Título: Corações Expostos
Autora: Lab Girl
Categoria: Arquivo X, M&S, 4ª temporada, angst, romance
Advertências: Linguagem e situações absolutamente adultas! Leitura recomendada a partir de 18 anos; favor considerar o alerta.
Classificação: NC-17
Capítulo: 1/7
Spoiler: Episódio 4x14 – Memento Mori (Lembranças Finais)
Resumo: O que pode aproximar mais duas pessoas do que encarar a própria mortalidade? Mulder e Scully dão início a uma jornada de dores compartilhadas, e na busca por esperança acabam encontrando uma verdade que até então não se atreveram a encarar... a de seus próprios corações.
Notas da Autora: Esta história se passa na quarta temporada da série, logo após os acontecimentos do episódio "Memento Mori" (Lembranças Finais).
Pela primeira vez eu sinto o tempo como uma batida do coração.
- Dana Scully, "Lembranças Finais"
Parte I: Sombras da Noite
E agora as mãos do tempo estão paradas
Anjo da meia noite, não dirás que virás nos salvar das sombras da noite?
(extraído da canção "Shadows of the Night" de Pat Benatar)
As coisas não eram mais como antes.
Nem seu corpo, nem seu espírito.
Desde que o câncer fora diagnosticado, sua vida se transformara como nunca poderia ter imaginado.
Mas embora tudo aquilo fosse tão assustador, ela havia prometido a si mesma que continuaria. Que lutaria enquanto ainda tivesse forças.
Ela havia prometido.
A si mesma.
A Mulder.
E todas as vezes em que se encontrava prestes a hesitar, ela se lembrava de que precisava ser forte. Dependia disso.
Durante toda sua vida sempre se mantivera firme, mesmo nos mais difíceis momentos. Alguns poderiam chamar de insensibilidade, mas Dana preferia chamar de racionalismo.
Fora esse mesmo racionalismo que a ajudara a sobreviver até ali, e que a impedira de cair, permanecendo firme em situações delicadas. Mas que parecia tê-la abandonado agora.
Quando mais precisava dele.
Esforçava-se para manter sua postura e convicções de que tudo estava bem. Não queria demonstrar sua fraqueza a ele...
Talvez por medo de demonstrar a si mesma.
Sempre fora a forte, a que permanecia acordada e enfrentava a chuva. Não queria fechar os olhos agora. Não podia.
Tinha que provar a si própria que ainda era a mesma.
Então, por que se sentia tão fraca?
Aquela tarde havia sido tão difícil. Cada vez mais ela procurava esconder seu desespero de Mulder. Mas ele a conhecia tão bem para que pudesse enganá-lo...
Não queria que ele a visse vulnerável. Não queria que tivesse pena dela.
Mas, enquanto sua mente insistia em resguardá-la, seu coração implorava por conforto.
Sentia-se tão só.
Em apenas três meses seu apartamento havia se tornado o lugar mais frio em que estivera.
Procurava manter-se ocupada durante o dia, concentrando-se nas investigações, mergulhando no trabalho. Mas, à noite, a solidão e o medo pareciam consumi-la cada vez mais. E ela pensava poder ficar louca.
Ele se oferecera para ficar naquela noite, quando a havia deixado em casa. Mas ela recusara.
Dissera que estava bem. Que tudo ficaria bem. Palavras que desejava que a convencessem mais do que a ele.
Palavras. Apenas palavras.
Seus lábios haviam lhe dito para ir, mas seu coração havia lhe implorado para ficar.
E ela desejava que ele tivesse ouvido seu coração.
Suas mãos deslizaram lentamente pela fria madeira da porta, descendo juntamente com suas lágrimas.
Havia milhares de razões para que ela o mandasse embora.
E apenas uma para que lhe pedisse para ficar. E essa invalidava todas as outras.
Ela o amava. Puramente... simplesmente.
E precisava dele ao seu lado.
E, mesmo assim, ela o mandara embora.
Encostou a testa contra a porta, cerrando os punhos ao lado do corpo, lutando consigo mesma para que não se deixasse enlouquecer por aquilo que sabia havia tanto tempo.
Sim, ela havia dito a ele para ir embora. Mas aquelas eram apenas palavras. Ela vira os olhos dele, o silencioso pedido neles...
