- O 13º Guerreiro -
A Elite dos Doze
Parte I
Era uma noite especial do mês de Julho. Talvez o que Kyle tanto esperava acontecesse naquela noite.
Andando de um lado para o outro, sendo observado por outras quatro pessoas, ele esperava por notícias. Já fazia uma semana que aguardava a chegada da criança, mas aquele era o dia profetizado por um dos homens que estavam na sala, por isso estava ansioso. Kou nunca havia errado uma previsão. Já era um senhor de idade e tinha descendência indígena; conseguia visualizar o futuro na fumaça e na própria mente.
Kou (interrompendo a meditação): 'Nasceu.'
Kyle soltou um suspiro. Não sabia se ficava feliz ou quem sabe mais preocupado ainda.
Koriny: 'Não sei por que tanta preocupação com esse moleque.'
Koriny era a única mulher da grande elite. Era bonita, mas cheia de si e quase insuportável.
Kyle: 'Estou apenas preocupado com o futuro desse garoto. Kou profetizou algumas coisas que não me deixaram nada contente.'
Koriny cruzou os braços e parou de reclamar.
Instantes depois, o telefone que havia na sala começou a tocar. Kyle atende, porém fica mudo.
Telefone: 'Ele nasceu e está passando perfeitamente bem.'
Kyle: '"timo... Continue seu trabalho por aí e me mantenha informado sobre os avanços.'
Telefone: 'Claro'.
Kyle desliga o telefone, não gostava de tratar de assuntos importantes pelo aparelho. Além do mais, aquela criança iria exigir muito trabalho de seu mestre, por isso ele havia escolhido pessoalmente quem a ensinaria, não tinha por que se preocupar.
Kyle: 'Já está tarde... Vou me retirar.'
Josh: 'Antes de ir, mestre... Poderia lhe fazer uma pergunta?'
Josh era o braço direito de Kyle. Tinha aparência jovem ao contrario de seu chefe e de Kou.
Kyle: 'Acabou de fazê-la, Josh. Mas vá em frente... Faça outra.'
Josh: 'Por que você se preocupa tanto com este garoto, filho de Shang?'
Kyle: 'A família Li não é de se brincar, Josh... O garoto vai vir atrás de nós. Tenho certeza. Mais tarde conversamos sobre isso.'
Koriny (com a cara amarrada): 'Atrás de mim, você quis dizer.'
Josh: 'Mas... Por que mandou Wei ir treiná-lo? Se ele ficasse fraco seria mais fácil de Koriny derrotá-lo.'
Kyle: 'Por isso mesmo, não quero que Koriny o derrote.'
Koriny (não acreditando): 'Você esta desejando que eu perca para um Li insignificante?'
Kyle: 'Não quero que ele vença, só não quero que você o mate.'
Assim Kyle se retira do aposento.
Josh: 'O que é que ele tanto esconde de nós?'
Kojiro: 'Ele sempre tem algo para esconder! É sempre assim! Para que contar para os outros se fazer suspense é melhor?'
Kojiro é um homem já maduro. Um tanto irritado com a vida, e está sempre procurando briga, porém é bastante forte e esperto.
Josh: 'Não se altere Kojiro.'
Kojiro: 'Mas é verdade! Agora ele fica de segredos com a Koriny só por que é mulher...'
Koriny: 'Está insinuando o que?'
Kojiro: 'Que você está seduzindo ele pra tentar ganhar alguma coisa!'
Koriny: 'Não preciso disso! Tudo que eu quero, eu tenho!'
Josh: 'Já chega vocês dois. Todos nós aqui temos que respeitar Kyle. Apesar de tudo, ele sabe o que faz.'
Kojiro: 'E você o defende só por que é o braço direito dele.'
Kou: 'Calem-se todos. Nós somos um grupo e devemos nos unir ao invés de brigar.'
Kojiro: 'Não enche o saco, Kou... Você que é pacifista de mais.'
Koriny (se retirando da sala): 'Ai... Isso que da me meter com esse bando de homens sem neurônios na cabeça... Vão dormir todos que nós ganhamos mais. Amanhã os outros estarão de volta.'
Josh (indo atrás dela): 'Koriny tem razão uma vez na vida... Vamos todos dormir.'
Kou: 'Vou ficar aqui meditando.'
Kojiro (saindo): 'Você sempre fica mesmo...'
Wei: '... E foi assim que a primeira mulher entrou para a Elite dos Doze.'
Meiling (ficando de pé na cama dando socos e chutes no ar): 'Eu sou a Koriny!'
Shoran (empurrando Meiling pro chão): 'Te venci por que eu sou Kyle!! O Mais forte!'
Meiling (chorosa): 'Não é justo...'
Wei (sorrindo com a brincadeira): 'Está na hora de dormir crianças...'
Shoran: 'Essa elite existe mesmo, Senhor Wei?'
Wei: 'Não duvide disso! Até mesmo seu pai tentou entrar nela!'
Meiling: 'Tentou!?'
Wei: 'Sim... Mas infelizmente foi derrotado por Koriny.'
Shoran: 'Foi assim que ele morreu, não foi?'
Wei: 'Sim... Não sabemos de detalhes, só sabemos que o prédio na qual lutavam foi completamente destruído e não sobrou nada.'
Meiling: 'Koriny que matou meu tio? Que saco... Não gosto mais dela.'
Wei: 'Não é hora de conversar sobre isso crianças. Durmam que amanhã Yelan estará aqui.'
Shoran: 'Ah não...'
Wei: 'Que é isso, Shoran? Respeite sua mãe!'
Shoran: 'Não é isso... Eu gosto dela, mas ela é muito exigente comigo.'
Wei: 'É assim que tem que ser. Assim que ficar mais velho, as coisas ficarão mais exigentes ainda.'
Shoran: 'Droga...'
Meiling: 'Não desista, Shoran! Você vai conseguir!'
Shoran (não entendendo): 'Conseguir o que?'
Meiling: 'Sei lá... O que eu você quiser.'
Wei (cobrindo os primos): 'Durmam bem.'
Wei se retira do quarto e apaga a luz. Shoran ainda estava com sete anos, mas mesmo assim já era uma criança responsável. Bem diferente das outras. E teria que ser assim, senão...
