Oi Pessoas!

Demorei mas voltei!

Será que tem alguém ainda aí?

Preparem o coração que a estória é forte.

Beijo grande e Boa leitura

Isabella

— Eu sinto muito, Isabella. Ele não sobreviveu.

Sinto meus lábios entorpecidos quando digo as palavras:

— Ele está morto?

Dr. Salomão toca meu braço, com uma expressão grave.

— Sim. Eu sinto muito.

Os músculos do meu rosto estão congelados - sólidos. O que provavelmente é uma coisa boa, porque não quero que ele veja o que estou realmente sentindo.

Exaltação.

Alívio.

Alívio total e absoluto.

Charlie está morto.

Quero rir.

— Isabella, você está bem? Talvez você deva se sentar.

Eu sinto a mão de Dr. Salomão no meu braço, me guiando para me sentar em uma das cadeiras de plástico na sala de espera. Eu não posso acreditar que Charlie está morto. Eu posso sentir o alívio borbulhando dentro de mim.

— Posso beber um pouco de água? — Eu pergunto para o Dr. Salomão.

— Claro.

Ele sai da sala, e sou grata pelo momento a sós. Charlie está morto. Eu estou livre. Livre. Eu envolvo meus braços em volta de mim, abraçando-me apertado.

Euforia? Conforto? Talvez os dois. Acho que deveria sentir algum pesar já que meu pai está morto. Mas, honestamente, não sei. Eu realmente, honestamente não sinto. E estou feliz com isso. Feliz. Então sinto que se forma algo em meus lábios. Algo que não acontecia comigo há muito tempo; não de verdade, de qualquer maneira. Um sorriso.

Eu toco meus lábios com meus dedos. Aqui está: um sorriso autêntico. Eu ouço o movimento da porta - Dr. Salomão. Eu forço o sorriso sumir e relaxo minhas feições para ficar neutra.

Dr. Salomão toma o assento ao meu lado e me dá um copo de plástico cheio de água gelada. O frio contra meus dedos me faz tremer. Ele põe a mão no meu ombro e aperta-o em conforto. Ele provavelmente acha que estou tremendo de choque. Eu quero empurrar a mão dele. Eu odeio as pessoas me tocando. Odeio mãos de homens me tocando.

— Existe alguém que possa chamar? — Pergunta ele.

Ele está perguntado isso, mas ele sabe que não há ninguém. Charlie era minha única família. Eu balanço minha cabeça.

— Você vai ficar bem? — Pergunta ele, soltando a mão do meu ombro, apoiando-a de volta em seu colo. Eu olho para ele e aceno com a cabeça. Eu não posso falar, porque se fizer, vou, possivelmente, dizer que vou estar mais do que bem. Não é realmente o que deveria estar dizendo minutos depois de descobrir que meu pai acabou de morrer, mas é a verdade. Pela primeira vez na minha vida, posso honestamente dizer que estou realmente bem, e que tudo vai ficar verdadeiramente bem.

Oito meses depois…

Eu empurro uma mecha de cabelo para trás com a minha mão. Guardando o rolo de fita, examino as caixas empilhadas ao meu redor. Nos últimos dias, tenho empacotado caixas com as coisas de Charlie para doar . Já faz oito meses desde que ele morreu de um ataque cardíaco, mas confie em mim, não tinha qualquer sentimentalismo sobre seus pertences. Eu só estava adiando ter que ficar perto de qualquer coisa dele, mas agora a casa foi finalmente vendida depois de estar no mercado durante seis meses, por isso tudo tem que ir. Não sinto tristeza. Nada. Apenas alívio que ele se foi, e então um grande vazio. Eu me senti desse jeito no exato momento que descobri que ele tinha morrido. Não é irônico que ele morreu de um ataque cardíaco? O grande Charlie Swan, respeitado e reverenciado cirurgião cardíaco, morre de um ataque cardíaco. Eu gosto de pensar nisso como um castigo divino. O único que poderia tê-lo salvo era ele mesmo. Talvez o castigo chegue eventualmente para aqueles que merecem.

Eu preciso acreditar nisso, porque isso é a única coisa que me mantém sã. Você conhece o ditado de mal a pior? Bem, a minha situação é um pouco como isso, mas mais como "o pior, a uma versão atenuada do pior, mas, ainda sim, uma merda".

Mudei-me da minha casa - é uma piada dizer isso desse jeito. A casa é um lugar onde você se sente seguro, mas não me sentia segura em casa nem por um momento. Acordei uma noite, tomada pelo pânico e apavorada com um pesadelo. Eu pensei que Charlie estava vindo me pegar, mas de repente percebi que não estava mais aprisionada; que podia sair deste lugar e isso acabaria com meus pesadelos.

Assim, no dia seguinte, coloquei a casa à venda e comprei um apartamento perto da faculdade e perto do meu namorado Jacob. Começamos a namorar um mês depois que Charlie morreu. No instante em que percebi que estava livre do meu pai, fui um pouco selvagem. Bem, selvagem para mim. Eu fui beber em bares, algo que nunca tinha sido autorizada a fazer antes. Eu realmente não sabia o que estava procurando, ou o que estava esperando encontrar... Mas isso foi quando encontrei Jacob. Ou talvez ele me encontrou. Nós nos conhecemos em um bar. Ele se aproximou de mim, se ofereceu para me comprar uma bebida. Ele era encantador. Fiquei lisonjeada. Ninguém nunca tinha me dado atenção da maneira como Jacob tinha me dado naquela noite. Como se tudo o que disse importasse. Eu caí nele como se ele fosse um tonel de chocolate derretido, mas mais tarde descobri que Jacob estava mais para areia movediça.

Um rápido encontro se transformou em Jacob se tornando meu namorado. Meu primeiro namorado. Meu primeiro em tudo. Eu estava feliz. Exuberante. Isso mudou rapidamente. Quatro meses atrás, descobri que tinha me metido em uma relação com um homem exatamente como meu pai, quando Jacob me deu um soco durante uma discussão. Realmente, deveria ter previsto isso. Jacob é o epítome de Charlie, exceto em vez de ser um médico, Jacob está em vias de se tornar um advogado de sucesso.

Todo mundo adora ele. Ele é estupidamente bonito. Inteligente. Encantador. Você conhece o tipo. Eu deveria saber que, por trás de portas fechadas, as similaridades com o meu pai seriam parecidas nisso também. Insensível. Fisicamente e emocionalmente abusivo. Por que fiquei? Porque é tudo que sei. Tudo o que já conheci. Como uma abelha atraída para o mel, fui atraída para um homem como Jacob, porque a vida que ele oferece é a que estava acostumada. É fácil não ter qualquer valor para alguém, mas ser importante para alguém... Bem, acho que isso seria mais difícil.

