7VERSE : SETE VIDAS

SETE VIDAS VIDA 2: DIANA, A CAÇADORA

vida 2 CAPÍTULO 1

SOU VADIA E A CULPA É SUA, MANINHO

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ANTES

(Leia na FIC SETE VIDAS - VIDA ZERO)

Sam e Dean chegam na cidadezinha de La Grande, no estado americano do Oregon, para investigar um caso de fantasma vingativo e descobrem uma série de mortes associadas a bizarras coincidências.

Dean conclui que o Trickster é o responsável pelas mortes e decide romper o acordo que Sam fizera de não voltar a persegui-lo se ele trouxesse Dean de volta à vida (episódio 3x11).

O Trickster se irrita quando Dean insiste em dizer que vai detê-lo, diz que NÃO GOSTA DA POSE DE MACHÃO do Dean e avisa que isso VAI MUDAR.

Numa realidade alterada (Leia na FIC SETE VIDAS - VIDA 1), Dean é heterossexual, mas usa calcinha e pinta as unhas dos pés de vermelho. Isso, mais cedo ou mais tarde, tinha que acabar mal.

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Em termos de cronologia, esta fic se situa em algum momento entre o episódio 3x11 (Mystery Spot) e a ida de Dean para o Inferno no episódio 3x16. Essa fic se passa no universo ficcional da série Supernatural. Pense nela como um episódio que não foi ao ar.

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AGORA

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– Sam, deixa o laptop aí quietinho e vamos. Amanhã a gente trata disso. Eu quero ver gente viva. Dois banhos e parece que ainda estou cheirando a túmulo.

Sam olha para um pequeno despertador na mesa de cabeceira entre as duas camas de solteiro do quarto de motel. Exatamente 21:03.

– Di, porque você não dá nome aos bois? Você não quer ver gente viva. Você quer arrumar UM CARA para passar a noite. Mesmo sabendo o quanto isso me incomoda.

– O que você disse? Como foi que você me chamou, Sam?

– Di. Diana. Algo errado, Di?

Ao escutar o som da própria voz, melodiosa, sem nada do característico tom rouco, Dean já sabia que algo estava muito errado, mas não estava preparado para o que o espelho mostrava. Nunca estaria preparado. O Trickster ultrapassara todos os limites. Aliás, nem precisava do espelho. Ao baixar os olhos, era impossível não ver os próprios e generosos seios. As mãos delicadas, com as unhas feitas. O formato do quadril. Com a mão confirmou, desesperado, a ausência daquele que sempre fora o seu maior orgulho.

– EU MATO AQUELE BASTARDO!

O grito assustou Sam, que deu um pulo da cama e correu para abraçar a irmã, protetor.

– Di. O que aconteceu? De que bastardo você está falando?

– De quem mais? O TRICKSTER!

– O Trickster? O que foi que ele fez?

– Ele me transformou em MULHER, Sam.

Sam faz cara de espanto e cai na gargalhada.

– Maninha. Você SEMPRE foi mulher. Você NASCEU mulher e eu agradeço aos céus que seja assim, apesar de toda dor de cabeça que você me deu a vida toda. Minha linda. Amo você, maninha.

Sam abraça Diana apertado, e se prepara para dar um gostoso beijo no rosto da irmã, quando esta lhe dá um empurrão tão forte que o faz cair de costas na cama.

– Que foi, Diana? Eu só queria te dar um beijo.

– Pois foi por isso mesmo.

– Di, o que está havendo? Você adora quando eu beijo você. E você sabe que eu adoro beijá-la. Eu nunca me canso de beijar nem de olhar para você. Você é tão linda. Quem não nos conhece pensa que somos namorados e não irmãos. Quantas vezes a gente fingiu ser namorados - ou mesmo casados - para fazer uma investigação?

– Sam, nós não estamos dividindo o mesmo quarto, estamos?

– E qual seria o problema, Diana? Você já cansou de me ver nu. Esqueceu que me dava banho quando eu era criança. Mas, não. Eu estou no quarto ao lado.

– Melhor assim. Me escuta, Sam. Está lembrado do motivo de estarmos aqui e agora nesta maldita cidade.

– Viemos resolver o caso do fantasma vingativo de uma menininha que foi atropelada. E ficamos mais um dia para investigarmos mortes relacionadas a coincidências muito estranhas. Amanhã cedo íamos conferir o caso do ladrão roubado em Baker City.

– Isso, Sam. E nós descobrimos o culpado. O Trickster.

– Faz todo o sentido. Mas, você está dizendo que ele transformou você em mulher?

– Ele esteve aqui, cobrando que cumpríssemos o acordo que você fez com ele. Eu prometi detê-lo. Ele disse que não gostava do meu jeito de machão e, de repente, eu sou uma mulher.

– E quando foi isso?

