Título: Darkness Revenge
Ficwriter: Kaline Bogard
Classificação: yaoi, cena dark, sobrenatural, AU
Pares: AyaxYohji
Resumo: Os Weiss são os caçadores de vampiros mais tenazes até que se deparam com um inusitado inimigo.
Darkness Revenge
Kaline Bogard
Prólogo
Japão – 1692
O rapaz caminhava calmamente pelos cômodos espaçosos e parcamente mobiliados da grande casa.
Não tinha pressa nenhuma em chegar ao seu destino. As coisas haviam se precipitado, mas não era necessário que ele ou um dos seus interferisse... pelo menos por enquanto.
Ajeitou os óculos na ponta do nariz afilado. Crawford sabia que não precisava usar aquelas lentes, mas gostava do efeito que tinham sobre sua aparência.
Parou em frente a porta de madeira corrediça, bem ao estilo das casas orientais. Passou a mão pelo belo kimono masculino, estampado de azul escuro e cinza. Depois abriu a porta.
Aquela porta dava acesso a uma espécie de varanda iluminada por três lamparinas contendo velas.
(Crawford) Boa noite, Lady Bogard.
Curvou-se de leve para a garota que estava ali.
(Lady) Boa noite, Brad.
Ela se encontrava sentada no chão a moda oriental, tocando uma espécie de harpa, instrumento que liberava um belo e doce som. Vestia um kimono feminino muito bonito, nas cores vermelho e branco. Parou de tocar e voltou os grandes olhos castanhos na direção de Crawford. Os cabelos eram negros e longos.
(Brad) Trago notícias da Casa Européia.
(Lady suspirando) O que houve por lá?
(Brad) Aquele 'cara' sumiu.
Lady Bogard depositou a harpa no chão, e cruzou as mãos sobre o colo de modo pensativo.
(Lady) Você está me dizendo que o atual mestre da Grande Casa da Europa simplesmente sumiu?
(Brad) Sim.
(Lady) Isso me surpreende.
(Brad) O que vamos fazer?
A garota pensou um pouco. Parecia ter uns dezenove anos de idade, mas Crawford sabia que tinha mais... muitos anos mais.
(Lady) Brad... o que você acha que meu marido faria?
(Brad) O que ele faria não é importante pois já não faz diferença. O que você quer fazer?
(Lady)... estou pedindo um conselho.
Crawford deixou que um sorriso muito leve pairasse sobre seus lábios. Depois aproximou-se da garota e sentou-se à frente dela.
(Brad) Lady Bogard, nossos domínios estão seguros. Nunca a Grande Casa do Oriente esteve em tão boa situação antes... não interfira, até que eles peçam.
(Lady pensativa) Hum... se aquele 'cara' sumiu significa que Evil está no comando agora... mas ela está repousando... ou seja: a casa da Europa ficou desprotegida...
(Brad) Não... a Comandante Mor européia é Lilik. Tudo se mantém sobre controle.
(Lady) Tem razão. Muito bem... não vou fazer nada até que Lilik ou mesmo Evil entrem em contato comigo.
(Brad satisfeito) Isso mesmo. Nós do Oriente não devemos nos envolver em conflitos tão distantes.
(Lady) Você disse uma verdade.
(Brad) Agrada-me ajudá-la.
Então a garota deu um sorriso travesso e encolheu os ombros.
(Lady) Eu só dou trabalho mesmo...
Crawford suspirou, e colocou a mão sobre os longos cabelos negros, fazendo um cafuné.
(Brad) Agora você não dá tanto trabalho quanto antes.
(Lady sorrindo) Obrigada, Brad.
O americano se ergueu e balançou a cabeça, sem responder. Lady Bogard pegou a harpa novamente, recomeçando a suave melodia. Crawford estava quase chegando a porta quando ouviu a voz da garota chegando até ele.
(Lady) Crawford... sei o quanto odeia aquele 'cara'...
(Brad)...
Voltou-se e encarou a jovem garota sentada no chão.
(Lady) O atual mestre da casa da Europa infligiu nossas leis mais antigas ao sumir sem qualquer aviso. Se por acaso nos envolvermos no conflito e você encontrá-lo... tem minha permissão para matá-lo.
(Brad) !!
(Lady) Ficarei do seu lado se isso acontecer.
O americano balançou a cabeça concordando. Sabia o que estava recebendo: a única chance de matar um mestre, sem levar punição por isso, era ter um outro mestre ao seu lado. Agora tinha o apoio da atual mestra da Grande Casa do Oriente.
(Brad) Vou torcer para que isso aconteça.
Lady Bogard sorriu e fechou os olhos. Crawford entendeu que era o momento de deixá-la novamente sozinha. Estava muito satisfeito: durante anos fora tutor da mestra do Oriente e agora tinha as recompensas por seu esforço. Talvez não encontrasse aquele 'cara'... mas talvez...
(Brad) Vou deixar Schuldig de prontidão... só por via das dúvidas.
A Europa ficava longe... mas não o suficiente quando os envolvidos eram vampiros...