Eu não estou buscando por simpatia aqui. Minha vida é o que é. Eu vivo isso. Há pessoas lá fora que estão em situação muito pior do que eu. Crianças que vivem com fome e privações, e que morrem a cada dia, sem razão e sem motivo. Então, sim, posso lidar com um espancamento ocasional. Eu acredito que todo mundo tem algum sofrimento e que a capacidade de enfrentamento é diferente para cada um, e se você quiser sentir pena de si mesmo porque a vida não te dá tudo de mão beijada, então esse é o seu direito dado por Deus, não vou julgá-lo por isso. Passei muito tempo chorando por causa da vida que tinha. Então, as lágrimas secaram, e me levantei e segui em frente. Eu vivo de acordo com meu valor. Isso é o que Charlie me ensinou.

E há momentos bons. Pequenos raios de sol em um desolador dia nublado, onde Jacob brilha, lembrando-me por que me importo com ele. Até a próxima vez que ele divide o meu lábio ou quebra minhas costelas. Eu não amo Jacob. Digo-lhe que amo, porque é o que ele quer ouvir, mas realmente não sei. No início, pensei que amava, mas o que sei do amor? Nunca foi me mostrado para saber o que era. Levei um tempo antes de perceber que o que sentia por Jacob era nada além dos meus próprios sentimentos sendo refletidos pelo meu desespero absoluto em ser amada por alguém. Jacob me mostrou carinho no começo, então eu, é claro, empanturrei-me como a pessoa carente que sou. A única lição que aprendi foi que, se nunca for abençoada a me apaixonar no futuro, poderia viver com base nas minhas próprias necessidades e ver isso como uma coisa real. Não que nunca tenha visto o amor acontecer no meu futuro. Eu estarei com Jacob, até o dia que morrer. O que poderia ser mais cedo ou mais tarde. Um golpe errado é tudo o que preciso. Então vou ficar com a minha mãe. Eu nunca soube quem era a minha mãe. Ela morreu quando era um bebê. Charlie nunca quis falar sobre ela. Eu nunca vi uma foto - ele se livrou de todos os vestígios dela quando ela morreu. Tudo o que sei é que seu nome era Renée e que ela morreu em um acidente de carro quatro meses depois que nasci. Muitas vezes me perguntei se era por isso que Charlie me odiava tanto. Porque estava aqui, mas ela não, e eu o lembrava dela.

Eu a tinha pintado em minha mente como um anjo. Ela é uma das coisas que me fez passar pelos anos difíceis com Charlie. Eu costumava imaginar como a vida seria se ela ainda estivesse aqui. Ele teria sido do jeito que ele era? E se fosse, sei que ela teria me levado para longe com ela. Eu sei, porque é o que teria feito, e tenho que começar a partir disso. Charlie não tinha um pingo de bondade dentro dele, então isso tem que ter vindo da minha mãe.

Com sede, desço as escadas até a cozinha. O som dos meus pés descalços batendo contra os azulejos me assombra. Arrepios percorrem toda a minha pele, lutando contra horror que emerge. Respirando fundo, fecho meus olhos e me acalmo antes de caminhar calmamente desta vez. Antes de ir para a geladeira, ligo a TV para preencher o espaço com o ruído. Eu pego uma garrafa de água da geladeira, retiro a tampa e me encosto contra o balcão. Meu celular começa a vibrar contra a minha bunda. Eu o tiro do bolso. Eu não tenho que verificar o visor para saber quem é; Jacob. Eu não tenho nenhum amigo de verdade, não àqueles que me ligam, de qualquer forma. Enquanto crescia, mantive distância das outras crianças. Eu queria amigos, desesperadamente, mas não poderia deixar alguém se aproximar por causa da forma como Charlie era. Não era um risco que poderia correr. Depois de um tempo, me tornei a garota estranha. A solitária. Eu poderia ter mudado, quando Charlie morreu, mas não vi nenhum ponto real, e menos ainda quando conheci Jacob. Ele não

é exatamente o que chamaria de namorado. Ele gosta de controle, e sou fácil como um projeto solo.

— Oi — respondo.

— Oi baby, quanto tempo vai demorar?

Ele está de bom humor. Graças a Deus.

— Não muito tempo. Eu só tenho o sótão para terminar, e então estou indo para casa. Eu vou deixar apenas o escritório de Charlie para fazer amanhã.

— Devo ir aí hoje à noite?

Não.

— É claro. — Eu forço minha voz brilhante e borbulhante.

— Eu senti sua falta nesses últimos dias, — diz ele calmamente no telefone.

— Eu senti sua falta também. — Nem uma única vez.

— Nós vamos compensar isso hoje à noite.

Oh deus.

— Não posso esperar.

— Ótimo, vou chegar às oito.

— Vou fazer o jantar.

— Eu amo você, Isabella.

— Eu sei. Eu também te amo. — Eu te odeio.

Oh um suspiro, desligo o telefone, enfio no bolso e volto lá em cima para começar o sótão.

— Oi. — Jacob me envolve em um abraço de perfume caro e algodão requintado.

Jacob é muito bonito. Cabelos Pretos, 1,88 metros, construído como um zagueiro. Ele é todo garoto bonito, e fisicamente, nós combinamos. Eu sou clara, cabelos castanhos e magra, embora Jacob muitas vezes me diga que estou acima do peso. E sou pequena. 1,61 para ser exata. Isso me coloca em grande desvantagem quando as coisas ficam difíceis com Jacob. Não que sempre revide. Lutar contra só piora as coisas. Aprendi essa lição há muito tempo.

Ele se inclina e me beija firmemente nos lábios. Eu sinto o álcool em seu hálito instantaneamente. Ele esteve bebendo. Meu estômago afunda. Eu adorava os beijos de Jacob no começo. Especialmente os sem álcool. Eu me lembro como não podia esperar para ter a sensação de seus lábios nos meus. Agora, é a última coisa que quero. Não me interpretem mal; Jacob não precisa de álcool para explodir. Ele só inflama mais rápido quando ele está sob influência dele.

Jacob me segue até a cozinha, ainda segurando a minha mão, o que não é normal. Ele geralmente não é de tocar muito em particular. Somente em público, ou quando ele quer sexo. Eu desvencilho meus dedos dos seus para pegar o cabo da panela com a intenção de mexer o molho no fogão. Ele franze a testa, em seguida, se afasta, movendo-se para a geladeira. Ele pega uma cerveja, mas não me oferece uma bebida. Jacob não acha que as mulheres devam beber cerveja, especialmente direto da garrafa. Ele diz que é uma grosseria fazer isso, mas bebo quando

ele não está por perto. Ele acha que as tenho na geladeira para ele, e o deixo acreditar nisso. Ele se aproxima e inclina as costas contra o balcão ao meu lado. Eu abaixo o fogo para deixar o molho cozinhar.

