The Invisible Man

U.A. Inu-Kag. Apartamento novo, emprego novo, vida nova, certo? Bem, não tão certo quando se dá de cara com uma assombração dentro de casa...

Capítulo 1 - Lar doce lar?

"Kago-chan, você tem certeza que vai fazer isso?" Kagome se recostou no banco do carro, trocando o celular de lado e bufando ao ouvir a mesma pergunta pelo o que lhe parecia a centésima vez.

"Tenho, Sango. Estou muito grande para continuar dividindo um apartamento."

"Oi, baka, não se esqueça que eu dividia meu apartamento com você!"

"Então, com eu me mudando nós duas lucramos" concluiu, tamborilando os dedos no volante com impaciência.

"Mas Kagome...!"

"Ei, dona!" Kagome olhou para trás, encarando o motorista do caminhão de mudanças que tinha contratado. "Pode descarregar?"

"Pode" Ela abaixou o vidro para ver melhor o que estava acontecendo no meio fio, arregalando os olhos ao ver suas caixas com as preciosas pratarias da família serem jogadas no chão sem cerimônias. "Sango-chan, eu preciso ir antes que eles massacrem meus móveis"

"Vá em frente, sua ingrata" resmungou a amiga, amuada, conseguindo com isso arrancar um sorriso da outra.

"Ligo mais tarde, pra gente marcar sua visita aqui."

"Nunca!" gritou Sango, apesar de estar rindo. Kagome desligou, saltando do seu conversível vermelho nem um pouco discreto e caminhando na direção dos operários, estes no momento muito ocupados em despedaçar seu piano com as sucessivas quedas.

"Ei, tomem cuidado! Isso é caro!" Kagome estreitou os olhos quando se viu totalmente ignorada. Bufou novamente e mudou seu curso, entrando no prédio. Fez ainda uma última careta de desgosto ao ouvir o som de porcelana se quebrando antes que entrasse no elevador. 'Oh, céus a Sra. Higurashi vai querer me esfolar viva...'

Kagome entrou no apartamento, entrelaçando os dedos atrás da nuca enquanto olhava com orgulho para a sua sala de estar totalmente desorganizada e para as pilhas de caixotes que se amontoavam desordenadamente na varanda. 'Meus, meus, meus!' Cantarolou ela alegremente enquanto batia palmas.

"Higurashi-san?" Kagome paralisou em meio aos pulinhos que dava e se voltou para a porta de entrada, corando ao ver a síndica parada ao lado do batente. Pigarreou e cruzou os braços, tentando aparentar um mínimo de seriedade.

"Pois não?" Kaede entrou na casa e estendeu um envelope grosso na sua direção. Kagome pegou o embrulho, intrigada, e olhou interrogativamente para a velha senhora.

"São algumas informações sobre o apartamento. Talvez você ache algo útil" Kagome levantou as sobrancelhas enquanto mirava o pacote. 'Informações sobre o apartamento!'

"Muito obrigada, Kaede-san, não precisava se incomodar." A senhora olhou-a por um momento e em seguida para a sala vazia atrás da jovem, antes de se retirar sem mais uma palavra. A jovem encolheu os ombros e jogou o embrulho dentro de uma caixa qualquer antes de se sentar no meio dos caixotes e começar a desempacotar.

OoO

A jovem se espreguiçou, sorrindo ao ver que tudo dentro da sua casa nova estava no seu devido lugar. Afastou uma mecha que caía sobre os olhos, olhando a volta para encontrar seu lar aconchegante e arrumado.

Kagome começou a se dirigir para o quarto principal, pensando no delicioso banho que estava prestes a tomar e se perguntando se a vida poderia ser mais perfeita. Vinte e seis anos, uma carreira brilhante pela frente e um saldo enorme na conta, isso conseqüência da sua família rica.

A garota piscou ao entrar no cômodo, franzindo o cenho. Tinha certeza de que as luzes estavam apagadas quando saíra de lá. Deu de ombros e foi para o banheiro da suíte, ignorando o fato. Meia hora depois, vestida dentro do seu pijama de flanela e começando a pensar seriamente em ir dormir, Kagome se viu forçada a estacar de novo em frente à porta.

O quarto estava totalmente escuro.

"Mas o que diabos...?" começou a dizer exasperada. Interrompeu-se, sentindo todos os seus pelos se arrepiarem ao ouvir o pequeno "click" do interruptor e as luzes voltarem de repente. Ela engoliu em seco.

"Ok, eu não estou maluca..."

"Foi o que a maioria disse" comentou a voz.

Kagome deu um salto, chocando-se contra a parede e desejando, por um momento de irracionalidade que a construção se abrisse para escondê-la.

"Mas com o tempo você se acostuma..." continuou a voz "Ou de fato enlouquece..." Kagome olhou para o quarto vazio, piscando repetidas vezes para se certificar de que o cômodo estava desocupado.

"Que espécie de brincadeira é essa!" perguntou ela, sentindo-se aliviada ao ver a raiva tomando controle da situação. "Quem é você e o que diabos está fazendo aqui!"

"Ora, devo admitir que você é, de longe, a que reagiu melhor."

"Quem é você?" repetiu, irritada. Engasgou, horrorizada, quando a cama começou a afundar, dando a entender que alguém se sentava nela. "Eu vou chamar a polícia!"