Era madrugada quando Yelan pôs os pés dentro de casa. Largou a grande mala de viagem com uma empregada, e o casaco pesado com outra.
Wei: 'Seja bem vinda de volta, Senhora Yelan.'
Yelan: 'Shoran está dormindo?'
Wei: 'Sim senhora.'
Yelan: 'Acorde-o. Vista-o com uma roupa adequada e o leve para o nosso dojo.'
Wei (se retirando): 'Como quiser.'
Wei sabia que Yelan planejava iniciar as coisas assim que chegasse, mas não achava que seria tão cedo. Ele entrou no quarto em que Shoran e Meiling dormiam e se abaixou ao lado de Shoran.
Wei: 'Jovem Shoran. Sua mãe está aqui e gostaria de vê-lo.'
Shoran: 'Ah não... (sonolento) Que horas são?'
Wei: 'Quase quatro e meia...'
Shoran (se levantando a contra gosto): 'Maravilha...'
Wei: 'Espere... Vista isso.'
Shoran: 'O que é isso?'
Wei: 'Seu primeiro quimono de luta.'
Shoran: 'Que sem graça...'.
O quimono era apenas um roupão branco com uma faixa branca para amarrar. Shoran sempre via sua mãe e Wei com lindos quimonos chineses e aquela coisinha branca não chegava nem aos pés daquilo.
Ele vestiu o quimono o mais devagar possível, com a cara mal humorada. Depois, se dirigiu com Wei para os fundos da casa. Atravessaram a varanda e chegaram ao pátio que dava para um imenso jardim, com uma casa de madeira ao fundo. Andaram até lá, Shoran arrastando os pés pensando em como sua cama estava quentinha e macia. Entraram sem os sapatos e lá estava Yelan sentada no chão a espera dos dois.
Shoran: 'Bem vinda de volta, mãe.'
Yelan: 'Bem querido, estou aqui para lhe entregar algo de muito valor, que lhe ajudará por toda a vida.'
Shoran: 'O quê? Diga logo, mamãe!
Yelan: 'Pegue.'
Yelan estendia para Shoran uma esfera negra com cordas vermelhas penduradas.
Shoran (pegando): 'O que é isso?'
Wei: 'Sua espada, jovem Shoran.'
Shoran: 'Não estou vendo espada nenhuma.'
Yelan (se levantando): 'Esta é uma espada mágica Shoran. Concentre sua magia nela que ela irá se materializar.'
Shoran: 'Mas como eu faço isso? Eu nunca usei magia alguma!'
Yelan: 'Está na hora de começar a usar. Wei irá lhe ensinar tudo que você precisará saber sobre magia e luta, a partir de hoje.'
Shoran: 'Mas para que tudo isso?'
Yelan: 'Um dia você terá de assumir o lugar que seu pai deixou vago, Shoran. Começará treinando hoje, e só vai parar quando conseguir superar os poderes de seu pai.'
Wei: 'Não acha que está cobrando muito dele, Senhora Yelan?'
Yelan: 'Não Wei. Sei que Shoran será capaz de cumprir esta meta. Não é? (fitando o filho)'
Shoran (intimidado): 'Serei, sim senhora.'
Yelan (se retirando do dojo): 'Não disse?'
Quando Yelan saiu da casa, Shoran soltou um longo suspiro.
Wei: 'Seja forte, jovem Shoran. As coisas recém começaram.'
Shoran (pegando a esfera com as cordas vermelhas): 'Vamos começar logo com isso... Vou mostrar pra ela que serei muito mais forte que meu pai. (fitando a espada) Como uso isto?'
Wei começou a dar as noções básicas da magia para Shoran. Ensinou que a base da magia é a concentração. Sem concentração não há magia. Fizeram vários exercícios, e pela manhã, Shoran finalmente conseguiu materializar sua espada.
Shoran (espantado): 'Nossa...'
Wei (feliz): 'Isso mesmo, jovem Shoran! O senhor foi ótimo!!'
Shoran tinha a espada em mãos, mas era muito pequeno para conseguir segurá-la corretamente. A espada era alongada e muito bonita. Sua parte inferior era cravada com uma esfera negra. Logo ele começou a balançar a espada como se estivesse atacando alguém, porém, a espada se desmaterializou e na mão de Shoran sobrou apenas a esfera negra com as cordas vermelhas.
Shoran (confuso): 'O que houve...?'
Wei: 'Você não pode simplesmente esquecer que esta é uma espada mágica. Precisa se concentrar nela o tempo todo!'
Shoran: 'Mas aí como vou me concentrar na luta??'
Wei: 'Mais tarde você vai estar tão habituado a usá-la que nem vai perceber que está se concentrando nela.'
O diálogo foi interrompido por alguns ruídos de uma pessoa desesperada passando pelos jardins e vindo ao dojo. Ela abre a porta de correr com força, fazendo-a bater no outro lado, gerando mais um barulho.
Meiling: 'POR QUÊ?????'
Shoran: 'Por que o quê?'
Meiling: 'Por que vocês não me chamaram para vir treinar junto?!'
Wei: 'Jovem Meiling... Shoran começou hoje o treinamento de magia. Já foi explicado que não você possui magia.'
Meiling (começando a chorar): 'Eu sei! Mas eu queria estar junto! Vocês sabiam disso!'
Shoran: 'Não chore, Meiling... A partir de hoje vou te acordar todos os dias para treinar comigo.'
Meiling (enxugando as lágrimas): 'Promete?'
Shoran: 'Prometo.'
Shoran e Meiling assistiam a um tedioso programa na televisão, esperando o jantar ficar pronto. E como sempre, Wei estava ali, cuidando dos dois.
Yelan: 'Wei!'
Shoran logo tira os pés do sofá e se senta com a postura mais ereta.
Wei: 'Senhora?'
Yelan: 'Preciso urgente falar com você. Vamos ao meu escritório.'
Wei: 'Como quiser.'
Os dois saem da sala e sobem as escadas em direção do escritório de Yelan. Meiling olha para Shoran com um rosto que ele conhecia muito bem.