Eu estou fazendo Pasta de macarrão. Simples, mas deliciosa. Nossa antiga cozinheira, a senhora Kennedy, me mostrou como fazê-la. Ela costumava me ensinar a cozinhar quando Charlie não estava por perto. Eu senti muito sua falta quando ela foi embora. Charlie a dispensou quando ele ouviu por acaso ela me questionando sobre os hematomas nos meus braços.

— Eu estava pensando que deveria mudar para cá. — As palavras de Jacob se misturam no ar, como óleo em água. Minha mão congela em volta do cabo da panela. Não. Não. Não. — O que você acha?

Eu tenho que pisar com cuidado aqui. Mantendo o rosto neutro, viro para ele.

— Eu pensei que você gostasse de viver com os caras?

Jacob vive em uma grande casa alugada a dois quarteirões daqui com quatro de seus companheiros de fraternidade.

— Eu sei, mas é barulhento. Eles estão sempre festejando, e preciso de calma para trabalhar. Você sabe como é. É por isso que você mora sozinha, para que possa ter paz para estudar.

Na verdade não. Eu vivo sozinha, porque não tenho amigas para dividir a casa, e nunca, nunca quero viver com um homem novamente. Especialmente com você. Pegando a colher, começo a mexer o molho novamente.

Incapaz de parar minhas próximas palavras, tento dizê-las o mais suavemente possível.

— Você não acha que é um pouco cedo? Quero dizer, nós só estamos juntos há sete meses.

A duração da pausa me diz apenas o nível de raiva que nós atingimos. E isso não é bom. Nem um pouco bom.

— Você não quer morar comigo? — Sua voz não soa magoada. Apenas com raiva. Estúpida, Isabella. Estúpida. Estúpida. Estúpida.

— Claro que sim, só estou pensando em você. Eu não quero que você se sinta amarrado tão rapidamente. — Eu falo rapidamente, mas é inútil. Eu sei disso.

— Besteira. — Ele empurra a panela para fora do fogo, e agarra um punhado do meu cabelo comprido, enrolando seus dedos nele. Ele se desloca para trás de mim e lentamente puxa minha cabeça para trás em sua direção.

— Você se sentiria presa, se me mudasse Isabella?

— Jacob, por favor — digo, engolindo seco.

— Responda-me!

— Não, claro que não.

— Existe mais alguém com quem você queira morar, Isabella? Outro cara? Você está transando com outra pessoa? — Sua mão está apertando o meu cabelo, puxando as raízes. Meus olhos lacrimejam com a dor.

— Não, claro que não. É só com você que quero estar. Eu te amo.

Te odeio.

— Eu não acredito em você! Você está fodendo com outra pessoa, não é? Ele me vira e me joga contra a geladeira. Dor atinge as minhas costas.

— Não, não estou. Eu juro. — Estou sem fôlego, e minha boca está seca. Uma lágrima escorre pelo meu rosto, porque sei o que está por vir, e não há nada que possa dizer ou fazer que vá impedir que isso aconteça.

— Se você não fez nada errado, então por que diabos você está chorando? — Seu rosto está no meu. Posso dizer por seus olhos que ele se foi. O Jacob bom que chegou, ficou na porta. Ele me puxa para frente, em seguida, me bate com força contra a geladeira novamente. Meus dentes chocalham enquanto minha cabeça sofre o impacto.

— Eu estou c-chorando p-porque não quero que você me machuque. — As palavras tropeçam dos meus lábios trêmulos. Eu não quero que ele me machuque - isso é o que digo. É uma coisa estúpida de se dizer, porque isso é tudo o que ele faz, e isso não está prestes a mudar só porque eu disse as palavras.

— C-chorando, — ele imita, soltando uma risada aguda. Então seu rosto se escurece e sei exatamente o que está por vir, então fecho meus olhos e me preparo. Eu sinto a dor familiar de sua mão batendo no meu rosto. Um cheiro forte de sangue corre pela minha boca.

Feliz. Pense em coisas felizes, Isabella. A sensação do sol no meu rosto. O perfume das flores que tenho na minha floreira. Baixando a capota do meu carro em um dia quente,

amando o modo como o vento me toca enquanto ele sopra pelo meu cabelo. Eu sou um pássaro. Um pássaro que voa livre no céu... Música. Pense em uma música, Isabella. Cante-a em sua cabeça enquanto você voa para longe...

— Seria uma pena desperdiçar todas essas lágrimas. — Jacob me dá um tapa no rosto novamente. — Continue chorando, Isabella. E continuarei te dando uma razão para chorar.

Eu não estou mais chorando, mas isso não o impede. Nada o impede. Jacob só acabará quando ele acabar. Então voo para um local seguro. Um cheio de felicidade.

Eu volto, sem saber quanto tempo se passou. Estou sozinha no chão da cozinha. Levanto-me e fico de joelhos. Os azulejos são duros e implacáveis contra minhas canelas. Minha cabeça está latejando, e a dor está irradiando para o meu lado. Eu seguro a minha mão nas minhas costelas. Não estão quebradas, apenas feridas. Eu tive costelas quebradas antes, então sei o quão ruim elas se sentem. Aperto a mão em torno de minhas costelas em uma tentativa de conter a dor enquanto fico de pé. Vendo que o fogo ainda está aceso, me movo silenciosamente para desligá-lo. O clique do botão ecoa alto no silêncio. Eu congelo. Tornar-me invisível é o que conta agora. Eu não quero atrair a atenção do Jacob. Virando a cabeça, o vejo na sala de estar, através da fresta da porta. Ele está sentado no sofá, cerveja na mão, encarando-a.

Eu sei o que virá a seguir. Nós desempenhamos esse papel regularmente. Movendo-me levemente, abro a porta com cuidado e deslizo pelo corredor, indo direto para o banheiro. Fechando a porta silenciosamente atrás de mim, puxo o kit de primeiros socorros do armário, em seguida, verifico o meu rosto no espelho. Não há contusões. Jacob, normalmente, não me atinge com força suficiente no rosto para deixar um hematoma, assim como Charlie não deixava também. As pessoas questionam os hematomas no rosto. Eu verifico o meu lábio. Cortado por dentro. Rasgado pelo meu dente. Eu engulo um par de Advil para aliviar a dor em minhas costelas, em seguida, pego algum antisséptico e passo num cotonete. Puxando meu lábio para frente, passo o antisséptico contra o corte.

— Merda, — sussurro. Uma lágrima de dor escorre do meu olho. Eu limpo ela no meu antebraço. Quando termino, jogo o cotonete no lixo, fecho o kit de primeiros socorros, e o guardo. Com cuidado, levanto a minha camisa para que possa examinar minhas costelas. Minha pele está vermelha e inchada. Haverá uma contusão surgindo em poucas horas. Uma bem ruim. Um movimento na porta me chama a atenção. Jacob.

