Cap 1

Quinn Fabray puxou a bolsa mais pra cima no ombro. Seu passo era rápido. Era seu primeiro dia e ela realmente não queria se atrasar.

Haviam dois carros que pararam em sua progressão contínua enquanto ela passava pela faixa de pedestre. Ela acenou polidamente pra eles, agradecida que eles haviam parado para que ela não precisasse.

Ela entrou pelas portas duplas vermelhas escuras do prédio e fez seu caminho para o escritório. Era o mesmo escritório em que ela havia feito sua primeira entrevista para o cargo. Eles tinham amado tudo sobre ela – da sua pontuação impecável na universidade e seus cachos loiros perfeitamente arrumados até seu sorriso gentil e seu compreensível entendimento de linguagem de sinais.

Quinn Fabray era a adição perfeita ao corpo de professores da Escola Haverbrook para Surdos.

"Bom dia," a secretaria falou assim como gesticulou pra Quinn.

Com os lábios se levantando em um sorriso amigável, Quinn retornou o cumprimento com as palavras e as mãos. "Bom dia!"

Havia algo sobre a quietude enquanto Quinn virava e se dirigia para a nova sala de aula. Seus saltos sensíveis clicavam metodicamente contra o azulejo duro e frio embaixo de seus pés e havia um suave farfalhar enquanto sua bolsa passava pelo tecido de sua saia. E enquanto ela virava no corredor do escritório para um dos corredores principais, havia também os sons de alguns estudantes que haviam chegado cedo na escola. Mas os sons que eles criavam consistiam em sapatos passando e armários fechando e não muito mais.

Havia definitivamente algo sobre a quietude. Mas Quinn não sabia dizer se era estranho ou reconfortante.

Ela parou na frente da porta com a placa que dizia "Sala 107" e respirou fundo pelo nariz antes de girar a maçaneta e entrar. O sorriso que passou pelo rosto dela foi inteiramente involuntário, apesar de bem-vindo. Sua classe – na qual ela tinha passado a tarde anterior, colocando pôsteres e finalizando planos de aula – parecia acolhedora o suficiente para acalmar os nervos que estavam apertando violentamente seu estômago.

Quinn andou sabiamente pela sala até sua mesa onde ela colocou a bolsa. Ela puxou a cadeira e se sentou, ligando o computador pro dia. Abrindo a gaveta superior direita da sua mesa, ela puxou sua cópia pessoal do livro, Tuesdays with Morrie. Reverentemente, seus dedos passearam pela capa.

Ela deu uma olhada no relógio. Sua primeira aula começaria em menos de quinze minutos. Quinn rapidamente se levantou e aproximou da sua estante, pegando uma porção de cópias do mesmo livro que ela agora tinha realocado cuidadosamente de volta na gaveta da sua mesa. Ela tinha acabado de começar a colocar um livro em cada mesa na configuração em forma de meia lua no centro da sua sala quando a porta se abriu.

"Bom dia, Sra. Fabray!"

Quinn virou o corpo em direção ao recém chegado e ela imediatamente reconheceu o Sr. Rumba, o diretor do coral e professor de história do final do corredor. Eles tinham se encontrado no dia anterior, ambos se preparando para o primeiro dia de escola do semestre em Haverbrook.

"Bom Dia, Sr. Rumba. E na verdade, é só 'Senhorita', não 'Senhora'." As palavras deixaram os lábios de Quinn com um sorriso.

"Ahh, claro. Eu não devo ter te escutado bem ontem! Febre escarlatina quando eu era criança, sabe. Completamente surdo nesse ouvido!" Ele gritou, apontando em direção ao ouvido esquerdo.

Quinn concordou com a cabeça. "Sim," ela polidamente respondeu, seu tom apropriado e seu sorriso bondoso. "Eu lembro disso."

"Bem," Sr. Rumba continuou a falar bem alto. "Eu só queria passar por aqui e desejar boa sorte com suas primeiras aulas aqui em Haverbrook!"

Quinn sorriu e agradeceu a ele antes deste se virar e andar de volta em direção ao corredor. "Mais como minha primeira aula de todas", Quinn murmurou pra si bem baixinho enquanto ele ia embora. Ela tinha sido monitora no último semestre da Estadual de Ohio, claro. Mas isso era diferente. Não era um teste ou uma tentativa com novas chances. Isso era o negócio real. Sem voltas.

