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Resumo: Saori era uma estudante normal... Só havia um problema na vida dela: Seiya Ogawara! O maior astro de cinema do país, e que ninguém poderia saber que estava passando uma temporada na casa dela.
Nota: Essa fic é baseada livremente no livro Ídolo Teen de Meg Calbot. Mas há pouquíssimas semelhanças com o livro.
Capítulo 01 – Um ídolo na minha vida
Aquela escola iria virar de cabeça para baixo! Eu tinha certeza disso. Seria impossível esconder de todo mundo que o maior ídolo adolescente (amado entre 10 de 10 garotas do país) iria fazer aquele 'laboratório' em nossa escola.
O que pensavam? Que podiam colocar um óculos fundo de garrafa em Seiya Ogawara e assim ele teria o disfarce perfeito? Ele não era Clark Kent! Tudo bem que Sendai não passava de uma cidadezinha do interior perdida no mundo, mas nem assim era habitada por idiotas!
– Está ouvindo, senhorita Kido? – torci o nariz quando ouvi a voz da diretora da escola: Shina Shindonani.
Uma mulher de seus pouco mais de trinta anos e que todos os alunos adoravam chamar de 'Encalhada'. Acho que os relacionamentos dela não vão pra frente porque ela é uma mulher de pavio curto e temperamento difícil. Nenhum homem consegue dobrá-la por muito tempo.
– Ouvi sim, senhora – falei tentando parecer aborrecida com a decisão que o corpo docente da escola havia tomado. – Mas ainda não entendo o motivo pelo qual eu terei que ser 'babá' dele! Ele já tem vinte e dois anos, pode se virar.
– Ele vai precisar de orientação, senhorita Kido – a diretora disse sem a menor paciência para as minhas reclamações. – E como sei que a senhorita é uma garota controlada, que consegue guardar segredos e não vai ficar tentando agarrar o senhor Ogawara de cinco em cinco segundos, pensei que era a melhor para ser a guia dele no mês em que ele ficará aqui fazendo o laboratório.
Bom, não era segredo para ninguém que eu era exceção a regra das 10 entre 10 que amam Seiya Ogawara.
Não que eu não fosse fã do cara.
Ele era astro desde os 5 anos de idade quando fizera uma famosa série para a televisão chamada 'Onde os meninos não choram' que contava a história de cinco garotos que haviam sido abandonados pelos pais e viviam em um orfanato tendo que agüentar as tiranias do diretor do lugar. Todas as garotas ficavam tendo colapsos quando ele aparecia na tela. Diziam que ele era fofinho, apertável e tudo mais que uma criança de 5 anos pudesse ser.
Aos 14 anos ele abandonou o programa e a televisão, e passou a se dedicar ao teatro. Pouco tempo depois, já mais maduro em sua interpretação e em suas decisões, passou para o cinema.
Os seus dois últimos filmes haviam sido sucessos de bilheteria: City Hunter e uma nova versão de Peter Pan. Não dava simplesmente para ignorar aquela roupa grudada no corpo dele, ou nos banhos de cachoeira com os meninos perdidos nas quais o Peter fazia questão de ficar quase sem roupa...
Pare de pensar bobagens, Saori! Afinal, você vai ter que ser babá do cara por três meses! Não vai poder ficar lembrando dos... Dotes físicos da criatura!
Enfim, eu não morria de amores por ele como a maioria das garotas do país. Não tinha papel de parede no computador com uma foto dele, nem ficava falando 24 horas por dia que ele é o cara mais lindo e perfeito do mundo.
– Eu não tenho alternativa, não é? – perguntei sem esperanças e recebi uma negativa como resposta.
Ninguém merece! Por que justo eu? Tem garota nessa escola que daria qualquer coisa que fosse para estar um mero segundo ao lado dele. Mas só o que eu vou conseguir é problemas!
Aposto que ele é um astrozinho metido e mimado.
Nem entendo a razão pela qual ele resolveu vir para esse fim de mundo para fazer o laboratório! A diretora havia dito algo sobre um filme novo em que ele iria interpretar um estudante do interior, mas acho que ele não precisava vir tão longe.
Aqui é uma selva, isso sim. Se ele fosse interpretar o Tarzan aí sim eu entenderia a escolha da escola.
– Os professores já foram alertados da vinda dele para cá – Shina continuou seu discurso, que estava me irritando ainda mais. – Se ele precisar de QUALQUER coisa, por mais boba que seja, você terá que fazer.
– Vem cá – resmunguei irritada. – Eu vou ser guia do cara ou vou ser escrava dele?
– Ele é uma celebridade e não podemos deixá-lo com uma má impressão da nossa escola – mas a diretora continuou, fingindo não ter ouvido.
Má impressão? Faz-me rir! Deixa ele entrar pela porta principal que ele vai ter todas as más impressões possíveis!
– Tá – a interrompi em um tom malcriado, e sem me importar com o olhar de censura que recebi dos demais presentes na sala. – Posso voltar para o jornal? Estão me esperando lá.