Não escute a razão, Scully. Escute o seu coração.
Por que ela o havia deixado ir? Por que virara as costas ao silencioso pedido dele?
Por que estava tentando ser a mais forte? Por que era tão mais fácil correr da verdade?
Correr de seu coração?
Correr de Mulder? De si mesma?
De repente, ela sentiu uma vibração sob a porta, bem abaixo de sua testa. Três batidas rápidas.
Seu corpo saltou. Seu coração disparou dentro do peito e ela inclinou-se para ter acesso ao olho mágico.
Mulder.
Seu coração acelerou mais uma batida.
Levando as mãos ao rosto, enxugou as lágrimas.
"Scully, sou eu" a voz tão familiar a chamou.
Ela destrancou a porta.
Mulder olhou pela fresta que acabara de se abrir. O apartamento encontrava-se em total escuridão. Ele hesitou por um instante.
"Scully..." tornou a chamá-la, sussurrando o nome dela.
"Estou aqui."
A voz doce e suave o fez sentir-se mais calmo. Ele entrou e fechou a porta atrás de si, deixando que seus olhos se acostumassem ao ambiente escuro.
Então, ele a viu.
Parada junto à parede, ao lado da porta.
"Você não foi embora" ela sussurrou, ainda sem acreditar na própria constatação.
"Não" a voz dele era firme, porém suave. "Fiquei do lado de fora."
"Não devia ter feito isso" Scully o repreendeu, embora sua voz não passasse de um sussurro.
"Você pode me dizer quantas vezes quiser que está bem, mas eu sei que não é verdade. E você também sabe disso."
Mulder deu um passo na direção dela, mas Scully recuou, os braços envolvendo os próprios ombros, como se estivesse se protegendo.
"Você não está bem, Scully. E não é só por causa da sua doença, mas porque tem medo de admitir para si mesma que está com medo."
As palavras dele eram tão gentis, mas ainda assim tão cheias de certeza que a acertaram em cheio em seu coração, deixando-a ainda mais vulnerável.
"Oh, Mulder..." o choro derramou-se sobre ela como uma correnteza, e ela não pôde mais se segurar.
No mesmo instante, ela sentiu os braços fortes de Mulder envolvendo-a, desfazendo a proteção que havia criado com as próprias mãos em torno de si.
O calor foi instantâneo. As mãos de Mulder deslizaram por seu cabelo, trazendo-a de encontro ao peito dele, segurando-a com firmeza pelos ombros.
E ela chorou, soluçando contra a malha quente da camiseta do parceiro, permitindo-se desabafar pela primeira vez em muito tempo.
Mulder queria que ela chorasse. Não para vê-la sofrer, mas porque sabia que ela precisava disso naquele instante. Scully quase não se permitia expor os próprios sentimentos.
Nem ele.
Mas agora ela estava somente torturando a si mesma, tentando ser mais forte e não demonstrar o medo que estava sentindo... ele sabia.
Então, tão repentinamente como o pranto havia começado, terminou.
E ela afastou-se dele de um salto, como se houvesse levado um choque.
"Scully..."
"Eu estou bem, sim, Mulder" a voz dela havia se tornado dura, tensa.
Mulder sentiu, por um momento, o quanto ela estava se repreendendo por ter se permitido expor por alguns segundos, chorando em seus braços.
"A quem está tentando convencer? A mim? Ou a você?" ele se aproximou cuidadosamente, sabendo que a qualquer momento ela poderia se afastar de novo.
"Pare com isso, Mulder. Eu sei que estou bem."
"Pare de mentir para si mesma, Scully. Você precisa de ajuda" Mulder parou próximo a ela, esperando por uma reação.
Ela não podia. Não queria se desviar dele. Mas também sabia que talvez estivesse pisando em um terreno perigoso demais. Estava frágil e não queria fazer nada de que viesse a se arrepender depois.
Então, ela sentiu que iria começar a chorar novamente.
Não podia. Não podia deixar que ele a visse assim de novo.
"Vá embora, Mulder. Eu já lhe pedi" a voz de Scully estava tão embargada que ela temeu que o parceiro não atendesse seu pedido.
Mulder suspirou. O coração da parceira parecia gritar por conforto, mas ela insistia em não querer ouvi-lo.
