E aqui estou eu em outra tentativa de escrever uma fic decente! Será que consigo dessa vez? Eu tinha dito pra mim mesma que tinha parado com fics, mas fazer o que? Eu não resisto! Tenho que colocar minhas idéias no papel (na verdade é no Word mesmo)!
Bem, explicando um pouco: eu quis contar a história de Hyoga e Shun desde o começo... Como passaram de colegas para amigos, para algo mais no futuro... Claro sem esquecer dos acontecimentos do anime!
Quero que seja uma coisa bem natural, que os leitores possam acreditar que possa ter acontecido na história (Bem, se falando de Saint Seiya é bem difícil de as coisas serem críveis, mas vou fazer o possível!)
Uma das coisas que não me agrada em SS é o fato de os cavaleiros de bronze serem garotinhos de 13,14 anos. Isso não entra na cabeça de nenhum fã! Por isso nessa fic eu não farei menção a idades, cada um pense o que quiser. Se quiserem imaginá-los com 16, 17 anos por mim tudo bem!
Aos que já acompanham minhas fanfics eu sei que já tive essa idéia numa outra minha, Love story, mas como eu não consigo de jeito nenhum gostar daquilo e preferia que aquela fic sumisse do mapa eu vou escrever outra bem melhor... Bem, pelo menos eu espero!
Bem, sejam pacientes por que essa história não vai terminar tão cedo!
Falling in love
Capitulo 1 – A carta
Tokyo, Japão -
Estava claro no dia em cheguei até a mansão. Era final de setembro e há apenas algumas semanas eu estava na Ilha de Andrômeda comemorando meu aniversário com alguns poucos colegas que fiz por lá. Não os chamo de amigos... Não eram tão importantes pra mim, mas isso não importa.
Bem, como dizia eu estava na porta da mansão Kido esperando ser atendido, toquei a campainha apenas uma vez, pois não queria parecer insistente. Não demorou muito para abrirem a grande porta dupla de madeira, um homem de smoking preto, ombros largos, rosto cansado pelo tempo, careca e com cara de poucos amigos foi quem me atendeu.
"Não poderia esperar uma melhor recepção!" - pensei levantando um pouco a sobrancelha esquerda enquanto olhava para o mordomo. Eu conhecia aquele homem, havia dificultado muito a minha vida quando era menor. Não só a minha como a de todos os que moravam ali.
Olá Tatsume. – Disse tentando ser o mais simpático que pude. – Eu vim por causa da carta...
É claro que foi por causa disso! - Me interrompeu, seu tom de voz tão amigável quando sua cara.
Deu um passo para trás abrindo passagem para mim, peguei minha pequena mala do chão e pus a caixa da armadura nas costas para só então entrar. Passei no corredor que levava até o salão principal com Tatsume resmungando algo às minhas costas, eu não prestava atenção a ele, estava mais interessado em recordar minha infância e o tempo que passei morando entre aquelas paredes. Era incrível como tudo estava exatamente igual a quando fui embora! Enquanto pensava já estava passando por debaixo do arco no teto que dividia ao meio o enorme salão. Na segunda metade se encontrava uma escada quase em espiral que levava ao segundo andar. Olhei pra trás para perguntar onde estava o senhor Kido, mas Tatsume não deixou nem eu começar minha frase e já passava na minha frente pedindo para segui-lo pelo corredor que havia próximo a escada. Ali haviam várias outras portas, salas de descanso, de reunião, escritórios... Paramos em frente a uma delas e Tatsume me pediu para esperar do lado de fora enquanto ele anunciava minha chegada. Pouco tempo depois ele mesmo abriu a porta e me pediu para entrar somente com a armadura, deixei então a mala ali mesmo no chão e entrei.
Para minha surpresa quem estava de pé próximo a mesa do escritório não era o velho Mitsumassa, mas sim sua única neta Saori Kido. Usava um vestido longo e branco e seus cabelos lisos alcançavam a cintura. Ela sorria me apontando a cadeira a sua frente.
Shun não é? Lembro de você. Por favor, sente. – Ela disse enquanto voltava a se sentar.
Sim, sou eu mesmo. Minha nossa, você está muito diferente Saori!
