N/T: Essa fic é especial para A. que me perturba sempre no Twitter U_U Enjoy! :D
Capítulo 1: O acordo
O ponteiro dos segundos passa bem lentamente. Circula e circula. Sem parar. Infinito. Tempo só tem significado se há morte para ir junto com a vida.
Ela dorme.
"Por favor! Você não pode deixá-la morrer. Você não pode deixá-la morrer. Ela não merece isso! POR FAVOR!" Rachel chora. Ela está sentada no chão. Suas palmas estão pressionadas juntas e contra sua testa, quase como se ela estivesse orando – e talvez, talvez ela esteja. Ela balança, trêmula. Ela engasga, sugando ar erradamente.
Mais palavras desesperadas caem de sua boca – um mantra de letras urgentes e desgraçadas.
Ela implora, ela pede. Ela só quer que alguém a escute porque Quinn não merece isso.
"Por favor, esse não pode ser o destino dela! Não agora! Não quando as coisas estão finalmente dando certo pra ela! Ela não merece isso! Deixe-a viver!"
"É isso que você deseja Rachel Barbra Berry? No fundo do seu coração?"
A voz ecoa por todo lado ao redor dela. É composta e andrógina. Cada palavra é cuidadosamente medida no mesmo tom retilíneo como sua predecessora.
Rachel, pela primeira vez, tenta focar no ambiente ao seu redor. Ela não pode. Não há nada além de uma infinita extensão de cinza. Sem começo e sem fim. A voz não tem corpo, mas não é sem vida. Ela pode senti-la vivendo e respirando ao redor dela.
"Sim! Por favor!" Rachel diz, sua voz alquebrada. "Deixe-a viver!"
"Viver não está no destino de Lucy Quinn Fabry Rachel Barbra Berry."
"Então mude-o! Mude o destino dela!"
Ela está com raiva agora. Por que balançar esperança na frente dela só para retirá-la?
"Mudar um destino de uma pessoa não é uma tarefa simples Rachel Barbra Berry. Para mudá-lo, outro deve ter o seu mudado em retorno. Para dar, algo tem que ser retirado. Eu pergunto mais uma vez Rachel Barbra Berry. No fundo do seu coração, você deseja que Lucy Quinn Fabray viva?"
"Você quer dizer," Rachel sussurra, "se meu destino, minha vida, é alterada do que deveria ser, Quinn viverá."
"Sim."
"Então sim," ela disse resolutamente, "eu daria tudo para permitir que Quinn tenha uma chance de viver."
"Está feito."
"Ei... Ei, Rachel. Acorde."
Rachel abre os olhos para a sala de espera do hospital. Sua visão está embaçada e cheia. Ela percebe que esteve chorando no sono. Ela pisca rapidamente, clareando sua visão e mente. E com isso, tudo de repente faz sentido. Ela senta rapidamente, adrenalina correndo pelo seu corpo.
"Rachel, ei," Finn diz quietamente do lado dela, esticando-se e colocando um braço ao redor dela. Ela estivera encostada no ombro dele. Ele está ansioso, ela pode dizer. A perna dele bate erraticamente. "Os médicos estão aqui."
"Oi garotinha," seu pai diz do outro lado dela. "Você... você quer escutar?"
Rachel olha pra pequena distância de onde a Srta. Fabray está parada com alguns médicos. Seu coração começa a correr quando o resto do clube do coral começa a se juntar perto dos médicos. Santna e Brittany se enrolam uma na outra. Tina e Mike seguram as mãos tão forte que embranquece as juntas. Puck anda pra lá e pra cá, sua mandíbula cerrada. Kurt e Blaine, Sr. Schuester e Srta. Pillsbury, Sam e Mercedes, Rory, Sugar, Artie. Rachel não perde mais tempo. Ela fica de pé, arrastando Finn com ela. Ela enxuga os olhos, tentando se livrar das reminiscências das lágrimas pelo menos naquele momento.
Ela dá uma olhada no relógio em seu caminho. O ponteiro dos segundos continua batendo. Quinn está em cirurgia há horas.