"Sim, você pediu" ele sussurrou gentilmente, olhando-a com ternura. "É isso o que quer, Scully? Quer mesmo que eu vá embora?"
Por que ele estava fazendo isso com ela? Por que simplesmente não lhe dava as costas e ia embora?
"É isso o que quer, Scully?" ele repetiu, "Se for isso, apenas me diga outra vez e eu vou."
O silêncio inundou a sala.
E ela não conseguiu repetir as palavras. Não conseguia dizê-las mais uma vez.
Então, lentamente, Mulder virou-se. Já a caminho da porta, ouviu o soluço incontido.
"Não!"
O coração de Mulder queria se partir em dois naquele instante. Deus, Scully estava sofrendo! E ele queria apenas aliviar a dor dela.
Ele se voltou quase imediatamente para a amiga, estendendo-lhe a mão.
Por um momento ela apenas o observou. Mas, em seguida, agarrou-se à mão que ele oferecia. E Mulder a puxou para si, abraçando-a novamente. Mais forte dessa vez, aninhando-a em seus braços, sentindo as lágrimas brotarem nos próprios olhos.
"Por que faz isso, Scully?" ele murmurou contra os cabelos macios.
"Porque não quero que sinta pena de mim" ela sussurrou em uma voz dolorida.
Mulder segurou o rosto dela entre as mãos e o ergueu para que Scully o encarasse. Seu peito se apertou ao ver o belo rosto banhado pelas lágrimas.
"Pena? Então acha que é isso o que eu sinto por você?"
Ela franziu levemente o cenho, confusa. "Então, por que está aqui?"
Mulder enxugou as lágrimas dela delicadamente com os polegares. "Eu me preocupo com você, Scully. E sei que não está bem agora. Por que insiste em enfrentar o mundo sozinha?"
"Você também faz isso, às vezes" ela o repreendeu com voz chorosa.
Mulder sorriu diante do protesto, fazendo-a sorrir também.
"É, eu sei. Mas há muito tempo aprendi que não preciso fazer isso sozinho. Eu tenho você."
Ele a fitou tão ternamente que Scully sentiu vontade de enterrar-se no peito dele. Para sempre.
"Eu preciso ser forte, Mulder. A vida segue seu curso. E enquanto eu estiver aqui, vou continuar como fiz até hoje. Nada vai mudar. Não acabou, ainda. Eu continuo aqui."
"Então, por que insiste em se afastar cada vez mais?"
"Me afastar?" ela balançou a cabeça, aturdida.
"Sim. Você está se afastando das pessoas, Scully. Está se fechando em si mesma."
Ele tinha razão, ela tinha de admitir. Mas era seu único mecanismo de defesa. Dana já havia perdido as contas de quantas vezes tentara ser forte, fria, impassível. De quantas vezes tentara manter a fina barreira que a impedia de se expor mais do que pretendia.
Mas naquele momento parecia não haver mais barreira. Não havia mais nada além da verdade. Mulder a conhecia bem demais para que pudesse se esconder. Por mais que tentasse, ele sempre conseguia lê-la, decifrá-la.
Então, Scully deu um passo atrás, encarando-o, sua expressão adquirindo um ar sério e resignado.
"Mulder, eu dei início ao meu tratamento. Tem sido difícil, mas eu tenho que encarar o fato. Não sou a primeira nem serei a última a sofrer de câncer."
A simples menção à palavra pareceu atingi-lo no coração.
"Isso é algo que não posso negar" ela prosseguiu. "Algo do qual não posso fugir. Mas não quero ser sepultada enquanto ainda estiver vida, entende?"
Ele sabia. Mulder sabia o quanto estava sendo difícil para ela.
Ele mesmo havia se negado a encarar o fato, no princípio.
Era doloroso demais imaginar a vida sem Scully.
"Eu compreendo. Também não quero que desista de lutar. Mas não precisa lutar sozinha. Eu estou do seu lado."
Ela se afastou para ir sentar-se na poltrona mais próxima, e suspirou, cruzando os braços. Ele a acompanhou, sentando-se no sofá logo à frente.
"Você mesma me disse que ainda não é o fim. E enquanto ainda houver tempo, nós temos que procurar um meio..."