Quinn abriu o marcador vermelho e começou a escrever seu nome no quadro branco na frente da classe. Suas pinceladas no quadro eram suaves e lindamente redondas e logo, as palavras "Senhorita Quinn Fabray" residia elegantemente na superfície.

A maçaneta na porta virou enquanto Quinn terminava de escrever "Inglês Avançado" embaixo do seu nome. Ela colocou a tampa de volta no pincel e se virou pro seu primeiro estudante. Era um garoto alto com cabelo curto e um sorriso adorável.

"Bom Dia" Quinn fez com gestos. Mas também falou com palavras. Era um hábito de sua infância que era altamente desnecessário num lugar assim, uma escola para surdos. Mas velhos hábitos são difíceis de morrer e Quinn não estava necessariamente tentando mudar esse.

Bom Dia, o estudante sinalizou de volta. Seus olhos se fechavam de tão largo que era o sorriso dele. Você é muito bonita, ele adicionou.

Quinn riu. "Obrigada," ela respondeu. Você é muito gentil. Qual o seu nome?"

Patrick. E então ele abaixou a cabeça fofamente antes de sentar numa mesa próxima da de Quinn.

Em breve, sua classe inteira do primeiro período – consistindo em doze estudantes – estavam sentados e todos os olhos estavam astutamente treinados em sua jovem professora. Quinn deu uma olhada no relógio e começou suas apresentações tão logo o relógio bateu 8:25.

"Bom dia a todos," ela começou. "Eu sou a Senhorita Fabray e eu vou ser sua professora de Inglês Avançado nesse ano. Eu gostaria de passar por toda sala e ter cada um de nós nos apresentando desde que eu sou nova aqui." Houve acenos ao redor do círculo. "Primeiro, eu contarei a vocês um pouco sobre mim. Eu recentemente me formei na Universidade Estadual de Ohio onde eu estudei educação, Inglês e história. Eu tenho um pequeno conhecimento em música. Eu amo ler e compartilhar minha paixão por grandes livros com a maior quantidade de pessoas que eu puder e minha cor favorita é amarelo."

Quinn sorriu encorajadoramente para Patrick – o estudante mais próximo à ela – e em breve ele começou a se apresentar também. Essa tendência continuou ao redor do círculo até que Quinn tivesse conhecido todos os seus estudantes.

"Ótimo," ela continuou com o sorriso muito brilhante através de suas palavras. "Agora, eu gostaria de começar um projeto que nós trabalharemos por todo o semestre. Existe esse livro incrível chamado Tuesdays with Morrie, e o que eu gostaria de fazer é isso..."


Quinn estava estática. Claro, ela tinha passado os últimos cinco anos da sua vida preparando-se para ser professora. Ela tinha assistido aulas e aprendido o material; ela tinha sofrido nos exames e o estudos que pareceram irrelevantes à época. Mas aqui estava Quinn – preparando-se para a quarta aula no seu primeiro dia de professora – e ela sentia como se nenhum um único segundo daqueles cinco anos anteriores tivessem sido desperdiçados.

Era um sentimento eufórico, realmente, comunicar-se com seus estudantes, ensiná-los e iniciar neles uma paixão pelo aprendizado. Ela estava ensinado Inglês aqui em Haverbrook mesmo que ela estivesse tecnicamente qualificada para ensinar uma variedade de assuntos. Mas algo sobre ensinar Inglês era meio que um alívio para Quinn – porque ela tinha sempre amado Inglês acima de tudo e realmente havia algo excitante sobre compartilhar grandes livros com outros.

Quinn se sentia uma nerd total.

Ela começou a colocar outra pilha de livros nas mesas enquanto a próxima classe de estudantes entrava na sala dela. Havia menos estudantes na sua quarta hora; só seis. E logo, cinco dos seis tinham sentado em suas cadeiras. Eles todos estavam sorrindo educadamente ou sorrindo timidamente em direção à Quinn enquanto ela acenava gentilmente para cada um em retorno.