"Srta. Fabray, tudo bem pra você que nos compartilhemos os status da sua filha?" um dos médicos começa, vendo a multidão ao redor dela.
Judy Fabray dá com a cabeça duramente, concedendo sua concordância. Ela parece como se fosse quebrar se qualquer um a tocasse.
"Não há como falar de outro jeito. Quinn sofreu machucados consideráveis. Nós momentaneamente a perdemos na mesa de operação," o doutor diz gravemente. Rachel sente como se seu próprio coração parasse. Houve um soluço estrangulado de alguém da multidão como também um bom número de engasgos trêmulos. Felizmente, o doutor rapidamente continuou. "Nós conseguimos revivê-la. Com alguma dificuldade, mas nós conseguimos revivê-la. Nós não estamos fora de perigo ainda, mas agora, ela é uma garota muito sortuda..."
O doutor continua com palavras como quebrado, machucado, espinha, emergência, fraca, sangrando. É assustador. Mas Quinn está viva.
Quinn está viva.
E depois do resumo acabar, depois de escutar tudo, Rachel está ao mesmo tempo aliviada e entorpecida porque parece impossível que qualquer pessoa pudesse estar viva depois daquilo. E então há a paralisia. Ela pensa sobre Quinn, graciosa e fluida e tenta imaginá-la sem poder dançar. Ela não pode.
Há mais espera. O ponteiro dos segundos no relógio maior sobre a recepção se move lentamente, tão lentamente. Parece que passou pelo menos duas horas antes de qualquer pessoa poder ser permitido visitar Quinn. Rachel sabe que é pra se certificar de que Quinn está estável. Mas é uma coisa saber e outra coisa inteiramente aceitar. Tudo que ela quer é ver Quinn. Para se certificar por si mesma que Quinn está viva. E então talvez ela possa começar a processar todo o resto.
Algumas pessoas vão embora – Rory, Sugar – e outros ainda se recusar quando seus pais vêm chamar – Mercedes, Mike. É muito depois da hora de visita. Enquanto todos ao lado da senhora Fabray recebe um olhar feio, o hospital ainda assim distribui crachás de visitantes para todos pernoitarem. Lima Memorial provavelmente tem sua cota justa de pacientes de trauma, mas eles normalmente não têm uma dúzia de secundaristas esperando por um deles. Rachel senta entre o pai e Finn. Eles são grandes e seguros, mas a presença deles é quase demais. Ela se sente sufocada. Quando Finn se levanta pra andar ou usar o banheiro ou o que quer que fosse – ela não estava escutando – Kurt senta ao lado dela quase imediatamente.
Ele está em silêncio, encarando pensativamente a distância e então depois de um momento ele fala. "A última vez que eu falei com Quinn, eu menosprezei tudo pelo que ela passou. Eu disse a ela que ela não tinha ideia do que era a dor," a voz dele quebrou, mas ele continuou antes que Rachel pudesse dizer algo. "E agora, tudo que eu posso consigo fazer é sentar aqui e pensar sobre tudo que Quinn passou e como eu não posso acreditar que eu disse à ela que ela nunca sofrera. Isso é antes disso. A última coisa que eu disse era que ela não conhecia sofrimento. Bem, parabéns pra mim, parece que ela agora saberá bem mais agora."
Rachel não disse nada. Ela não estava certa do que ela podia dizer.
"A última coisa..." Kurt ecoou e um barulho escapou da boca dela que era ao mesmo tempo uma risada e um soluço.
Rachel fica abruptamente zangada quando finalmente as palavras de Kurt se fazem entender. Mas tão rapidamente quanto sobe, a raiva vai embora. Não há nada que possa mantê-la quando Kurt está tão aborrecido como ele está e ela também tem muito peso da sua própria culpa para sobrecarregá-lo. "Você estava com medo – estou presumindo que teve algo a ver com Dave? Mas isso foi egoísta," Rachel sussurrou. "Eu estive com medo e eu fui egoísta também."
É a primeira vez que ela sussurra essa confissão sobre sua vida das últimas semanas vezes em voz alta e isso fazia a verdade disso ainda mais real. Kurt escuta mas ele não compreendeu.