Eu congelo. Minha camisa cai da minha mão, me cobrindo. Cobrindo o que ele fez comigo.

— Eu fiz isso com você. — O arrependimento está em sua voz. Lágrimas estão em seus olhos.

Te odeio.

— Deus, sinto muito, Isabella. — Ele se arremessa sobre mim, me agarrando, me puxando contra ele. Ele não se importa que me encolho da dor nas minhas costelas. Tudo o que ele se preocupa agora é com ele mesmo. Tudo o que ele sempre se preocupa é com ele mesmo. Fazendo Jacob se sentir melhor, não importa qual o custo para mim. — Sinto muito, muito mesmo, Isabella. Sinto muito. — Ele está pressionando beijos no meu rosto, junto com suas palavras insuficientes. Suas lágrimas escorrem contra a minha pele. Elas me fazem sentir raiva.

Usada. Fraca. Consumida.

— Eu estou bem, — sussurro. Roteiro. Minha vida é um grande roteiro maldito.

— Isso nunca vai acontecer de novo. Eu prometo. Eu te amo pra caralho, Isabella. Eu só fico com tanto ciúmes de pensar em você com outro cara, e tenho estado sob muita pressão ultimamente, com o meu pai e... Eu me desligo das suas desculpas vazias e suas explicações, apenas me asseguro de falar nas horas certas.

— Está tudo bem, Jacob. Vai ficar tudo bem.

— Eu te amo, — ele respira. — Eu não posso te perder. Eu não sei o que faria sem você.

Sinto sua mudança de humor, e sei o que está por vir. Isso sempre acontece depois que ele me bate. Sua mão se move para o meu jeans e ele começa a abri-lo, deslizando a mão por dentro, para minha calcinha.

— Eu te amo tanto, Isabella. Deixe-me fazer isso melhor. Por Favor.

Eu fecho meus olhos e aceno assentindo. Eu não luto com ele sobre isso. Eu não luto com ele sobre nada. Então fecho meus olhos e deixo Jacob tirar minhas roupas. Eu deixo ele fazer sexo comigo contra a parede, porque isso é tudo que conheço. E tão errado quanto isso soe, uma parte de mim anseia para se sentir bem. Para se sentir amada. Mesmo que seja falso... mas por esse momento, aqui, ouvindo Jacob me dizer o quanto ele precisa de mim, como não há ninguém como eu, como ele não poderia amar nenhuma outra - posso fechar meus olhos e fingir que é real; que estou sendo amada do jeito que só posso sonhar.

Quando Jacob acaba, ele me leva até meu quarto. Levantando a coberta, ele me deita e sobe atrás de mim, me puxando apertado contra ele. Seus braços me prendendo.

— Eu te amo, — ele sussurra. — Eu nunca vou te machucar novamente. Nunca.

Eu fecho meus olhos, e forço as palavras:

— Eu também te amo.

Depois de um tempo, sinto a respiração de Jacob ficar regular, então deslizo para fora do seu controle. Eu entro na cozinha escura, sem me preocupar em acender a luz, e abro a porta da geladeira. A luz brilha pelo ambiente. Eu fico

olhando para seu conteúdo, a dor e o autodesprezo me apunhalam como agulhas em minha pele. Eu só quero fugir. Eu quero ser livre. Livre novamente, como fui no dia que Charlie morreu. Senti-me como um gigante naquele dia. Como se pudesse fazer ou conseguir qualquer coisa. Mas tudo que consegui fazer foi substituir Charlie por Jacob. O que isso diz sobre mim? Isso quer dizer que fodi tudo. Estraguei. Coisa que já sei. E não posso ficar longe de Jacob. Não é como se apenas pudesse terminar com ele. Mulheres como eu não conseguem romper com homens como Jacob. Eu só estou livre quando ele disser isso. E ele não vai dizer. Eu sei disso porque sou ideal para a vida que ele quer. Eu sou flexível. Controlável. Visualmente, sou adequada. Eu venho do dinheiro, e tenho o direito de reprodução, como ouvi o pai dele dizer-lhe uma vez. Eu estou estudando para ser médica, uma cirurgiã como Charlie era. Não foi a minha escolha de carreira, mas Charlie me disse que seria uma cirurgiã, então serei uma cirurgiã. Todos esses atributos funcionam perfeitamente para Jacob. Homens como ele escolhem uma mulher como um empregador escolhe candidatos para empregos - frio e metódico. O amor não tem nada a ver com isso, embora Jacob, provavelmente, acredite que o amor é uma parte disso.

Então, um dia, em um futuro não muito distante, vou me tornar a senhora Jacob Black. Nós vamos ter filhos, e Jacob vai continuar a me bater regularmente como uma saída para a sua ira e falhas. Do lado de fora, nós vamos ter um casamento perfeito. E por trás das portas fechadas, nós seremos tudo que poderia estar errado em um casamento. Dia após dia vou usar a fachada. Eu vou ser a esposa perfeita para Jacob como era a filha perfeita para Charlie para desfilar. Então degradação e espancamentos sem sentido no momento em que as portas de nossa casa se fecham. Jacob nunca perguntou sobre o meu passado. Nunca questionou as cicatrizes que desfiguram as partes secretas do meu corpo. Lembro-me de estar com tanto medo à primeira vez que fizemos amor. Com medo que ele fosse perguntar sobre elas, mas ele nunca o fez. Parte de mim estava aliviada, mas decepcionada. Eu me encorajei a acreditar que ele não tinha perguntado por que ele não queria me fazer sentir desconfortável, ou me perturbar, ressaltando-as. A verdade é que ele não perguntou por que ele não se importa. Minhas cicatrizes provavelmente validam que era exatamente a garota certa para ele. Talvez ele visse isso em mim no segundo que nossos olhos se encontraram naquele bar àquela noite. Os iguais se reconhecem, certo?

Alcançando a geladeira, começo a tirar a comida, colocando-a sobre o balcão.

Deixando a porta aberta por causa da luz, me volto para o armário para pegar mais comida. Quando tenho certeza que tenho o suficiente para conseguir passar por isso, rasgo a embalagem do frango guardado de ontem. E começo a comer.

