Destino
Foi olhando para os pontos brilhantes lá no céu que começou a devanear sobre os olhos azuis do anjo. Ninguém poderia negar que os olhos de Castiel era a coisa mais intrigante naquele conjunto que era o receptáculo do anjo. Dean sentia que era a única coisa que era realmente do anjo, aqueles olhos que lhe pareciam esmigalhar o ser e ver dentro de sua alma de um jeito tão nítido que poderia lhe entender.
Encostou-se no Impala, mas não tirou os olhos do céu.
Já fazia algum tempo que não ficava assim, de folga. Na verdade estava tudo calmo demais ultimamente e ele sabia que a qualquer momento todo o tipo de monstro ia surgir do nada, era sempre assim, a calmaria antes da tempestade.
Suspirou fundo. Todos aqueles pontos brilhantes lá em cima... E pensar que Castiel ficava tão perto delas, parecia um pouco insano pensar nisso, na imensidão, na grandeza que era aquele ser. Era estranho pensar na própria insignificância, de como era pequeno diante de tudo aquilo e de como Castiel (aquele ser grandioso) poderia escolher a ele ao invés de ficar no céu.
Mordeu os lábios ao ouvir o bater de asas, antes do anjo se mostrar em sua frente, sorrindo daquele jeito que fazia Dean pensar nas coisas boas que a vida oferecia.
_Oi. – a voz saiu tão rouca e baixa que duvidou se o anjo tinha mesmo lhe escutado.
_Olá, Dean. – viu o caçador voltar os olhos para o céu e acompanhou-o. – O que está fazendo? – perguntou um tempo depois.
Dean sorriu voltando seus olhos para ele.
_Me disseram uma vez que nosso futuro está escrito nas estrelas. Estou tentando ver alguma coisa.
Castiel sorriu balançando a cabeça.
_Não está falando como aquele caçador marrento que disse que pararia o Apocalipse, e que se danasse o 'destino'. – Dean reconheceu o tom de troça na voz dele, mas também sorriu. Era verdade.
_É. – disse simplesmente balançando a cabeça. – Você está certo. Eu faço meu destino. – o puxou pela gravata e beijou os lábios dele.
Não demorou a prensá-lo contra o Impala, beijando-lhe de forma sôfrega, como se por toda uma vida tivesse ansiado por aquilo, como se só tivesse chegado aquele momento para poder beijá-lo.
_Você vai fazer seu destino também, Cas? – perguntou, depois de soltá-lo, tinha medo do anjo lhe deixar depois do beijo, mas não podia mais tratá-lo apenas como amigo, não o via mais assim há muito tempo.
_Eu estou entregando ele em suas mãos agora, Dean. – ele respondeu, fechando os olhos e apoiando a cabeça no ombro do loiro.