"Eu estava com medo," Kurt disse. "Suicídio é – eu estava aterrorizado. Mas eu não estava certo. Eu fui horrível pra ela. Só porque alguém é bonito e inteligente não quer dizer que ele não sofre... Rachel?"
"Sim?"
"Estou com medo por ela agora." E então Kurt sai e Rachel processa. E o ponteiro dos segundos no relógio continua a passar.
A sala de espera parece como se fosse tudo que ela conhecesse. Os eventos do que deveria ser o dia mais feliz da vida dela estavam enevoados e distantes. Ela não estava muito certa de como chegara no hospital, ou quando seu vestido de casamento virou um jeans e um suéter macio. Rachel pensa que iria parecer como uma bolha embaçada se as coisas tivessem sido do jeito que eram pra ser, mas agora o casamento e tudo relacionado a ele, parecia tão sem sentido. Tão falso.
Tão estúpido.
Porque Quinn está na unidade de tratamento intensivo com ossos quebrados, hemorragia interna, órgãos machucados, concussão e uma espinha dorsal avariada. Quinn está viva. Quinn está paralisada.
Rachel é uma criança, tentando brincar de ser adulta. Ela está perdida e ao invés de perguntar o caminho, ela continua e continua, esperando descobrir sozinha. Finn parece com uma resposta. Mas casamento? Casamento? Isso certamente não é a resposta pro medo dela, a dúvida dela. Não devia ter que acontecer isso pra perceber.
Finn ainda está aqui, sentado ao lado dela. Eles não se tocam, mas ele está aqui. Ele é sólido e real e ela pode retirar conforto nisso porque nada mais parece palpável. Vida é tão rápida, tão preciosa, e ela tentara correr com ela. Isso não era a resposta. Ela dava valor à vida dele. Ela dava valor à própria vida. Juntos, ela pensava que eles podiam ser lindos. Mas isso não tinha que ser hoje. Ela não tinha que escolher imediatamente. Ela podia ter, deveria ter escutado. Sempre há um amanhã. Mesmo se o relógio quase parara de bater pra Quinn.
Ela iria fazer de tudo pra se certificar que Quinn viveria. Ela sabia disso sem sombra de dúvidas. Aquele sonho, o que quer que fosse, era inteiramente real demais. Ela iria tomar essa decisão, essa mesma decisão para Quinn num estado consciente. Alterar a vida dela? A vida dela estaria mudada sem Quinn. A vida dela já está mudada com Quinn.
Então os médicos voltaram. Ela não estava certa do quanto o ponteiro dos segundos tinha passado. Era pior antes, quando eles não sabiam, quando eles não tinham ideia. Durante essa espera, alguns dos seus amigos tinham falado em tons duros, enquanto os outros conseguiam descansam sem olhos arregalados e assustados. Mas fora a conversa dela com Kurt, Rachel se manteve em silêncio.
O clube do coral inteiro seguiu a senhora Fabray e os médicos à uma curta distância até a UTI. Rachel se achou liderando a manada com Finn. Seus pais ficaram pra trás com os Hummel-Hudsons, Sr. Schuester e Sra. Pillsbury. Ela apreciava o fato deles ainda estarem aqui. Ela também imaginava se queria dizer alguma coisa que ela preferia segura um dos braços de um dos seus pais do que o de Finn.
Rachel pode ouvir o que o médico falava para a Sra. Fabray quando ele parou do lado de fora do quarto. "... se prepare. Não mais do que dez minutos de cada vez e só dois de vocês de cada vez."
Os outros sentaram nas cadeiras e bancos numa pequena sala de espera na seção da UTI. Era mais espera, mas pelo menos num local diferente. E ela está mais perto de Quinn. Ela encara a porta a apenas alguns metros de distância. E então o ponteiro dos segundos está se movendo mais rápido porque a Sra. Fabray sai e desaparece antes que qualquer um possa perguntar qualquer coisa.
Eles se encararam e olharam de volta pra porta do quarto de Quinn. O coração de Rachel bate e ela se levanta assim que Puck fala. "Eu vou."