A jovem se apertou mais contra a parede ao ouvir a risada perturbadora se elevar, antes da resposta sarcástica vir:

"E dizer o que? Que seu quadro vem conversando com você?" Kagome sentiu o deslocamento de ar ao seu lado, e observou o colchão voltar aos poucos para o lugar.

"Que truque é esse?"

"Não é um truque, veja bem, sou eu mesmo." Ela passou lentamente os olhos pelo quarto. Nada.

"Não adianta me procurar, você simplesmente não vai me achar." Kagome respirou fundo, tentando se diagnosticar. 'Paranóia, esquizofrenia... Versão fantasiada da realidade...' Balançou a cabeça. Não, não, não estava louca.

"Então... O que você quer?"

"Eu apenas vim me apresentar e lhe dar as boas vindas."

"Boas vindas?" repetiu ela, confusa "Você é... hm... uma espécie de vizinho?"

"Vizinho?" ele riu de novo "Eu moro aqui. Meu nome é Inuyasha,seja bem vinda a minha casa." Kagome se deixou escorregar até o chão e afundou a cabeça nos joelhos

"Oh, céus..."

"Na verdade, eu gostei da sua decoração" continuou Inuyasha de algum lugar do quarto. Kagome levantou a cabeça, apática. Isso até olhar para o final do cômodo e ver seu abajur ser levantado pelo ar. Gritando a plenos pulmões, ela correu de volta para o banheiro trancando a porta.

"Ah, meu Deus, ah, meu Deus, ah, meu Deus!" murmurou Kagome enquanto andava de um lado para o outro dentro do lavatório. Forçou-se a parar de puxar os cabelos e respirou fundo, encarando o espelho. Precisava de um plano.

OoO

Inuyasha rolou na cama, rindo satisfeito dos berros desesperados da garota. Ah, como era bom quando alguém novo se mudava para lá... Enxugando as lágrimas que caíam enquanto ele se sacudia pelo riso, ele se sentou na cama e mirou a porta.

Não esperava que ela fosse sair de lá tão cedo. Muito menos que viesse em meio a um grito de guerra, jogando talco para todos os lados. O hanyou mal teve tempo para piscar antes do pó cair sobre ele, arruinando o seu disfarce.

"Sua maldita maluca...!" começou ele, ultrajado, antes de ser interrompido por uma Kagome (que continuava gritando) se arremessar sobre ele e bater com uma escova de cabelo na sua cabeça.

"Eu sabia que tinha um truque! Eu sabia, eu sabia!" ela gritou, sentada em cima do hanyou que se defendia precariamente contra o ataque da escova.

"Pare com isso, sua estúpida!" berrou ele ao ser acertado no nariz e sentir os olhos voltarem a se encher de lágrimas – dessa vez de dor. "Mas o que diabos você está fazendo?"

"Defendendo meu patrimônio, seu delinqüente maníaco!" Ela gritou ao ser derrubada da cama quando ele se levantou de repente.

"Quem é o maníaco aqui sua homicida demente!" uivou ele. Kagome bloqueou o choque de ver o ar sangrando onde devia ser o nariz de alguém e chutou o seu companheiro de apartamento – o que quer que ele fosse - onde imaginou que deveria estar as pernas.

Inuyasha caiu com um baque surdo no chão, amaldiçoando a garota aos berros enquanto tentava estancar o sangramento – causado pela escova dela. Kagome levantou a escova de cabelo, fazendo menção de usá-la de novo

"Ora, você não se atreva a fazer isso, humana louca!" cortou ele agarrando os punhos dela para que Kagome não o acertasse.

"Me solta!" gritou Kagome, chutando o seu inimigo invisível para tentar se livrar

"Pare com isso!"

"Não paro! Me solta!"

"Eu solto se você prometer que não vai me bater." Kagome piscou, imobilizando-se enquanto ponderava, ofegante e descabelada, sem saber que seu adversário estava no mesmo estado. Inuyasha soltou os braços da garota cautelosamente, criando alguma distância entre os dois. Olhou irritado para o seu tórax totalmente coberto pelo talco, hesitando em se espanar. E se ela começasse tudo de novo?

"Quem é você?"

"Inuyasha, já disse" respondeu ele secamente, cruzando os braços.

"E você é mesmo invisível?" perguntou ela, inclinando a cabeça.

"Feh! Você está me vendo?"

"Não..."

"Então é claro que sou" respondeu ele com maus modos, arrependendo-se ao ver Kagome franzir a testa com irritação. Ela e aquela escova eram realmente perigosas.

Kagome bufou, desviando os olhos do outro. Ou pelo menos da parte pintada do outro. Ainda duvidava da sua sanidade. Vida perfeita? Dificilmente... Estava mais para uma bela e complicada esquisitice...

OoO

Olá! Cá estou eu postando esta fic, apesar de contrariar todas as minhas expectativas com isso. Achei que escreveria outras coisas primeiro... (sorri sem graça) Bom, é uma tentativa de comédia, ou pelo menos... era pra ser, acho O.o Duvido muito da minha capacidade de fazer os outros rirem através da escrita XD Então, me digam o que acham... Beijos,

Nimue