Kid Boo finalmente estava morto e tudo graças a Genki-Dama que Goku conseguiu fazer com a ajuda de todos os seres da Terra. É claro que aquela luta não acabou bem somente graças a Goku. Talvez, se Vegeta não interferisse e colocasse sua estratégia em ação, todos estariam mortos. E claro que, se não fosse por Mister Satan, os terráqueos não dariam energia, e tudo estaria perdido. Foi uma luta emocionante, onde muitos cooperaram. Apesar das perdas, memórias ruins, mortes e desgraças, no fim, tudo valeu a pena.

Vegeta havia superado seu orgulho e finalmente aceitado que Goku era o melhor. O super dotado entre os Saiyajins. Fazer com o que finalmente – apesar dele não admitir – eles fossem amigos.

O príncipe dos Saiyajins pensava muito sobre tudo o que havia ocorrido desde o começo do Torneio de Artes Marciais. Ele sabia que tinha estragado tudo. Se não fosse por ele, Majin Boo nunca teria ressurgido. Por causa de seu orgulho, ele havia deixado ser possuído por Babidi para se esquecer de tudo que lhe importava e lutar sem restrição alguma.

Ele queria voltar a ser o velho príncipe dos Saiyajins; sanguinário, calculista, metido, arrogante e narcisista. "O velho príncipe dos Saiyajins", quando Vegeta se lembrou desse pensamento, reparou o quanto ele havia mudado nos últimos anos. Ele mesmo já sabia que havia mudado e o quanto.

Suas ameaças de morte não eram as mesmas. Desde quando o príncipe dos Saiyajins ameaçava alguém e depois aceitava seu pedido de clemência? Desde quando o príncipe dos Saiyajins fazia o que os outros pediam? Desde quando o príncipe dos Saiyajins fazia algo para ajudar alguém? E o mais importante; desde quando o príncipe dos Saiyajins se importava em ser diferente?

Há 8 anos atrás, seu único motivo para ficar na Terra, era para ficar mais forte e superar Goku. E não importava o quanto os anos passavam, ele ainda tinha o mesmo objetivo. Ele só não sabia que ele mesmo estava se enganando. Não era sua obsessão em superar Goku que o segurava na Terra. Não mais. Não depois dele se aproximar de uma certa frágil terráquea. "Frágil", era ironia esse pensamento. Apesar de não ter um Ki considerável e não lutar, Vegeta sabia que Bulma não tinha nada de frágil.

Ele sabia. Era Bulma que o segurava na Terra. Esse tempo todo, ele sabia que era ela. Ele apenas não conseguia admitir para si mesmo que; ele havia mudado. Por ela. Ele havia deixado Babidi possuir sua alma para que ele tivesse a coragem de enfrentar Goku sem medo de conseqüências. Por ela. Ele não havia notado, mas naquele instante ele percebeu que todas suas escolhas foram por ela, por mais egoístas que fossem.

- Bom, eu acho que já estamos prontos para ir para casa! – Goku disse sorridente dando sinal para que todos chegassem perto para ele usar o teletransporte.

Como seria agora? Voltar para casa? Será que ele podia mesmo considerar a Corporação Capsula como sua casa? Até onde ele se lembra, desde que ele ficou na Terra, aquele era o lugar onde ele sempre dormia. Onde o acolheram. E por mais que ele fosse mal humorado e sem educação, todos o tratava com educação e um merecido príncipe. Exceto Bulma, é claro. Desde o início aquela terráquea o irritava. Sempre querendo mandar dele e dizendo o que fazer. Ele queria matá-la desde o início, mas esperaria até que seu treinamento na Sala de Gravidade acabasse. Esperaria até o fim dos andróides, esse era seu plano. Mas nada ocorreu como ele planejou. Quando ele percebeu, ele não tinha coragem de matá-la, e quando se deu conta, percebeu que esse pensamento o deixava estranho. Ele não sabia o que era. Só sabia que matar a terráquea não era mais o que ele planejava, como também não era o que ele queria.