Shoran: 'Ah não Meiling... Dessa vez não!'
Meiling (se levantando): 'Larga de ser chato, Shoran... Vamos lá!'
Shoran acaba cedendo e segue a prima. Eles sobem as escadas em silêncio e se abaixam perto da porta do escritório, colocando as orelhas grudadas na porta para tentar escutar alguma coisa. Porém, não conseguiram ouvir nada, apenas o ruído da porta se abrindo e a voz de Yelan soando pelo corredor.
Yelan: 'Entrem os dois! Já!'
Os dois baixam a cabeça e entram rapidinho no escritório. Yelan tinha o rosto mais sério do que o de costume e Wei também. Aquilo não era nada bom.
Yelan: 'Shoran, me diga. Como vai o seu treinamento de magia?'
Shoran: 'Ah... Não sei... Acho que vai bem.'
Meiling: 'Está muito bem sim! Ele faz uns trovões de dar medo!!'
Yelan: 'Wei?'
Wei: 'Ele está indo bem no treinamento senhora, mas ainda tem muito que aprender.'
Yelan: 'Wei... Quero que dobre o tempo de treinamento de Shoran este mês. Ele não freqüentará a escola neste meio tempo. Quero dedicação total ao aprendizado da magia.'
Shoran: 'O quê?? Mas pra que?'
Yelan: 'Wei, as cartas Clow foram libertadas e esta é a nossa chance de trazê-las de volta ao clã. Quero Shoran com elas.'
Wei: 'As cartas Clow? Nossa! Mas onde aconteceu?'
Yelan: 'Em uma cidadezinha próxima a Tókio. Vou mandar Shoran para lá dentro de um mês. E acredita que isto aconteceu há três meses sendo que eu percebi apenas agora?'
Shoran: 'Que cartas são essas?'
Meiling: 'Eu vou junto!!'
Yelan: 'Você não vai Meiling. Vai ficar aqui comigo. E Wei, explique para Shoran a importância que estas cartas têm para a família. Assim que terminarem, venham que a janta está pronta.'
Yelan sai do escritório.
Voz: 'Salto!'
Shoran: 'Espere! Sua magia pode se acabar!'
Voz: 'Eu não quero!'
A garota, com lágrimas nos olhos verdes, salta para os braços de Shoran.
Sakura: 'Eu te amo!!!'
Shoran a segura e abraça com toda a força que lhe restara.
Shoran (enxugando uma lágrima que escorria no rosto de Sakura): 'Está tudo bem com você?'.
Sakura: 'Sim! Você não vai voltar para Hong Kong não é? Diz que não, por favor!'.
Sakura abraçou Shoran novamente, chorando ainda mais. Ele adoraria confortá-la com palavras bonitas de que sempre estariam juntos, que seriam felizes para sempre, mas não poderia mentir. Aquilo não era verdade. Ele deveria retornar a Hong Kong naquela semana. Ele deveria dar tudo de si nos treinamentos e conseguir entrar para a Elite dos Doze dali alguns anos. Ficar em Tomoeda seria não realizar o sonho que o pai tinha, e nem ao menos vingar a morte dele.
Shoran: 'Sakura, eu...'
Sakura o encarou com tristeza e até mesmo desespero. Agora que finalmente ela havia conseguido dizer o que sentia, ele estava indo embora?
Shoran: '... Eu não posso ficar aqui.'
Sakura: 'Por quê?'
Shoran (suspirando): 'Logo vou te contar. Não acha melhor irmos ver se os outros estão bem?'
Sakura (enxugando as lágrimas): 'É... Talvez seja.'
Os dois desceram da enorme torre em que estavam, se encontrando logo em seguida com Tomoyo e Meiling.
Eram quatro horas da manhã e Shoran não havia dormido nada. Agora, com quatorze anos, já havia crescido bastante. Levantou-se e parou em frente ao espelho. Olhando para a própria imagem refletida, ele se recordava de Sakura. Sem tempo para cartas, telefonemas, nem mesmo para os seus pensamentos, Shoran havia passado os últimos dois anos treinando para ser o melhor.
Sentou novamente na cama, se jogou para trás e mirou o teto. 'Sakura estaria dormindo? Claro que sim, são cinco da manhã no Japão.' Ele se virou para o lado, a cortina branca começou a se movimentar com o vento que batia. Uma rajada um pouco mais forte a afastou-a, deixando um pedaço da janela a vista. Quatro e meia. Ainda era noite lá fora. Shoran escutou passos, e logo alguém entrava em seu quarto sem ao menos bater.
Voz: 'Pronto para mais um novo dia?'
Shoran: 'Ainda é noite lá fora, mãe.'
Yelan: 'Mas logo irá amanhecer. Se arrume e vamos. Hoje será um grande dia.'
Shoran (se levantando): 'Como todos os outros grandes dias que a senhora anunciou?'
Yelan: 'Qualquer dia é um grande dia. Deve ser aproveitado como se fosse o último. E a cada dia você aprende uma coisa nova. Só por isso, já é um grande dia.'
Shoran ficou calado enquanto tirava o pijama e colocava o kimono branco de luta. Pegou a esfera negra sobre a mesa e atravessou a porta que a mãe segurava aberta.
Yelan: 'Vá tomar café. Estarei te esperando no dojo.'
Shoran: 'A senhora que vai me ensinar hoje?'
Yelan: 'Sim. Wei foi resolver uns problemas pessoais.'
Shoran (estranhando): 'Que problemas?'
Yelan: 'Pergunte-o. Você é a pessoa que mais convive com ele.'
Shoran se encaminhou para a cozinha enquanto Yelan ia para o dojo nos fundos da casa. Apesar de ser muito cedo, a casa já estava razoavelmente movimentada. Empregadas com cara de sono iniciavam a faxina, enquanto a secretária de Yelan parecia nem ao menos ter dormido. Carregava papéis para todos os lados, falando ao telefone e resmungando algo como 'Grande idéia ir ensinar o filho e deixar tudo nas minhas mãos...'.
Shoran entrou na cozinha e pediu para a empregada, que já estava levando seu café para a sala em uma bandeja, que o servisse na sacada. Ela simplesmente sorriu, disse 'Sim, senhor.' e se encaminhou para o local.
