Uma névoa gélida e esbranquiçada deixava ainda mais escura as horas finais do mês de Julho na rua dos Alfeneiros,n°4. Um único ponto de luz vinha de uma janela no 1° andar da casa, onde um garoto alto, de olhos muito verdes e negros cabelos desarrumados se encontrava sentado sob um malão em cima da cama, absorto em seus pensamentos.
Harry Potter se perguntava se seria possivel a vida de uma pessoa mudar tão bruscamente como a sua mudara nos últimos seis anos. Sim, seria,uma voz veio em sua cabeça, aconteceu com você, não foi?
Após várias aventuras, muitas delas indesejadas, ainda se recuperava da morte de um colega, Cedrico Diggory, quando, praticamente um ano depois, perdera seu padrinho e amigo Sirius Black e, há apenas algumas semanas, presenciou a morte do homem que consideravao maior e melhor bruxo já existente e, acima de tudo, um amigo e protetor, professor Alvo Dumbledore.
Mas o que mais doía em seu peito era saber que todas essas mortes,além da morte de seus pais, que deram a vida para o salvar, foram causadas, direta ou indiretamente, pela mesma pessoa, e que esse ser não mediria esforços para acabar com a vida de qualquer um que se colocasse entre ele e Harry.
Esse devaneio o levou a pensar em seus melhores amigos, Rony Weasley e Hermione Granger, com os quais falara pela última vez faziam algumas semanas,na estação de King's Cross. Pensou também na irmã de Rony, Gina Weasley,por quem é apaixonado, e uma dor profunda atingiu seu coração. Era duro ter que deixar as pessoas amadas de lado para poder protegê-las, mas, afinal, isto é o amor, pensou. Mas ainda no último encontro em que tiveram, seus melhores amigos disseram, com muita lealdade, que não o deixariam,mesmo que isso lhes custassem a vida. Seguiriam-no aonde quer que fosse, e iriam ajudá-lo a cumprir seu destino.
Seu destino... Matar Lord Voldemort, O cruel assassino das pessoas que amava, ou morrer nas mãos do mesmo.
Mas Harry sabia que iria até o fim, seja qual fosse a opção, e saber que amigos verdaeiros não mediriam esforços para ajuda-lo o reconfortava e fortalecia.
Harry despertou de seus devaneios e olhou para o velho relógio de cabeceira, onde os ponteiros indicavam que faltava exatamente um minuto para a meia-noite; um minuto para que completasse 17 anos, maior-idade no mundo bruxo, idade essa que o libertaria da magia protetora que sua mãe lhe consedera enquanto morria pela vida do filho, que o tornaria livre da proteçao da casa de seus tios Dursley , onde sua tia Petunia era a única no mundo em quem corria o mesmo sangue que o de Harry;o único lugar em que Voldemort não o poderia atingi-lo.
Harry levantou-se de um salto.Um vulto brilhante acabara de passar por sua janela.Assustado , o garoto puxou imediatamente sua varinha do bolso da velha e larga calça Jeans e foi andando lenta e cautelozamente até o local , mas caiu de costas no chão , quando o vulto parou bruscamente, observando-o pelo lado de fora do quarto.
O vulto , na verdade , era uma Lontra.Harry reconheceu imediatamente o patrono de Hermione;o coração batendo acelerado , o garoto abriu a janela para que o protetor entrasse.A Lontra falou com a voz de sua dona :
Harry! Não se assuste, sou eu,Hermione! Ah,e Rony está comigo também ! Desça estamos te esperando na porta da frente da casa de seus tios .
E a Lontra se desfez no ar .
Por um momento , Harry achou a cena um pouco bizarra . Lembrou-se então que no ano anterior a auror Tonks mandou uma mensagem por seu patrono para Hogwarts , avisando que Harry chegara na escola .
O garoto,que ainda se encontravano chão, levantou-se imediatamente, abriu a porta do quarto e correu pela escada até o saguão de entrada, onde o relógio-cuco de tia Petunia mostrava com barulho que era exatamente meia-noite.
Desconfiado pelos tempos difíceis e lembrando-se dos folhetos distribuidos pelo Ministério da Magia, Harry encostou-se à porta e perguntou:
Rony, Mione, são vocês?
É claro que somos nós!- falou a voz de Rony Weasley- Quer uma prova? Sabemos que você tem um Rabo-córneo húngaro tatuado no peito.
Harry abriu a porta às gargalhadas e convidou os amigos para entrar.
E aí cara,quanto tempo!- Rony apertou sua mão enquanto observava curiosamente a casa muito limpa e arrumada dos Dursley- Ah, claro, feliz aniversário!
