Boa leitura :D
Medo.
À noite, ele saía pelas ruas sujas, sentindo o prazer dos humanos e seus alucinógenos.
Escolhia suas damas com cuidado; as solitárias, as fáceis, o sangue pingando de suas seringas.
Encarava-a e ela vinha, vulgar, as veias ardendo de uma mistura química forte.
Não é como se ela fosse durar muito, pensava.
Não é como se ela fosse se negar a ir com ele, de qualquer maneira.
Sai sem olhar para trás, sem procurar amor, sem procurar prazer físico.
Procurando sangue.
Às vezes deixava que elas sentissem sua sede, que elas entendessem, e a maioria inclinava o pescoço ou o pulso, entregando-se à morte como quem empresta uma jóia querida, sem esperar que lhe devolvesse.
Ele não devolveria.
Porém, no ápice de sua sede, na vida vermelha sugada sem piedade, ele se descontrola e sente medo.
E se esconde e esquece o corpo e a prudência, e pensa em medo, aterrador medo.
Dor nos ossos, olhos vermelhos, dor no vazio onde estaria a alma. Medo de morrer já estando morto.
Até a sede o fazer primitivo de novo.
N.a: Essa fic estava na minha cabeça há - realmente - muito tempo. Eu sabia como a queria, mas simplesmente não conseguia escrevê-la. Então, estava na aula, numa profusão de idéias, e pensei nessa fic, e em como eu queria tentar de novo. E, bem, ela saiu. A primeira vez que li, pensei que fosse genial, mas agora ela não me parece grande coisa. Mas ele mesmo disse que matar suas vítimas enquanto sentia o que elas sentiam era horrível. Comentem, então :D
Abraços,
Pollita :)
