Título:
Só em Sonhos
Autora: Ptyx
Casal:
Snape/Harry
Classificação: R
Gênero:
Romance
Resumo: Harry tem pesadelos, e Snape o usa como cobaia.
Slash.
Disclaimer: Os direitos pertencem a J.
K. Rowling, Bloomsbury, Scholastic, Warner Brothers, etc. Eu
não ganho um centavo - só me divirto com eles.
Três ou quatro capítulos, só. Depois tem uma continuação. Espero que gostem. É uma história leve, sem grandes sustos.
Só em Sonhos
Tudo começou numa noite em que Severus estava na cozinha de Hogwarts quando viu o Garoto de Ouro dos Gryffindors entrar, com toda a tranqüilidade, como se a hora de recolher não houvesse passado há muito, muito tempo.
— Potter. Passeando pelo castelo a altas horas da noite, como sempre.
— Boa noite, professor.
Severus procurou o esgar mais antipático em seu repertório e estampou-o em resposta ao tom irônico do garoto. Potter deu-lhe as costas, aparentemente disposto a ir embora. Como se pudesse fugir assim, sem mais nem menos, do professor de Poções.
— Potter.
— O que é... senhor? — respondeu o garoto, acentuando o tratamento, em tom de sarcasmo.
— Sente-se aqui e tome um chá comigo.
Potter arregalou os olhos de surpresa, e sentou-se ao lado do professor à mesa.
— Misky?
— Sim, professor? Oh, Harry Potter! Quando Dobby souber...
— Por favor, Misky, não avise ninguém que Potter está aqui. Estamos cansados e queremos apenas tomar alguma coisa. O que você quer, Potter?
— Er... um chocolate quente.
— Então traga um chocolate quente e um chá preto. E uma porção de biscoitos.
— Pois não, professor.
E Misky desapareceu por um instante, voltando rapidamente com uma bandeja e depositando-a à frente deles.
Severus pegou a xícara de chocolate e colocou na frente de Potter; depois pegou sua própria xícara e, por fim, estendeu o prato de biscoitos ao aluno.
— Pegue um biscoito.
Potter obedeceu, cada vez mais surpreso.
— Está tendo pesadelos, Potter?
— Como sabe?
Severus arqueou uma sobrancelha.
— Infelizmente, sr. Potter, há uma ou duas coisas que temos em comum.
— Quer dizer... por causa da cicatriz... e a sua marca?
— É evidente.
— Ahn.
— Já tentou a Poção do Sono sem Sonhos?
— Tomo todas as noites. Não adianta.
— Todas as noites? Essa poção não deve ser usada diariamente, e Madame Pomfrey não costuma ...
— Eu mesmo tenho feito a poção
— Você, Potter? Então é por isso que não está funcionando.
Potter fuzilou-o com os olhos.
— Tenho uma garrafa ainda, posso lhe mostrar. E a poção de Madame Pomfrey também não está funcionando.
Severus suspirou.
— Estou trabalhando em novas fórmulas de poções contra pesadelos. Talvez você possa ser a minha cobaia — sugeriu.
Potter não pareceu ofendido, mas tampouco revelou grande entusiasmo. Provavelmente não acreditava na competência de Severus, pensou este.
— Termine o seu chocolate e vamos ao meu laboratório.
.s.s.s.s.s.s.s.
Severus lhe deu um frasco verde e disse para Potter ir para o seu dormitório, preparar-se para dormir e tom�-lo inteiro. No dia seguinte, após as aulas, ele deveria procur�-lo para contar-lhe o resultado.
.s.s.s.s.s.s.s.
— Não adiantou nada.
Severus não se mostrou desanimado.
— Há quantas noites você não dorme, Potter?
— Umas... duas semanas.
Severus ficou perplexo.
— Mas... isso é muito grave. Se você não dorme, fica vulnerável ao Lord das Trevas. Como vão as suas aulas de Oclumência?
— Que aulas de Oclumência?
— Pensei que o Diretor fosse designar outra pessoa para ensin�-lo, ou ensin�-lo pessoalmente.
— Não.
Severus tentou ocultar a exasperação.
— Sente-se nessa poltrona. Eu vou lhe dar uma poção, e quero que permaneça aqui. Quero acompanhar as suas reações.
Potter concordou, cabisbaixo. Alguns minutos depois, Snape retornou com um frasco azul e entregou-o a ele.
— Tome tudo.
Potter tirou a rolha e aspirou o aroma. Fez uma cara surpresa, como se não acreditasse que Snape pudesse lhe dar algo que cheirasse bem. A poção cheirava a flores. Potter despejou o conteúdo garganta abaixo.
— Hmm. Essa foi a primeira poção gostosa que já tomei.
— Hmpf. O gosto não importa. Vamos ver o efeito.
Severus se sentou em outra poltrona, a noventa graus da de Potter.
— Uau, que demais.
— O que foi? Descreva-me suas sensações.
— Estou me sentindo leve. Como se estivesse voando. Oh, que bonito.
Potter tinha os olhos vidrados, fixos no horizonte.
— Conte-me o que está vendo.
— Pedrinhas coloridas flutuando. Puxa, que legal. — Então o garoto fixou seus olhos no professor de Poções. — Você... você tem um rosto muito interessante.
Severus sentiu-se corar.
— Sei. Nariz romano.
— Romano? Que palavra engraçada. Sei lá. Você... Acho que, no fundo, você se preocupa comigo.
— Potter, vamos mudar de assunto, sim?
— Por quê? Eu estou me sentindo bem.
— É que eu acrescentei opiáceas a essa poção.
— Opi... opiáceas! Ahaha! Outra palavra engraçada. Quer dizer... que eu estou... viajando?
— É, Potter. Você está viajando.
— Ora, ora, Severus. Não se faz isso com um aluno — disse Potter, imitando a voz de Dumbledore, e caindo na gargalhada em seguida.
Severus sentiu-se empalidecer.
— Não fique assim — pediu Harry, sonolento. — Eu queria ver você sorrir.
Dê-lhe outro de seus sorrisos irônicos, pensou Snape, estampando outro dos esgares de seu repertório.
— Nem em sonhos, Potter.
— A sua voz... é... como é que dizem? Ah. Hipnótica — disse Harry, fechando os olhos.
TBC