Era uma sacada ampla, com uma vista linda dos jardins da casa. Tinha uma mesa de vidro, no qual Shoran tomava seu café da manhã. Mais ao longe, ele observava algumas grandes cerejeiras que havia no quintal da propriedade. O sol já estava no céu, deixando tudo mais bonito. Como queria que Sakura estivesse com ele. Mas ao mesmo tempo, desejava poder ficar forte para entrar na Elite. Estava indeciso, mas já planejava driblar a mãe com uma desculpa sobre dar férias a Wei, e ir para o Japão nesse tempo.
Empregada: 'Senhor Li. Sua mãe está aguardando sua chegada ao dojo.'
Shoran (se levantando): 'Ah, é mesmo. Você leva isto de volta, sim?'
Empregada: 'Claro.'
Shoran pegou a esfera negra de cima da mesa e se dirigiu ao dojo. Já eram quase cinco horas, e deixar sua mãe esperando não era algo muito bom, principalmente em dia de treino com ela.
Shoran (entrando no dojo): 'Desculpe a demora.'
Yelan: 'Tudo bem. Alongue-se e vamos lutar.'
Yelan segurava uma espada pequena. Uma kunai. Era própria para defesa, mas um bom lutador conseguiria utilizá-la com perfeição para o ataque.
Shoran (alongando os braços): 'Vou lutar contra a senhora?'.
Yelan: 'Com quem mais lutaria?'
Shoran: 'Desculpe, mas sei que irá me vencer fácil.'
Yelan: 'Com este pensamento não vencerá nem mesmo Meiling.'
Shoran fechou a boca e terminou o alongamento. Materializou a espada e respirou fundo. Desejava que sua mãe não descontasse o mau humor diário nele.
Shoran: 'Regras?'
Yelan: 'Apenas uma: Esqueça que sou sua mãe que esquecerei que é meu filho.'
Shoran gelou. Era uma luta completamente desigual. Não teria qualquer chance. Ele se posicionou para defesa e aguardou que ela começasse.
Mais depressa que os olhos dele podiam acompanhar, Yelan o derrubou no chão e ele não teve qualquer reação. A espada voou longe e ele estava indefeso.
Yelan (tomando distância): 'Um inimigo o mataria neste mesmo instante e você não teria nem percebido. Está avoado e desconcentrado. '
Shoran se levantou e pegou a espada do chão. Respirou fundo olhando fixamente para Yelan, tentando só pensar na luta. Ela iniciou o ataque novamente. Rapidamente já estava na frente de Shoran desferindo-lhe um golpe no rosto. Ele se abaixou, evitando ser acertado, mas foi chutado a alguns metros de distância.
Yelan: 'Evitar um golpe não significa vencer a luta. O que Wei anda lhe ensinando? Levante-se e comece.'
Shoran se apoiou na espada e se ergueu. Empunhou-a e partiu para o ataque. Tentou atacá-la por cima, mas Yelan parou a investida com a pequena espada que tinha. Shoran forçou um pouco mais. Ela resistiu e, girando o braço, parou o golpe de Shoran, atacando-o com magia. Atirou duas rajadas de ar que o fizeram cair longe.
Yelan: 'Não quero pensar que eu e Wei estamos perdendo nosso tempo te ensinando a lutar, Shoran. Mostre sua força de verdade, que sei que tem. Mostre suas habilidades e capacidades. Invente novos ataques na hora do desespero.'
Não importava o sermão que Shoran levasse, ele se levantava e tornava a cair por um novo ataque de Yelan. Ele não conseguia se concentrar, pois pensava muito em Sakura e aquilo o impedia de dar o melhor de si. Sabia que quando conseguisse usar sua força bem, sua mãe iria parabenizá-lo, mas talvez aquilo não acontecesse.
Yelan: 'Já chega, Shoran. Você não está nem um pouco concentrado nessa luta! Como espera entrar para a elite dos doze maiores guerreiros se não consegue ao menos se concentrar?! Tire essa garota da cabeça e lute como se deve!'
Shoran se surpreendeu ao saber que Yelan sabia de seus pensamentos. Ela tinha toda razão como sempre, ele não teria a mínima chance de vencer qualquer inimigo se a única coisa em que conseguia pensar era nela, no sorriso dela, nos olhos dela, na felicidade dela...
Yelan: 'Acorde, Shoran!!'
Shoran voltou à realidade e se deparou com sua mãe segurando a kunai em frente de seu pescoço, como se fosse cortá-lo.
Yelan (afastando a espada): 'Não vou mais perder meu tempo, Shoran. Eu não queria ter que fazer isto, mas...'
Yelan coloca a mão sobre os olhos de Shoran. Por alguns instantes ele sente sua mente se esvaziar e a vista sumir, mas logo tudo volta ao normal. Ele cai com as mãos no chão e olha para frente assim que escuta uma voz conhecida chamar pelo seu nome.
Voz: 'Shoran, me tira daqui!!! Socorro!'
A voz era de Sakura e lá estava ela, mais atrás do dojo, dentro de uma barreira em forma de bolha.
Shoran (espantado): 'Sakura...?'
Logo, raios apareceram dentro da bolha, eletrocutando Sakura. A menina gritava como Shoran nunca havia escutado. Um grito de grande sofrimento. Ele, mais do que de pressa empunhou a espada para salvar a amada, mas logo que começou a correr, Yelan apareceu na sua frente, impedindo que ele avançasse.
Yelan: 'Me vença que ela estará a salvo.'
Kyle: 'Quanto tempo, meu velho amigo.'
Wei: 'É mesmo. Já se passaram quatorze anos desde que lhes fiz minha última visita'.
Kyle: 'É. Sente-se e vamos beber algo.'
Logo uma moça trajando um vestido preto e um avental branco apareceu, trazendo uma garrafa de vinho com algumas taças.
Wei: 'Sabe, cada ano que passa, vejo como Shoran está parecido com Shang.'
Kyle (servindo o vinho): 'Já imaginava. Mas me diga, como ele está nos treinamentos?'