– Ontem, antes de irmos ao Hot Machine Bar. Lembra? Eu sai de lá com uma garota. Eu trouxe a garota para cá, para esse quarto. Nós transamos. Depois, eu deixei a garota em casa e voltei ao bar para te buscar, mas não encontrei você lá. Quando cheguei aqui de volta encontrei o Trickster com a sua aparência. Você chegou em seguida. Aí ele e eu tivemos a discussão e ele me ameaçou. Não se lembra de nada disso?

– Di, nós estávamos totalmente envolvidos no caso do fantasma até algumas horas atrás. Não faz nem três horas que eu queimei os ossos da menina. Estávamos nos preparando para ir a um barzinho HOJE e porque você vinha insistindo para sairmos desde que chegamos à cidade. Eu peguei informações antes de vir para cá e o barzinho que me indicaram foi exatamente este: o Hot Machine Bar. É para onde eu pretendia levar você HOJE.

– Está vendo? Isso prova que o que eu estou dizendo é verdade. Ou como eu saberia sobre esse bar? Eu posso até descrever como ele é por dentro. O Trickster está fazendo esse dia se repetir de uma forma diferente. Da primeira vez, fui EU quem queimou os ossos da menina. Acredita agora que o bastardo me transformou em mulher?

– Diana. Uma coisa é ele transformar você em mulher daquele momento em diante. Outra, muito diferente, é fazer você ser mulher DESDE SEMPRE. Ele não pode ter tanto poder. Já pensou que ele pode simplesmente ter feito você acreditar que um dia já foi homem.

– Não, Sam. Eu era o seu IRMÃO, não sua irmã. Dean, e não Diana.

– Dean?

– É, Dean? Qual o problema?

– E o Benjamin?

– Você sabe do Benjamin?

– Claro, você acha que seria possível você dar à luz e eu não saber?

– Eu sou a MÃE do Benjamin?

– Claro. O que mais você podia ser?

– O pai. Eu sou o PAI do Benjamin.

Sam até tenta, mas não consegue segurar uma gargalhada. Volta a abraçar a irmã e novamente ganha um empurrão.

– Tira essas mãos de mim, Sam. Fica longe.

– Desculpa, Di. Mas, não consigo imaginar minha irmãzinha querida como homem.

– Espera, Sam. Se eu sou a mãe, quem é o pai do Benjamin?

– Luke Braeden. Ben está sendo criado pelo pai.

– Luke ao invés de LISA. Essa é uma mudança interessante. Então, quer dizer eu já fui para a cama com um homem?

– UM? Gostaria muito que tivesse sido somente com UM. Mas, contando somente os que eu conheci, já é mais que o número de dedos das minhas duas mãos. Talvez se eu considerar mãos e pés ..

– SAM! Você está me dizendo que sou uma .. VADIA?

– Maninha, você já quebrou os dentes de muitos que usaram esse termo depreciativo para se referir a você. Eu prefiro definir você como uma mulher independente, que usa o direito de que tem de dispor do próprio corpo como bem entende. Uma mulher que sempre soube fazer valer sua vontade, sem se importar com a opinião dos outros.

Uma mulher independente? É assim que você chama uma mulher que sai para caçar homens em bares mal freqüentados? Uma mulher que age assim é uma VAGABA. UMA PIRANHA. Estou muito decepcionado com você, Sam. Eu ajo como uma VADIA e você que não faz NADA para me impedir? Que raio de irmão é você que deixa sua irmãzinha ir para a cama com o primeiro homem que aparece pela frente?

– Eu? Coitado de mim. Se nem mesmo o pai foi capaz de segurar você. Você perdeu sua virgindade antes de completar 16 anos. Quando o pai descobriu, por pouco não matou o garoto. Se não me engano, o garoto se chamava Carl Kreuk e vocês eram da mesma turma do colégio. Você enfrentou o pai, ameaçou desaparecer para sempre, disse que o corpo era seu e que você fazia o que queria com ele. Você nunca foi fácil, maninha. Depois que o pai morreu, sobrou para mim cuidar de você.

– Você CUIDA de mim? E desde quando eu não sou capaz de cuidar de mim mesma?

–Não é neste sentido que eu estou falando. Claro que você sabe se virar. Mas, você sabe o quanto essa nossa vida é perigosa. E você não foi treinada desde cedo para ser uma caçadora. Você não tem a experiência necessária.

– NÃO?

– Claro que você não é nenhuma garotinha indefesa. Sabe o básico de defesa pessoal e sabe atirar. Você atira bem. Sua pontaria é muito melhor do que a minha. Foi a Ellen quem treinou você. Você ficava grande parte do tempo com a Ellen e foi criada com a Jo. Bem, pelo menos até o acidente com o Harvelle. Mas, o pai tentou ao máximo manter você fora desta vida. Para ele, você continuou sendo a menininha de quatro anos que ele ficou responsável por criar sozinho. A princesinha dele. Ele queria que você tivesse uma vida normal. Ou tão normal quanto possível para uma Winchester. Já eu seguia com o pai e o acompanhava nas caçadas. Ele me treinou desde pequeno para ser um caçador. Não conheço outra vida.