– Tudo bem, mas já está avisada – Shina disse com uma cara de pouquíssimos amigos, mas sinceramente, eu estava tão acostumada que nem me importei. – Ele deve chegar ainda essa semana. Ah, e ele vai ficar hospedado na sua casa.
– O QUÊ? – eu já ia saindo da sala quando me voltei e gritei exasperada. – Espera aí! Isso já é um pouco demais, não é não?
– O senhor Ogawara deseja ver como é a vida no interior e nada melhor do que ficar na sua casa – a diretora disse em um tom de ponto final.
– E por que razão ele acha que minha casa vai ser o melhor lugar? – perguntei exasperada, mas não obtive resposta alguma uma vez que no segundo seguinte fui expulsa da sala com a desculpa de que os professores precisavam conversar sobre a vinda de tão importante astro para a nossa escola.
Fala sério! Ele é apenas um ator!!!
Quando cheguei a redação do Zodíaco (jornal da escola) fui recebida com um bombardeamento de perguntas sobre o motivo da minha ida até a diretoria, e apenas lancei um olhar de 'Me tira dessa!' para Fluer Yoshida, atual editora do jornal, minha melhor amiga e prima do meu atual interesse romântico. É claro que ela sabe desse último fato e fica me zoando o tempo inteiro, mas eu não me importo, não custa nada sonhar um pouquinho.
Só que Hyoga não me dá bola alguma! Acho que ele tá em outra, mas Fleur nunca conseguiu descobrir isso. Ela disse que tem medo dele ficar furioso por ela estar tentando descobrir algo sobre a vida pessoal dele e jogar metade das coisas do quarto dele na cabeça dela.
Isso seria, tecnicamente, impossível! Já que ele não tem a força do Incrível Hulk.
– Que é isso, pessoal! – Fleur disse, tentando se sobrepor sobre a gritaria. – Saori foi apenas levar um relatório para a encalhada... Digo, nossa adorada diretora. Agora! Voltem ao trabalho.
– Obrigada – murmurei, e me larguei ao lado dela sem conter um suspiro de irritação.
– Afinal... O que foi? – Fleur perguntou quando notou que ninguém estava nos observando.
– Abacaxi, é claro – resmunguei girando os olhos.
– Sim, isso eu sei – Fleur fez um sinal de impaciência. – Eu quero saber o tamanho.
Bom, alguém teria que ser meu porto seguro naquela história toda e eu podia confiar em Fleur. Ela não iria sair por aí berrando que Seiya Ogawara iria fazer um laboratório na nossa escola.
Peguei um papel que estava largado por ali, e escrevi:
Vou ser babá de Seiya Ogawara por três meses enquanto ele estiver fazendo um laboratório aqui na escola.
E me arrependi imediatamente, pois Fleur soltou um sonoro "O QUÊ?!".
– É segredo! – falei depois de dizer a todos alguma bobagem para que nos esquecessem.
– Mas... Mas... – Fleur estava totalmente sem fala. Aposto que ela estava pensando no Peter Pan com a roupa colada...! – Isso seria um grande furo para o jornal!
– Olha, a diretora disse que ninguém pode saber – falei pausadamente. – Isso seria um caos! Mas eu prometo que converso com ele para saber sobre a possibilidade de uma entrevista depois do laboratório.
– E um autografo pra mim? – Fleur perguntou com os olhos brilhando, e bufei bastante zangada. E ela só me deixou em paz quando prometi o autografo.
– Saori? – Haguen, outro primo de Fleur e que já estava no último ano da escola, apareceu do nada na nossa frente, fazendo com que levássemos um baita susto.
– Quê? – perguntei aborrecida.
– Oh, mau humorzinho dos infernos – Haguen disse com um sorriso que me tirava ainda mais do sério. – 'Tá de TPM, é?
– Diz logo o que você quer? – exclamei entre os dentes.
– Já soube da nova? – Haguen falou em um tom mais que arrastado.
– Que nova? – perguntei girando os olhos. – Vocês vão se atirar sem roupa dentro da piscina para comemorar a formatura?
– Não seria uma má idéia – Haguen disse displicentemente e abri a boca ao ver que o idiota estava realmente cogitando a possibilidade.
– O seu primo é doido, sabia? – perguntei para Fleur que apenas balançou os ombros dizendo que era mau de família.
– Nós já sabemos qual vai ser a nossa peça de formatura e em qual professor iremos aplicar! – Haguen sorriu maliciosamente.
– Coisa boa que não é – falei com a sobrancelha levemente erguida.
– Ah, mas você vai gostar – ele riu ainda mais. Sério. Ele parecia um daqueles maníacos! Dava até medo. – Vai ser em cima do seu professor preferido: Afrodite!
– Quê? Pra cima do professor de música? – exclamei, e não pude deixar de rir um pouco. Música e Saori nunca deram muito certo. E eu não sei que razão me levou a pegar aquela matéria extra idiota! O professor me odiava, eu odiava o professor. Era algo realmente 'bonito' de se ver. – O que vocês vão fazer?