Wei (pegando uma das taças): 'Está indo muito bem. Eu nem esperava que mandá-lo para capturar as cartas fosse ajudar tanto.'
Kyle: 'Toda experiência no campo de batalha sem outra pessoa para ajudar é boa. Você aprende como lidar com lutas reais, aumenta a velocidade do raciocínio e aprimora os poderes.'
Wei: 'Tem toda a razão. Hoje a Senhora Li está se encarregando de treiná-lo, e garanto que não será nada fácil para o garoto. Além do mais, agora já é um adolescente, e para piorar as coisas está apaixonado por aquela japonesa, a dona das cartas Clow.'
Kyle: 'Hum... Pelo menos se ele se casar com ela, colocará as cartas de volta no clã.'
Wei: 'Sim, mas ultimamente ele não tem se concentrado, e acho que também não tem dormido à noite.'
Kyle: 'Que obsessão. Mas só uma coisa, não comente isto com mais ninguém. É capaz de Koriny querer fazer algum mal para a menina.'
Wei: 'Isso nem havia passado pela minha cabeça, não se preocupe. Mas por que acha isso?'
Kyle: 'Pesquisei um pouco o passado dela. Isso já faz um tempo, mas não é algo urgente, por isso esperei nos reencontrarmos para contar.'
Wei: 'E o que no passado dela que te fez achar que ela pode ferir a senhorita Kinomoto?'
Kyle: 'Descobri como ela conseguiu os poderes que tem hoje...Eu já desconfiava, mas não tinha absoluta certeza. Não foi muito honesto o que ela fez, mas agora tem que retribuir ou pode perder a própria vida.'
Wei (entendendo): 'Ah, já imagino o que ela fez. Mulheres apaixonadas são realmente perigosas...'
Kyle: 'Bom, mais perto do dia nós nos preocupamos com isso. Sugiro que dê umas férias para Shoran. Mande-o para o Japão por algumas semanas. Garanto que ele voltará mais contente.'
Wei (sorrindo): 'Mais contente? Ele voltará saltando de alegria!'
Kyle: 'Espero que volte a se concentrar nos treinos. Quero lhe pedir que exija mais dele assim que voltar das férias. Leve-o para as montanhas Junling Bainkara. Passe um mês por lá, e ao fim disso eu mando alguém testá-lo só para ele perceber que ainda falta muito para que atinja o nível de magia que precisa... Está claro para você?'
Wei: 'Claro como a água, Kyle. '
Kyle (se levantando): '"timo. Agora vamos para a sala, todos devem estar aguardando.'
Wei: 'Ah... Só mais uma coisa... Estou achando que já está chegando a hora de me retirar dos treinamentos com Shoran. Ele conseguiria se desenvolver mais com um jovem mestre com quem não tivesse tanta afeição, como existe entre mim e o jovem Li.'
Kyle (um tanto desapontado): 'Está querendo que mande outro treinar Shoran?'
Wei: 'Sim. O que mais quero é ver Shoran nesta Elite, e ele deve ter um mestre que ajude-o mais do que um velho como eu.'
Kyle: 'Se é assim que você quer, vou pensar na pessoa adequada pra te substituir. Mas vai ficar lá o ajudando ainda, certo?'
Wei: 'Claro. A família Li é a família que nunca tive...'
Kyle: '"timo... Então, vamos indo.'
Wei: 'Certo.'
Shoran encarou sua mãe com rancor. Quem ela era para impedi-lo de salvar Sakura? Rapidamente a atacou com a espada. Ela bloqueou o ataque e ele iniciou uma seqüência de golpes rápidos, que Yelan defendeu. Parou o ataque e recuou um pouco. Ao fazer isso, Yelan voou para cima dele com sua espada curta. Shoran quase não teve tempo de desviar, mas conseguiu saltar para trás antes que a espada o cortasse. Porém, ela passou muito perto, abrindo um rasgo no kimono que usava.
Olhou para frente e viu que Sakura logo perderia os sentidos pela dor. Furioso consigo mesmo por não conseguir passar pela barreira da mãe, Shoran se empenhou ao máximo no ataque seguinte.
Shoran: 'Deus do trovão, vinde a mim!!'
O raio atravessou o dojo, chegando em Yelan, que fez a pequena espada ser envolvida com energia e usou-a para parar o ataque. Shoran precisava vencer! Colocou todo o resto de sua força no ataque, fazendo a potência do golpe aumentar muito.
Yelan não agüentou segurar a espada, que voou cravando-se na parede, e ela caiu sentada.
Shoran se voltou para o canto onde antes estava Sakura, mas agora não havia ninguém mais. Yelan se levantou limpando a túnica.
Yelan: 'Parabéns, Shoran. Seu último ataque foi brilhante.'
Shoran ficou um tanto triste ao se dar conta que havia visto apenas uma ilusão criada por sua mãe. Apesar daquilo não ter sido nenhum pouquinho legal com seus sentimentos, rendeu aos dois uma boa luta.
Shoran: 'Você não tinha o direito de brincar com a minha mente dessa maneira.'
Yelan: 'Você sabe que do jeito que estava ficaríamos o dia todo treinando, e você sempre perdendo. Eu também não queria ter feito aquilo, mas foi a única solução que encontrei.'
O jovem apenas observou a mãe. Agora que a adrenalina havia passado, ele se sentia cansado, com o corpo dolorido. Nunca tinha usado tanta magia em um golpe só.
Yelan: 'Vamos fazer uma pausa agora. Volte daqui vinte minutos, Shoran.'
Shoran inclinou o corpo para mãe, que retribuiu o gesto. Assim se retirou do dojo, dando logo de cara com Meiling.
Meiling (pulando no pescoço dele): 'Você foi fantástico Shoran!!!!!!!!'
Shoran (afastando a prima): 'Assistiu a luta toda, foi?'
Meiling (entregando uma garrafa com água que trazia na mão): 'Não, só o final!'
Shoran (bebendo): 'Ah...'
Meiling havia crescido bastante também. Os longos cabelos negros agora ficavam na maior parte do tempo soltos, e seu corpo tinha curvas acentuadas. No colégio era bem popular, e na família os outros primos disputavam na espada a mão dela em casamento. Sakura também estaria assim tão bonita?
