Crime Passional

História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.

Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial

Capítulo 1 - Salão

Ele descia a longa escada, um tanto cansado. Sim, já era tarde, mas estava preocupado com os presságios! Com os sinais. E consultar os céus era sua obrigação. Claro que sabia que esses episódios só cansavam ainda mais seu corpo. Mas o que se poderia fazer? Eles tinham tão poucos cavaleiros agora. Tão poucos. E os poucos que tinham eram muito novos. Imaturos...Instáveis...

Ele empurrou a porta e entrou no salão. Sentiu que os anos cobravam-lhe um pesado preço naquele momento. Ele estava cansado! Muito cansado! E havia tanto a fazer! Será que daria tempo? Será que ele conseguiria cumprir sua obrigação? Preparar os cavaleiros para o que viria? Ah, ele já tinha feito tanto... E ainda havia tanto a fazer, pensou ao encostar-se a uma coluna para retirar a desagradável máscara que era obrigado a usar e recuperar o fôlego.

Tarde demais, notou que não estava sozinho! Um cosmo instável enchia o ambiente. E ele sabia que não havia nada a fazer! Ele não era cavaleiro há muitos e muitos anos. Entregara sua armadura para assumir a função de Grande Mestre. Claro que a sabedoria que adquirira valia por toda a força de que abrira mão, mas sabia que sabedoria não seria o bastante para controlar o instável cavaleiro que se postara a sua frente e apoiara uma das mãos ao lado de seu rosto, bloqueando-lhe o caminho. E ele estava tão cansado! Tão absurdamente cansado!

- Você não devia estar aqui, Gêmeos – disse em tom altivo. A voz do Mestre o enlouquecia, com aquele sotaque diferente de tudo o que ele já ouvira

- Você demorou, Grande Mestre! Estou te esperando há horas...– disse Saga com a voz rouca, transbordando de desejo.

- Eu tenho minhas obrigações, Gêmeos. E você devia cumprir as suas. – agora havia uma nota fria em sua voz.

- Havia alguém com você em Star Hill...? – os ciúmes ecoavam em sua voz.

- Eu não te devo satisfações, Gêmeos. Saia já daqui! – disse em voz imperiosa.

Mas Saga resolveu ignorá-lo e levou a outra mão ao rosto de Shion, contornando-o. Tão bonito e delicado. Era mesmo impressionante que ele não demonstrasse a idade que tinha. Ou que estava inseguro por ter sido acuado sozinho no Salão. O Grande Mestre era orgulhoso e autoritário, mas sabia que não teria como afastá-lo, se Saga insistisse. Tanto era verdade que nem mesmo tentara se afastar à força. Ou usar de telecinese. Ele permanecia encostado à coluna, sem ter por onde sair, enquanto Saga deixava seus dedos passearem sem pressa pelo rosto dele, sentindo cada contorno, cada linha daquele rosto que sempre aparecia em seus sonhos. À luz dos tocheiros, Saga apreciou a vista. As vestes cerimoniais contrastavam com seus longos cabelos esverdeados, permeados por alguns fios prateados. Os olhos violeta destacavam-se entre as contas dos vários rosários que tinha no pescoço. Os bordados dourados de sua roupa faiscavam à luz dos tocheiros. E olhava-o como se não tivesse medo de si. Oras, só um idiota não teria medo do cavaleiro de Gêmeos. E o Grande Mestre estava longe de ser um idiota, considerou Saga, ao contornar os lábios do outro.

- Você sabe que eu obedeço todas as suas ordens, Grande Mestre. Por que você não pode atender um pedido meu...? – perguntou com a voz marcada de desejo.

- É melhor você voltar para a sua casa, Saga – disse Shion, ao tentar afastar a mão de Saga de seu rosto.

Mas aquilo irritou Saga. Irritou muito. A frieza de Shion sempre o atingia. A forma arrogante como ele o tratava, magoava-o. Por Athena! Por que ele não podia entender que Saga o queria? Queria muito! Há anos. Sim, ele lutara contra aquilo. Ele achara que era admiração. Que era reverência. Que era adoração. Mas um dia Saga parou de lutar contra o que sentia. Desejo, necessidade, atração, amor, obsessão. Mas quando se declarara, de joelhos, como convinha a um cavaleiro, o Grande Mestre o rejeitara. Fizera pouco do que sentia. Impedira-o de continuar e o expulsara do Grande Salão.