Eu estou sentada no chão, o suor umedecendo minha pele, minhas mãos pegajosas de alimentos. Meu estômago cheio e dolorido, minhas costas pressionadas contra a porta. Ao meu redor estão recipientes de comidas vazias e embalagens. Sabendo que não posso ficar aqui a noite toda, começo a me levantar. Meu estômago dói, sob a pressão da gravidade. Estou desconfortável. Sinto-me doente. Saboreio a sensação. Eu arrumo a bagunça. Recipientes na máquina. Embalagens empurradas para o fundo da lata de lixo, assim Jacob não vai vê-las. Não que ele iria questioná-las, mas é melhor estar segura. Eu tento nunca dar uma razão para acionar sua raiva. Eu lavo minhas mãos limpas. Em seguida, vou ao banheiro e tranco a porta. Deixo a luz desligada. Eu não quero correr o risco de pegar um vislumbre de mim mesma no espelho neste momento. Ajoelhando-me diante do vaso sanitário, levanto o assento. Dedos pairam sobre os meus lábios, empurro para trás, e faço toda a dor ir embora.

Estou de volta na casa de Charlie para terminar de embalar as coisas. Meu último dia aqui. Depois de hoje, nunca mais vou ter que vir a esta casa. A compreensão disso é como o ar limpo em meus pulmões. Tudo o que resta para esvaziar é seu escritório. Deixei este cômodo por último porque desprezo esse ambiente.

Charlie sempre me batia em seu escritório, como se ele pensasse que se mantivesse tudo nesse quarto, ele poderia sair daqui e trancar a porta quando já tivesse terminado. Isso nunca foi o meu caso, mas estar aqui traz as coisas de volta à todo vapor. Más lembranças começam a gritar no silêncio. Sento-me no chão e pego o meu iPhone. Definindo uma música para tocar, o coloco em cima da mesa de Charlie. Ele amava esta mesa. Ela pertencia a seu avô. Eu deveria queimá-la. Assim como deveria ter queimado o corpo de Charlie. O cremado até o pó. Certificando-me de que ele tinha ido embora para sempre. Infelizmente para mim, Charlie pôs em seu testamento que ele deveria ser enterrado. Ele já tinha comprado um terreno. Eu também descobri que ele havia comprado um para mim também. Um lote ao lado dele. Eu prefiro queimar no inferno a passar a eternidade presa ao lado dele. Eu já cumpri a minha pena.

Terminei. Alcançando a última caixa desmontada, me alongo demais, e minhas costelas doem. Eu estou ostentando uma bela contusão preta, cortesia da explosão de Jacob na noite passada. Eu verifico o meu pacote de Advil e lembro-me que tomei o último esta manhã. Sabendo que tudo está embalado, começo a procurar pelas gavetas de Charlie, na esperança de que possa haver algo ali. Puxo a última gaveta, mas está trancada.

Eu procuro nas outras gavetas por uma chave, mas não encontro nada. Então um pensamento passa pela minha cabeça. As chaves de Charlie, aquelas que me deram com as coisas dele no hospital, tem algumas chaves que não tinha encontrado uma utilidade. Eu pego as chaves na minha bolsa, e começo a tentar as três chaves. A segunda se encaixa, então giro, e a fechadura se abre com um clique. Eu puxo a gaveta, e não há nada nela, apenas uma pasta de documentos. Pego a pasta da gaveta e sento-me na cadeira, colocando a pasta sobre a mesa. No canto superior direito, tem uma palavra - Renée.

Vendo o nome da minha mãe sobre ela, tenho que abrir a pasta. Há dois pedaços de papel dentro. Ambos são intitulados:

— Sawyer, Davis e Smith. Advogados de família. Data: 12 de dezembro de 1993.

Eu nasci em 1993, 13 de setembro é o meu aniversário.

A primeira carta é dirigida a Charlie.

Eu começo a ler.

Não. Isso... Isso não pode estar certo. O sangue começa a bater nos meus ouvidos. Com os dedos trêmulos, me volto para o segundo pedaço de papel e leio rapidamente o jargão de advogado. Estou compreendo o básico sobre o que é esta carta. Não é uma carta.

É um contrato.

Eu, Renée Swan, autorizo cessar todos os meus direitos maternais sobre minha filha, Isabella Swan, e dou a custódia exclusiva para seu pai, o Dr. Charlie Swan.

Eu não leio mais. Eu não preciso. Minha mãe não morreu em um acidente de carro. Ela me deu a Charlie. Ela me deixou com ele.

Ela me deu a ele.

Tudo começa a rachar ao meu redor. Meus olhos desfocam, e meu coração começa a doer no peito. As cartas tremem em minhas mãos, caindo sobre a mesa. Eu pego a pasta, procurando, lutando para encontrar qualquer outra coisa. Eu encontro um pedaço de papel no final. Tem o nome da minha mãe sobre ele e um endereço de um lugar chamado Durango, no Colorado. Pegando os papéis e o endereço, os enfio na minha bolsa. Eu preciso sair daqui. Eu preciso falar com alguém. Então vou para a única pessoa que tenho neste mundo - Jacob.

Quando chego à casa dele, não me incomodo de bater, pois sei que vai estar destrancado. Há sempre alguém aqui. A vontade de falar com ele sobre o que descobri tem aumentado no caminho até aqui. Eu só preciso colocar isso para fora. Descobrir isso. Ele vai ser capaz de me ajudar a fazer isso. Sim, Jacob é um idiota, mas ele é inteligente. Ele é quase um advogado. Ele saberá o que esses documentos significam. Ele saberá o que fazer. Enquanto ando pelo saguão, vejo a sala de estar deserta.

Se ele não está, vou esperar em seu quarto até que ele chegue a casa. Eu subo as escadas para o primeiro andar. O quarto de Jacob é no final do corredor. Eu ando rapidamente, apertando minha bolsa ao meu lado. Os documentos que estão dentro parecem como se estivessem queimando através do couro e na minha pele. Chegando à porta de Jacob, seguro o trinco e empurro, abrindo-a.

E sou recebida pela visão de Jacob na cama, fazendo sexo com uma garota - que não sou eu, obviamente.

Eu realmente não posso dizer o que sinto neste momento. Há certa miríade de emoções fluindo sobre mim, mas sei que a emoção que sinto com absoluta certeza é alívio. Em que contexto, não tenho certeza.

Engraçado. Charlie morre, me sinto aliviada. Jacob me trai, me sinto aliviada. Não é realmente o sentimento natural que se deve ter nesse tipo de situação. Será que isso significa que estou livre de Jacob? As palavras estão ali na ponta da minha língua. De todas as coisas que poderia dizer a ele neste momento, essa é a coisa que mais quero perguntar.

Levou um momento para Jacob me ver aqui de pé na sua porta, pois ele está muito ocupado fodendo a garota. A surpresa é evidente em seu rosto, mas rapidamente se transforma em frieza, a expressão vazia que estou familiarizada.

A garota está de costas para mim. Tudo o que posso ver é uma massa de cabelos castanhos cobrindo seu rosto enquanto ela está de joelhos sendo fodida por trás pelo meu namorado. Ela não tem nenhuma pista que estou aqui, observando, sentindo-me totalmente sem emoção com a coisa toda. E Jacob não diz nada. Ele apenas me encara enquanto continua tendo relações sexuais com ela.