Meiling: 'Pensando nela de novo, acertei?'
Shoran: 'É...'
Meiling: 'Pois bem, nós vamos para o Japão nessas férias de julho.'
Shoran: 'Quem te disse isso?'
Meiling: 'Ninguém, estou impondo essa idéia a partir de hoje.'
Shoran: 'Duvido que minha mãe me libere...'
Meiling: 'Eu vou fazer ela liberar, Shoran! Isso eu garanto!'
Shoran: 'Acha que consegue?'
Meiling: 'Tenho certeza!'
Shoran (sorrindo e abraçando a prima): 'Obrigado Meiling, você sabe o quanto isso vai me deixar feliz.'
Sakura (ao telefone): 'Vo-Você tem certeza do que está falando, Tomoyo?'
Tomoyo: 'Nunca tive tanta certeza, Sakura. Acabei de falar com Meiling!'
Sakura: 'Ai Tomoyo... Repete isso, por favor... Shoran, aqui, em julho??'
Tomoyo: 'Sim, Sakura! Liguei pra Meiling para saber das novidades. Ela falou que convenceu a senhora Yelan a dar umas férias do treinamento para o Shoran, mas que só conseguiu por que o Wei garantiu que seria bom pra ele. Os dois virão pra cá logo no começo do mês.'
Sakura (depois de ficar um tempo em silêncio): 'Tomoyo... Eu tô tremendo... Tremendo muito...'
Tomoyo: 'Acalme-se Sakura!! Garanto que vai ficar tudo bem nesse tempo que vocês vão estar juntos! Quem sabe vocês até comecem a namorar oficialmente?'
Sakura: 'Ai Tomoyo! Nem me fala uma coisa dessas... Só de pensar eu já fico toda arrepiada...'
Tomoyo: 'Você vai ver que vai ser legal, Sakura! Como você sempre diz, vai dar tudo certo!'
Sakura: 'Obrigada Tomoyo...'
As amigas conversaram durante mais alguns minutos, mas Sakura não tirava da mente que em poucos dias estaria se encontrando com Shoran novamente. Sakura desligou o telefone e caiu na cama fitando o teto com um sorriso bobo. Olhou por alguns instantes pro teto, e se imaginou beijando Shoran. Começou a rir e a balançar as pernas para cima e para baixo. Como sonhava com aquele instante.
Shoran estava na sala de entrada da mansão Li, acompanhado apenas de um par de malas. Aguardava Meiling para ir ao aeroporto, mas a única coisa que conseguia pensar era que em algumas horas veria Sakura. Já estava nervoso com o encontro, e muito ansioso.
Shoran (gritando): 'Vamos, Meiling!!!'.
Meiling (aparecendo no topo da escada com uma enorme mala com rodas): 'Já estou chegando...'
Wei, que estava acompanhando-a, carrega a mala até o final da escada.
Shoran: 'Meiling, vamos passar somente um mês! Não uma década!'
Meiling: 'Eu sei! Por isso só trouxe o essencial.'
Wei e Shoran carregam as malas até um carro que os aguardava. Yelan estava lá fora, aguardando a chegada dos três.
Yelan: 'Apressem-se, do contrário chegarão atrasados.'
Os dois jovens se despedem de Yelan com um abraço e entram no carro com Wei. Ele os levaria até o aeroporto, e depois iniciaria seu mês de descanso.
Em alguns minutos chegaram ao aeroporto e embarcaram no avião. Shoran e Meiling se despediram do mestre, e partiram para a cidadezinha onde tudo começou.
O vôo foi tranqüilo, e em algumas horas estavam pousando no aeroporto de Tókio. Meiling garantira que Sakura e Tomoyo estariam lá para recebê-los. Além do mais, Tomoyo insistira tanto para que os dois se hospedassem em sua casa, que Yelan acabou cedendo.
Meiling (descendo do avião): 'Shoran, você está tremendo.'
Shoran: 'É, eu estou...'
Meiling: 'Acalme-se... Sakura não vai te morder...'
Shoran: 'Eu sei que não... Mas fico nervoso do mesmo jeito.'.
Os dois chegam ao salão de desembarque, onde pegariam suas malas. Shoran olhou para todos os lados a procura de Sakura do outro lado das paredes de vidro, mas não a encontrou. Os primos pegaram suas bagagens e foram se retirando da sala. Logo que saíram, viram as duas amigas correndo em direção deles bastante rápido. Assim que chegaram perto, pararam ofegantes.
Tomoyo: 'Pra variar, a Sakura se atrasou.'
Sakura: 'Eu não! Você que queria que eu pusesse uma de suas fantasias! Demorei um século pa convencê-la que não era uma boa ocasião.'
Shoran não havia escutado nenhuma palavra do que as duas haviam dito. Ele prestava atenção em Sakura. Como ela havia mudado. Já era quase uma mulher. Os cabelos estavam mais compridos, com o corpo mais definido e usava roupas mais adultas.
Meiling (abraçando as duas amigas): 'Ai meninas... Senti tantas saudades!!'.
Tomoyo (pegando na mão de Meiling e indo à frente): 'Como foram de viagem?'
Meiling: 'Foi ótima! Graças a Deus não houve nenhuma turbulência...'
Tomoyo: 'Almoçaram direitinho?'
As duas já estavam alguns metros para frente, quando Sakura e Shoran pararam de se fitar e começaram a andar.
Sakura (timidamente): 'Acho que elas não vão nos esperar...'
Shoran: 'Também acho que não...'
Falta de assunto era algo realmente muito vergonhoso para ambos. Coube a Sakura inventar qualquer coisa para falar no trajeto de saída do aeroporto.
Sakura: '... E como andam seus treinos?'
Shoran: 'Estão ótimos... Aprendi muitas coisas novas. É muito rígido, mas estou me esforçando.'
Sakura: 'Você está treinando tanto para que, Shoran? Não tem mais nada de estranho acontecendo em nenhum lugar...'
Shoran: 'Ah... Acabou que eu não te contei porque estava decidido a continuar treinando no dia que você selou Esperança...'