Saga, então, ficara arrasado. Céus! A vergonha da rejeição o arrasara. Só a Kanon contara o que ocorrera. E Kanon rira de si. Dissera que o Grande Mestre devia ter um caso com o cavaleiro de Sagitário... A partir de então, sua vida virara um inferno. Sim, ele continuava a cumprir suas obrigações de cavaleiro, mas nunca perdia de vista a forma como o Grande Mestre tratava Aioros, seu antigo amigo. Ele voltara a se declarar para Shion várias e várias vezes. Em todas fora rejeitado. E agora Shion ousava afastar a sua mão. Sim, aquilo o irritou. Irritou muito! Saga, então, pegou a mão de Shion e prendeu-a ao lado do seu rosto, na coluna. Os olhos de Saga faiscavam de ódio. Mas Shion parecia indiferente.

- VOCÊ VAI ME OUVIR, SHION!

- Eu te ouço há muito tempo, Saga. Não há nada mais a ser dito.

- VOCÊ SABE QUE EU TE AMO!

- Não, você não me ama, Saga. Você é um cavaleiro de Athena e sua obrigação é amar a deusa. Eu... acho... que seria bom para você aceitar um aprendiz... – começou Shion, com cuidado.

- EU TENHO KANON!

- Kanon não é um aprendiz, Saga. Ele quer o seu lugar!

Ah, aquilo o tirava do sério! Além de não o querer, Shion queria que se afastasse da única pessoa que amava. Saga inspirou profundamente. Ar. Ele desesperadamente precisava de ar. Como precisava de Shion. Mas sua cabeça estava enevoada e ele perdia o controle rapidamente. Saga beijou-o à força, de forma violenta, mas era como beijar uma parede de gelo. Shion deixava-se beijar, mas não correspondia. Tudo o que fazia era esperar a fúria de Saga passar, já que sabia que não podia se opor a Saga. Saga beijou-o, prensou-o, sussurrou seu nome e implorou por uma chance, mas Shion não reagiu. E aquilo o tirou do sério. Kanon devia ter razão! Shion e Aioros deviam se encontrar em Star Hill. Era por isso que todas as noites Shion passava horas por lá.

Então, Saga sentiu um cosmo tranqüilo e se afastou um pouco para olhar para quem ousara interrompê-lo. Shion permanecia prensado contra a coluna, e fechara os olhos, com se sentisse vergonha. Seu olhar cruzou-se com o da criança. Ah, Saga odiava aquele pentelho! O aprendiz de Shion, o futuro cavaleiro de Áries! E a voz infantil, um tanto assustada, preencheu o vazio:

- Mestre... Está tudo bem com o senhor...?

Ah, era muita coragem do pentelho em interrompê-lo. Saga só não o acertava por consideração a Shion, que respondeu em um tom de voz completamente diferente do qual se dirigia a si:

- Estou bem, Mú... O cavaleiro de Gêmeos só veio me reportar uma missão e já estava de saída, não é, Saga? – ah, a frieza novamente...

- Sim, Mestre. Amanhã nós conversamos novamente – disse ajoelhando-se para que Shion se retirasse.

Saga acompanhou-o com o olhar até que ele desaparecesse do salão. Quando fora que ele ganhara tantos anos? Ao longe, ouvia a voz de Shion e do pequeno aprendiz. Por algum motivo eles falavam em grego:

- Mestre... eu não gosto da forma como ele te olha...

- Não é nada, Mú. Não se preocupa! Saga é um bom cavaleiro! Um dos melhores.

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Bom, eu sempre disse que – para mim – o assassinato de Shion por Saga tinha características passionais... E agora resolvi explicar melhor a minha versão dos fatos!

Peço perdão pelos erros, mas resolvi postar num impulso e não passei nem mesmo à minha beta querida, a Cristal. Isso porque ela está betando o próximo capítulo de "Mestre dos Ladrões" e eu não quis sobrecarregá-la! Mas é tão complicado escrever e não contar com as ponderações dela! Acho que fiquei dependente.

Por favor, se acharem que merece continuação, deixem reviews!

Beijos da

Virgo-chan

Fev/09