– E quando você foi para Stanford?

– Stanford? A Universidade? Eu? Eu nunca fui para Stanford. Você é que foi.

– Você disse que EU fui para Stanford?

– Foi, minha advogadazinha querida. Foi lá que você conheceu o Luke.

– E a Jessica?

–Não me lembro de já ter ouvido falar de alguma Jessica.

– Não? E como eu vim parar aqui, com você? Estamos numa caçada. Ou não estamos?

– Você foi seqüestrada pelo Demônio de Olhos Amarelos. O pai e eu resgatamos você, mas sofremos um acidente na fuga e você ficou muito ferida. Ninguém acreditava que você fosse sobreviver. O pai aceitou vender a própria alma e morrer no seu lugar. A partir daí, somos só nós dois. Você não quis voltar para a sua antiga vida, para não arriscar a segurança do Luke e do Ben.

– E o Luke aceitou que fosse assim?

– Ele não sabe o que de fato aconteceu. Você só disse a ele que tinha conhecido outro homem e que estava indo embora. Ele ficou arrasado.

Dean pensou na ironia de ter construído uma família e de ter um marido apaixonado em algum lugar. Era melhor não pensar nisso agora. Já estava tudo suficientemente confuso.

– Pelo menos, o Trickster não me sacaneou por completo. Ser transformado em mulher já é péssimo. Agora, mulher e baranga, eu não ia suportar. Esse corpo. Esses seios. Uau! Eu sei que desejar a mim mesma não é algo muito saudável. Mas, me vendo no espelho, a parte de mim que ainda é homem chega a ficar excitada. Meu corpo não te perturba, Sam?

– Claro que não, Di. Você é minha irmã. Foi você quem cuidou de mim quando eu era pequeno. Isso faz de você um pouco minha mãe. E que parte masculina é essa?

– O cérebro, Sam. Eu ainda penso como homem. Mas, sei que isso não vai durar. Assim como você não se lembra de como as coisas realmente eram, eu também vou esquecer.

– E como você sabe?

– Porque me lembro que essa não foi a primeira transformação pela qual o Trickster me fez passar e também me lembro que a outra experiência não foi nada boa.

Dean tenta afastar a lembrança do que sofreu naquela cela, na mais completa escuridão, nas mãos daqueles homens nojentos. Uma lembrança que o assombraria para sempre. Um segredo que morreria com ele.

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Notas finais do capítulo:

Nada de "Brincalhão". Detesto essa tradução. Trickster está mais para Trambiqueiro, Vigarista, Trapaceiro. Portanto, fica Triskster mesmo.

IMPORTANTE:O autor não se responsabiliza pelas opiniões e preconceitos de seus personagens.


Sinopse:

Dean sempre foi um macho acima de qualquer suspeita. Mas isso foi antes do TRICKSTER interferir em sua identidade sexual.


Disclaimer:

Sam Winchester, Dean Winchester e o Trickster são criações geniais de Eric Kripke, mas serão respeitosamente reinventados por mim. Sete Vidas. Sete diferentes Deans. Todos muito diferentes do que você conhece.

Muitos dos personagens coadjuvantes são criações originais minhas, mas permito que o Eric os utilize na série se ele assim desejar.


ESCLARECIMENTOS:

1) A leitura de SETE VIDAS-VIDA ZERO não é necessária para o entendimento dessa história. O resumo no início do capítulo (ANTES) traz as informações essenciais. Mas, se gostou do que leu aqui, se dê a chance de gostar também de VIDA ZERO.

VIDA ZERO: www fanfiction net/s/9685726/1/SETE-VIDAS-VIDA-ZERO

2) A leitura prévia de SETE VIDAS-VIDA 1 não é fundamental para o entendimento dessa história, mas é recomendado que a leia, já que as sete VIDAS são encadeadas e formam uma história maior.

VIDA 1: www fanfiction net/s/9710922/1/SETE-VIDAS-VIDA-1 (já postada)

3) Carl Kreuk seria a versão masculina da atriz Kristin Kreuk, com quem Jensen Ackles fez par romântico em Smallville.


UM ROSTO PARA DIANA WINCHESTER:

Para o papel de Diana Winchester escalei a cosplay canadense Fallen Angel, a garota da foto fallen-angel deviantart com /#/art/Supernatural-Dean-Winchester-Cosplay-378467 127?_sid=49ce4154.

Achei perfeito o visual de Fallen Angel e creio que Diana usaria roupas masculinizadas durante as caçadas e, no dia a dia, um estilo casual semelhante ao de Jo Harvelle. Como advogada formada em Stanford, Diana seria mais elegante e ressaltaria mais a sua feminilidade.


03.10.2013