E quando percebeu, ele estava envolvido. Ele podia não gostar da sua maneira metida, mandona e temperamental, mas tinha algo nela que o fez admirá-la. Ela podia ver quem ele era. Ela o conhecia melhor do que ninguém, sabia tudo que ele havia feito e do que era capaz, mas mesmo assim, o amava. Isso fez toda a diferença. Ela não queria mudá-lo, nunca quis. Ela o aceitava do jeito que ele era. Isso o fez sorrir de um jeito que nunca sorriu antes.

- Vegeta? – Goku chamou a atenção do amigo; o deixava feliz saber que ele poderia finalmente considerá-lo seu amigo – Por que está sorrindo desse jeito?

Vegeta percebeu o quão fora da realidade ele estava, pois eles já estavam no Templo de Kami-Sama atrás dos arbustos. Foi quando ele sentiu o Ki de todos, mas 2 Kis em especial, foram o destaque para ele.

- Não interessa Kakarotto – Grunhiu tomando rumo de braços cruzados até os que o esperavam, atrás de Majin Boo e Mister Satan, ele finalmente viu Bulma e Trunks.

Foi tudo tão rápido. Todos correram até seus familiares para se abraçarem. Quando percebeu, Goku já estava com sua mulher e seus filhos, com todos o parabenizando pela vitória. Olhando para longe, percebeu alguém puxando sua mão e viu que se tratava de seu primogênito.

- Papaaai! – Gritou o garoto cheio de alegria.

Quando finalmente olhou para Trunks, percebeu que nunca havia sido um pai de verdade pro garoto. Ele nunca ligou para o menino, como se ele nem existisse. Será que era tarde demais? Ele sabia que amava o garoto, mas só fazia pouco tempo que ele havia percebido. O dia que ele lhe deu um golpe para salvá-lo. O dia que ele se sacrificou. Pela primeira vez, pensando em salvar quem ele amava.

Trunks não tirava os olhos dos do pai, e quando percebeu o garoto estava com lágrimas nos olhos. Sem perder tempo, o garoto pulou no colo de Vegeta o abraçando forte e ali, deixando cair mais suas lágrimas.

Não havia nada que ele pudesse fazer. Ele nunca demonstrou afeto algum com o garoto, e agora todos olhavam o abraço que o garoto lhe dava. Ele poderia empurrá-lo e dizer a ele poucas e boas sobre sentimentalismo, algo que ele nunca entendeu. Sentimentalismo era para os fracos, ele era um orgulhoso príncipe, não poderia demonstrar esse papel, ainda mais na frente de todos. Mas ele queria aquele abraço, mesmo não admitindo. E então, Vegeta se lembrou da primeira vez que o abraçou. Antes do sacrifício, naquele momento ele não se importou com o que ele pensava sobre sentimentalismo. Ele sabia que morreria, e não queria morrer antes de pelo menos demonstrar que se importava com aquele garoto; que era sua cópia de cabelo lilás. Se lembrava que Trunks ficou hesitante em corresponder o abraço, achando estranho. É claro que o garoto acharia estranho. Vegeta nunca lhe demonstrou interesse, nunca lhe perguntou sobre a escola, sobre suas preferências, ou trocou um abraço. Ele sabia que o garoto correspondia ao abraço, mas ainda hesitante, e logo depois, ele o havia deixado inconsciente. E antes disso, havia pedido para que ele cuidasse de Bulma.

Sem dúvidas, Trunks havia entendido o recado. Ele viu lá de cima o quanto o garoto lutou. O quão forte era seu filho. O herdeiro dos Saiyajins.

E agora ali estava ele, o abraçando forte, deixando transparecer totalmente a felicidade ao vê-lo ali. Vivo.

Quantas vezes o garoto o seguia e ele o ignorava? Quantas vezes ele ouvia o garoto dizer para a mãe o quão foi emocionante treinar com o pai. Era o máximo de contato que eles tinham. Quando treinavam.E ele percebia, o quão feliz o garoto ficava apenas de ficar no mesmo ambiente que ele. Trunks o admirava tanto, não importa quantas vezes ele se desfez do garoto, simplesmente não importava pois, o primogênito o conhecia muito bem, assim como Bulma. E estava mais do que na hora dele começar a retribuir todo o carinho que recebeu desde o início e finalmente baixar a guarda da pose de durão pela menos uma vez para lhes dizer o quão eles eram importantes para ele. Que seu sacrifício, foi em nome deles.

