Inocência Destruída

Sinopse:

Por culpa da sociedade ingrata e das leis arcaicas, Draco é exilado no mundo muggle. Sem meio de sobreviver, não tem remédio a não ser recorrer ao único que lhe resta o seu corpo. Advertências: yaoi, mpreg, violação, tortura, morte de personagens. Tem um final feliz, não sou assim tão má.

Pairings:

Muggles x Draco; Ron x Draco; Neville x Draco; Harry x Draco.

Disclaimer:

As personagens de Harry Potter são propriedade de J. K. Rowling. Eu só me entretenho a torturá-las um pouquinho.

Notas da Autora:

Este fanfic foi um pedido de Elien Prince.

Elien, espero que gostes e que tenha preenchido as tuas expectativas.

Por último, quero agradecer à minha betaread, Lari-thekilla, por toda a ajuda que me prestou neste projeto.


Capitulo 1 - Mundo Desconhecido

A multidão debatia-se furiosamente, frente às portas do Ministério da Magia. Hoje, dava início ao julgamento mais polémico após a derrota do Lord Voldemort, pois corria um rumor de que Harry Potter ia testemunhar a favor da família Malfoy. A população revoltada gritava palavras atrozes e vulgares contra o seu Salvador.

Os aurores abriram passo entre os magos e bruxas, que pareciam ter esquecido quem fora a pessoa que os salvara e agora tratavam Harry Potter tal qual vil criminoso, só por fazer aquilo que achava correto em vez do que lhe diziam que devia fazer, como se de uma marioneta se tratasse. A família Weasley havia-lhe virado as costas e tratava-o como se fosse ele quem tivesse segurado a varinha que matara tantos inocentes nessa guerra. Harry era apenas uma vítima das circunstâncias, assim como o eram Draco e Narcisa Malfoy e era exatamente isso que pensava dizer no estrado, quando fosse chamado para testemunhar.

-oOo-

O julgamento começou obviamente com umas palavras de saudação por parte do ministro da magia, seguidas de uma descrição dos crimes pelos quais os réus seriam julgados. Não sem antes dar-lhes uma boa dose de Verisaterum.

- Lucius Malfoy, o sr. é acusado dos seguintes crimes: homicídio de inúmeros muggles e sangue-ruins, de ser um Death Eater e como tal ter jurado lealdade àquele-cujo-o-nome-não-não-deve-ser-pronunciado, de ter infiltrado o diário do mesmo dentro de Hogwarts, resultando num surto de petrificação que poderia ter resultado na eventual morte do grupo docente e dos seus respetivos estudantes, de ter atentado contra a vida de Harry Potter, Hermione Granger e Ronald Weasley quando estes foram levados a Malfoy Manor ao querer entregá-los ao seu Lord. Como se declara?

- Culpado.

- Narcisa Malfoy, a sra. é acusada dos seguintes crimes: albergar aquele-cujo-o-nome-não-deve-ser-pronunciado no seu lar e dar refúgio aos seguidores do mesmo. Como se declara?

- Inocente.

Os espetadores entraram em fúria e acusavam-na de estar a enganar de alguma forma o soro da verdade. O ministro ergueu o martelo e deixou-o cair pesadamente em cima da madeira maciça do seu escritório.

- Silêncio! Lady Narcisa está sob a influência de Verisaterum, pelo que não pode estar a mentir. Agora guardem silêncio e assistam ao resto do julgamento com calma. Já chegaremos a esse ponto mais à frente.

Relutante a audiência foi-se calando gradualmente e regressaram aos seus lugares. No calor do momento, várias pessoas havia-se levantado em fúria.

- Draco Malfoy, o sr. é acusado de ser um Death Eater e por conseguinte ter jurado lealdade ao seu Lord, de ter assassinado Albus Dumbledore, de ter atentado contra a integridade de Katie Bell e Ronald Weasley no decorrer do seu sexto ano e de ter tentado matar Harry Potter. Como se declara?

- Inocente.