América – 1692
Mystik abriu a porta e observou as pessoas ali dentro. Havia cerca de vinte, de várias idades. Todas se empenhavam em se divertir, espalhados pelo salão, em uma festa muito intima. A grande lareira estava acesa, ajudando a iluminar tudo, junto com várias lamparinas a óleo.
A garota correu os olhos pelo local, localizando quem tanto procurava: sua mestra, a atual líder da Grande Casa Americana. Caminhou até ela com passos firmes e decididos.
(Mystik) Suryia...
Suryia olhou para a outra dando um suspiro. Sua comandante mor nunca interromperia uma festa se não fosse pra tratar de problemas... observou bem a face da récem-chegada: Mystik era alta, magra, com cabelos claros chegando aos ombros, aparentava ter cerca de 23 anos. Trajava um vestido marrom claro, combinando com os olhos verdes, de decote discreto, contrariando a moda da época.
(Suryia) O que foi?
Fez um gesto para que se sentassem em poltronas afastadas do centro do salão. Seus convidados não deveriam ser importunados com suas obrigações.
Mystik piscou, analisando sua mestra. Como ela reagiria a uma notícia dessas? Talvez não fizesse nada, afinal sua mestra era uma caixinha de surpresas.
Nessa noite Suryia usava um longo vestido vermelho escuro, cheio de babados, duas vezes mais rodado e mais decotado que os demais. Os longos cabelos loiros estavam presos em um penteado sofisticado. Os olhos azuis estreitos pareciam calmos como de costume. Aparentava pouco mais de 20 anos.
(Mystik) Er... trago notícias... estranhas...
(Suryia) Tem a ver com a Europa, não é?
(Mystik) A mestra leu meus pensamentos?
(Suryia suspirando) Não seja boba. Todas as últimas notícias estranhas que você me trouxe tinham relação com a Europa.
(Mystik) Mas você está certa. Soube que o mestre da Grande Casa sumiu.
A outra não se abalou. Pensou em silêncio por um segundo, analisando o que aquela revelação implicava.
(Suryia) Então ele se foi... deixou a casa aos lobos...
(Mystik) Nem tanto. Lilik está lá como comandante.
(Suryia) É verdade. Mas uma comandante não se compara à um mestre.
Mystik entendeu a indireta. Era costume de sua mestra viver lhe espetando com as diferenças de poder entre elas.
(Mystik) E Evil também está lá.
Mas a loira fez um gesto de pouco caso. Evil estava lá, mas se encontrava em seu repouso e isso fazia dela uma inútil pro caso.
(Suryia) E você acha que Lilik vai ter coragem de despertar Evil? Claro que não, sua ingênua. Faltam ainda 50 anos para que seja chegada a hora de Evil despertar. Se a comandante a acordar antes... nem sei o que acontecerá...
(Mystik) Tem razão.
(Suryia sorrindo) Claro que tenho.
(Mystik) Nesse caso, o que faremos?
A loira torceu os lábios, mostrando todo seu aborrecimento.
(Suryia irritada) O que você quer que eu faça? Quer que eu desperte Akemi, a segunda grande mestre americana e a envie para a Europa, é isso, Mystik?
(Mystik)...
Não respondeu, desviando os olhos verdes, e fazendo com que a vampira mais forte se arrependesse um pouquinho.
(Suryia suspirando) Hum... o que a Grande Casa do Oriente fez?
(Mystik) Acho que eles não sabem ainda...
(Suryia irritada) Oh, Mystik. Em que planeta você vive? Crawford tem a melhor rede de informações de nossa sociedade. É claro que eles já sabem o que aconteceu na Europa.
(Mystik) Então eles não fizeram nada.
(Suryia) Maldição. Aquela garota japonesa está tão absolvida com seus comandados que não se interessa por nada mais.
(Mystik) Lady Bogard?
(Suryia) E quem mais seria? No entanto não posso negar que ela é forte... e sabe o que faz... se ela ficou na dela, vamos fazer o mesmo.
(Mystik) Mas...
(Suryia) Interferirmos agora pode despertar a ira da Europa sobre nós. Diferente das Grandes Casas da Europa e do Oriente, nós da América somos iniciantes. Começamos a pouco tempo.
(Mystik) Sim, não estabelecemos o poder sobre todos os clãs ainda.
(Suryia) Se nem damos contas dos nossos conflitos não devemos meter o nariz nos dos outros.
(Mystik) E se eles pedirem ajuda?
(Suryia) Se eles pedirem ajuda ou Lady Bogard resolver ajudá-los, nós faremos o mesmo. Caso contrário... deixa que eles se virem sozinhos.
(Mystik) Entendi.
(Suryia) Algo me diz que não seremos necessárias... pelo menos não nos próximos meses.
Uma criada passou por elas, levando uma badeja cheia de taças. Suryia enviou uma ordem mental, e a jovem se aproximou dela, oferecendo bebidas a mestra e a comandante mor da Grande Casa da América.
(Suryia) Um brinde.
(Mystik sorrindo) Hum... está quentinho ainda.
(Suryia) É claro. Só o melhor para nós.
As duas bateram as taças e beberam o sangue em grandes goles.
Poder beber sangue humano era uma das melhores vantagens de ser um temido vampiro...
continua...
