1º capitulo – as cartas.

Harry Potter já não era mais o garoto franzino, aos 16 anos era mais alto que seu Tio Dursley e seu primo Dudley, mas ao contrário dos dois, era magro porém definido moldurado por ombros largos, os cabelos negros pareciam mais rebeldes, e desde que voltara para as férias tinha adquirido um sutil costume de tentar ajeitá-los com as mãos a todo o tempo. Mas tinha muitas coisas que não mudavam, os Dursley o tratavam com a frieza habitual. Longe de isso incomodar a Harry, mas ainda parecia que seus tios ainda espalhavam a história de que o sobrinho estudava no Instituto Saint Brutus para Meninos Irrecuperáveis, e somando com a popularidade de boxeador e espancador de criancinhas que Dudley tinha, todos do bairro pareciam atravessar a rua apenas para não ter que passar a frente da casa.

Mas Harry pouco se importava com tudo isso, da janela do seu quarto ele observava uma leve neblina que cobria a Rua dos Alfeneiros. Não conseguiu impedir um certo deja vu, a menos de um ano atrás ele estava nessa mesma janela, esperando por Dumbledore que viria pessoalmente escolta-lo até a sede da Ordem. Mas agora Dumblerdore estava morto, e tudo era diferente. Sabia, pela carta recebida de Hogwarts que a Profª McGonagal era a nova diretora, mas esse ano ele não voltaria para terminar seus estudos.

Olhou para a cama onde pelo menos 10 cartas se amontoavam, a maioria de Rony e Hermione, preocupado por ele não mandar nenhuma resposta. Mas foi assim o verão inteiro, ele não queria falar com ninguém, nem mesmo com aquela a quem ele amava. Mais uma vez olhou para a carta em suas mãos,aquela da qual ele não se separava, a caligrafia feminina só exaltavam a graça de sua dona. Gina Weasley, um nome que não lhe saia da cabeça, não desde que começara a perceber que realmente gostava dela, mas que mesmo assim, tinha que se afastar dela e dos outros para não feri-los. Estava perdido em pensamentos com a doce ruiva quando escutou um grito.

-Garoto, vem aqui. – era a sua tia gritando da cozinha, a cara de cavalo aparecendo na porta de vai-e-vem. Mas Harry descia as escadas sem pressa - Anda logo, não tenho tempo a perder.

Harry entrou na cozinha impecávelmente branca, Petúnia logo o puxou pela camisa e praticamente o jogou de frente para o fogão.

- Termine o almoço, eu preciso ir ao salão de beleza, e ai de você se deixar queimar um grão de arroz.

Harry já não se preocupava em responder, apenas olhou para as panelas, pegou um garfo e começou a fritar um bife, enquanto ouvia sua tia sair. "Não há trouxa ou bruxo que consiga o milagre de melhorar sua cara", resmungou.

-Tá reclamando do que sua aberração. - seu primo Dudley conseguiu a incrível façanha, mas esperada, de ficar mais gordo do que era, o pescoço definitivamente sumira embaixo da papada sextupla, ele conseguia ocupar quase todo o ambiente da cozinha.

-Não enche, Dudley. Vai bater em pirralhinhos porque parece que é só isso que você sabe fazer.

- Papai só aceitou você porque aquele bruxo velho e idiota veio aqui pedir pra te aceitar até você fazer aniversário... – Harry já imaginava que Dumbledore devia ter lembrado sua tia de que esse era o último verão que ele passaria com os Dursley, ele já parecia saber o que ia acontecer - Essas aberrações como você não percebem o quanto são ridículos. – Duda continuou mas Harry preferiu ignorar o comentário e continuar a tarefa. - As roupas do biruta... Todas as aberrações se vestem daquele jeito?

-Pelo menos não é nossa mãe que compra nossas roupas, não é , Dudinha?

-Seu... - Dudley avança mas Harry é mais rápido e saca a varinha e aponta para o primo. - Papai disse que você não pode usar magia fora daquela sua escola, você vai ser expulso. - disse tremendo como uma geléia.

- Dane-se! Não vou voltar mesmo pra lá - ficou encarando a figura gorda e amedrontada do primo, com um suspiro abaixou a varinha e voltou a guarda-la no bolso de trás da calça. - Cai fora, eu não to com paciência para agüentar uma ameba que nem você. - Dudley praticamente arrastou a cozinha inteira enquanto saía. Harry terminou o almoço em silêncio, tirou um prato, colocou numa bandeja com um copo de suco e subiu pro seu quarto, almoçaria no inferno pra não ter que agüentar a cara de sua família.