Ron Weasley ergueu-se furibundo e avançou pelo tribunal em direção ao loiro, sendo impedido pelo auror que acompanhava os acusados.

- Mentira, és um maldito mentiroso. Isso é o que és, não sei como o estás a fazer, mas tenho a certeza absoluta de que estás a burlar a poção de alguma forma. Ah! Mas não te vais livrar desta, pois eu não vou deixar, maldito. Não vou descansar até que pagues por todos os teus crimes, sua escória imun...

O auror não conseguindo controlar o ruivo, viu-se na obrigação de enfeitiçá-lo, restringindo os seus movimentos e silenciando as suas palavras. Pouco a pouco a calma regressou ao tribunal.

-oOo-

Os minutos foram passando e várias testemunhas foram chamadas por parte da acusação. Começando pela família Weasley, que perjuraram na culpa dos acusados.

- Senão fosse por Harry eu estaria morta. Haveria virado ossos na Câmara dos Segredos – concluiu Ginny.

- Muito obrigado pelo seu testemunho, srta. Weasley, foi necessária uma grande coragem para poder testemunhar contra um homem de grande poder com Lord Malfoy. Pode regressar ao seu assento.

A jovem levantou-se para sentar-se junto à sua mãe que a abraçou em gesto de consolo.

-oOo-

O advogado de acusação caminhava de um lado para o outro à medida que interrogava a sua testemunha.

- E diga-me, sr. Weasley, é verdade que o arguido, Draco Malfoy, atentou contra si ao colocar Amortentia numa garrafa que estava destinada ao diretor Albus Dumbledore?

- Sim, essa serpente rasteira queria assassinar o diretor e até já tinha tentado antes com um colar amaldiçoado que acidentalmente foi parar nas mãos de Katie Bell.

As testemunhas desfilaram uma a uma, até que chegou o momento de o advogado de defesa poder chamar os seus clientes ao estrado para se defenderem.

- Sr. Malfoy, ao iniciar este julgamento declarou-se como inocente, poderia por favor elaborar o seu argumento?

- Disseram que era um Death Eater, mas nunca o fui – ergueu ambas as mangas da sua camisa revelando os seus braços brancos e imaculados, sem rasto da marca escura.

- Peço a um auror realizar os devidos encantamentos, para constatar se há algum feitiço ou poção a camuflar uma possível marca – exclamou o advogado na direção do ministro, que assentiu e indicou a um homem já nos seus quarenta anos que o fizesse.

O auror realizou vários feitiços e nenhum acusou nada.

- Está limpo, sr – afirmou o auror ao ministro para depois regressar ao seu lugar.

- Que conste em ata que o meu cliente não porta a marca escura, pelo que está comprovado que não foi em momento algum um Death Eater. Pode continuar, sr. Malfoy.

- Acusam-me de matar Dumbledore, mas nem sequer estava no castelo nesse momento.

- Há alguém que possa confirmar isso, sr. Malfoy?

- Todo aquele que estivesse no Salão Principal, viu-me sair em direção aos túneis com os slytherins dos primeiro e segundo anos.

- Muito bem, algo a acrescentar?

- Não atentei contra Ron Weasley e Katie Bell, confesso que atentei contra Harry Potter diversas vezes, mas nunca com a intenção de matá-lo. Eram infantilidades da idade. Todos fazemos criancices na nossa infância – o .homem assentiu perante as suas palavras

-oOo-

- A defesa chama a testemunha, Harry Potter!

Harry levantou-se com cabeça erguida e ignorou os olhares de repulsa dos que foram uma vez seus amigos próximos. Hermione dá-lhe um sorriso discreto e Ron finge que não o vê, para não discutir uma vez mais com a ex-namorada. Haviam terminado o relacionamento quando a jovem mulher concluíra que o ódio que o matrimónio Weasley tinha inculcado nos seus filhos contra o apelido Malfoy estava profundamente enraizada no cérebro do ruivo e que não conseguiria fazê-lo mudar de opinião sobre que todos mereciam uma segunda oportunidade, até mesmo uma família como a Malfoy.

