ok, a fanfic é Scorpius/Rose e um Albus/Rose inofensivo, pra avisar.
1.
Ouvi alguns passos lentos naquela direção, fortes, e quase ao mesmo tempo, tímidos. Olhei pra trás, achando ter sido pega no flagra. Ah, minha mente sussurrou, é só o Albus. De qualquer forma, voltei minha atenção a chuva, em silêncio
- Que foi? – Indaguei, diante da sua sobrancelha erguida. – Eu gosto de olhar a chuva... – Fui articular, enquanto uma de suas mãos pousava no meu ombro.
- Eu não perguntei nada, Weasley. – Ótimo!
- Que seja. - Revirei meus olhos, sentindo o calor da sua mão penetrar minha pele descoberta.
- Sem sono? – O que acha? - ...Por causa do Malfoy? – Completou.
O silêncio invadiu nossas palavras, como se estivesse prendendo-as sob tortura.
- Deixa eu adivinhar... – Fez uma pausa teatral. – Ele assumiu que é gay...? Foi isso? – IDIOTA!
- Vai à merda, Potter.
2.
Estreitei meus olhos quando Scorpius entrou na biblioteca. Talvez aquele não fosse meu dia. Não que eu não soubesse disso.
Aproximei-me de Albus instintivamente, envergonhada por minha patética reação!
Não havia como negar: eu gostava de um Malfoy. E todos sabiam. Ou ao menos, Albus sabia. Isso já deveria ser suficientemente humilhante.
Albus notou minhas mãos apoiadas em seu braço, ergueu os olhos até encarar a figura de Malfoy, me olhou por alguns segundos e voltou a ler.
MAIS. QUE. MERDA!
Que Albus Potter, embora fosse meu melhor amigo, era o ser mais frio da face da terra, eu podia entender, mas um Potter que não ligava para a presença de um Malfoy, isso sim era estranho. Muito estranho.
Respirei fundo, tentando não parecer tão imbecil quanto realmente era.
No entanto, SCORPIUS MALFOY, o cara por quem me descobri apaixonada metade da minha vida, estava ali. Odiando-me, talvez. Mas estava ali. E não desviava os olhos.
Quase abri um sorriso, e antes que eu o fizesse, Albus já se levantara da poltrona do meu lado e fora sabe-se-lá-pra-aonde!
3.
Tudo bem na maioria das vezes, eu sequer precisava de justificativas para contar as coisas para Albus Potter, no entanto, no seguinte momento, havia um jeito estranho com o qual seus olhos diziam coisas.
E era nesse momento, que eu precisava de razões pra falar de algo mais do que as centenas de aulas entediantes, as noites frias e minha possível queda por Scorpius.
Huggo nos encarava de uma maneira anormal. Como se a nossa pós-amizade fosse uma doença.
Lembro de ter lhe explicado que Não, não havia nada demais no fato de que eu e Albus não andássemos mais grudados pelos quatro cantos do colégio. Ainda éramos amigos. Primos. E muitas coisas. Só que enquanto mudávamos, nossa amizade nos mudava junto.
Certo?
Huggo não entendia nada sobre nós.
4.
Scorpius, aparentemente, passava por uma revolução em sua vida, se formos levar em conta as 24hs que passava enfurnado naquela biblioteca. A minha biblioteca.
Éramos sempre os últimos a sair.
Eu aguardava por esse momento todos dias: quando juntávamos nossos materiais, ele me olhava por alguns segundos, abria um sorriso avassalador e falava Boa noite, Weasley.
Boa noite, Malfoy.
Estava vivendo algo tão ridículo quanto um amor pré-adolescente.
Aquilo se tratava de reflexos de nossos preconceitos, nossas velhas inimizades e o quão doentio seria amar Scorpius.
Ele entendia. Porque se não entendesse, não estaria ali, alimentando-se de gestos.
Então, todas aquelas noites, eu chegava ao dormitório flutuando...
E dessa vez me surpreendera ao notar Albus, deitado no sofá, folheando algum pergaminho.
- Ei. – Falara, num tom de voz despreocupado. – Já pensou em não ser tão nerd e, pra variar, dormir cedo ao invés de acampar naquela biblioteca?
Ele estava mantendo um daqueles sorrisos de eu-sou-fodão. Certamente, ele gostava de ver meus sorrisos desajeitados de não-acredito-que-fez-essa-cara!
Pode parecer estúpido, mas eu gostava das expressões faciais de Albus Potter. Eram dele. De ninguém mais. E eram prova de que ele estava sentindo, a torto e a direito. Eram as vezes que eu sentia que ele era humano.
- O que faz acordado até essa hora? – Mudei de assunto, sentindo uma espécie de empolgação. – Vigiando meus pseudo-encontros? – Brinquei, sarcástica.
