Disclaimer: Eu não possuo Dragon Ball e nem os personagens desta série. Eu não estou ganhando nenhum dinheiro escrevendo esta história. Dragon Ball, suas personagens, enredo e locais são de criação de Akira Toriyama. Todos os direitos reservados ao autor, Jump Comics e Toei Animation.
Goku e Kuririn já estavam treinando com o Mestre Mutenroshi há algumas semanas. O velho já os havia feito entregar leite, trabalhar na construção civil (de graça), pegar pedras marcadas e até estudar conhecimentos básicos (isso era o que Goku mais odiava), mas até agora, nada de kung fu! Quando é que eles começariam a lutar de verdade? Os pequenos estavam muito ansiosos.
A bipolar Lanchi também já estava morando com eles há algum tempo. Enquanto ainda tinha os cabelos escuros, conservava uma personalidade dócil e caseira, porém se espirrasse e seus cabelos ficassem loiros... Se transformava em uma mercenária sedenta por sangue (e metralhadoras). Literalmente, deixava Mata Hari no chinelo.
Há muito tempo o velho Kame não tirava o atraso. E com aquela gostosa andando para cá e para lá de shortinho... Quase o punha maluco. Estava ardendo de vontade de agarrar aquela versão loira; porque na sua juventude, gostava mesmo era da braveza das gatas selvagens. Mesmo sendo um grande nome das artes marciais, tinha um certo receio de ser atacado em uma de suas tentativas. Já não podia garantir a si mesmo conseguir pegar a loira, por isso se necessário, se contentaria em pegar a morena. Só que para isso... Precisava da ajuda de seus discípulos. Agora, o grande dilema era: como?
Ainda não havia amanhecido, mas ele já se levantara para acordar os meninos.
- Andem, levantem seus preguiçosos! Temos um longo dia de treinamento pela frente.
- Aaah, Mestre!... – Kuririn se queixou – Ainda são 04h:30min da manhã!...
Goku nem havia se mexido e pelo visto, nem ouvido os avisos do Mestre Kame e as queixas do companheiro de treinos.
- Não adianta, Mestre... Ele dorme feito uma pedra!
- Eu sei como acordá-lo – e os óculos escuros brilharam, como que anunciando seu plano – Goku, café da manhã!
- Hã?! Comida, comida... Cadê? – a boca do baixinho pingava.
- Ainda não está pronto! Vamos, hoje faremos mais uma entrega de leite.
- Ah não, Mestre Mutenroshi! Mais? Achei que já havíamos passado dessa fase do treinamento!
- Essa será a nossa última entrega Kuririn, e com um novo fornecedor. Estamos sem dinheiro para as compras dos próximos dias e a faremos com o dinheiro dessa entrega.
E então os três (sem comerem nada, pois a boa Lanchi ainda dormia), partiram a pé para a casa do novo fornecedor, que era tão longe que mais parecia o quinto dos infernos. Antes mesmo de começarem a realizar as entregas, os pobres meninos já sofriam com as bolhas nos pés.
- Água... Água!... Comidaaa!... – delirava Goku.
- Estou com fome!... Quero fazer xixi... Quero voltar para o Templo Oorin! – foi a vez de Kuririn, que devido ao delírio, chegou a enxergar o Goku com dois rabos.
- Seus bunda-moles! É assim que se dizem meus discípulos? Ainda temos muito chão para caminhar e lembrem-se que isso faz parte do treinamento. Resistam mais um pouco!
E o velho danado falava sério. Ainda havia muito chão para percorrerem e eles o fizeram, perdendo a conta de quantos morros, escadas e becos subiram e desceram. Eles também tiveram que nadar várias vezes para atravessarem os caminhos.
Finalmente eles chegaram à casa do tal fornecedor de leite, que atendeu a porta manso como um carneirinho. Talvez porque ele fosse mesmo um.
- Bom dia! Em que posso ajudá-los?
- Bom dia, eu sou o Mestre Mutenroshi e esses são os meus discípulos, Son Goku e Kuririn. Viemos pegar a encomenda do leite.
- Ah, sim! Por favor, entrem! As caixas estão lá atrás, no depósito.
Os três entraram e lá na sala sentiram um cheiro delicioso de biscoitos assados. Os estômagos dos meninos já estavam colando de tanta fome e suas bocas, pingando. O cheiro daquelas delícias estava colocando seus espíritos de guerreiros à prova e pelo visto tinha um cheirinho de café recém passado no ar também.
Passando pela cozinha para enfim chegarem ao depósito que ficava nos fundos da casa, viram a esposa do fornecedor: uma diaba (com direito a chifres e rabo pontudo), dona de um corpão escultural que cantarolava enquanto preparava o café da manhã.