Sakura: 'É, não contou mesmo.'
Shoran: 'Bom, é uma longa história, Sakura...'
Meiling: 'Vamos vocês dois! O motorista da Tomoyo não vai esperar o dia todo!!'
Tomoyo: 'Na verdade iria...'
Meiling (balançando a mão como quem faz pouco caso): 'Detalhes, Tomoyo, detalhes...'
Sakura e Shoran encerram o assunto e aceleram o passo até o carro que os levaria para a Mansão Daidouji. Sonomi os recebe na porta, dando um forte abraço em Sakura. Era uma oportunidade rara a mãe de Tomoyo estar em casa, por isso ela iria aproveitar o máximo a filha. Alguns empregados recolheram as bagagens e as levaram para os respectivos quartos, e Sonomi foi logo chamando todos para comer um maravilhoso bolo na varanda.
Meiling: 'Obrigada por nos hospedar senhora Daidouji, e lhe digo que sua casa é fantástica!'
Sonomi: 'Que isso... Sei que a de vocês em Hong Kong ainda deve ser um pouco maior.'
Meiling: 'Tamanho não é documento! Lá é tudo tão quieto, sombrio. Ninguém sorri, tenho que falar baixinho, isso quando tenho com quem falar. Shoran está sempre treinando, até parece que não faz mais nada da vida.'
Shoran: 'Mas é o que faço mesmo, sem contar os estudos.'
Sakura: 'Você não se cansa não?'
Shoran: 'Às vezes... Por isso estou aqui, para descansar.'
Meiling: 'Além de que Wei já está ficando velho... Vai precisar tirar férias com mais regularidade daqui em diante.'
Tomoyo: 'O senhor Wei acompanha vocês desde pequenos, certo?'
Meiling: 'Exatamente. Não sei o que seria de mim se ele não estivesse com a gente todo esse tempo. Ele já é como um pai para nós, não é Shoran?'.
Shoran: 'É sim.'
Sakura: 'Meiling, você nunca falou dos seus pais para nós...'
Meiling: 'Ah... Bem... Eu não cheguei a conhecê-los muito bem. Meu pai já era velho quando nasci, e minha mãe veio a falecer quando nasci.'
Sakura (se arrependendo): 'Ah... Sinto muito, Meiling... Não deveria ter perguntado.'
Meiling: 'Que isso... Não tem mal algum!'
Tomoyo: 'Gente, vamos terminar logo este bolo que quero mostrar uma coisa para vocês lá no meu quarto...'
Sonomi observava os amigos conversarem com interesse. Como sentia falta de uma boa amiga por perto. Nadeshiko iria sempre fazer falta em sua vida.
Os quatro terminaram o pequeno lanche, e Tomoyo sem levantar suspeitas levou o que restara do bolo para o quarto. Assim que abriram a porta, uma pequena bola de pêlos amarelos pulou para frente deles festejando a chegada de Tomoyo com um grande pedaço de bolo.
Kero (pegando o bolo e indo comer): 'Por que demoraram tanto com isso?? Eu fiquei olhando e parecia que vocês iriam terminar o bolo sem me deixar nenhum pedaço! Mas como sempre, a Tomoyo querida salva o meu dia! Obrigado! Obrigado!'
Meiling (nervosa): 'Cumprimentar faz bem, bola de pêlos!'
Kero resmungou algo incompreensível para Meiling de boca cheia, e voltou a comer desesperadamente.
Sakura: 'Como vocês perceberam, Kero continua exatamente o mesmo...'
Shoran (reparando): 'Talvez um pouco mais gordo...'
Kero fez questão de parar de comer para revidar. Quem o moleque pensava que era para dizer que ele, com o seu maravilhoso porte físico, era gordo?
Kero: 'Gordo? Eu? Isto que você vê são músculos, moleque!'
Shoran (não ligando): 'Não sabia que músculos fossem tão molengas assim..'
Kero: 'É que eles ainda estão em fase de crescimento!'
Shoran: 'Aham... Sei...'.
Sakura (dando um fim): 'Já chega vocês dois... É sempre assim, até parece que pedem pra brigar! Vá comer teu bolo, Kero, e deixa Shoran em paz!'
Kero: 'E agora eu que sou o culpado?? Ele que te faz chorar noites inteiras e eu sou o culpado! Que ironia...'
Sakura: 'KERO!'
Kero: 'Ok, ok... Vou embora...'
Kero carrega o prato com o restinho do bolo para a sala de vídeo que havia no quarto de Tomoyo.
Shoran começou a pensar no que Kero havia dito. Sakura havia chorado bastante se aquilo fosse verdade. Ele se sentia culpado por tudo isso, afinal fora escolha dele deixá-la aqui. Além de que talvez nem tenha chances de entrar para a Elite...
Tomoyo: 'Você está bem, Shoran? Esta olhando pro nada já faz algum tempo...'
Shoran (voltando à realidade): 'Sim, sim... 'Tô ótimo.'
Os amigos se sentam e ficam conversando sobre as férias, fatos engraçados, como os antigos colegas de escola de Shoran e Meiling, até que chegaram a um assunto que deixou Tomoyo um pouco mais envergonhada.
Shoran: 'E Hiiragizawa?'
Sakura: 'Desde que selamos Esperança que não falamos com ele.'
Meiling: 'Shoran me falou desse garoto. Não cheguei a falar com ele, gostaria de conhecê-lo!'
Shoran: 'Dessa vez é você que está olhando para o nada, Tomoyo... Tem tantas saudades de Eriol assim?'
Meiling: 'Acho que tem mais alguém aqui que tá amando e não consegue desempacar por falta de coragem...'
A indireta de Meiling foi entendida por todos, mas só Tomoyo revidou.
Tomoyo (vermelha): 'Não é nada disso, Meiling!'
Meiling (irônica): 'Imagina...'
Tomoyo (fugindo do assunto): 'Ah... O que vocês acham de ir ao cinema hoje à tarde? Tem um filme legal passando.'
Meiling: '"tima idéia! Acho que no cinema as pessoas têm mais coragem, já que não tem ninguém olhando... Bom, vou trocar de roupa! Vem comigo, Tomoyo!'