"Milagre, Mulder. Apenas um milagre poderia me salvar agora" o rosto dela se fechou, sentindo a amargura nas próprias palavras.
"Não precisamos perder a esperança, Scully. Talvez haja um meio. Só precisamos procurar" ele tentou conter a ansiedade na voz.
Queria acreditar. Ele queria muito acreditar em uma cura para Scully.
"Os médicos disseram que não é operável. O que podemos fazer é recorrer a tratamentos para amenizar os efeitos do avanço da doença. Mas nada que me garanta a cura."
Ele se inclinou um pouco no sofá, aproximando-se mais dela.
"Temos que tentar" Mulder sussurrou encorajadoramente.
"Tentar o que, Mulder? O meu tratamento já é uma tentativa..."
"Ciência. Pura ciência, Scully! Precisa haver outro meio."
"Não há outros meios que não a ciência, Mulder!" ela protestou.
"Sempre a maldita ciência! Ela não é tudo!" ele sentiu a pulsação acelerar, o controle começar a escapar.
"Foi essa maldita ciência que o salvou diversas vezes" Scully alterou a voz também, lutando para não perder a calma.
"Sim. Sua ciência me salvou. Mais de uma vez. Mas o que ela pode fazer por *você* agora?"
As palavras invadiram a sala com um peso que Scully não se sentia capaz de suportar. Ela apertou os braços em torno de si mesma.
"Me desculpe" Mulder sussurrou, passando as mãos pelo rosto num ato desesperado. "Eu não queria ser tão rude."
Scully suspirou.
"Está tudo bem. Eu só quero não enlouquecer diante disso tudo" a voz dela agora era baixa e suave.
"Eu também, Scully" Mulder ergue-se do sofá e deu dois passos na direção da parceira. "E só peço que confie em mim. Nós podemos lutar juntos. Você, com a sua ciência. E eu... com as armas que puder encontrar."
Scully ergueu os olhos para ele. Às vezes ela chegava a desejar ter a mesma obstinação de Mulder. Ele nunca desistia. Por mais escuro que parecesse o caminho.
O coração dela se apertou. Deus, como ela precisava daquela força que ele estava lhe dando!
Ela então deixou escapar um longo suspiro.
"Eu quero continuar..." sussurrou.
Mulder estendeu-lhe a mão mais uma vez, e fez com que ela se erguesse, ficando de pé diante dele.
"Vai dar tudo certo, Scully" ele deslizou uma das mãos pelo rosto dela, fazendo-a estremecer. "Nós vamos ficar bem, no final."
Então, Scully o envolveu com os braços, buscando a força que emanava dele, querendo que a mesma força a invadisse.
Mulder a recebeu, colocando os braços em torno das costas dela, amparando-a cuidadosamente. Querendo que ela se sentisse segura e em paz.
Scully suspirou, sentindo-se frágil nos braços do parceiro. E não se lembrava de ter se deixado sentir tão solta diante dele como naquele momento. Mas naquele instante de sua vida, nada mais importava. Passara dias tentando lutar contra aquela urgência de se atirar contra ele, e já não queria mais resistir.
Queria apenas sentir. Sentir a força dele. Sentir o calor dele ao seu redor. Senti-lo respirar suavemente contra seu cabelo, deslizando lentamente as mãos por suas costas, envolvendo-a pela cintura. Parecia que ela pertencia aos braços dele há muito tempo, e que se mantivera distante sem saber o motivo.
Mulder fechou os olhos, aspirando o perfume suave que emanava da Dana Scully. Finalmente ela se deixara confortar. E estava livre, em seus braços.
Ele podia sentir a proximidade dela, o calor do corpo delicado contra o seu, buscando amparo. Ela era tão macia... tão quente...
Mulder gostava de senti-la junto ao seu corpo, encaixando-se perfeitamente. A sensação era tão boa...
A sensação dos seios delicados contra seu tórax, macios e firmes... o torneado corpo contra o seu...
Desde que haviam começado a trabalhar juntos, Mulder surpreendera-se milhares de vezes com a própria força para resistir aos seus instintos mais urgentes.
Quantas vezes não tivera de se controlar para não olhar tempo demais para a delgada curva daquela cintura, para o volume tentador daqueles lábios? E para manter suas mãos longe das mechas inflamáveis e macias...
