Olá. Digimon não é minha propriedade, mas eu gosto muito da estória de Digimon Adventure e do personagem Koushiro. Esta é minha primeira vez escrevendo em português. Se você gostar da estória, por favor, deixe uma review. ^-^

Prólogo

- Você só está viva hoje por haver nascido mulher. É o que lhe faz forte. – Izumi Kae sempre dizia isso para a pequena Rei. A menininha havia nascido prematuramente em uma noite de Natal e suas chances de ir para casa eram poucas. Seus pais lhe contavam que o conselho dos médicos era para não terem esperança de que ela vivesse. No entanto, era sabido que bebês prematuros do sexo feminino tinham mais chances de sobrevivência. E Rei havia provado para todos que haviam apostado contra ela que seria uma vencedora.

Não só havia sobrevivido, como também era forte e saudável. Também era mais alta do que as outras crianças de sua idade. Seus pais a chamavam de "pequeno milagre" e demonstravam seu carinho de todas as maneiras que sabiam. Izumi Masami a levava para passear na praça próxima do prédio em que viviam todos os sábados, onde a garota gostava de brincar na terra e depois tomar sorvete. Kae penteava seus longos cabelos negros e cacheados todas as noites. Rei se achava parecida com a mãe, exceto pela cor dos cabelos, que não eram castanhos.

No temperamento, não se parecia com nenhum dos pais. Era energética, extrovertida, e, alguns diriam, barulhenta e inconveniente. Constantemente era alvo de escárnio de crianças que diziam que ela não agia como uma menina. "Não se importe com o que eles dizem", seus pais lhe diziam, "existem muitas pessoas ignorantes no mundo". Rei tentava não se incomodar, mas às vezes lhe aborreciam tanto que ela reagia de forma demasiado emotiva.

Ela batia nas crianças que a perturbavam e chorava depois. Verdade seja dita, era uma forma eficaz de fazer com que os bullies a deixassem em paz. Apesar disso, Rei tinha uma vida feliz e tranquila no geral.

Contudo, isso mudaria em 1995, ano em que seus pais haviam se mudado para Hikarigaoka. Masami tinha um primo que lecionava Matemática em uma Universidade de Hokkaido e estava planejando se mudar de novo para Tóquio, pois sua esposa havia recebido uma oferta do Departamento de Física de uma grande Universidade. Ele mesmo costumava trabalhar na Tóquio U, mas achava que Hokkaido era um lugar mais tranquilo para criar seu filho.

Masami havia dito para Kae e Rei que seu primo e a família dele ficariam com eles por alguns dias, enquanto preparavam a mudança. A menina se animou em saber que teria uma criança com quem brincar. Na noite em que eles chegaram, Rei correu até a porta e a abriu assim que ouviu as batidas. Havia do outro lado um homem de cabelos pretos e lisos, carregando uma valise, e uma bela mulher ruiva. Os dois pareciam pessoas agradáveis.

- Você deve ser Rei-chan. É um prazer lhe conhecer. – O homem disse, agachando-se para ficar no nível dos olhos dela. – Pode me chamar de tio Hayato.

- Eu sou Hana. – A mulher cumprimentou também. Rei notou uma mãozinha agarrada ao vestido da mulher. Hana estendeu a mão direita para trás de si e acariciou alguém. – Não há razão para timidez, querido. Diga oi para sua priminha.

O menino espiou Rei, ainda mantendo a maior parte do corpo escondido atrás da mãe. Ele tinha um ar assustado, mas seus olhos examinavam a garota com curiosidade.

- Olá, meu nome é Rei. – A menina cumprimentou, exibindo um grande sorriso.

O garotinho saiu de trás da mãe e deu um passo em direção à menina. Ele torcia as mãos nervosamente e forçou um sorriso antes de curvar-se ligeiramente e se apresentar.

- M-muito prazer em conhecê-la, Rei-san. Meu nome é Koushiro.

No instante em que se conheceram, Rei e Koushiro não sabiam dos trágicos eventos que se aproximavam ou que iriam se tornar irmãos. Rei achou o garoto muito educado e tímido. Koushiro achou a menina simpática e alegre. Ela o agarrou pela mão para que fossem brincar em seu quarto, deixando pouco tempo para o menino se apresentar formalmente aos primos de seus pais. Os adultos acharam a situação divertida.

- Onde está a bagagem de vocês? – Kae perguntou, enquanto os quatro se sentavam na sala.

- Em um hotel. Marcamos de visitar a Universidade hoje à noite e não queríamos deixar o Koushiro só. Vocês poderiam cuidar dele hoje, por favor? – Hayato pediu.

- É claro que podemos, ele parece um menino tão bonzinho. – Kae elogiou. – E parece que ele e Rei-chan já estão se dando bem.

- Vocês podiam perfeitamente ficar aqui. – Masami reclamou. – Quantos anos faz desde a última vez em que nos vimos? Oito?

- Algo assim. – Hayato abaixou os olhos. – Eu sinto muito. Não queríamos incomodar.

- Não se sinta mal. – Masami riu. - Vocês vão viver mais perto de nós agora.

- Mal podemos esperar. – Hana disse, sorrindo de forma amável. Ela olhou de relance o relógio de pulso e se ergueu em um salto – Hayato, precisamos ir, já é tarde.

- Oh, céus. – O homem mirou o próprio relógio e se ergueu também. – Vamos nos despedir do Koushiro.

Kae os levou até o quarto de Rei e abriu a porta. Rei havia espalhado todos os brinquedos de uma caixa pelo chão e brincava com duas bonecas, enquanto Koushiro a observava sentado a poucos passos de distância.

- Koushiro, Mamãe e Papai precisam sair, mas logo voltaremos para lhe buscar. – Hana disse, indo até o filho e lhe dando um abraço, que foi retribuído pelo pequeno. – Obedeça à tia Kae e ao tio Masami, ok?

- Oh, espere um instante. – Hayato correu até a sala, onde havia deixado a valise que havia trazido, e a levou até o quarto. De dentro dela, ele tirou um laptop amarelo e seu carregador de bateria e os deu para o menino, após agachar-se ao lado da esposa. – Isto é para caso você queira pesquisar alguma coisa.

- Você deveria deixar seu computador novo com ele, Hayato? Koushiro só tem seis anos. – Hana disse, preocupada.

- Você vai tomar cuidado com o computador do Papai, não é, Koushiro? Você é muito responsável e cuidadoso. – Hayato falou, beijando o menino na testa.

- S-sim. – Koushiro respondeu, corando com os elogios. – Obrigado, Papai. Eu prometo que vou me comportar bem, Mamãe.

- Eu sei que vai, filhinho. – Hana sussurrou, antes de beijá-lo na bochecha.

Os pais de Koushiro se levantaram e lhe desejaram boa noite. Quando eles saíram, fechando a porta do quarto, o menino não sabia que nunca mais os veria de novo.