Feliz aniversário, Harry!- desejou-lhe Hermione, dando-lhe um abraço.
Obrigado!- disse o garoto com alegria.
Antes que Harry fechasse a porta atrás dos amigos, ouviu-se um berro e as luzes do 1° andar foram acesas.
Válter Dursley descia decidido as escadas para o hall, o rosto macilento muito púrpura, de pijamas, seguido de perto por Petunia e Duda Dursley.
O que é que está acontecendo aquí?- vociferou o tio, com as mãos estendidas, indo em direção ao pescoço de Harry, mas abaixando-as quando Rony e Hermione empunharam as varinhas -Quem, algum dia, deu-lhe permição para trazer alguém à minha casa? Ainda por cima, gente da sua -Mas não se preocupe, esta será a ultima vez que o senhor verá gente da minha laia.
Tia Petunia arregalou os olhos de sua ossuda face.
É isso que eu espero , moleque !-berrrou tio Válter -E mande esses br...e mande esses dois ai abaixarem essas coisas -apontou para as varinhas -Alias , fora daqui os dois !
Já estamos de saida -Disse Rony
Só viemos buscar o Harry -Falou Hermione , um pouco constrangida , e se dirigindo ao garoto -Seus pertences já estão prontos ?
Já ,-disse Harry-vou buscar
O garoto correu em direção as escadas, mas foi impedido por Petunia.
Deixe-me passar-disse Harry
Petunia, querida, saia do caminho!-Disse tio Válter-Melhor para nós ele passar o verão longe daqui!
Não é só o verão -disse Harry,ainda tentando passar pela tia -Comemorem, eu não volto mais!-falou em tom de alegria .
Você não sai -disse Petunia ,numa voz estranhamente trêmula, pegando a todos de surpresa .
O que a senhora disse, Mamãe ?-falou um corpulento e incrédulo Duda .Válter estava boquiaberto.
Eu disse que o garoto não sai -respondeu a mulher, com a voz mais forte -Imagine o que os vizinhos vão falar ?Além do mais, aquele velho barbudo me fez promete...disse que ele não deve sair daqui!
O professor Dumbledore -disse Harry zangado,enfantizando as últimas palavras-está morto .E já tenho 17 anos .Nada mais me prende a essa casa .
O Dumby-não-sei-das-quantas?-perguntou tio Válter cuja raiva dera lugar
à perplexidade -morto?
Isto mesmo-disse Harry -foi morto por mando de Lord Voldemort .
Lord Voldemort?-interrogou Tia Petunia , tomado por uma expressão de assombro-Aquele que matou...
É, meus pais, meu padrinho, e que me deu essa cicatriz-falou Harry, num tom de cansaço-Agora, se a senhora me der licença, tenho que pegar minhas coisas, ir a um casamento, e depois mata-lo.
Os Dursley pareciam estar estuporados.
Vamos, então?-falou Rony para Harry
Ele não vai-disse uma decidida tia Petunia ,para um grande desconcerto de todos .
Mas, Petunia-disse tio Válter, cuja pele mudara para um tom azulado-É...é a nossa chance de nos livrar dele...
Chega ,Válter!-gritou Petunia ,com uma expressão que lembrava a Harry vagamente uma brava sra. Weasley-Não adianta mais fingir que não nos importamos com o garoto ! Não vai mudar o que ele é ,ou o que Lilian foi !
Harry assustou-se ao ouvir Petunia mensionar a irmã como pessoa normal , quando se referia a ela como um ser repugnante,só se lembrava de ter presenciado a tia se referir a Lilian como , ser Humano uma vez na vida , há dois anos atras ,quando o garoto foi expulso de casa pelo tio ,este impedido por Petunia após receber um berrador com uma ameaça de Dumbledore .
Duda, Rony e Hermione também observavam a cena, boquiabertos.
Querida , Petunia, não entendo...-começou Válter , mas foi interrompido pela esposa, ainda aos gritos.
Não adianta Válter , os tempos mudaram!Não adianta negar o que o garoto é nesses tempos críticos!Ele pode morrer lá fora, e eu sei que vamos sentir remorso. Não adianta fazer cara de desdém ! Sempre nos importamos com ele , não é ?Mesmo não demonstrando!
Eu...-começou Válter, mas Petunia não permitiu que o marido continuasse:
Não adianta negar !Mesmo sendo grosseiros com ele, quem é que se preocupava em colocar comida nas horas certas debaixo da porta quando o trancava no quarto ?Sim, nós dois !Quem é que se preocupava quando o garoto adoecia,aflitos para que se curasse logo, alegando que não queriamos que Duda fosse contaminado?Sim,nós!Não adianta Válter...Você sabe...,nós construimos
essa imagem de que o mundo dele era errado , tudo porque você viu como eu me sentia triste e deixada de lado, mesmo depois de vários anos, por minha irmã ser diferente e especial, e eu apenas ser uma pessoa qualquer!Nós criamos essa imagem de que eles eram errados e imundos, nós!