Céus! Por vezes ele chegava a não compreender os segredos de sua resistência.
Mas durante os anos ele havia se tornado um bom disciplinador dos próprios desejos. Embora algumas vezes ainda fosse surpreendido ao sentir o corpo fugir-lhe ao controle, traindo suas mais sensatas razões. Como quando sua natureza masculina despertava e o enforcava feito uma serpente nos momentos mais inesperados.
Às vezes em necrotérios frios e escuros, outras em vigílias noturnas dentro de um carro, outras em elevadores e restaurantes abarrotados de gente.
Mas, mesmo em momentos como aqueles, ele ainda conseguia domar o desespero do próprio corpo por ela. Por mais difícil que fosse. Por mais que a necessidade o atingisse quase dolorosamente.
Como naquele exato instante, em que seu corpo se encontrava pressionado ao dela, sua pele faminta e febril junto à dela.
E ele amaldiçoou-se em pensamento ao perceber a rápida e inconfundível resposta à proximidade de Scully.
Dana se afastou um pouco, apenas afrouxando o abraço, mas não fez menção de se distanciar.
Mulder sentiu o rosto ferver, esperando que ela cortasse o contato antes de notar o quanto ele estava pronto.
Precisava conter a própria urgência, mas dessa vez a necessidade era tão forte que chegava a doer. Sabia que não conseguiria controlar-se por muito tempo.
Então, foi surpreendido ao senti-la reaproximar-se, as mãos deslizando sobre suas costas, trazendo-o para mais junto dela.
Deus, ele sentia que iria quebrar-se! A dor era quase insuportável.
Involuntariamente suas mãos desceram pela cintura dela, envolvendo as nádegas arredondadas, colocando-se mais firmemente contra o baixo abdômen de Scully.
Ela soltou um suspiro. Áspero e alto.
E Mulder sabia que ela podia senti-lo, firme e quente contra o ventre, sem nenhuma sombra de dúvida. E, ainda assim, ela não o afastou. Pelo contrário. Ele pôde sentir as mãos delicadas se espalmarem contra suas costas, intensificando o contato de seus corpos.
Mulder fechou os olhos, sentindo a mente rodar.
A sensação era simplesmente poderosa.
Apertou-a contra si, deslizando a crescente rigidez contra o estômago dela.
Scully moveu-se lentamente, friccionado-se contra sua firmeza, movimentando-se tentadoramente.
Mulder estava certo de que não conseguiria manter a respiração por muito tempo. Iria enlouquecer.
Scully suspirou, sentindo o corpo ficar cada vez mais pesado. Seria possível?
Como uma simples pressão de seu corpo contra o de Mulder podia causar efeitos tão fortes? Sensações tão poderosas?
Instantaneamente ela percebeu que ele não era o único a ser surpreendido pelo próprio corpo. Ela podia sentir uma sensação trêmula, quente e levemente dolorida umedecendo-lhe as pernas.
Céus!
Seus lábios entreabriram-se e ela deixou escapar um gemido.
Alto. Deliciosamente dolorido.
Mulder a apertou delicadamente contra si, com maior intensidade, sentindo os quadris femininos roçarem contra o volume de seu jeans.
"Deus!" ele gemeu, desesperado.
Se aquilo fosse um sonho, ele esperava não acordar nunca mais...
Então ouviu. Três batidas na porta. E o chamado.
"Dana!"
O coração de Scully disparou ainda mais. Sentiu como se houvesse recebido um soco no estômago.
"Dana, você está aí?" a voz a chamou novamente.
Mulder sentiu o corpo congelar.
Margaret Scully.
Dana deixou escapar um suspiro ao sentir a sensação de frio por sua espinha, como numa espécie de choque.
Sua mãe.
A porta vibrou mais três vezes.
"Querida, sou eu."
Rapidamente, Mulder afastou-se, tentando reequilibrar a respiração e lutando contra a dor que latejava em sua virilha.
Scully deu alguns passos rápidos na direção da porta, parando tempo suficiente para tomar fôlego e girar a chave.
"Dana?" a expressão de Margaret ao ver a filha foi mais de susto do que de felicidade.
Scully tentou manter a aparência fria e controlada, lutando contra a sensação úmida e latejante que havia tomado seu corpo de assalto nos últimos minutos.