— Sim, Deus! Jacob. — ela grita, me fazendo pular. Jacob realmente sorri. — Mais duramente! Foda-me mais forte!

Ela realmente parece estar se divertindo. Mais do que já me diverti com ele. Talvez seja por isso que ele me bata. Talvez não faça sexo direito. Ele foi meu primeiro. Tem sido o meu único.

— Sim! Bem ali! — Ela continua gritando.

Você achou que ele ia parar e tentar alguma coisa idiota como' Não é o que você pensa, Isabella'. Mas ele não diz nada. Então, novamente, você achou que eu diria alguma coisa; qualquer garota normal faria se ela pegasse seu namorado traindo-a. Ela provavelmente seria a única a gritar agora. Mas, então, Jacob e eu não somos exatamente normais. Ele tem todo o poder, e sou apenas arrastada para o passeio.

Continuando a ter relações sexuais com essa garota, e mantendo os olhos em mim, seu sorriso muda para um sorriso malicioso. Em seguida, um fogo acende em seus olhos. Isso é novo. Eu nunca vi esse olhar nele antes, mas então nunca o vi fazendo sexo com outra pessoa antes também.

Mas há algo no modo como ele está olhando para mim agora que me aterroriza. Ele parece fortalecido, como se ele finalmente me tivesse exatamente onde ele me queria. Calafrios rastejam pela minha espinha como aranhas.

— Oh Deus, estou chegando! Estou gozando! — A menina grita totalmente inconsciente do que está acontecendo agora entre Jacob e eu.

Saia Isabella, agora. Vai!

Quebrando meu olhar do dele. Dou um passo para trás. Dois. E então saio, fugindo pelas as escadas e saindo de lá. Eu lanço minha bolsa no chão do carro e dou a volta, indo embora. Com a visão turva, limpo os olhos e percebo que estou chorando.

Por quê?

Eu não estou inteiramente certa.

Eu dirijo até uma loja de conveniência, estaciono o meu carro nos fundos, entro e compro tanta comida quanto posso carregar em meus braços. Batatas fritas, doces, biscoitos, sorvetes – qualquer coisa que eu possa colocar em minhas mãos. Eu volto para o meu carro, abro a comida e começo a comer como sempre faço. Comer, provavelmente, é uma palavra muito boa para o que estou fazendo - estou devorando. Quando termino, a sensação de estômago apertado e estourando, um alívio momentâneo me preenche.

Então olho em volta para as embalagens e recipientes vazios e a doença, sujeira, e o sentimento de culpa mais uma vez tomam conta de mim. Enfio as embalagens no saco e olho na área em volta. Não há ninguém por perto, então ando em direção à lata de lixo e despejo o saco nele. Então saio rapidamente para o grupo de árvores na beira da loja e me escondo da vista, enquanto escoro a minha mão contra uma das árvores. Eu empurro meus dedos pela minha garganta, esvaziando meu estômago.

Eu volto para meu carro, limpo as mãos em um pano, e coloco uma bala de menta na boca. Finalmente sentindo-me no controle das minhas emoções, ligo o carro e vou para casa. Eu não sei se Jacob está lá esperando, pois seu carro não está estacionado na frente, talvez esse seja o ponto; ele sempre gosta de ter a vantagem.

Quando o vejo na minha porta, tento correr, mas ele agarra meu braço, me arrastando de volta.

— Ah, não, você não vai.

Eu posso sentir o cheiro dele. É de sexo. O sexo que acabei de vê-lo fazer. Ele nem sequer tomou banho. Ele apenas acabou de foder e veio até aqui. Ou talvez seja sua amante. Talvez ela seja sua namorada.

Jacob puxa as chaves da minha mão e abre a porta. Ele me empurra para o meu apartamento. Eu tropeço, mas rapidamente me equilibro. Por alguma razão, neste momento, é importante para mim que não caia na frente dele. Virando de costas, me pressiono contra o encosto do sofá e pego a parte superior dele com as minhas mãos.

Eu não estou realmente certa do que deveria esperar dele neste momento, mas preciso me preparar para o pior. Ele coloca as chaves sobre a mesa ao lado da porta e encosta-se nela, cruzando os braços sobre o peito. Eu assisto seus músculos flexionarem.

No início do nosso relacionamento, adorava o quão forte seus braços eram. O quão seguro eles me fizeram sentir. Agora, tudo o que vejo é o poder por trás da dor. O medo que eles me fazem sentir. O mesmo medo que cresci sentindo por causa de um homem exatamente como ele. Eu não quero mais isso. Eu não quero me sentir assim. Não agora. Nem nunca mais. É como uma claridade. Como se a minha luz finalmente tivesse chegado.

Por que agora? Eu não tenho certeza. Mas ela chegou, e é como se tirasse um peso dos meus ombros. Eu nunca mais vou voltar para a vida que tinha antes. Custe o que custar, acabará agora.

Essa compreensão empurra minha coluna para cima. Eu fico um pouco mais reta. Os olhos de Jacob se voltam para mim.

— Ela é sua namorada? — Eu pergunto, certificando-me de manter a voz clara e firme, mesmo que meu coração esteja batendo tão forte no meu peito que seja quase doloroso.

Ele parece surpreso. De todas as coisas que eu poderia ter dito, não acho que ele estava esperando por isso. Eu me pergunto o que ele estava esperando que dissesse.

— Não. Esse privilégio é todo seu — responde ele, com os lábios apertados.

— Você transa com ela com frequência?

Seus olhos se estreitam.

— Cuidado com a boca, Isabella.

— Sinto muito. — Eu sorrio, docemente... Antagonicamente.

— Você faz sexo regularmente com ela?

— Não, ela é nova.

Nova?

— Houve outras?

— Sim. — Ele sorri.

Dói mais do que eu estava esperando. Lágrimas trilham pelos meus olhos. Não por causa de sua traição, ou as surras, mas porque estou com raiva de mim mesma. Irritada por ser tão malditamente fraca.

— Você usou preservativo com elas? — Ele não usa comigo.

— Sim.

Graças a Deus. Eu ainda assim vou fazer o teste.

Eu posso ver a raiva crescente dentro dele. Está dito no escuro de seus olhos. Na pele esticada nas suas bochechas. Nos seus punhos cerrados ao lado do corpo. Meu questionamento está irritando ele. Na verdade, ele tem a audácia de estar irritado nessa situação. Mas então, posso realmente esperar algo mais dele?

Normalmente, quando Jacob está desta forma, faço de tudo para satisfazê-lo. Qualquer coisa para acalmá-lo. Mas agora o meu único objetivo é irritá-lo mais. Eu não sei por que, ou de que maneira quero que ele saia da minha vida para sempre, mas vou fazer o que for preciso agora para que isso aconteça.