Mal havia entrado um pio excitado chamou sua atenção, Edwiges estava em seu poleiro olhando irritada para a corujinha que voava de um lado pro outro do quarto.

- Olá Pichí. – saudou a corujinha de Rony, ela pousou eufórica na escrivaninha, parecia tão feliz por ter cumprido a missão de entregar a carta que mal deixou Harry desamarrar os dois rolinhos que estavam em sua pata, e quando o fez, ela deu um pio alto e saiu voando pela janela. Com um suspiro desanimado abriu a primeira carta, com a letra de Rony.

Cadê você, Harry?

Eu espero que os trouxas não estejam impedindo você de mandar corujas ou te mantendo trancado de novo. Aqui o pessoal tá meio pra baixo, todo mundo na ordem parece meio perdido, mas a mamãe pediu pra que alguém fosse pegar você, mas o Lupin disse que era melhor esperar pelo seu aniversário, ele disse também que essa tinha sido a única ordem que ele tinha dado em relação a você. Depois dessa não consegui deixar de pensar que talvez ele já soubesse o que os desgraçados do Malfoy e do Snape iam fazer.

A Mione viajou pro norte com os pais, outra coisa da Ordem, já que, como a família dela é trouxa, os Comensais podem tentar ataca-los, e parece que só ela vai voltar, e vai ficar aqui em casa até o embarque pra Hogwarts.

E por falar nisso, espero que você tenha tirado da cabeça a idéia de não voltar pra lá, Papai disse que o ministério vai destacar aurores pra proteger a escola e o vilarejo, e mais um monte de feitiços, e que por isso, Hogwarts será um dos lugares mais seguros da Europa ainda. Eu to louco pra voltar, já que esse é nosso último ano e eu consegui ser Monitor-chefe. A mione já tá me enchendo o saco com os NIEMs, toda a carta é isso.

Responde dessa vez porque já tá todo mundo preocupado com você, e se não fosse pela senhora Figgs dizendo que você está bem, a Ordem inteira já teria baixado por aí, por isso escreve pra gente.

Rony.

Harry não conseguiu reprimir um sorriso desconsolado com a carta do amigo, aquela seria mais uma entre as tantas cartas que ele não iria responder. Pegou a segunda carta, as caligrafia era quase desenhadas, a mesma caligrafia do Mapa do Maroto.

Caro Harry.

Espero que esteja tudo bem na casa dos seus tios. Tenho notado que você não tem mandado nenhuma coruja e entendo que depois de tudo o que aconteceu você queria ficar um pouco sozinho. Mas a situação não está nada boa desde que Dumbledore morreu. Algumas pessoas de influencia estão desaparecidos, alguns são membros da ordem, mas, eu acredito que disso você também já deve ter conhecimento através do Rony. Todos ficamos muito preocupados quando Rony e Gina nos disseram que você não pretendia voltar a Hogwarts nesse semestre, mas como alguém que foi amigo dos seus pais e agora é seu amigo, eu te peço que volte para Hogwarts, o ministério cobriu a escola de proteção. Eu sei que você quer investigar sobre os Horcruxes, e sim, o Dumbledore me falou sobre eles. Mas quase não temos pistas, e por mais inteligente que você seja, é muito perigoso ir atrás deles sozinho.

Daqui a 3 dias será seu aniversário e você será maior de idade, a decisão será sua, mas mais uma vez eu peço pra que não ignore o sacrifício de seus pais, e reflita, agora você poderá ser um membro ativo da Ordem e todos vamos te ajudar na busca.

Irei esperar sua resposta até o segundo dia depois do seu aniversário, depois disso, eu e Moody iremos até sua casa para conversamos pessoalmente.

Atenciosamente.

R. J. Lupin

Ficou olhando por um tempo pra paisagem pela janela, depois sentou-se e escreveu uma resposta para Lupin – Eu aceito voltar. – amarrou à pata de Edwiges que parecia feliz por ter uma missão depois de um longo mês inativa. Olhou ela sumir no horizonte antes de voltar-se para seu almoço, mal havia levado o garfo à boca quando uma lufada de vento entrou pela janela, junto com ela, um pedaço de pergaminho com uma caligrafia desconhecida.

"Àquele que não se deixou cair em tentação, eu entrego essa missão.

O pedaço que falta, a alma perdida no limbo, esquecida

no coração puro da herdeira dos guardiões está adormecida.

O cálice da alegria também guarda a escuridão,

Em meio aos velhos troncos de Yggdrasil,

Guardado por aqueles que não dormem quando a lua chega."

Harry ficou olhando para o pedaço de pergaminho, não havia remetente a quem perguntar seu significado, mas estava claro que a pessoa sabia sobre os Horcruxes e parecia querer ajuda-lo.