Vegeta levantou um dos braços para afagar as costas de Trunks que ainda o abraçava com força.

- Tudo bem moleque...Ugh – Vegeta tentou ao máximo não ser grosso, ainda desconfortável em demonstrar aquilo na frente de todos – Eu estou bem.

Trunks percebeu que o pai não estava muito confortável fazendo aquilo na frente de todos e então o soltou ainda olhando para ele. Foi quando ele percebeu que ninguém mais olhava, todos estavam muito ocupados se abraçando ainda com seus familiares e felizes porque a Terra estava finalmente a salvo. Ou eles resolveram não olhar para deixar Vegeta menos desconfortável. Bulma se aproximou de Vegeta lhe fazendo um sinal com a mão e entregando um grande sorriso. Ele podia ver através daqueles olhos azuis o quão feliz ela estava por vê-lo, como se o episódio do Torneio nunca tivesse acontecido. Mas ele sabia que ela estava louca para fazer muitas perguntas, e só iria esperar até que eles saíssem dali.

Trunks percebeu que os pais se olhavam muito, e não trocaram nenhuma palavra, deixando o garoto confuso já que tudo que ele viu sua vida toda é os pais gritando um com o outro.

- Bom, acho melhor irmos para casa. Está mais do que na hora – Kuririn disse próximo. N° 18 concordou pegando Marron no colo – Ei, Goku! Você poderia dar uma carona?

- Mas é claro! – Goku sorriu – Nós também vamos, não é Chichi? Eu já volto.

Bulma e Trunks foram se despedir de todos para se retirarem também, nada era melhor do que finalmente voltar para casa depois de tudo.

- Vê se não some! – Bulma dizia para Kuririn, N°18, Mestre Kame e Oloong antes de partirem via teletransporte com Goku; o mesmo em questão de segundos já estava de volta.

- Bom, está na hora de irmos. Vamos querido? – Bulma se dirigia a Trunks que concordou com a cabeça.

- Tchau Goten!

- Tchau Trunks! Depois aparece em casa para brincarmos! – Respondeu sorridente o mini Goku.

Bulma e Trunks se aproximava de Vegeta com uma cápsula na mão da aeronave quando Vegeta a impediu.

- Deixa disso mulher – Respondeu o Saiyajin deixando-a confusa e a pegando nos braços rapidamente – Vamos Trunks! – O pequeno correu para levantar vôo.

Bulma ficou totalmente atônica ao ver Vegeta a pegando nos braços para levantar vôo em público. Sim, ele já tinha feito isso antes, muitas vezes. Mas não em público. O que ela não sabia era que aquilo não passava de uma desculpa para ele tê-la nos braços o mais rápido que puder.

Enquanto sobrevoava, Bulma se aproveitava da situação para abraçá-lo forte. Como ela achava bom tê-lo ali de volta. "Esse canalha não faz idéia do que fez comigo" pensava a cientista que já não conseguia mais controlar as lágrimas. Ao perceber, Vegeta finalmente teve coragem de olhar para seu rosto que estava olhando para o outro lado, como se não quisesse olhá-lo. Era agora ou nunca.

- Bulma... – Ele engasgou. Queria dizer as palavras. Não era difícil dizer as 3 palavras era? Então porque não saia?

- Shh... – A cientista sorriu – Eu já sei.

Finalmente eles se olharam, até que Vegeta deu seu típico sorriso torto.

- Mas isso não polpa o senhor príncipe dos Saiyajins de me der uma boa explicação – Disse mais convicta.

- Ah, mulher! Você continua insuportável como sempre! – Respondeu de mau humor.

- E você é o mesmo ingrato de sempre! – Respondeu emburrada olhando agora para o horizonte onde acontecia o pôr do sol fazendo Vegeta grunhir.

Bulma poupou continuar para evitar uma discussão, pois ainda queria conversar quando chegasse em casa.

Trunks que olhava tudo por trás, deu um sorriso. Ele já tinha percebido algo. Seu pai tinha mudado. Ainda era o mesmo de sempre, mas algo nele mudou, e sua intuição dizia que era algo muito, mas muito bom.