Eu inclino minha cabeça para o lado, avaliando-o enquanto faço esta pergunta. Eu estou realmente interessada em saber a resposta, porque, honestamente, não faz sentido para mim.

— Jacob, você queria morar aqui comigo. Isso não iria prejudicar um pouco sua capacidade de ter relações sexuais com outras mulheres?

— Não. — Ele é presunçoso em sua declaração. E isso me faz sentir menos do que desprezível. Ele cruza os braços sobre o peito. — É simplesmente hora de passarmos para a próxima fase do nosso relacionamento. Mas minhas atividades extras permanecerão do mesmo modo.

Deus, eu sabia que ele era um bastardo de coração frio, mas agora estou vendo um bastardo completo. Eu acho que existem mais lados de Jacob Black do que tinha percebido. Eu envolvo meus braços em volta de mim. Eu preciso sentir alguma forma de calor.

— Então você tem essas garotas e a mim. Por quê?

Ele sorri.

— Porque posso. E não existe separado agora, Isabella. Você vai ser parte disso também.

Minha fisionomia desaba.

— O quê? — As palavras saem fracas dos meus lábios. Eu tenho certeza que sei aonde ele quer chegar - não que eu saiba muito sobre sexo, mas não sou burra. Eu só não quero acreditar. Ele nunca demonstrou qualquer interesse em algo assim antes. Nós sempre fomos direto para sexo baunilha. Ele nunca me pegou por trás como ele fez com aquela garota.

— Você. Vai. Ser. Uma. Parte. Disso. — Ele me trata como se falasse com uma criança. — Você vai me deixar fodê-las aqui em nosso apartamento quando eu quiser. Você vai se sentar aqui e me escutar transar com elas. E às vezes... — Ele dá um passo mais perto. — Você vai participar.

Não. Não. Não. Não! Claro que não!

— Eu acho que não. — Isso sou eu falando?

Seus traços ficam tensos. Ele dá um passo para frente. Eu posso ver suas mãos se contorcendo. Eu dou a volta no sofá.

— Você vai fazer o que eu disser, Isabella. Você é minha para fazer o que quiser.

O cinto estalando na minha bunda.

Quem está no controle aqui, Isabella? — Você está, papai.

Eu levanto os meus olhos para seu rosto. Jacob pode ser bonito, mas ele nunca pareceu mais repulsivo do que ele está neste momento.

— Você bate nessas garotas como você faz comigo?

Eu vejo surpresa cintilar em seu rosto. Mesmo que ambos sejamos muito claros sobre o fato de que Jacob me bate... Na verdade nunca disse as palavras em voz alta antes. Elas parecem estranhas para serem ditas, mas também fortalecem.

— Não, — ele responde, com a voz fria. E o fortalecimento que eu tinha adquirido rapidamente se dissipa e tenho vontade de chorar. O tipo feio de choro.

Ele me bate porque ele pode. Porque permito. Porque sou fraca.

— Por que eu? — Eu pergunto.

Eu sei por que, mas a minha parte sádica quer ouvi-lo confirmar.

Ele se aproxima até estar bem na minha frente. Eu não me movo desta vez. Eu fico firme, mesmo que minhas pernas estejam tremendo ao ponto que estou surpresa que realmente ainda estou de pé. Se o meu ato de força o surpreende, ele não deixa transparecer. Ele se inclina, ficando na minha cara. Sua respiração quente queima minha pele. Eu ainda posso sentir o cheiro da garota nele.

Eu quero vomitar.

— Porque você é minha, Isabella. — Sua voz soa como um assobio. — Você pertence a mim. Você é a minha outra metade. Minha pequena... Facilmente controlável... Fodida outra metade.

Eu talvez já soubesse disso, mas isso não impediu de me ferir. Eu escondo o abalo da dor ardente que sinto, porque não quero que ele tenha o prazer de saber. Ele levanta a mão. Eu recuo. Isso lhe agrada. Tocando minha bochecha com um simples toque, ele passa os dedos na minha pele e coloca meu cabelo comprido atrás da minha orelha.

— Você é realmente bonita, — ele murmura, roçando seus dedos pelo meu cabelo e pelas minhas costas. Então ele pega um punhado do meu cabelo, e puxa minha cabeça para trás. Meus olhos se enchem de água e de dor.

— Você e eu somos a mesma coisa, você sabe. — Sua voz é baixa e vingativa. — Bonita por fora, mas todo tipo de merda por dentro. Eu queria você, Isabella, pela mesma razão que você me queria. Porque, os iguais se reconhecem. O abusado torna-se o agressor. Ou, no seu caso, o abusado apenas continua abusado.

Um véu se levanta dos meus olhos. Como não vi isso antes? Padrão estereotipado. Jacob viveu a minha infância. Até que ponto, acho que nunca vou saber. Mas ele viveu com a dor. Será que seu pai batia nele também?

De repente, sinto-me repleta de tristeza por ele. Um sofrimento pela criança que ele foi. Pela infância que lhe foi roubada, como a minha foi. Então olho para o homem diante de mim, e a tristeza se transforma instantaneamente em raiva. Uma clara raiva quente.

Ele sabe como é, e ainda sim, ele faz isso comigo.

Ele poderia ter parado o ciclo. Apenas me amado. Eu o teria amado de volta, sem dúvida. Eu lhe teria dado tudo de mim. Meu coração. Juntos, nós poderíamos ter nos curado. Mas em vez disso, tudo o que ele me deu foi um relacionamento abusivo, co-dependente e alimentado pelo ódio. E agora apenas saio com uma separação vazia, repleta de ódio e amargo ressentimento. Eu abro minha boca para lhe dizer isso... então ele me bate. Eu poderia ter ido embora... talvez não andando, mas correndo. Eu deveria ter fugido.

A verdade simples é que peguei o único caminho que conhecia... continuei sendo a antiga eu. Aquela que Charlie criou, em vez de tentar encontrar uma nova Isabella. A verdadeira Isabella. Porque estava com medo de tentar. Raiva por minhas próprias falhas estouram pelo meu peito... aumentam... me comprimem de dentro para fora. Eu me sinto como se fosse explodir sob a pressão. De alguma forma consigo encontrar minha voz.

— Eu quero que você saia.

Um riso cruel rompe dele.

— Você está terminando comigo, Isabella?

Requer todas as minhas forças, mas me obrigo a encontrar seus olhos.

— Eu diria que tenho uma boa razão para isso, não é?

Ele pega meu rosto, beliscando forte as minhas bochechas, então ele empurra minha cabeça para trás. Ele envolve sua mão em volta do meu braço, me puxando direto para ele. Eu colido forte contra seu peito.