- Sr. Harry Potter, jura dizer a verdade e apenas a verdade pelo nome do Santo Profeta Merlin? - o ministro envia um olhar conciliador e encorajador.

- Sim!

- Passo a palavra ao advogado da defesa – um homem de aparência desgastada e cansada levantou-se e situou-se frente ao leão.

- Sr. Potter, aceitaria por favor tomar Verisaterum para que o seu testemunho não possa ser refutado pela acusação?

- Sim, não vejo problema algum, visto que como afirmei antes não tenho nada a esconder – o moreno engoliu a poção de um gole só e respirou fundo para de seguida encarar novamente a audiência que o fulminava com a mirada.

- Para que conste em ata e poder assegurar a efetividade da poção, poderia por favor dizer o seu nome completo?

- Harry James Potter Evans.

- Idade?

- Dezoito anos.

- Casa de Hogwarts selecionada pelo chapéu do grande mago fundador Godric Gryffindor?

- Gryffindor, mas o chapéu quis enviar-me a… - Harry tapou a boca apressadamente. O advogado ao constatar que o jovem não queria revelar a informação, muito provavelmente de índole delicada, retirou a questão rapidamente.

- Sr. Potter, é verdade que está agir sem coação ou sob ameaça, mas de sua livre e espontânea vontade?

- Sim.

- Que fique registado que a testemunha está a agir por decisão própria e não sob a ameaça da família Malfoy, como o advogado de acusação insinuou anteriormente à imprensa – o homem virou-se para a acusação com um sorriso desdém.

- Seu… - o advogado de acusação rangeu os dentes frustrado de ter perdido o seu único argumento para pedir a anulação do testemunho que poderia vir a destruir o seu caso.

- Sr. Potter, pode proceder ao seu testemunho. Conte-nos o que realmente passou.

- Quando a batalha começou, Draco Malfoy reuniu os estudantes menores de Slytherin e levou-os pelos túneis subterrâneos, para tirá-los do castelo e poder afastá-los da guerra. Também ofereceu levar os alunos das outras casas, mas mesmo os alunos de primeiro ano querendo ir, os maiores não deixaram, afirmando que era uma armadilha.

- E era, Sr. Potter? Quero dizer era de facto uma armadilha?

- Não – negou rapidamente com um gesto de cabeça -. Todos os estudantes que o seguiram permanecem com vida. O mesmo não se pode dizer dos que ficaram na escola – um leve tom de reprovação foi denotado na sua voz, que fez com que alguns dos estudantes presentes se encolhessem, querendo desaparecer, visto que era verdade e eles sabiam-no melhor que ninguém.

Harry fez uma pausa para se acalmar, antes de retomar o seu testemunho.

- Draco Malfoy não esteve em nenhum lado perto de onde se levou a batalha. É inocente, nem sequer leva a marca, tal como puderam ver momentos antes com os seus próprios olhos. Acaso podem negar o que os seus olhos viram?

- Protesto! - o advogado de acusação já foi tarde, havia perdido o caso contra o menor dos Malfoy.

- Denegado! - o juiz deu uma piscadela a Harry. O ministro Kingsley era provavelmente a única pessoa dentro daquele tribunal, para além da sua melhor amiga e os slytherins, que o apoiava.

- Sr. Potter, tem alguma coisa a acrescentar em defesa do réu, Draco Malfoy? - o advogado de defesa quase dançava de felicidade.

Era o seu primeiro caso desde que se formara e estava a correr melhor do que esperava. Todos o haviam olhado como se estivesse louco, mas ele acreditava na lei e que todos mereciam uma boa defesa e a serpente albina era claramente inocente.

- Não!

- Proceda com o seu testemunho a favor de Lady Malfoy.

- Narcisa Malfoy esteve presente na batalha – o advogado de acusação sorriu em gesto de vitória -, mas não leva a marca e não matou ninguém – o sorriso morreu antes de poder dizer quidditch -. Narcisa Malfoy foi quem me ajudou durante a batalha. Sem a sua ajuda estaria morto.