Mas,Petu...-tentou Válter, sem sucesso .
Não tem "mas",Válter ! Nós podiamos ter dado uma vida melhor ao garoto, mas se o deixarmos ir e ele m...Ele morrer!Imagine o remorso que vai nos assolar !O garoto já sofreu muito, Válter!Ele não vai!-disse tia Petunia , para o desesperro de todos , caiu ajoelhada no chão do hall, aos prantos .
Querida!-exclamou Válter, precipitando-se, com o rosto branco, para aparar a esposa ossuda ao chão -Tudo bem querida...eu...eu admito o que disse...Tudo bem, naõ vou deixar que o garoto saia.-Virando-se para Harry -Ouviu Potter?-o tio estava autoritário-Você fica e manda esses seus amigos...sairem daqui!
Eu já disse que vou embora -falou Harry firmemente, embora um pouco desconcertado pela atitude da tia , que agora olhava seus olhos e soluçava.
Não vá, Harry, v-você...-recomeçou a tia , aos soluços-você n-não entenderia !Eu f-fiz o voto...o v-voto p-p-perpetuo!
Harry, Rony e Hermione olharam incrédulos para Petunia. Ao perceber a reação dos bruxos, Duda olhou-a, desentendido, e Válter, assustado.
A senhora... fez o quê?- indagou Harry, incrédulo - Com quem?
O v-voto p-perpétuo! Aquela mulher que vira g-gato serviu de testemunha,ou o que quer que s-seja!- soluçou a tia- D-Dumbledore... me fez p-prometer que eu cuidaria de v-você! É c-claro que n-não precisava disso; eu c-cuidaria de você de q-qualquer forma! Mas ele achou m-mais seguro... E se eu d-deixar você ir,H-Harry... vou quebrar esse voto! Então eu m-mor...
Você o quê?!- bradou Válter- Eu não fazia idéia! Petunia...
Não, a senhora não morre- disse um atordoado Harry- Dumbledore me explicou tudo antes de morrer. A proteção que a sua casa me dava duraria até eu atingir minha maior idade, até enquanto eu considerar essa casa como minha também. Agora sou de maior, não considero essa casa como minha. O feitiço foi desfeito, então, seu voto perpétuo também.
Está vendo, querida?- falou tio Válter numa voz estranhamentemeiga, mas harry notou um pouco de contradição nesse tom- Ele pode ir agora... você vai ficar bem...
Não, Válter... N-não é só isso... Harry, p-por favor, n-não vá! Lílian não gostaria! S-seu p...p-pai não gostaria!
Harry, ainda incrédulo com a reação da tia, mas cansado da situação, explicou aos parentes sobre a profecia que fora feita pela profª Sibila Trelawney, sobre as Horcruxes, e que era desejo e dever dele tentar, até a última chance, acabar com Lord Voldemort.
Os tios e o primo escutaram a explicação, incrédulos, e abriram passagem na escada, onde Rony subiu ao quarto de Harry e pegou seus pertenses.
Ãh... então, é isso.- concluiu o garoto.
Uau,cara...disse um espantado Duda- Eu nunca pensei que você fosse capaz... capaz de ser como os personagens dos meus jogos de Play Station...
Ah... obrigado-disse Harry - E, tio Válter, tia Petunia, obrigado por... tudo. Mas eu tenho que ir...
Então, súbita e inesperadamente, sobressaltando a todos os presentes no hall, até mesmo Edwigesem sua gaiola, tia Petunia levantou-se, abraçou Harry maternalmente e beijou-lhe as bochechas.
Sob o olhar de todos, tio Válter apertou-lhe a mão e desejou boa sorte.
Harry, Rony e Hermione foram então para o enevoado jardim dos Dursley, que observavam-os da porta.
Hermione deu um toque de varinha no malão de Harry e na gaiola de Edwiges, que desapareceram. Rony segurou o braço direito da garota, e Harry, sentindo-se constrangido, desviou o olhar dos dois.
Não seja bobo!- disse Hermione- Seus pertences já estão na Toca e, como você e Rony ainda não têm licença para aparatar, vão comigo como acompanhantes. Anda, segure meu braço!
Harry segurou firme no braço da amiga e olhou para onde os Dursley se encontravam. A famíia acenava para ele. Harry retribuiu.
Logo depois, Harry sentiu a estranha e conhecida sensação de que passava por uma estreita mangueira.