Finalmente, o relógio rolou pra perto de 11:09 – um minuto antes da aula começar – quando a porta abriu e a última estudante de Quinn andou rapidamente pra dentro.

Quinn olhou de volta pra forma que ela tinha previamente preenchido em sua mesa. Suas sobrancelhas se encolheram e ela não podia realmente explicar o motivo pra si mesma. Mas havia algo sobre a garota que tinha acabado de entrar – e não era sua saia menor do que a média, sua camiseta meticulosamente ensacada ou suas madeixas castanhas longas onduladas... Eram os olhos delas. Tão logo a garota tinha entrado na sala, seus olhos tinham parado nos de Quinn pelo mais breve dos momentos antes de olhar pra outro lado enquanto ela se movia pra uma mesa desocupada.

O relógio passou pra 11:10 e Quinn se levantou, ajeitando sua saia envelope enquanto se dirigia pra frente da classe. Ela se apresentou novamente, como ela tinha feito com suas outras turmas, antes de pedir a cada um dos estudantes que se apresentassem também. E quando ela finalmente chegou à garota que tinha entrado por último – que curiosamente sentara-se a uma boa distância dos outros estudantes da sala – Quinn deu uma atenção maior. Claro, ela tinha assistido todos os seus outros estudantes se apresentarem toda a manhã (diabos, ela havia até memorizado alguns nomes até agora). Mas ela se achara pendurada em cada movimento das mãos da garota.

Meu nome é Rachel Berry, ela gesticulou. E enquanto os outros veteranos da sala tinham mencionado esportes que gostavam de jogar ou seus filme favoritos ou ainda seus livros da vida, essa garota Rachel deixara por isso mesmo. Só seu nome. E então ela imediatamente abriu seu caderno e olhou avidamente pra Quinn, preparada pra aprender.

Não havia jeito simples de Quinn esconder a surpresa com o resumo da garota. Quinn gostava de pensar que o entusiasmo que sentia e demonstrava amplamente enquanto ensinava era contagiante em seus alunos; na verdade, esse tinha sido caso com suas outras três primeiras turmas – todos tinham ficado tão envolvidos com querer saber mais sobre tudo que Quinn dissera que grandes discussões tinham se formado. Mas Rachel não parecia nem um pouco interessada em compartilhar fatos sobre si mesma.

Então mesmo sem Quinn conseguir esconder totalmente seu momento de surpresa de ficar de mãos vazias no departamento de aprender algo mais sobre essa garota – essa garota pela qual Quinn sentia um puxar inexplicável – ela continuou como o usual.

Quinn explicou sobre o que era o livro Tuesdays with Morrie. "É essa grande história sobre um jovem que se reencontra com um dos seus professores da faculdades anos depois de ter se formado. Eles não se falaram por quase duas décadas. E quando eles se encontram novamente, o estudante descobre que seu professor está morrendo da doença de Lou Gehrig..."

Logo, Quinn se lançou nas linhas gerais do projeto que cada estudante deveria completar ao final do semestre. "Cada um de vocês irá escrever sua própria versão de Tuesdays with Morrie. Vocês irão escolher alguém que lhe inspira de sua própria vida – um professor, um membro da família, um melhor amigo. Alguém que você admira e respeita, alguém que fez você ser quem é hoje..."

Suas mãos moviam-se rapidamente com a explicação. Suas palavras voavam de seus lábios quando o entusiasmo tomou conta. Enquanto falava, seus olhos iam do rosto de um estudante pro próximo.

E de vez em quando seus olhos pousavam em Rachel, confusão se alastrando pesadamente no peito de Quinn. Porque enquanto a maioria dos seus alunos a olhavam com atenção e seu gracioso movimento de mãos, Rachel estava quase sempre olhando pra baixo, pro seu caderno, escrevendo, seus cachos castanhos caindo em seu rosto. Quinn viu enquanto sua mão delicada gentilmente colocava alguma mecha atrás da orelha. Ela nunca parara de escrever.

Quinn teve um palpite. Ela não era particularmente lenta, afinal de contas. Mas ela estava ensinando em uma escola pra surdo. Então ela tinha que lidar com a situação o mais delicadamente possível.