"Olá, mamãe" a voz dela soou cansada, mas pelo menos melhor do que esperava.
A expressão de Margaret pareceu ficar ainda mais surpresa quando a filha abriu completamente a porta para que ela entrasse, e a senhora pôde vislumbrar a figura de Fox Mulder de pé, no meio da sala, em total escuridão.
"Fox?" a voz de Maggie não escondeu o espanto ao vê-lo ali.
Scully fechou a porta rapidamente atrás de si.
"Como vai, Sra. Scully?" ele acenou com a cabeça, tentando esconder o próprio nervosismo.
"Não esperava encontrá-lo aqui. Aconteceu alguma coisa? Por que estão no escuro?"
Só então Scully pareceu se dar conta de que seu apartamento continuava no escuro.
"Nós estávamos apenas conversando" Dana apressou-se em acender um abajur. "Eu estava com dor de cabeça e não quis acender as luzes quando entramos."
Mas, como explicar o que havia acabado de acontecer ali, em sua sala, poucos segundos antes? Nem a própria Scully sabia.
"Oh, Dana, eu precisava falar com você. Liguei para o seu celular, mas estava desligado. Resolvi vir até aqui, já que estava na vizinhança. Mas assim que entrei e vi o Fox, comecei a pensar que alguma coisa tivesse acontecido."
Scully abraçou ternamente a mãe, e depois fez com que ela se sentasse em uma das poltronas. "Nada aconteceu. Eu estou bem."
Mulder, que até então estivera de pé, aproximou-se do sofá e tornou a se sentar. Sua respiração parecia estar normalizando agora, embora ainda pudesse sentir os efeitos do contato com Scully percorrerem seu corpo como uma espécie de onda de eletricidade.
Quando Margaret Scully olhou novamente para ele, o semblante já mais tranquilo, Mulder sentiu o rosto em chamas.
Cristo! Como aquilo havia acontecido?
"Na verdade, eu não queria assustá-la" a voz da Sra. Scully era leve e terna, se dirigindo à filha.
"Houve alguma coisa, mamãe?" Scully se ajoelhou diante da mãe, os olhos adquirindo a mesma expressão de preocupação que Margaret havia manifestado ao entrar no apartamento. "É algum dos meus sobrinhos? Bill? Charlie?"
Ao perceber o nervosismo da filha, Margaret deslizou carinhosamente uma das mãos pelos cabelos de Dana, procurando explicar-se. "Para dizer a verdade, é o Bill."
"Bill? O que aconteceu com ele? Meu irmão está bem?" a voz de Scully estava trêmula.
"Ele está aqui" Margaret sorriu, fazendo com que a filha se acalmasse.
"Aqui?"
Maggie balançou a cabeça e rapidamente lançou um olhar amistoso para Fox, percebendo o quanto ele parecia deslocado diante daquela situação.
"Ele veio para o Dia de Ação de Graças. Chegou esta tarde. Eu pedi a ele que fosse comprar algumas coisas para mim e ele bateu o carro."
"Oh, meu Deus!" Scully suspirou.
"Ele está bem" Margaret apressou-se em dizer. "Não foi nada grave. Ele passou em um hospital para fazer uns curativos, mas eu queria que você desse uma olhada nele."
A voz de Maggie continuava tão doce quanto de início, numa tentativa clara de tranqüilizar a filha, Mulder percebeu.
"Claro. Vou pegar minha bolsa."
Rapidamente Scully correu até o balcão da cozinha, voltando em seguida com a bolsa nas mãos.
Mulder, que havia permanecido em silêncio, apenas observando a interação das duas mulheres à sua frente, levantou-se e dirigiu-se a elas. "Meu carro está lá fora. Se quiserem, posso levá-las."
Os olhos de Scully encontraram os dele, mas ela os desviou rapidamente, ainda não completamente segura de si para encará-lo.
"Está certo" ela pronunciou em uma voz baixa e trêmula.
Percebendo a aparente tensão que se instalara no ar, Margaret tocou levemente o braço de Mulder, e em seguida o de Scully, sorrindo novamente com uma expressão suave. "Não foi nada. Está tudo bem. Às vezes coisas assim acontecem."
N/A: Se alguém aí fora se interessar... vou adorar receber feedback ;)