— Então, deixe-me ver se entendi - bato em você sempre que quero, mas no momento em que você me pega com meu pau em uma vadia barata, você aparentemente quer terminar?

Estremeço com a pressão de seus dedos afundando em meu braço, mas falo em meio à dor.

— Não tem nada a ver com você ter relações sexuais com a garota. Eu finalmente acordei. Algo que deveria ter feito há muito tempo. Não vou continuar sendo seu saco de pancadas, Jacob. E definitivamente não vou me tornar sua puta.

Ele ri na minha cara. Sua voz fria, ele diz:

— Você tem sido minha puta desde o momento em que te conheci.

O que acontece quando você se veste como uma prostituta, Isabella?

Mordo meu lábio durante a surra, incapaz de falar com a dor.

Responda-me! Meu corpo pula com a força de sua voz. O suor escorre na lateral do meu rosto, como as lágrimas que eu queria derramar.

Eu sou tratada como u-uma, P-papai.

Exatamente. Você está finalmente começando a aprender.

Algo em mim se encaixa. Eu fico olhando duro nos olhos da Jacob.

— Eu não sou puta de ninguém! Agora dê o fora do meu apartamento! Eu terminei com você!

Raiva engole suas características, tornando-o quase irreconhecível. Em todo esse tempo, nunca o vi tão zangado, nem de longe. Eu deveria estar apavorada. Eu não estou.

— Terminado comigo? — Ele cospe na minha cara. — Você acha que é fodidamente "fácil"? Eu não estou indo a lugar nenhum! E nem você!

Ele bate seus lábios contra os meus, ao mesmo tempo em que restringe minhas mãos nas laterais. A próxima coisa que sei é que as minhas costas estão pressionadas contra a parede, seu corpo duro no meu, me prendendo. Eu estou presa. Sinto sua rápida ereção comprimindo no meu quadril, e os meus sentidos instantaneamente me dizem onde isso vai dar. Meu coração despenca.

Oh Deus, não. Não isso. Qualquer coisa, menos isso. Eu tenho sido degradada, humilhada e espancada. Mas nunca estuprada. Ele não está tirando isso de mim. Eu tenho que lutar de volta. A coisa engraçada é que não sei como reagir. O medo está borbulhando meu sangue, adrenalina aumentando os meus sentidos, então faço a única coisa que posso pensar.

Eu mordo seu lábio até sentir o sangue.

— Sua vadia!

Ele me bate com força. Eu esperava, mas não o soco que se seguiu. Minha cabeça ricocheteia na parede. Dor explode em toda parte. Uma luz inunda minha visão.

Jacob me agarra e me levanta, em seguida, me bate contra a parede. Eu grito de dor com o choque que é enviado pelas minhas costelas já machucadas. Empurrando minha saia para cima, sua mão vai para baixo da minha calcinha enquanto a outra aperta forte a minha garganta. Seus dedos pressionam dolorosamente na minha carne. Um me violando. O outro roubando a minha respiração.

No entanto, tudo o que posso pensar é: Por que usei uma saia esta manhã? Por que não escolhi calças? Se tivesse escolhido calças, teria sido mais difícil para ele. Talvez me desse uma saída. Algo tão pequeno pode definir aonde a situação vai. Eu, provavelmente, nunca mais iria usar uma saia. Algo pequeno. Insignificante. Mas é importante para mim.

Eu posso me sentir desligando. Fecho meus olhos com força.

Calor. Música. Voo livre no céu azul... Segura. Estou segura.

Eu vou foder algum juízo em você — ele sussurra em meu ouvido. — Você precisa aprender uma lição.— Venha ao meu escritório, Isabella. É hora da lição.

Os dedos de Jacob grosseiramente e dolorosamente saem de mim, me arrastando de volta ao presente. Por um estúpido momento, acho que ele mudou de ideia, que talvez ele não vá fazer isso. Então ele pega no zíper da calça jeans.

Neste momento, é difícil dizer o que sinto. Compreensão, principalmente. Isso realmente vai acontecer comigo. Ele vai tirar de mim o último resquício de dignidade que tenho. Só se eu deixar que isso aconteça.

Pare com isso, Isabella! Pare de ser fraca e lute de volta! Você para com isso, e não haverá mais dor. Não será mais sofrimento. Nunca.

Jacob está lutando com o zíper. Ele se afasta de mim, apenas um pouco, então tiro o máximo proveito disso. Usando a coragem que não sabia que tinha, até agora, trago meu joelho para cima tão forte quanto posso e bato em suas bolas. Ele emite um som distorcido de agonia. Sua mão cai da minha garganta, e liberando as minhas duas mãos, sua mão vai direto para sua virilha, segurando a dor que acabei de criar.

Agora você sabe como se sente seu bastardo.

Eu deslizo pela parede, com falta de ar, que eu preciso desesperadamente. Jacob cambaleia um pouco para o lado, seu rosto marcado pela dor, então ele cai de joelhos. Agora, Isabella, vai! Estou me movendo. Correndo pelo meu apartamento. Pego minhas chaves da mesa, e saio porta afora, voando pelas escadas. Eu não paro para olhar para trás.

A rua está tranquila. Ninguém por perto. Eu desbloqueio o meu carro na corrida em direção a ele. Fechando a porta, minha mão treme enquanto tento colocar a chave na ignição. Merda! Eu não consigo colocá-la. Com o canto do meu olho, vejo Jacob vir tropeçando para fora do prédio, a mão ainda segurando sua virilha, e não sei se a pura sorte está conduzindo este momento, mas a chave de repente entra. Eu viro a ignição, mudo a marcha, e acelero, me tirando de lá. Chego ao final da rua em questão de segundos, viro à esquerda e corro pela rua. Eu sinto o suor na minha mão enquanto puxo o meu cabelo do meu rosto. Puxando-o para trás, encontro uma mancha de sangue. Eu dou uma rápida olhada no espelho retrovisor. Minha sobrancelha está aberta e o sangue da ferida está escorrendo pelo meu rosto, pingando sobre a minha roupa.

— Merda, — me encolho, sentindo de imediato a dor da compreensão.

Eu preciso limpá-lo, mas não posso parar. Não agora. Não posso arriscar que Jacob me alcance. Porque ele virá, sem dúvida, atrás de mim. Eu pressiono minha manga contra o corte para absorver o sangue e piso com mais força no acelerador, me atirando para frente. Antes que saiba, estou na I-90 com absolutamente nenhuma ideia de onde estou indo.

Não tenho para onde ir.

Não tenho amigos a quem recorrer.

Nenhuma família.

Sou apenas eu.

FORTE NÉ?

MAS UM ANJO VAI CRUZAR O CAMINHO DELA.

ANJO ? ? ?

beijos e até