, com aquele sorriso ele podia ver tudo o que o outro pensava ou sentia. Era como se fosse um livro aberto. E era aquele sorriso que desarmava em apenas poucos segundos sua defesa, sua barreira, sua parede de gelo que levou anos para construir, deixando-o vulnerável, acessível a todas aquelas sensações e emoções que durante tanto tempo lutou para se manter distante. Sentia todas as suas forças se esvaírem e seu senso de raciocínio lógico e prático sumirem totalmente. Sentia-se encantado por aquele sorriso. Não sabia descrevê-lo com palavras, era algo muito maior, maravilhoso. Digno de um deus grego. Ele também se sentia como um livro aberto quando via aquele sorriso. Aquilo enchia seu coração de uma estranha felicidade, algo que nunca havia sentido, mas junto a ela também vinha uma estranha angustia. Talvez não fosse tão estranha, talvez ele soubesse a origem dela. Não. Ele sabia. Ele sabia que se sentia assim justamente por não saber o que sentia. Paradoxo, não? É... Ultimamente ele estava se sentido mesmo a contradição personificada. Isso soava irônico, sendo ele quem era. Mas era verdade. A mais pura verdade. Ele não sabia o que sentia pelo outro, ele não conseguia nomear o que era aquilo.
E ainda tinha o desejo. Carnal mesmo. Descobriu momentos maravilhosos com o outro. Nunca havia imaginado se sentir daquele jeito, ainda mais com outro homem. Gostava de estar com ele. Gostava de se deitar com ele ou como o outro dizia: fazer amor. Essa era uma expressão que soava estranha e angustiante para ele. Estranha, pois sabia que não o amava, pelo menos não como o outro queria. Angustiante, pois não havia ainda se entregado ao outro. Não sabia se era por falta de amor ou coragem ou os dois, mas a verdade era que apenas o outro era seu. Ele nunca fora do outro. E ele também não sabia o porquê isso era angustiante. Talvez porque parecesse estar brincando com outro. Ou brincando consigo mesmo... Ele não sabia. Mais uma angústia: ultimamente ele não sabia de muita coisa. Logo ele, sempre tão estudioso...
E então o tempo foi passando ele foi se acostumando ao posto de namorado. Mesmo não sabendo ainda nada sobre seus sentimentos, seguiu em frente. O outro não reclamava; ter seu amado ao seu lado era algo que transcendia a felicidade. Não tinha o que reclamar. O outro acreditava que era o bastante, enquanto que ele queria acreditar nisso, mas no fundo sabia que faltava algo, só não sabia o quê. Talvez porque nunca lhe foi pedido nada. É verdade. O outro nunca lhe pediu nada, mas sempre cedeu às vontades dele. Às vezes ele pensava se não deveria fazer algo a respeito, mas sempre sentia aquela angustia aumentar e então deixava esses pensamentos de lado. Estava bom assim, afinal o outro nunca se queixou de nada, não é mesmo? Afinal, ele estava ali, não estava? O que mais deveria dar?
E ao longo dos quatro meses de namoro se manteve essa situação. Chegava a causar espantos nos outros. Eles eram tão diferentes, mas até agora as diferenças pareciam não se mostrar. Sabiam que o outro estava mais feliz do que nunca, mas e ele? Ninguém sabia. Sempre fora muito fechado. Seu rosto, suas expressões, sua postura demonstrava a mais completa imparcialidade. O outro sabia, sentia sua frieza, mas também sabia que ele sempre fora assim. E ele estava ali, não era? Ao se lado. Se estava ali por algum motivo era. E assim seguiram. Aos poucos, as diferenças se mostraram, as brigas apareceram. O outro era fogo, ele era gelo. O outro era livre, ele era contido. O outro mostrava todos seus sentimentos e medos, ele fingia não ter nenhum. O outro queria respostas, ele não queria perguntas. O outro queria mais, ele não queria nada. O outro queria provas, ele não queria provar nada. E era sempre do mesmo jeito: no final, o outro sempre cedia. Por amor. Por ele. Por si mesmo.
E assim passou-se o tempo. Tinham agora dez meses de namoro. Ele ainda não sabia o que sentia, mas também não procurou saber durante o tempo que se passou. Mas havia adquirido uma característica (havia adquirido ou ele sempre teve e não sabia?): o ciúme. Havia ficado possessivo, ciumento. Achava que a qualquer hora o outro poderia traí-lo, trocá-lo. Queria-o só para ele. Só dele. Só não sabia o porquê. Mas queria. O outro achava que era finalmente uma prova de amor. E mais uma vez cedeu. Sempre cedia. E assim continuaram.
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Desde que começaram a namorar era Milo que ia até o templo de Aquário passar as noites com Kamus. Todas as noites, ele se dirigia para lá. Milo amava Kamus mais que tudo. Sempre amou. Desde a primeira vez que o viu, quando ainda era criança, sentiu algo diferente por ele. Algo intenso, que ele nunca havia sentido na vida. Apesar disso, nunca teve coragem de contar ao amigo. Tinha medo da reação dele. Sabia que Kamus era uma pessoa difícil, com princípios rigorosos, conservadores. Achou que Kamus nunca aceitaria ficar com ele. E além de tudo, ele era um homem! Kamus era muito conservador para isso. Milo já tinha se conformado com seu amor platônico, mas nunca fora de se lamentar pelos cantos. Não conseguia ficar parado. E além de tudo, sabia que iria morrer na Guerra Santa. Então, junto com Afrodite, seu amigo de farra, nos dias de folga (e nos outros também) saia à noite para se divertir, beber, beijar e outras coisas. Tinha que admitir – gostava de ser desejado. Gostava de seduzir e fazer os outros ficarem aos seus pés. Aos poucos fez sua fama, de sedutor, conquistador, Don Juan. E na cama não deixava a desejar. Talvez sua fama se devesse mais a isso, ao fôlego, ao fogo mesmo, que ele tinha. Sabia deixar qualquer um louco, sempre com aquele sorriso nos lábios.
Quando Atena decidiu ressuscitar os cavaleiros para que pudessem aproveitar um pouco a vida como pessoas normais, Milo até pensou em contar tudo para Kamus. Mas ele, justo ele, um dos cavaleiros mais impiedosos, estava com medo. E não era de um inimigo. Poderia, se quisesse, romper o céu e a terra com um único golpe, mas não conseguia dizer o que sentia a outra pessoa. Patético. Mas fazer o quê? Decidiu deixar como estava. Passou a vida inteira escondendo esse amor. Continuaria escondendo-o, apesar de parecer ter se tornado um pouco mais pesado agora, que não tinha mais as obrigações de cavaleiro para ocupar a mente e ainda tinha "uma vida para aproveitar". E as farras já não davam mais conta. Para ele, tudo estava se tornando superficial de mais, fútil demais, vazio demais. Mas não queria contar. Não planejou contar. Nunca planejou, mesmo querendo. Kamus só ficou sabendo desse amor por acidente.
Continua...
Comentários da Autora
Olá gente!! Essa é minha primeira fic... então esperem que gostem!!
Queria agradecer a minha grande amiga Nyu-chan pelo apoio, pela insistência para que eu postasse logo (hehe) e por ter betado essa fic.
Ah!! E não se esqueçam de mandar reviews!!!
Srta. Hanajima