"O diabo que você vai," Santana grunhe, pulando pra ficar de pé. "Todos vocês trataram ela como merda. Britt e eu vamos."
"E você não?" Mercedes se enfurece.
"Eu estive mais lá do que qualquer um de vocês," Santana diz, mas seus olhos estão em Rachel. É uma admissão, um reconhecimento.
"Todos nós fomos horríveis uns com os outros em mais de uma ocasião," Mike disse baixo antes que qualquer outro pudesse dizer outra coisa.
A coisa triste é que ele está certo e todos eles sabem disso.
"Antiguidade então," Santana grunhe. "Quinn sempre foi minha garota até mesmo quando estávamos brigando."
Santana marcha com Brittany seguindo-a, as mãos delas tão apertadas e mais nenhum argumento foi feito. Elas hesitaram antes de entrarem no quarto e Rachel viu quando os ombros de Santana levantaram e caíram com uma única respiração antes de dar um passo pra entrar.
Silêncio reinou entre o grupo deles, e Rachel encara a porta que se fecha atrás delas.
O ponteiro dos segundos continua batendo.
A porta abre, de jeito nenhum gentilmente, e Santana saí pisando duro, olhos vermelhos e brilhantes. Brittany segue, e a evidência das lágrimas dela é ainda mais pronunciada no seu olhar azul. Rachel pula pra ficar de pé dessa vez. Ela está na frente da porta pro quarto de Quinn em um segundo próximo à Santana e Brittany, e ela sequer estava certa de como chegara lá.
"Como ela está?" Finn pergunta quando a alcança.
"Foda-se você," Santana cicia.
Finn se afasta mas Rachel não sente nenhum calor no xingamento de Santana. Só medo e estresse e raiva superficial porque Rachel conhece Santana o suficiente para saber que raiva é fácil pra ela. Raiva pode esconder outras coisas mais dolorosas. Rachel quer dizer algo, mas isso era o casamento dela, as mensagens dela e a insistência dela. O peso disso é quase impossível de carregar (mas ela tem que carregar, ela tem que fazer isso porque é dela), e ela sabe que Santana só terá raiva pra ela também. Brittany puxa Santana pra longe, a envolvendo em seus braços e falando em voz suave na orelha dela.
E Finn está ao lado dela. Ele é real. Palpável.
Ela não o toca.
Ao invés disso, ela paira sobre a porta do quarto de hospital de Quinn e então entra sem palavras pra ninguém.
Ela mal se dá conta da enfermeira pairando sobre Quinn. Ela sabe que o polido a se fazer seria anunciar sua presença, mas Rachel não consegue se levar a retirar a atenção pra longe de Quinn sequer por um momento agora que ela está diante dela. Se ela olhar pra outro lugar, ela fica com medo de que Quinn não está lá quando ela olhar de volta.
E machuca olhar pra Quinn, pra ser testemunha dos seus machucados. O machucado raivoso, os cortes vermelhos, as bandagens cirúrgicas, o acesso, os tubos.
É pior do que ela imaginava. Tudo parece um drama de hospital que de repente ganha vida em Lima com uma jovem e linda mulher horrivelmente machucada e batalhando pela sua vida. Mas isso é tudo terrivelmente real. O que mais a assusta é a palidez do rosto e da figura de Quinn.
O pálido silêncio que sussurra a morte.
Rachel pensa que o barulho estável do monitor cardíaco é o som mais lindo do mundo.
O ponteiro dos segundos continuava batendo. Sr. Schuester e Srta. Pillsbury estavam na sua vez de ir no quarto de Quinn , mas um bom número deles não conseguiam deixar o hospital mesmo apesar de que todos sabiam que podia levar dias antes de Quinn acordar. Eles sentaram na pequena cafeteria. Horas de visita normal ainda estavam bem distante.
Ao redor dela, eles conversavam, e era sobre coisas boas. É um desses momentos no qual o clube do coral realmente parece uma família.
Rachel não fala uma palavra. Mas ninguém parece ser quem realmente é agora. Ainda há algum conforto sobre eles todos juntos aqui. É quando a conversa cessa e todos refletem novamente onde exatamente estão, que se torna difícil olhar pra qualquer um.
