Acordei novamente com a cabeça e os olhos latejando de dor. Não estou em meu quarto, não estou em minha cama, e aqui não é meu lugar. Mas me sinto bem-vindo aqui.
O quarto não é grande, e a cama é de ferro. Ao lado posso ver um criado-mudo com uma foto em cima e outras coisas que não me chamam a atenção. A foto é de uma mulher, uma jovem.
"Provavelmente a dona do quarto, ou parente." Eu logo penso e volto a me deitar na cama, ela range. Seu som é irritante e sinto vontade de esmurrá-la, mas ela está toda enferrujada. Então apenas respiro fundo e olho para o outro lado.
Há duas duas bolsas de soro com alguma coisa vermelha dentro e pingando, caindo diretamente em minha veia. Não me assusto, não sinto dor, não sinto meu corpo corresponder ao que está entrando em mim.
Então, me ergo e puxo o soro junto comigo. Não é definitivamente meu quarto. Tudo aqui está enferrujado, sujo e velho.
Procuro por uma janela e quando a encontro, vejo que está noite lá. Ou seria apenas uma mera ilusão? Os vidros estão tão escuros que não consigo distinguir.
Por fim procuro pela porta. Eu me sinto bem aqui, mas não quero continuar aqui, quero sair. Preciso sair.
A maçaneta não vira, e a porta parece fazer parte da parede, sem frestas. Sem modo de movê-la um milimetro sequer. Bato uma, duas, três e na sétima vez, desisto. Ninguém virá. Eu tento gritar, mas passo a mão em meus lábios e percebo uma costura neles. Linhas e grampos prendem e impedem que eu grite. Ninguém irá me ouvir.
Então ouço uma voz.
"Está tudo bem, deite-se."
Eu obedeço porque reconheço a voz e então reconheço o lugar.
Estou em um lugar onde ninguém tem acesso a não ser eu mesmo e eles. Eles estão sempre aqui comigo, e sinto que parece que algum dia, farei companhia à eles.
Me resta apenas esperar, neste quarto. Dentro de mim.
Às vezes a depressão me torna alguém tão amarga que coisas bonitas como essa, saem. Assim, do nada. Perdoem os erros de gramática.
E espero que tenham entendido o que quis passar com o texto.