Tomoyo: 'Com certeza! Vamos buscar sua mala no quarto que irá dormir! Vem!'
As duas saem do quarto rapidamente e fecham a porta. Sakura e Shoran se fitaram por alguns instantes, mas logo procuraram um outro lugar para olhar. Shoran não conseguia entender como conseguia estar tão perto de Sakura, e ao mesmo tempo tão distante.
Sakura: '... Acho que agora, você podia me contar por que tanto treina em Hong Kong...'
Shoran (suspirando): 'É verdade...'.
Shoran procura em sua mente um jeito de contar tudo. Ele sentia medo de Sakura não entendê-lo e não querer mais ficar com ele. Mas devia contar.
Shoran: 'Bem, meu pai treinou durante muito tempo da vida dele para entrar na elite dos doze maiores guerreiros e feiticeiros do universo, Sakura. Essa elite é conhecida como a Elite dos Doze. Dentre esses doze guerreiros, o décimo segundo é uma mulher, e era quem meu pai deveria desafiar e vencer para ocupar o lugar dela. O nome dela é Koriny, e meu pai lutou com todas as forças que tinha, mas ela o matou sem piedade.'
Sakura (surpresa e muito triste): 'Que horror... Sinto muito, Shoran.'
Shoran: 'Desde criança, Wei conta histórias sobre a Elite para Meiling e eu dormirmos, e desde pequeno que eu planejo fazer o que meu pai não conseguiu. Deixar ele orgulhoso de mim, em qualquer lugar que ele esteja. Sei que ele se esforçou muito, mas não foi o suficiente. Ele tinha uma família e todo o clã nas costas. Não tinha como se dedicar somente aos treinos como eu posso agora. Eu acho que se continuar treinando como estou treinando agora por mais alguns anos, poderei vingar a morte de meu pai entrando para a Elite.'
Sakura: 'Você está dizendo que... O que você mais quer nessa vida é vingar a morte de seu pai, fazendo o que ele não conseguiu?'
Shoran: 'Sim.'
Sakura (começando a chorar): 'E que se você não conseguir vencer aquela mulher, ela vai matar você?'
Shoran: '... Provavelmente...'
Sakura (chorando): 'Você tem certeza de que tentar entrar pra uma elite vale a sua vida, Shoran??'
Shoran: 'Não... Mas vale o sonho de meu pai.'
Sakura não conseguia segurar as lágrimas. A idéia de que Shoran estava se acabando em treinos para depois talvez ser morto por uma idiota qualquer fazia com que seus olhos derramassem rios de lágrimas. Embora entendesse o desejo de Shoran, não conseguia aceitar aquela idéia. Ela abraça Shoran e o aperta com força.
Sakura: 'Não quero que você morra...'
Shoran (abraçando-a): 'Sakura, não vou morrer... Estou treinando muito para isso não acontecer.'
Sakura: 'Mas seu pai também treinou e deu nisso!!'
Shoran (enxugando uma das lágrimas que escorriam do rosto dela): 'Sakura...'.
Sakura: 'Me prometa uma coisa, então!'
Shoran: 'O quê...?'
Sakura: 'Se você chegar lá, e perceber que não tem condições de vencer, vai desistir e voltar para casa!'
Shoran se surpreendeu com a proposta de Sakura. Olhou fundo nos olhos verdes marejados dela. Preferia morrer a ser covarde a ponto de fugir da luta. Mas também não queria morrer, queria Sakura com ele pelo resto de sua vida. Acabou aceitando a proposta de Sakura.
Shoran: 'Está bem, Sakura. Eu prometo.'
Sakura enxugou as lágrimas tentando sorrir, e se afastou um pouco de Shoran oferecendo-lhe o dedo mindinho. Shoran sorriu. Sakura continuava a mesma de sempre, a mesma Sakura por quem ele havia se apaixonado anos atrás.
N/A: Olá pessoas!!!!! o/
Espero que tenham curtido o primeiro capítulo!. Agora bem mais curto que os antigos, não acham? Antes, 50 páginas em um capítulo... Agora só 15... Mas achei que agora está bem melhor, naquelas 50 páginas tinha muita enrolação. XD
Bom, quero saber a opinião de vocês, por isso mandem comentários! Prometo responder todos! Nem que seja só pra dizer brigada.
Deixa eu falar um pouquinho do futuro da história gente... Seguinte, vai ser uma história longa, e tenho na cabeça agora esta saga e mais uma, de uns 20 capítulos ou mais cada uma. Pretendo postar os capítulos uma vez por mês sem atrasar, e se por eventualidade atrasar, eu aviso pelo meu MSN ) e no meu blog ).
Agora os agradecimentos... Em primeiro lugar vou agradecer a um filme que vi, que foi de onde peguei o título pra história... O 13º Guerreiro é um filme muito bom, mas eu não usei ele pra escrever essa fic, até por que nem me lembro mais do que se trata o filme... Lembro que tinha um grupo de doze guerreiros e o principalzinho do filme entrou como 13º... Mas deixa isso pra lá.
Quero agradecer também a Diu-chan! Minha amada revisora, que infelizmente naum está podendo revisar essa fic, mas que me deu vááárias idéias como sempre! Brigada!!!! Agradecer também a Merry Anne que também me ajudou com várias idéias! Brigadinha!! E ao Sapox que agora tah substituindo a Diu! o/ Tks!!!!
Queria mandar um beijo pra todo o pessoal do fórum Mansão da Amizade e pra todo mundo que eu falo no MSN e possa estar lendo isso aqui. XD
Acho que é isso... Espero os comentários de vocês!!
Beijos!!!!
Júlia
Comentários do Sapox:
A Júlia evoluiu muito desde de "Mau Caminho"... Com um enredo totalmente diferente de seu último trabalho publicado, desta vez ela vem usando e abusando de elementos mais fantasiosos e sobrenaturais, tornando a história ainda mais rica e conseguindo, assim, prender o leitor.
Mudei somente algumas expressões e organizei algumas frases que estavam mais difíceis de compreender, mas não houve nenhum erro primário... A Júlia está cada vez melhor no que faz! Que venham os próximos capítulos!