O que ela quer acima de tudo nesse momento é estar ao lado de Quinn. Mas não é o lugar dela, não é a hora dela. Não importa o quanto ela queira ser a pessoa dizendo pra Quinn que ela vai ficar bem. Ela perdeu esse direito se é que ela já o teve pra começo de conversa.
Ela encara a TV pendurada no canto da lanchonete. O jornal local está passando seu segmento matutino. O som está no mudo, mas legendas correm ao longo da parte inferior da tela. Se ela tentar bem e fechar o olho do modo certo, ela pode ler as letras amarelas. Mas sua mente está em outro lugar, em Quinn, e todas as coisas que ela podia ter feito diferente, e todas as coisas que ela queria fazer diferente por causa de Quinn. Porque Quinn é especial. Extraordinária.
Assusta-a quando a tela muda da mediocridade confortadora do estúdio de notícias de Lima para um céu vespertino. A repórter na cena encara assustadoramente a câmera, mas atrás dela estão as luzes piscando de um caminhão de bombeiros e um carro de polícia, um caminhão largo com a frente amassada e os restos esmagados de um pequeno carro vermelho.
Leva um segundo pra que ela perceba que o pequeno carro vermelho é na verdade um Volkswagen. Leva outro segundo pra ela que perceba que o Volkswagen é o de Quinn. Ela agarrar o braço de Finn com um apertão porque ele é o mais próximo à ela. Um gemido escapa do fundo da sua garganta, mas o movimento repentino e o barulho é o suficiente para chamar questionamentos para o que lhe chamou atenção.
O resto do clube do coral cai em silêncio, encarando a tela quando retorna pro estúdio e as legendas correm embaixo. "Srta. Fabray estava em condição crítica quando ela foi retirada dos destroços do seu veículo e foi levada pro Lima Memorial. Nossos pensamentos estão com ela. Você não precisa esperar por mais nenhum engarrafamento na intersecção."
"Porra," Puck diz, a palavra dura e mordaz. Ele corre uma mão pelo seu moicano e a próxima palavra dele é um meio murmúrio. "Quinn..."
Rachel engole sua aflição, mas não conseguia falar por uma série de razões. Ela tinha certeza de que se soltasse, dissesse qualquer coisa, tudo que ela era iria se desfazer.
Ela enterra a cabeça nos seus braços na mesa, divagando consigo mesma. O ponteiro dos segundos continuava circulando e ninguém se movia ao redor dela. Sua respiração se acalma e ela pensa Quinn antes de adormecer.
Ela sonha com uma quantidade infinita de cinza e o som de bater de um relógio.
Todos eles têm que deixar o hospital eventualmente. A escola não quer dizer nada, mas ela tem que ir. Seus pais dizem que será bom pra ela. É uma mentira.
Ela está no hospital a cada hora que ela não está dormindo ou na escola. O primeiro dia que ela não está lá, Quinn foi movida para fora da UTI. É um alívio, e ela meio que espera que Quinn acorde imediatamente. Ela não o faz.
Rachel aprende que Quinn acorda, realmente acorda, no quinto dia dela no hospital. Sra. Fabray manda uma mensagem para Sra. Lopez que então manda uma mensagem pra Santana. E é assim que Rachel se encontra correndo para o hospital com Santana e Brittany, faltando às aulas da tarde daquele dia. Elas entram, fazendo uma cena suficiente para que chame a atenção das enfermeiras do andar de Quinn. Uma enfermeira as leva pra fora antes delas entrarem no quarto de Quinn.
"Fiquem calmas," a enfermeira disse. "Ela vai sair dessa."
A enfermeira se move de lado e a porta do quarto de Quinn meio que abre. De repente, Rachel está nervosa, mas Santana continua pressionando duramente com uma olhada pra enfermeira. Brittany segue logo atrás, deixando Rachel do lado de fora sozinha.
Rachel se acalma e então entra no quarto de Quinn.
Não é o suficiente.
Quinn está deitada lá, linda e quebrada. Ela está pálida (não como morta, não mais). Tremendo. Ela está chorando. Em silêncio.