- Claro, essa é a prioridade-mor nas minhas noites de domingo, tsc. – Respondeu a altura.
Sentei-me ao seu lado no tapete, levando a conversa invisível adiante.
Ele me deixava ciente de sua presença a cada minuto, quando eu sentia meus cachos leves balançarem graças a sua respiração contra minha nuca. O que significava que estava me olhando.
Eu ignorava a cada segundo o frio que passava em minha barriga, nessa montanha russa estática. Apenas o fuzilava com os olhos. O idiota estava testando meus limites.
- Albus... – Murmurei, em sinal de repreensão.
- Fiz alguma coisa? – E mostrava sua cara mais inocente.
- Isso. – Respondi, seca. Ao sentir uma descarga elétrica graças a sua mão, que estava descendo levemente por um de meus braços e fazia-me esquecer de raciocinar.
5.
- Que tal um jogo de palavras?
Éramos jogadores. Falar a verdade nos tornava mentiras. E por isso blefávamos. Era o nosso jogo.
- Eu começo, Potter.
Meio segundo depois e meu cérebro vasculhou a procura de uma palavra suficientemente boa, ou talvez metafórica. Mas eu não era boa com metáforas.
- Dia. – Pronunciei, indiferente, observando sua reação.
- Noite. – Respondeu, em sequência.
- Chuva.
- Frio.
- Jogo.
- Perdedora. – Articulou de forma automática, abrindo um sorriso dominante.
- Idiota.
- Malfoy. – Falara.
- Amor.
- Nojento. – Retrucou, numa careta.
- Ciúmes. – Falei, adorando sua cara fechada.
Eu sabia que havia vencido.
6.
- Ele ainda tá olhando pra cá? – Perguntei, num sussurro, fingindo ler.
Pude imaginar Albus revirando os olhos.
Esperei uma resposta que nunca chegou.
- ALBUS! Ele tá ou não olhando?
Albus Potter era bom demais em ignorar as pessoas.
- Argh. – Gemi, irritada com a passividade do meu melhor amigo.
– Sim, Scorpius Malfoy está comendo você com os olhos.
Abri um sorriso sem perceber.
E finalmente pude o encarar.
Scorpius ergueu uma das sobrancelhas antes de sussurrar um "Precisamos conversar, Weasley". Juro que pude ouvir o som da sua voz murmurando Weasley, nossa, era tão sexy. Ok, Scorpius Malfoy como um todo era sexy.
Engoli em seco, tensa, e ao mesmo tempo arrepiada.
- Ele disse que quer falar comigo... O que eu faço? O QUE EU FAÇO? – Falei, sentindo-me perdida e quase bêbada de tanta felicidade.
- Ele o quê? – O moreno murmurou, confuso.
- Ele quer falar comigo.
- Como pode saber, Rose?
- Ele. Disse. – Pontuei, como se a qualquer momento ele fosse me dar um abraço e os Parabéns, saltitando.
Aham.
- Certo. – Falou, e parecia que dizia isto para si mesmo. – Quer saber? Preciso ir.
- O quê, Albus? Aonde? Você disse que ia ficar e estud...
- Eu menti ok. Nos vemos depois. – Acrescentou, juntando suas coisas e deixando-me.
Argh.
A biblioteca estava deserta. E foi por esta razão que Scorpius juntou seus livros e dirigiu-se até aonde eu estava.
- Então Weasley, eu aceito.
- Perdão? – Murmurei, confusa.
- Sair com você. Eu aceito.
– Eu não...
- Mas você gostaria, certo? – Argumentou, com um pequeno sorriso sarcástico.
- Vai a merda, Malfoy. – Murmurei, demonstrando o tipo de orgulho que achava não possuir, não se tratando do loiro.
Ele segurou-me pelo pulso.
- Eu não sou bom nessas coisas.
- Quê?
- As garotas vêm até mim, Weasley, nunca o contrário. – Tentou explicar. – Não sou exatamente a pessoa menos arrogante do mundo.
- Acredite se quiser, mas eu já percebi. – Argumentei, ainda magoada.
- Escuta, vai haver essa festa... Na sala Precisa, amanhã. – Esperou alguma reação minha, mas tudo o que fiz foi continuar o observando. – Então, te pego às 8h?
Respirei fundo, antes de murmurar um Ok.
- Pode levar seus amigos, se quiser.
- Hã... – Comecei, sem saber como reagir.
- Quer andar?
- Agora? – perguntei, tensa.
- É. – Confirmou, segurando uma de minhas mãos.
Andávamos rápido e em silêncio. Era estranho e assustador. Mas assustador de um jeito bom, meu coração estava batendo como se nunca fosse capaz de parar. Sentia-me em uma montanha russa, no topo, com o carro equilibrando-se lentamente antes de cair.