- Pode elaborar?

- Quando Voldemort – houve uma exclamação horrorizada por parte dos presentes – me lançou o feitiço Avada Kedavra, foi ela que disse que estava morto. Isso deu-me vantagem para um ataque surpresa. Se tal não tivesse passado, todos vocês ainda estariam a borrar-se de medo – a voz do salvador pareceu mais um rugido do que outra coisa.

A multidão entrou em furor pela indignação.

- Calma, calma no tribunal! - o ministro batia o martelo, mas o alvoroço não diminuía.

- Custa ouvir as verdades, não é assim? Quem são vocês para julgar os outros? Onde estavam quando um grupo de fedelhos lutou com o maior Senhor Tenebroso? A tremer de medo nas suas casinhas, quentinhos debaixo dos seus cobertores. Não passam de um bando de hipócritas, que não fez nada pela guerra e em vez disso enviaram um bando de crianças lutar as batalhas que eram dos adultos. Porque tínhamos de lutar uma guerra que não era nossa? Nem éramos nascidos quando tudo isto começou! - as lágrimas corriam livremente pelo seu rosto. Desesperado o moreno deixou-se cair no assento exausto, sem saber exatamente quando se levantara.

As reações dividiam-se entre culpa e indignação. Culpa daqueles que sabiam que tudo o que o salvador do mundo mágico dissera era a mais pura verdade. Indignação daqueles que achavam que era o dever e obrigação dele vencer Voldemort, pois a profecia assim o dizia e se ele tinha de morrer para o fazer deveria ter baixado a cabeça e aceite o seu destino, tal qual cordeiro ao matadouro. Um bando de imbecis, isso era o que todos eles eram.

O julgamento chegou ao fim e veio a hora do veredito.

- Lucius Malfoy, estás condenado a uma vida em Azkaban – o patriarca suspirou derrotado, sabia que tinha sido afortunado de não ser condenado ao beijo do dementador -. Narcisa Malfoy, fica em liberdade condicional de vinte anos e a sua varinha confiscada. Draco Malfoy, é sentenciado ao exilo no mundo muggle e os seus descendentes não poderão pisar o mundo mágico, sendo este o fim da linhagem mágica Malfoy – a audiência gritava vitórias a gritos extasiados e Harry estava estupefacto com a falta de justiça no sistema judicial mágico.

Foi nesse momento que Hermione e Harry decidiram reformar as leis do mundo mágico, visto que eram injustas e medievais, por não dizer tremendamente arcaicas.

Um auror entrou no tribunal, com a varinha de Draco na mão e cedeu-a ao ministro da magia, que a partiu ao meio, ainda quando não o queria fazer, mas a lei era clara e estipulava que no ato de exílio, a varinha do criminoso devia ser quebrada como gesto simbólico e acima de tudo para servir de exemplo.

Um grito agoniante saiu da garganta do menor dos Malfoy ao mesmo tempo que este colapsou no solo frio e duro, em posição fetal este tentava respirar com muita dificuldade, a dor no seu núcleo mágico era insuportável. Draco tentava recuperar o fôlego, mas os seus pulmões levavam a luta a perder, os dedos das suas mãos contraíram-se em ritos de dor e o seu rosto empalideceu. O sofrimento e o choque para o seu corpo, foi o suficiente para levá-lo à inconsciência.

Hermione cobriu a boca com as mãos completamente chocada. Quebrar a varinha de um mago era barbárico, quando a varinha escolhia o mago, esta entrelaçava-se intrinsecamente com o núcleo mágico do mago, pelo que quebrá-la representava um trauma para o núcleo e para a magia em si.

-oOo-

Draco despediu-se dos seus amigos e abraçou-os entre prantos.

- Não é justo – Pansy estava desolada. O seu melhor amigo. Não, o seu irmão estava a ser abandonado pela sociedade por meras aparências.