Espero que isso seja um elogio!
Ah sim, é... Mas onde está seu avô? Pensei que ele iria me receber...
Shun, meu avô faleceu um ano depois de vocês partirem. Sou eu quem cuido de toda a fundação agora.
Eu não sabia o que dizer, morte é uma coisa que eu não gosto de discutir, por sorte Saori mudou rapidamente o assunto, talvez ela mesma não gostasse de falar sobre aquilo.
Bem, pelo que vejo você conseguiu a armadura... – Ela apontou para a caixa cinza que eu havia depositado no chão ao meu lado antes de sentar.
Sim, consegui... Saori... Por favor eu gostaria de perguntar uma coisa antes de você continuar.
Sim, fale.
Meu irmão... Ikki... Por favor, onde ele está?
Meus dedos entrelaçavam um nos outros pela expectativa de rever meu irmão, senti meu coração bater mais forte ao ouvir Saori começar a dizer alguma coisa, ela ia dizer onde estava meu nii-san! Mas meu momento de felicidade durou menos do que 5 segundos.
Eu não sei.
Ao ouvir essas três palavras senti um aperto enorme por dentro, me curvei para frente e coloquei as duas mãos em cima da mesa de madeira e abri a boca para falar alguma coisa. Queria gritar, queria jogar aquela armadura nojenta em cima daquela garota que olhava pra mim tentando transmitir piedade nos olhos! Eu passei seis anos sofrendo, machucando a mim mesmo e a outros somente para poder rever meu irmão, somente por causa das vontades daquele velho egoísta que era o avô dela! Como ela podia dizer que não sabia onde estava meu nii-san? Mas eu não disse nada, minha voz simplesmente não saia! E eu fiquei lá parado olhando fixamente para Saori esperando que ela me desse uma resposta melhor do que aquela, mas ela não deu. Respirei fundo e procurei por algo no bolso de trás da minha calça. Joguei a carta na mesa para que Saori pudesse ler.
E o que isso significa? Por que então recebi essa carta?
Shun, por favor. Sei que você esperava encontrar Ikki...
A carta me dizia para voltar para a Fundação. Seu avô prometeu que se eu voltasse com a armadura eu poderia revê-lo!
Eu posso explicar!
Eu fiquei em silêncio esperando que ela continuasse, sentia meus olhos arderem, mas apenas pisquei algumas vezes espantando as lágrimas. Não iria chorar... Não na frente dela! E então Saori começou a falar:
Essa carta, eu mandei outras nove para vários cantos do mundo. Dez pessoas conseguiram a armadura de bronze, pelo menos que a fundação saiba foram só dez... Eu não posso te dizer quem são essas pessoas, pois nem eu mesma sei. Acabei de ficar sabendo que o cavaleiro de Andrômeda é você!
Como você não sabe? Seu avô por acaso não registrou para onde mandou quem?
Sim, ele fez isso. Colocou todas as informações no computador principal da fundação, acontece que ninguém tem a senha.
Como?
Parece até piada de mau gosto não é? Uma fundação de importância como essa não conseguir entrar nos arquivos do falecido fundador por causa de uma simples senha.
Leu meus pensamentos...
É realmente um absurdo, mas estamos fazendo o possível para rastrear todos os que foram mandados dessa fundação. Conseguimos encontrar 16 garotos, 10 conseguiram a armadura, os outros desistiram.
Mas pelo que eu me lembro... Éramos muito mais do que 16...
Sim, acredito que o resto não tenha resistido aos treinos... – Vi Saori abaixando o olhar para um papel em branco na sua frente e pela primeira vez pensei se no fundo ela não culpava o Kido por tantas mortes...
Então você não sabe se meu irmão está entre esses dez... – Minha voz saiu mais desanimada do que eu mesmo pretendia que saísse.
Não. Mas eu tenho uma proposta pra você.
Ao voltar o olhar para mim os olhos de Saori brilhavam mais e eu não pude deixar de me sentir curioso para saber do que ela estava falando. Me ajeitei melhor na poltrona e pedi para ela continuar.
Meu avô tinha o sonho de ver os rapazes que conseguissem se sagrar cavaleiros de bronze num torneio.