– Ah, isso é surpresa – Haguen disse com uma piscadinha.
– Sem graça – resmunguei aborrecida.
Não fiz mais nada durante o resto do tempo. Eu tinha uma função hiper sigilosa no Zodíaco e apenas quem sabia da minha função era Fleur e ninguém mais. Nem mesmo os professores ou a diretora da escola sabiam quem era a autora da coluna mais lida do jornal da escola: A coluna da Yumi!
Todo mundo que tinha algum problema 'sério' escrevia para Yumi. Ninguém sabia quem ela era, e por isso a coluna era sucesso. Eu respondia dizendo o que eu achava que a pessoa deveria fazer (as identidades das pessoas também ficavam em segredo, mas eu quase sempre sabia quem eram). Enfim, era o sucesso do jornal, e o meu segredo não poderia ser exposto de forma alguma.
Depois de uma eternidade, fui liberada para ir para casa.
Eu tinha que dar a fatídica noticia para a minha mãe: Que teríamos um astro do cinema hospedado na nossa casa de três quartos por três meses!
– Mãe? – exclamei largando a mochila no sofá. – Estou em casa!
– Bem vinda de volta, meu amor! – minha mãe tinha a mania de me esperar de butuca em algum canto, e do nada pular em cima de mim. E não foi diferente naquele dia, quando percebi já estava sendo esmagada por um abraço.
– Eu – vou – sufocar! – falei com dificuldade.
– Oh, desculpe, querida – ela disse com a maior naturalidade do mundo. – E então? Como foi na escola?
– 'Tô com fome – foi tudo que falei.
– Credo, Saori! Será que você só pensa em comida? – minha mãe disse desgostosa.
– Bom, eu tenho uma noticia então é melhor que a senhora me alimente antes que eu conte porque eu sei que depois a senhora vai ficar surtando e esquecer o fogão – falei com simplicidade.
– Que noticia? – girei os olhos, profundamente arrependida da minha fala. – Arrumou um namorado?
– PARA QUE EU VOU QUERER UM NAMORADO? – gritei exasperada.
– Ora, você sabe para que – sério! Minha mãe era uma pervertida. Que exemplo eu posso ter assim?
– Não, eu não arrumei um namorado – respondi após um suspiro de irritação.
– Também, nessa cidade onde o vento faz a curva... - - minha mãe resmungou balançando levemente a cabeça. – Você já conhece todos os rapazes da cidade.
– Que horror! Falando assim faz parecer que eu passei de mão em mão!!! – bufei completamente alterada.
– Você precisa conhecer alguém novo – mas, para variar, ela não estava me ouvindo.
– A senhora vai querer saber a noticia ou não? – perguntei entre os dentes.
– Conte, querida – minha mãe sorriu de orelha a orelha, esquecendo por completo do que falávamos antes. Sério. Como eu podia ter passado nove meses dentro da barriga dela? Ela é tão louca que não sei como não me perdeu no primeiro mês de gestação.
Minha mãe parece a Dori de Procurando Nemo. Só que ao invés de perda de memória recente, ela tinha perda permanente de memória! Por sinal o Seiya dublou o Nemo... Nem dá pra reconhecer a voz porque aquele peixe é tão fofinho, e o Seiya pode ser qualquer coisa hoje em dia, menos fofinho.
– Lembra que eu falei que a diretora queria falar comigo hoje? – perguntei e recebi um aceno negativo o que comprovava ainda mais a minha teoria da memória perdida para sempre. – Pois é. Ela marcou uma reunião hiper secreta comigo para avisar que uma pessoa vai passar alguns dias na cidade e eu vou ter que servir de babá.
– Quem é? – minha mãe perguntou curiosa.
– E ele vai passar uns dias aqui em casa – suspirei irritada. – Não tive como dizer 'não'.
– Quem é, Saori? – ela perguntou outra vez, dessa vez mais ansiosa.
– Lembra daquele garotinho fofinho de 'Onde os meninos não choram'? – perguntei pausadamente, fazendo com que minha quase desse pulinhos pela sala de tanta expectativa.
– O que me faz chorar toda vez que assistimos algum episodio? – ela perguntou após pensar um pouco. – Ele é só uma criança, Saori!
– A senhora que pensa – resmunguei irritada. – Ele cresceu, mãe! O seriado já tem 16 anos!!! Credo, a senhora parou no tempo mesmo. Seiya Ogawara já tem 21 anos e é ele que vai vir aqui para casa por uns tempos.
Esperei qualquer resposta que fosse, mas para minha total surpresa, minha mãe deu um berro que com certeza foi ouvido do outro quarteirão.
– AGORA VOCÊ DESENCALHA! – exclamou aparentando estar completamente feliz.
E a mim restou apenas cair para trás sem acreditar que ela realmente havia dito aquilo!