Chegamos até o campo de quadribol e eu soube exatamente o que ele pretendia quando deu accio em duas vassouras.
- Gosta de voar, Certo? – Perguntou, subindo em sua vassoura e entregando-me a minha.
Apenas fiz que sim com a cabeça, posicionando-me na vassoura.
Nós dois começamos a voar de forma que parecíamos flutuando.
Quando estávamos a uns 10 metros, paramos de subir e começamos a voar pra mais longe do campo de quadribol.
- Eu sei que não temos muito assunto tirando as velhas brigas, por isso eu proponho um jogo... - Pausara, com um sorriso perverso. – De perguntas. Quem não se sentir mais a vontade pra responder cumprirá um desafio.
- Parece justo, Malfoy. – Afirmei, apreciando a vista de cima.
Podia ver Hogwarts inteira de longe. Era uma visão espetacular, de tirar o fôlego.
- Ok, então... Há quanto tempo é apaixonada por mim?
- Perdão?
- Há quanto tempo é apaix...
- Não diria que sou apaixonada. – Expliquei, ciente que estava mentindo.
De qualquer jeito, eu não podia perder.
Scorpius ergueu uma de suas sobrancelhas, analisando meu rosto.
Olhei-o nos olhos sem desviar, enquanto voávamos acima do Lago dos Sereianos.
- Com quantas garotas já esteve até hoje?
Vi-o arregalar os olhos, indicando-me a pergunta praticamente impossível que eu havia feito. Scorpius Malfoy nos últimos 7 anos fora o cara mais safado da história de Hogwarts, com exceção de Sirius.
- Nenhuma. – Respondeu, inocente.
- Mentiroso.
- Você também: Estamos quites, tsc tsc tsc. – Argumentou, sarcástico.
- O que há entre você e o Potter? – Perguntou, assumindo uma expressão séria de repente.
- Somos amigos. E primos. – Acrescentei, sem entender aonde ele queria chegar.
Eu e Albus? Argh.
Scorpius, no entanto, possuía uma expressão de desconfiança.
- Qual foi a última garota com quem saiu?
- Não lembro o nome... Mas era da corvinal.
- Isso é sério? – Disse, sem acreditar.
- Hã, é.
- Só pra ter certeza... Sabe o meu nome realmente ou só me chama de Weasley pela força do hábito?
- Rose Jane Granger Weasley. – Respondeu, arrogante. – Você é virgem? – Perguntou, com um olhar perverso.
Houve um frio em minha barriga que fez meus pêlos do braço sentirem um arrepio leve.
- Foi brincadeira, Rose. – Esclareceu. – Não preciso saber a resposta.
Respirei fundo, fechando minha cara.
- Quem foi a sua primeira garota? – Foi minha pergunta.
O vento batia mais forte, levando os cabelos loiros platinados a uma bagunça irresistível.
- Anne Parkison.
ARGH.
- Por que aceitou voar comigo?
- Por que eu não aceitaria? – Mandei-lhe de volta.
- Sou um Malfoy e você é uma Weasley. Isso não te diz nada? – Ironizou, aproximando sua vassoura da minha.
E pela primeira vez, eu realmente senti medo de altura. Não pelas razões naturais e sim pelo fato de que as nuvens estavam cada vez mais negras e – principalmente – porque eu podia sentir o som da respiração de Scorpius Malfoy estava contra meu ouvido, com nossas vassouras emparelhadas.
Meu coração batia tão violento que tive medo de cair da firebolt.
- O que isso te diz, hein Weasley? – Sussurrou, fazendo-me quase fechar os olhos.
Virou a posição de sua vassoura, a fim de tentar diminuir a distância.
Os olhos eram azuis acinzentados. Estavam tão escuros quanto a cor do céu negro de chuva.
Quando chegou mais perto, beijou-me no rosto, e eu senti o toque em câmera lenta.
Como isso era possível?
Seus lábios eram quentes contra minha pele e suaves, nossa, agressivamente suaves.
Quando abri meus olhos de novo, tive a visão dos seus olhos e do seu rosto a centímetros. Meu deus, centímetros. Havia alguma coisa sobre gravidade e sobre como ela conseguia nos segurar há 20 metros de distância quando o vento forte balançava os Pinheiros e ele mordiscava meu lábio inferior entre seus dentes.
Logo depois, quando nossas bocas se aprofundaram, senti sua língua mover-se em uma luta contra a minha.
Era como se não existisse mundo lá fora. Eu não conseguia pensar em nada, aliás, nada além de como poderíamos continuar nos beijando...
E como meu coração deveria ser um tremendo idiota por estar batendo feito uma bomba-relógio.
Senti algo incrível, uma paz e uma necessidade de nunca deixá-lo quando comecei a sentir algumas gotas pingarem contra minha pele.
Já disse o quanto eu amo Chuva?
7.