Então, quando o relógio chegou ao meio dia, Quinn liberou a sala e imediatamente se virou pro quadro branco, começando a apagar toda a informação que ela havia escrito ali. Seus estudantes estavam guardando canetas e cadernos e colocando suas bolsas sobre os ombros, preparando-se pra sair, quando Quinn simplesmente disse, "Rachel, fique um momento se você não se importar, por favor." Ela estava nervosa quando disse as palavras, e ficou aliviada quando sua voz não tremeu.

Quinn colocou o apagador de volta na bandeja e virou de volta pra classe, dando adeus aos estudantes que estavam saindo, antes de olhar pra Rachel.

E a garota estava a encarando com uma expressão ilegível no rosto. Quinn abaixou seu olhar respeitosamente antes de cruzar a sala e sentar na ponta da mesa perto da de Rachel, a qual estava firmemente plantada lá. Quinn já tinha deixado sair um suspiro de alívio ao perceber que seu palpite estava certo.

"Você pode escutar," Quinn disse simplesmente. Então ela perguntou a próxima questão lógica em sua mente. "Você pode falar?"

Rachel olhou pro seu caderno fechado, passando um dos dedos pelos anéis de metal na parte de fora dele. Quando ela olhou pra cima, Quinn ficou surpresa pela hostilidade que viu nos olhos de Rachel. Não acha que essa é uma pergunta bem insensível? Rachel gesticulou furiosamente, atitudes permeando cada movimento de suas mãos. Sua sobrancelha raivosamente levantada e olhos castanhos brilhando eram indicativos do seu aborrecimento. Mas Quinn não estava certa que era aborrecimento que a habilidade de Rachel ouvir fora descoberta ou aborrecimento por Quinn realmente ter sido tão insensível ao perguntar pra começo de conversa.

Quinn mordeu o lábio e colocou as pontas dos dedos no queixo enquanto contemplava a resposta de Rachel. "Você está certa," Quinn disse enquanto simultaneamente gesticulava as palavras novamente. "Foi insensível da minha parte. Me desculpe."

Rachel se abaixou e pegou a bolsa. Ela colocou o caderno dentro e se levantou. Quinn se levantou também e notou que Rachel era bem mais baixa que ela – o topo da cabeça dela mal chegando a aparecer na linha de visão de Quinn. Rachel ajeitou sua própria saia, imitando a ação de Quinn de mais cedo, antes de acenar na direção de Quinn e ir em direção à porta.

Mas antes dela deixar o cômodo, ela se virou nos sapatos em direção à Quinn com uma expressão acanhada no rosto. Quinn quase deixou sair um suspiro de alívio já que Rachel não mais parecia aborrecida ou frustrada com ela. O que era bobo, certo? Afinal de contas, Rachel era a estudante aqui e não Quinn. Rachel mordeu o lábio antes de sinalizar as palavras, Isso foi rude de mim. Você me perguntou uma questão legítima.

Essa garota cheia de surpresas era provavelmente ruim para o coração de Quinn que batia rapidamente. Ela estava abrindo a boca para discordar de Rachel, mas a garota a cortou quando começou a gesticular novamente.

Sim, Rachel disse. Eu posso falar. Ela pausou, mexendo seu lábio com força entre os dentes antes de rapidamente adicionar, Mas silêncio é um amigo que nunca trairá.

E antes que a informação pudesse ser propriamente processada na mente de Quinn, Rachel tinha ido embora.

A boca de Quinn se abriu levemente e sua cabeça estava um pouco de lado pela confusão na qual ela se encontrava sozinha em sua classe. Então Rachel podia falar; esse tanto, Quinn tinha descoberto por si. E ela também podia falar; esse tanto, ela mesma tinha contado à Quinn. Enquanto Quinn andava de volta pra sua mesa, ela simplesmente não podia ignorar o bater do seu coração em seu peito e o desejo inexplicável de aprender mais sobre Rachel Berry.

E enquanto Quinn estava sentada em sua mesa durante o período de planejamento com sua cabeça apoiada em sua mão aberta e sua caneta batucando no calendário de mesa, uma questão soava alto – de novo e de novo e de novo – em sua mente:

Se ela podia falar, por qual motivo ela escolhera ser muda?

Quinn estava determinada a descobrir.