Um torneio?
Sim, um torneio pacífico e seguro. Vamos ter paramédicos de plantão caso seja necessário, mas eu não acho que será... O torneio será num campo fechado, num ringue construído especialmente para esse evento. Eu o chamo de Coliseu por ter sua estrutura parecida com o Coliseu original na Grécia. As lutas serão transmitidas para todo o mundo. Seu irmão com toda certeza ficará sabendo que você é um dos participantes. Esteja onde estiver, cavaleiro ou não, Ikki virá ao te ver.
Fiquei espantado ao ver a empolgação de Saori ao falar daquilo. Era como se fosse um espetáculo, como se seu objetivo de vida fosse fazer aquele torneio possível, e pelo que parecia ela já estava com quase todo o caminho andado. Agora só faltavam as "estrelas do show".
Mas não pude deixar de pensar também que ela estava me pedindo duas coisas que eu odeio: lutar e aparecer em público! Mas ela também tinha razão ao dizer que Ikki iria me ver... Essa era uma chance de ouro, era pegar ou largar. E eu peguei.
OoOoOoOoOoO
Sibéria, Rússia –
"Está frio."
Meus braços já estavam um pouco dormente por causa da força que eu fazia ao nadar contra a correnteza, meu corpo ficava mais pesado a cada metro que eu descia naquelas águas escuras e congelantes. Mas nada disso importava, na minha cabeça eu apenas via o rosto de minha mãe. Faltava pouco agora para me reencontrar com ela. Já podia ver o navio destroçado onde peixes e algas marinhas se reproduziam mais e mais com o passar dos anos... Me desviei de alguns deles e pisquei os olhos, minha visão sempre ficava turva quando chegava àquela profundidade, mas isso também não me importava...
"Estou chegando Mama"
Senti minha mão tocando a madeira apodrecida do navio e fui me segurando pelos destroços até chegar ao pavimento dos quartos. Eu já sabia de cor qual era o dela... Abri a porta devagar, a água a fazia ficar mais pesada, mas nada difícil para alguém como eu. E lá estava ela deitada em sua cama, bela como sempre foi...
Me aproximei de seu corpo adormecido sentindo alguns fios de seu cabelo tocando em meu rosto. Levei a mão ate meus lábios e peguei a flor que segurava entre eles colocando-a em cima do corpo de minha mãe.
"Mama... Hoje trouxe sua flor favorita..."
Minha mãe sempre gostou de rosas, mas tinha preferência pelas brancas. Lembro-me ainda do cheiro que as rosas exalavam em nossa casa. Seu quarto era cheio delas...
Senti que já tinha passado muito tempo ali... O ar já fugia de meus pulmões e sabia que era hora de voltar à superfície.
"Amanhã estarei de volta..."
Poucos minutos depois eu já via a claridade do céu acima de mim, depois o que senti foi um misto de dor e alívio. Alívio por estar respirando novamente e dor por sentir aquele ar gélido entrando em meus pulmões quentes e se espalhando por meu corpo fazendo-me ficar mais gelado do que estava. Fechei os olhos esperando meu corpo se acostumar a temperatura quando senti algo em minhas costas. Um manto foi jogado em cima de mim. Olhei para trás e vi Yakoff me olhando assustado e tentando ajeitar o casaco de lã em minhas costas. Eu sorri para ele dizendo que estava tudo bem e me levantei.
Conheço Yakoff desde que nasceu. Ele e sua família são meus vizinhos e por muitas vezes ele ia assistir meus treinos, mesmo eu lhe dizendo que era perigoso me acompanhar quanto eu estivesse treinando, ele não ouvia. Me dizia todos os dias que gostaria de ser tão forte quanto eu...
Já lhe disse para não vir aqui Yakoff. Vai acabar se perdendo...
Eu já sei o caminho Hyoga! E o tempo hoje não está ruim por isso achei que não seria problema se eu viesse...
Tudo bem, dessa vez passa...
Hyoga, chegou uma carta pra você.