Blaise abraçou a sua prometida e tentou consolá-la em vão.

- Está na hora – o auror puxou o menor suavemente, afastando-o dos slytherins e arrastou-o até à chave do portal.

O portal estava prestes a ser ativado, quando Narcisa Malfoy chegou a correr e a implorar que a deixassem ir. Já tinha perdido o marido, não queria perder também o seu único filho.

-oOo-

Sozinhos num mundo desconhecido, os dois Malfoy encontravam-se, agora, perdidos e sem saber como subsistir naquele vasto mar de incerteza. Narcisa viu-se obrigada a vender as suas joias, as únicas que lhe tinham permitido portar durante o julgamento. O seu anel de noivado e o anel de matrimónio da família Malfoy. O único que restava do que fora uma vez um matrimónio feliz e cheio de amor. Os seus preciosos anéis haviam-na abandonado, restando apenas as belas memórias que preenchiam a sua mente.

Alugaram um quarto, mas os gastos eram maiores do que esperavam, pelo que necessitavam encontrar um meio de sobrevivência. Draco procurou trabalho em incontáveis estabelecimentos, mas a sua falta de conhecimentos e experiência resultou em que todas as portas se fechassem frente ao seu rosto cansado, com olheiras marcadas e profundas.

Deprimido, Draco usou o o pouco que lhe restava para comprar um jornal e abriu na secção de empregos. Todos aqueles empregos eram impossíveis para ele, estava prestes a desistir, quando um anúncio em tons rosa escondido num cantinho chamou a sua atenção.

Buscam-se jovens belos e amáveis para serviços bem remunerados.

Era sem dúvida uma proposta duvidosa, mas estava desesperado. Senão havia outra opção, teria de utilizar o único trunfo que lhe restava, a sua boa aparência. Ele não era apenas bonito, muitos diriam que possuía uma beleza andrógena a beirar o angelical ou divino. Tinha que agradecer aos seus antepassados por isso, um dos primeiros Malfoy casou com uma veela. Podia não ter sangue veela suficiente nas suas veias para ter um companheiro de alma destinado ou para dominar o encantamento allure, mas a beleza não se tinha perdido com o passar das gerações. Essa era a verdadeira razão por trás dos cabelos loiros platinados da sua família. Fazia mais de dois séculos que o último Malfoy de cabelos negros havia nascido.

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O loiro olhou fixamente para a fachada do edifício, cuja morada aparecia no anúncio. Parecia ser um estabelecimento respeitável. As delicadas linhas que nasciam do chão e se erguiam para unir-se por fim no topo da fachada desenhando figurar abstratas que se assemelhavam vagamente a flores. E a pequena, mas elegante placa que ditava "Primadonna Agency" ao lado de uma porta vidrada que harmonizava perfeitamente com a fachada de tons claros e calmantes.

Draco inspirou profundamente para ganhar coragem e entrou.

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A mulher analisava atentamente o jovem de aspeto descuidado frente a ela, com um olhar desconfiado. Não parecia ser o que procuravam. O seu rosto tinha um tom pálido enfermo, o seu cabelo não apresentava um brilho saudável e as suas roupas estavam velhas e gastas.

- Hmm… não sei. Não penso que sejas adequado…

- Miss Gold!

- Sim, Jessie? - a mulher de olhar severo encarou o assistente.

- Antes de tomar uma decisão… poderia deixar-me arranjá-lo ao menos um pouco? Com essa indumentária e expressão soporífera, não é exatamente a melhor toilette para o avaliar.

- Ok! Mas se me estás a fazer perder tempo… vais arrepender-te pelo resto da tua miserável vida – lançou um siseio digno de uma serpente.

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Miss Gold não podia crer no que os seus olhos viam. Como podia não se ter apercebido do grande erro que estava prestes a cometer? Aquele jovem frente a ela era belíssimo, até ela o queria comer e isso já era dizer muito, pois era uma mulher com standards muito elevados.

