Eu prometo, Lilly.
Era um final de uma tarde quente de verão, e duas crianças estavam deitadas perto de um lago, alheias ao mundo, e por um breve e fadado ao fim instante, livre dos seus problemas e preocupações.
Eram uma menina e um rapaz, de aproximadamente dez anos, no seu próprio universo particular. O garoto olhou para a linda menina de cabelos acaju ao seu lado, e sem pensar no que estava fazendo, conjurou um lírio avermelhado e, sorrindo orgulhoso, entregou para ela.
-Um lírio? Onde você o achou?
Ele olhou para os lados, fingindo estar surpreso, e disse:
-Um lírio? Que lírio? Você está realmente ficando louca, Evans...
-Sou louca mesmo, Severo, por andar com você... Minha irmã sempre diz que vo-...
Severo a interrompeu, sem querer ouvir o final da frase, dizendo:
-Lilly? Você gostou?
Lilly perguntou num tom falsamente inocente:
-Ué, gostei de quê? Quem está ficando louco agora, hein?
-Como assim gostei do quê, Evans? O lírio! A flor que eu te dei!
A garota riu e disse:
-Ora, você me deu uma flor, Severo? Que romântico! Eu nem tinha reparado...
-Se você não gostou, Evans, era só dizer... – disse ele baixinho, corando.
Sev! É claro que eu gostei! Eu vou guarda-lo para sempre, e vou sempre lembrar de você.
-Do jeito que você fala, parece que vamos nos separar algum dia... – Snape disse, rindo.
-Nunca! Ela o fitou com olhos arregalados.
-Como se eu fosse deixar você se separar de mim algum dia, vai ter que aturar o resto da eternidade!
-Ai Sev, que horror, imagina que coisa terrível, passar o resto da minha vida com você!
-Ei!
Lílian riu, e Severo também, pelo prazer de ouvir sua risada. Mas um pensamento lhe passou pela cabeça, e ela disse, deprimida:
–Mas eu aposto que quando você ficar adulto, vai se esquecer de mim...
Então o garoto disse, repentinamente sério:
-Eu não conseguiria me esquecer de você nem se eu quisesse. Então sorriu: -E eu não quero.
Ela olhou para ele em dúvida.
-Promete?
-Eu prometo, Lilly, replicou ele, solenemente.
Onze anos depois, depois que o Lorde das Trevas havia aniquilado os pais de Harry e sido afugentado por um garoto de apenas um ano, Severo abraçava o corpo inerte de Lílian Potter. E depois de se recompor, quando se preparava para abandonar os destroços que antes foram a casa da família Potter, reparou em um lindo lírio avermelhado, criado e preservado pela sua magia, que repousava serenamente na sala de estar, era uma das poucas coisas que não tinham sido destruídas pelo feitiço de Voldemort. O Príncipe Mestiço caiu de joelhos e voltou a chorar. Lílian cumprira sua parte da promessa.
Perto dele, a flor pulsava levemente.