Uma carta? Ninguém nunca tinha me escrito uma carta durante os seis anos que passei treinando... Na carta não tinha meu nome, mas não tinha dúvidas de que era pra mim.Virei a carta para ver o remetente... Como suspeitava vinha da Fundação Kido. Sinceramente pouco me importei em abri-la, não pretendia voltar ao Japão, lá não havia nada que me importasse. Guardei o papel no bolso do casaco que Yakoff tinha trazido e olhei para ele que me encarava curioso.
Não vai abrir Hyoga?
Não.
Mas... Por que não? Pode ser algo importante.
Não me importa o que seja. Vamos voltar antes que seus pais fiquem preocupados.
OoOoOoOoOoO
Uma semana depois...
Naquele mesmo dia Saori me explicou mais sobre o funcionamento do tal torneio e me mandou descansar o máximo que pudesse enquanto as lutas não começavam. Naquele dia também descobri que eu não fui o primeiro a chegar ao Japão, na verdade fui o quarto! Já estavam aqui Jabu, o cavaleiro de Unicórnio, Geki de Urso e Shiryu de Dragão.
Nunca falei muito com nenhum dos três quando era menor e agora não está diferente. Jabu e Geki parecem se dar melhor, eles eram amigos quando crianças. Os dois nunca gostaram de mim e eu também nunca nutri bons sentimentos pelos dois... Shiryu sempre foi na dele, nós até nos dávamos bem, mas seu temperamento não mudou nem um pouco. Acho que ainda a pouco eu o vi meditando em algum lugar nessa floresta. Quem sou eu para atrapalhar!
Ao longo da semana chegaram mais cavaleiros, Nacchi de Lobo, Icchi de Hidra e Ban de Leão. Para minha infelicidade esses também fazem parte dos que me perturbavam quando criança.
"O dia está agradável hoje"
Sorri olhando para o céu e para algumas nuvens ralas que passavam por ele. Sentei-me no tronco de uma árvore me abrigando em sua sombra. Eu poderia dormir ali, mas com certeza não o faria, pois alguém poderia aparecer para querer treinar... Os rapazes estavam todos ansiosos com o torneio e treinavam diariamente para isso. Menos eu, eu só estava lá pelo meu irmão. Não me importava se ganharia ou não... Na verdade seria bom se eu nem precisasse lutar...
Pouco tempo depois enquanto eu observava um pequeno esquilo procurar por alguma coisa na terra eu ouvi vozes. Três pessoas conversavam animadas em algum ponto atrás de mim. Não sou de me meter no assunto dos outros, mas tive que prestar atenção ao ouvir a menção da palavra Sibéria.
Então você já sabe quem é?
Putz, mas você é tonto mesmo heim Ban. Não acabei de te perguntar isso!
Ah... Mas como você sabe que o cavaleiro de Cisne vem de lá?
Acontece que a senhorita Saori e eu nos damos muito bem... E ela acabou me contando umas coisas...
Jabu... Um dia você consegue alguma coisa com a Saori...
Ahaha é mesmo Nacchi... Desde pequeno que ele não larga dela!
Parem com isso! Deixem eu terminar!
Fala...
A senhorita me disse que duas das cartas que ela mandou ainda não foram respondidas. Ela não ia me dizer mais do que isso, mas então eu perguntei se ela sabia quais eram as armaduras que faltavam e ela me disse que eram as de Cisne e Fênix...
E o que isso tem a ver com a Sibéria?
Não consegui ouvir mais do que isso, eles já estavam longe demais, mas eu não precisava ouvir mais. Eu sabia quem era o cavaleiro da Sibéria.
Não consegui conter meu sorriso ao lembrar dele, Hyoga era um dos meus poucos amigos na mansão. Demoramos um pouco para começar uma amizade, principalmente por que ele se recusava a conversar com alguém quando chegou aqui, mas com o tempo foi melhorando... Não conseguia lembrar muito do rosto dele... Nas minhas memórias ele era apenas uma mancha. Durante os anos que passei na Ilha eu só pensava em meu irmão, esqueci de todo o resto... Senti um aperto em meu peito, a sensação de nostalgia aumentava a cada lembrança que voltava a tona. Lembranças que eu pensava ter esquecido para sempre...
"Vai ser bom reencontrá-lo"
OoOoOoOoOoO
Capítulo 2 – O Torneio