- Oh, bom dia a todos! Serão vocês os entregadores de leite de hoje?
- Sim, senhora. – disse Mestre Mutenroshi, que aproveitava o auxílio dos óculos escuros para espiar o corpo da diaba mais à vontade.
- O depósito fica lá atrás. Mas antes, sentem-se e tomem um café com biscoitos! Acabei de prepará-los e vocês precisarão recarregar as suas energias.
Babando de fome, os meninos queriam dizer que aceitavam, mas o Mestre negou o convite:
- Obrigado, mas meus discípulos estão em treinamento. É fundamental para um guerreiro forte dominar a resistência física.
Abrindo a porta do velho depósito, o fornecedor entregou ao Goku e o Kuririn duas caixas contendo nove vidros cheios de leite a cada um. Depois se aproximou do velho Kame para lhe entregar o pagamento pelo serviço e explicar alguns detalhes sobre a cliente.
- A pessoa que encomendou esse leite é a feiticeira Morg Hana, que vive no topo da colina dos gárgulas broxados. Seguindo pelos próximos cinqüenta vulcões em erupção, vocês verão uma luz vermelha apontando para o céu, é lá. Não tem erro!
- Bem, e quanto cobraremos pelo leite?
- Oh, nada! Nem um centavo! Sabe, - e puxou o velho para um cantinho – Eu devo muitos favores à velha bruxa, um em especial. Você reparou que a minha esposa é uma diaba?
- Oh sim, uma diaba muito gostos... Digo, muito bonita.
- Então! Quando nos casamos, ela tinha um temperamento dos diabos. Vivia irritada e só faltava me matar. Quando eu já não agüentava mais, Morg Hana me deu o maior presente da minha vida: uma poção mágica que acalma o temperamento forte e ruim. Minha esposa toma e hoje ela vive mansa aqui comigo. Uma maravilha! Desde então eu prometi lhe fornecer leite de graça sempre que ela precisasse.
O inocente fornecedor não percebeu o brilho que surgiu nos olhos do Mestre Mutenroshi (até porque ele estava de óculos escuros, né?). Era um olhar que continha uma mistura de "tive uma ideia brilhante!", cobiça e taradice tradicional.
Poderia usar a tal poção em Lanchi! Jogaria um pouco num suco de laranja bem fresquinho (também poderia ser suco de uva) e ofereceria um copo a ela enquanto estivesse na forma má e... Prontinho!
Um arrepio daqueles percorreu todo o corpo do ancião. Ele poderia estar velho, mas certamente não estava morto.
- E... O que é necessário fazer para que ela dê a poção?
- Bem... Como é uma senhora muito solitária, basta ser gentil e aceitar o convite que ela fizer para tomar uma de suas poções, que é bastante parecida com um chá. Para conseguir mais, é só prometer algum presente ou voltar à casa dela uma vez por mês.
"Seria muito interessante me divertir com a bela Lanchi regularmente... Mas por enquanto irei me conformar com uma vez só."
- Então, muito obrigado. – o Mestre disse, pegando o pagamento e ansioso para sair dali – Vamos, garotos?
Quando eles deixaram a casa, o velho Kame lançou um olhar sério aos meninos, que carregavam as caixas de leite com cuidado.
- O que foi, Mestre? Vamos logo, essas caixas estão pesadas.
- É, vamos logo vovô... Eu tô morrendo de fome!
- Quietos! E prestem atenção, pois irei explicar uma missão especial que vocês terão nessa entrega.
- Missão especial?... – Kuririn estava desconfiado.
- Isso mesmo. Este leite será entregue na casa de uma senhora muito ilustre. Quero que vocês aceitem o convite que ela fizer para tomar chá e que prometam visitá-la uma vez por mês ou então lhe façam um agrado.
- Que tipo de missão é essa?
- Cale a boca Kuririn e não ouse questionar o seu Mestre. – e deu um cocão na careca do baixinho com o cajado – Isso faz parte do treinamento. Ou vocês não querem se tornar lutadores de artes marciais?
- Per... Perdão, Mestre! – ele disse, coçando o coco dolorido – Nós queremos nos tornar grandes lutadores! Não é, Goku?
- Sim, nós queremos. Mas quando é que vamos lutar de verdade? Quero testar o que eu aprendi!
- Vocês farão isso na hora certa. Mas como eu ia dizendo, façam o que eu pedi e em troca eu lhes deixarei comerem lá, se ela oferecer.
- Ieu, hein?... – aquele papo estava muito estranho! Kuririn sabia que o velho estava tramando alguma coisa, mas achou melhor não questionar. Vai ver aquilo fazia mesmo parte do treinamento dele e afinal de contas, aquele sem-vergonha era um deus das artes marciais.
Continua...