Os seus cabelos eram de um loiro platinado quase branco, que brilhava com reflexos semelhantes aos da lua no seu melhor esplendor. Olhos prateados… nunca vira uns olhos dessa cor antes, nem sabia que podiam existir. Os seus olhos eram realçados por um subtil eyeliner negro. As suas pestanas tão claras quanto os seus cabelos, eram longas e cativantes. Uns lábios finos, mas carnosos cobertos com uma leve capa de gloss rosa pálido, que estavam para comê-los a mordidas. Um rosto angelical digno de uma escultura ou pintura de Michelangelo. Sem falar daquele corpo de pecado. Esse loiro era a personificação do pecado capital. Incitava perversão com cada uma das suas inocentes miradas.

Miss Gold sorriu imaginado os rios de dinheiro que aquele anjo a faria lucrar.

- Disseste que o teu nome era Draco, certo? - o jovem de olhos prata assentiu – Despe-te! - ordenou sem direito a refutação.

Inseguro, Draco, tirou a camisa revelando um torso trabalhado, mas sem deixar de ser delicado. Miss Gold quase babou. De seguida retirou as calças descobrindo umas pernas longas e torneadas. Aí sim, Miss Gold gemeu de excitação e com sinais de libras esterlinas nos seus olhos brilhantes de expectativa.

- Tira tudinho! - a mulher rodeou o adolescente e deu uma palmada numa das suas nádegas bem formadas. Ao contacto com aquele corpo divinal, uma hemorragia nasal atacou-a.

- Está bem, Miss Gold? - perguntou Draco ingenuamente.

- Está tudo mais que bem – mordeu o lábio inferior para conter que um sonoro gemido abandonasse a sua garganta.

Coibido, Draco, retirou as meias e os boxers, ficando tal qual o dia em que sua santa mãe o trouxera a este cruel e terrorífico mundo, só para ser comido… correção admirado por Miss Gold.

-oOo-

Miss Gold era uma jovem mulher nos seus vinte e qualquer coisa, com aparência de quem nunca partiu um prato, mas não se deixem enganar. Era uma pervertida de primeira que desfrutava ver os seus subordinados suplicar e implorar por misericórdia. Caso assim não fosse, não teria estômago para um quarto das coisas que aconteciam naquela agência.

Para todos lá fora, Primadonna Agency era uma agência de talentos com os maiores talentos do Reino Unido. Todos os melhores cantores, atores e modelos saíam desta agência, mas para a elite da sociedade, era uma agência de acompanhantes de luxo.

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Se Draco pensava que o pior já tinha passado, estava realmente enganado. Após o termino da análise à sua aparência, veio o exame sanguíneo para assegurar que não era portador de nenhum tipo de vírus. Mas o pior, veio mesmo a seguir.

- És virgem, Draco? - Miss Gold lançou um olhar crítico e sondador.

- Sim – murmurou inaudivelmente.

- Só por trás?

- Por trás? - perguntou sem compreender de todo a questão.

- Já vi que sim. E pela frente? - o loiro fez olhos de cachorrinho abandonado à chuva torrencial durante uma noite fria – Draco, sabes o que é sexo?

O jovem frente a ela corou, fechou os olhos e assentiu timidamente.

- Alguma vez tiveste relações sexuais? - o loiro negou – Nem uma vez? - outra negação – Nem uma aproximação mais íntima? - outro não inaudível saiu dos lábios brilhantes e apetitosos de Draco.

- Disseram que tinha um paciente – uma mulher nos seus quarenta entrou e avaliou o desnudo jovem frente a Miss Gold. Abriu uma porta e entrou.

Miss Gold empurrou o jovem em direção ao consultório.

- Sê cuidadosa, Katherine – a médica ergueu uma fina sobrancelha -. Esta vez vais lidar com um premium – a doutora compreendendo rapidamente, assentiu.

- Bem, jovem…?

- Draco – respondeu o loiro envergonhado pela sua desnudez, enquanto tentava cobrir-se, bem como pelo aumento do número de pessoas na divisão.

