21 de Maio 7:00 p.m.

Segundos. Frações. Suficientes para qualquer coisa. Salvar, amar, odiar, sentimentos passageiros, sentimentos permanentes. Cinco... dez. Dez segundos para matar, sangrar. Segundos capazes de mudar uma vida, várias vidas, multidões. Destruir o que foi construído em anos. Segundos que não mudam, que mudam. Incessantes, inquietos, silenciosos.

Eu não durmo. O tempo não deixa. Os segundos como música que toca incessante, sem pausa Uma bomba em contagem regressiva, matando-me. Eu não durmo. A morte não deixa. Latente aos ouvidos, sussurrando, quebrando, dilacerando. A dor. A dor íntima, visceral, rasgando minha alma, meu corpo. Eu não durmo. O sangue não deixa. Jorra, vermelho em sua totalidade, sujando meu corpo, pastoso. Sinto o gosto metálico, infiltrando, fluindo. Vermelho sujo. Vermelho limpo. Quente, saindo do corpo e penetrando frio na minha pele, liquido seboso. Engulo, afogo. Estou vermelho. Meus pés, mãos, mente, olhos. Sujos. Eu não durmo, não vivo, sem choro, sem lágrimas. Sem sentimento. Dor. Sangue. Frio que queima. Corpo inerte, vida sem vida.

- Will... Will... Você está aqui? – alguém bem longe perguntava insistentemente pela terceira vez.

Mas abruptamente o sangue não era mais vermelho. Era negro. Coagulado, solidificado, negro, areia movediça sugando-o para baixo. Eu estava caindo.

- Will... por favor... está me ouvindo?

De olhos abertos, ele abre os olhos.

- Sim, doutor Lecter. – respondeu Will Graham que em todo aquele tempo mantinha seu olhar num cinzeiro à sua esquerda na mesa que também carregava uma taça de vinho intocada.

- Onde você está Will? – insistiu o médico

- Estou aqui. – respondeu o homem apático ainda com total interesse no pequeno objeto à mesa.

- O que está olhando Will? – Hannibal desviou seu olhar para o cinzeiro, foco de toda atenção de seu paciente Will Graham.

- Cinzas. – respondeu.

- Mas não há cinzas Will. O cinzeiro nunca foi usado. Eu não fumo e não permito que o façam. Fumar é sujo e grosseiro.

- Está sujo – continuou Will como se estivesse sozinho na sala – está manchado, corrompido, maculado.

Hannibal Lecter o observou. Olhou atentamente para o rosto de seu paciente.

- O que está maculado Will?

- Você não vê? – Will ergue a cabeça pela primeira vez durante aquela sessão e olha para o médico como se nunca o tivesse visto em sua vida – O mundo doutor. Não há como limpar. Está imundo. Cheira mal, está podre, cheio de cinzas, mortos que andam. Não percebe?

Will mudara o tom de voz. Estava mais agressivo e procurava o olhar de Hannibal num desespero doentio.

- O mundo é muito grande Will – respondeu Hannibal com tranqüilidade. – Não se pode abranger a todos. As pessoas não são iguais. Não há só preto, como também não há só branco. Você precisa saber diferenciar.

Will solta uma leve gargalhada, sem nenhum resquício de sentimento. Pega a taça de vinho.

Cor vinho. Cor vermelho. Cor sangue. O sangue entraria novamente para dentro de si. Ele já estava corrompido. Como o mundo estava. Todos estavam. Não tinha volta. Sem mais perdão, sem mais desculpas. Estavam todos mortos, tentando viver. Sem paz...

- Will...? Quem é você Will? – Hannibal olhou ainda mais profundamente para o homem a sua frente.

- Meu nome é Will Graham. Baltimore, Maryland. 7:55 p.m


N/A Entãooo.. rsrsrsrs... Noite passada sonhei com esse personagem que pra mim é tão complexo e extremamente magnífico: Will Graham. Aí decidi escrever... e postar! Minha primeira escrita sobre Hannibal. Universo que tem me conquistado cada vez mais e, assim sendo, tenho estudado e lido muito a respeito! Um beijooooo pros meus meus amigos Hannigram! E toda tudo de HANNIBAL! Abraços da Fer!