Cinquenta anos já se passaram. Já não estamos na cinzenta e chuvosa Forks - não que o bando de sanguessugas tenham escolhido um local quente, como eu preferia. Moramos numa cidade afastada ao norte do Alasca. Deixei minha mãe e o meu antigo bando e me mudei com a família monstro, o bebê-já-não-tão-bebê-assim Reneesme, Seth, e Jacob. Se me perguntarem o porque da mudança, abandonar tudo e ir embora com as pessoas que eu odiava, eu poderia dar vários motivos, mas não seria só para cuidar do meu irmão ou porque eu mudei de bando.

Depois do abandono por parte do Sam, fiquei destruída. O desespero tomava conta de cada célula do meu corpo, e abria um buraco na alma impossível de se conter. E por muito tempo eu permaneci azeda, vazia, amargurada. Até o dia em que eu me apaixonei de novo. Jacob... Quase tive um troço quando descobri que havia me apaixonado novamente, e ainda mais pelo sempre-feliz-e-alegre Jacob Black. Mas com tempo, eu fui me apaixonando mais, e ele se tornou a minha razão, o meu Sol. Por ele sai do meu antigo bando, banquei a babá de vampiros, e por ele eu deixei tudo para trás.

Agora aqui, sentada numa árvore, o vendo brincar com Reneesme, eu me pergunto o porquê de tudo isso. Ele nunca demonstrou saber dos meus sentimentos, muito menos corresponder-los. Então, qual o motivo de ter feito e fazer tudo isso por ele? Amor. Amor com todas as suas faces, amor doentio que me destruiu uma vez, amor possessivo, egoísta, ciumento. Mesmo não tendo ele pra mim, eu preciso estar ao menos perto, nem que seja assim, de longe, brincando com a aberração. Malditos sentimentos masoquistas Leah.

E o pior, é que acho que nunca vou embora, nunca vou conseguir deixar-lo. O vampiro leitor de mentes – Edward parece saber dos meus sentimentos, e parece compartilhar do mesmo entusiasmo que eu tenho com esse relacionamento entre a sua preciosa bebê e o meu lobo, Jacob. Mas ninguém faz nada para impedir, ninguém realmente se incomoda, pelo menos não como eu. Mais uma vez eu sou a única prejudicada na história.

Então eu continuo aqui, cinqüenta anos depois de tudo, ainda seguindo-o, amando-o em segredo e cuidando dele. Cinqüenta anos que fisicamente não me passaram, mas na alma pesam o triplo do tempo. Nem ao menos tive a sorte de ter tido uma maldita impressão, para ver se ao menos um pouco desse amor morria... Mas não, não com a menina lobo. O pôr-do-sol já terminava, mais um dia que chegava ao fim, um a menos na vida de todos... Menos na minha. Para mim sempre será um a mais.

Porque pra mim nada nunca dá certo.