- Ok, Draco! Deita-te na marquesa e afasta as pernas – o jovem com uma expressão confusa, procedeu conforme indicado.

Katherine colocou um par de luvas de latex e começou a examinação. Primeiro, os órgãos genitais.

- Que idade tens, Draco?

- Dezoito.

- Os órgãos genitais estão bem desenvolvidos para idade e não há sinal de qualquer tipo de doença sexualmente transmissível. O que já era de esperar visto que é um produto premium.

- Premium? - Draco curioso tentou que alguém lhe explicasse o que significava exatamente o ser um produto premium na agência.

- Tudo no seu devido tempo, loirinho – exclamou Jessie desde a soleira da porta.

Se já estava envergonhado, agora, Draco queria um buraco para esconder-se e nunca mais sair no que lhe restava de vida.

A médica espalhou um gel, de um frasco que ditava "lubrificante", nas mãos e seguiu com o exame. Tateou o perineo e desceu até ao ânus. Tentou colocar um dedo, mas era muito apertado, resultando num choramingo dolorido do loiro. Desta vez, colocou o gel diretamente sobre o o ânus, ao que Draco tremeu pela sensação repentina de frio, e voltou a tentar. Com muito esforço e após uma longa dilatação conseguiu colocar metade do dedo médio. Ao constatar a virgindade do seu paciente, Katherine, retirou o dedo conseguindo uma queixa dolorosa do jovem. Procedeu a descartar as luvas e saiu seguida de Miss Gold, deixando Draco sozinho com Jessie.

- Draco, não leves a mal, mas não pareces o tipo de pessoa que faria este tipo de trabalho. Então, porque te submetes a este tipo de situação. Este não é um lugar para um bom menino como tu.

- A minha família foi à bancarrota – mentiu o loiro – e o meu pai morreu logo a seguir. A minha mãe nunca trabalhou, sempre esteve em festas ou com as amigas. Precisamos de sobreviver.

- Entendo, mas deverias seriamente pensar em conseguir um trabalho mais decente.

- E achas que não tentei? Ninguém dá emprego a uma pessoa que não concluiu os estudos e que não tem experiência – exasperado o menor não se apercebeu das lágrimas que desciam pelo seu rosto atingindo o seu queixo.

-oOo-

Na manhã seguinte, Draco foi guiado uma vez mais ao escritório onde se dera a entrevista.

- Vou agora começar com umas breves explicações – Miss Gold encarou o jovem frente a ela e sorriu para tranquilizá-lo -. Acabados os exames, vem a formação. Deves aprender a seduzir com um gesto, ser capaz de começar ou parar uma guerra com um simples olhar e encantar com um sorriso.

O loiro assentia a cada palavra dita prestando grande atenção. A sua sobrevivência dependia desse trabalho, pelo que não havia espaço para erros.

- Já constatamos que tens potencial para ser integrado na parte legal deste estabelecimento, caso contrário não serias um item premium. Dito seja, podes escolher entre as três seguintes vertentes: música, atuação ou modelagem. Quanto mais conhecido fores, mais clientes conseguirás. Alguma preferência – Draco estava confuso, não entendia metade do que a mulher lhe dizia -. Ok! Eu escolho. Tenho o evento perfeito para o teu debut.

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Draco estava exausto. Como é que podiam colocar tantas complicações e regras para andar numa passarelle. Tinham dito que a sua graciosidade e elegância eram natas, mas que tinha de seguir uma infinidade de coisas para ser aprovado.

Se o treino de passerelle tinha sido difícil, o fotográfico era impossível. Não era humanamente possível realizar as poses que o estúpido do fotógrafo queria. Ia desengonçar-se todo. Já podia imaginar os seus ossos a deslocarem-se todinhos.

- Calma, Draco, tu consegues. Conseguiste safar-te vivo de uma guerra. O que é que é um treinozito de modelagem comparado com isso? - o loiro falou para si mesmo tentado encorajar-se e manter a perseverança em alta.