Os olhos de Quinn caem sobre ela e eles estão brilhantes das lágrimas dela. Rachel está certa de que seu coração irá parar porque, com seus olhos nela, Quinn parecia sabedora da sua situação.
Sra. Fabray não parecia saber o que fazer consigo mesma. Ela anda pelo quarto, insconsciente. É Brittany que dá um sentido a ela. "Está tudo bem," ela sussurra. Rachel relembra do quão inteligente Brittany pode ser às vezes, quando a Sra. Fabray concorda com a cabeça rigidamente, sua força diminuindo até com isso.
É Brittany que anda pra frente, tomando o lugar da Sra. Fabray e a mão de Quinn. "Dói?" ela diz.
Rachel está paralisada com os olhos nela, mas Quinn finalmente a solta de seu olhar. O coração de Rachel bate. Alguém respira e ela acha que deve ser ela mesma por um momento. Então ela percebe que na verdade é Santana que está parada com os braços ao redor de si mesma.
"Dói," Quinn engasga. "Então, nada."
Rachel sabia que Quinn estava falando sobre as pernas dela. Ela sabia que Quinn odeia ser vista como fraca. Ela sabe que Quinn está machucada. Ela vê a enfermeira mudar o acesso e vê as drogas jorrando no sangue de Quinn. Quinn está calma, seus olhos perdem a força. Ela dorme. E então Rachel está machucada. Realmente machucada.
Ela sai do quarto. Ela chama Finn pra pegá-la. Ele o faz. Ela chora o caminho inteiro pra casa.
Dias passam e então semanas.
Rachel continua a sonhar em cinza.
Ela não consegue se fazer ir ver Quinn novamente. Ao invés disso ela ouve sobre o processo de recuperação. Sobre Quinn dormir e dormir. A morfina e rodar em semi-consciência. Quinn volta pra cirurgia em três ocasiões diferentes. Então, é mais de Quinn acordada e coerente do que Quinn entorpecida e fora de si. Rachel põe os sapatos e já está no meio do caminho para sair pela porta antes de se retrair e voltar pro quarto dela, muitas vezes para contar.
Ela se joga no dever de casa, coral e se preparar para audição de NYADA. Então há Finn, e ela sequer está certa do que fazer sobre isso. É tudo maravilhosamente distraidor e estressante, mesmo se Quinn estivesse sempre ali, pairando no fundo na mente dela.
E então, um dia, do nada, Quinn está de volta na escola. Ela está sorrindo, quente e viva, e Rachel entra em modo automático. Ela se segura até a reunião do coral na biblioteca, e ela se segura até estar de volta em casa, a salvo em seu quarto. Ela pensa sobre a mão de Quinn na dela, com calos e forte. Ela lembra o jeito que a mão de Quinn se flexiona, o jeito que os dedos delas parecem ao aumentar o aperto.
Ela se permite chorar apenas por mais alguns minutos porque sua audição da NYADA está literalmente prestes a acontecer.
Ela tem que ser perfeita.
O dia dela finalmente chega, e ela acorda com um céu nublado. Ela pensa sobre Finn e Kurt. Ela pensa sobre Quinn. A manhã passa voando e logo a tarde vem.
Ela sente como se tivesse piscado só para se encontrar parada na frente de Carmen Tibideaux.
A música vem fácil. "Don´t Rain on My Parade" é a música dela. Ela pode cantar do contrário, tempo duplo, nos sonhos dela. Ela domina as primeiras linhas e sabe que irá suavemente o resto do caminho. A audição dela está indo do jeito que ela sempre imaginara. NYADA e Nova York estão esperando por ela. Então...
As letras são roubadas da ponta da sua língua.
Desculpas e motivos fluem sem dificuldade.
Seu coração bate. Ela respira. Ela tenta novamente.
Ela pode sentir as letras vindo do jeito errado dessa vez. Ela tenta pará-las, tenta se corrigir. Ela só prossegue em alcançar a nota errada.
Sua oportunidade está perdida, e ela é deixada na escuridão do palco.
Ela se acha congelada. A escuridão sangra no cinza.
Está feito.
