N/A: READ this first! As personagens novas que aparecem, não estão pormenorizadamente descritas, porque eu as imaginei fisicamente parecidas com pessoas existentes. Quando essas personagens surgirem, será referido como quem é que as imaginei, para o leitor ter uma ideia, podendo no entanto, caso assim o quiera, imaginá-las como mais lhe agradar. Enjoy! )
Chapter I - Strange Arrivals
Um rapaz de 17 anos estava deitado em cima da cama, no seu quarto, no andar de cima, no nº 4 de Privet Drive.
Era magro e tinha a estatura normal para a sua idade, apesar de os pés já lhe saírem, e muito, da cama, mas esta é que era demasiado pequena para ele. O seu cabelo era negro e desalinhado, os seus olhos eram de um verde profundo e na sua testa, não muito no centro, encontrava-se uma cicatriz em forma de relâmpago, cicatriz essa que desde o dia em que a arrecadara, condicionara a sua vida.
Eram três da tarde e Harry Potter não tinha a mínima vontade de alguma vez mais, na sua vida, sair daquele quarto. Enquanto ouvia a Tia Petúnia lavar a loiça do almoço no andar de baixo, imagens do seu padrinho, Sirius, assaltavam-lhe permanentemente a mente, fazendo com que um sofrimento enorme se apoderasse dele.
Para piorar as coisas não conseguia deixar de pensar que tudo aquilo tinha acontecido por sua causa, se ele não tivesse sido tão ingénuo, patético e se não fosse aquela sua mania de querer sempre salvar o dia, Sirius ainda estaria vivo.
As imagens daquele dia passavam indefinidamente à frente dos seus olhos, a profecia, os Devoradores da Morte, o grande anfiteatro com o arco de pedra no centro, o véu a ondular suavemente, apesar de não existir qualquer brisa. Depois a chegada dos membros da Ordem de Fénix, Sirius a lutar com Bellatrix até que, depois de um golpe melhor dirigido desta, o seu padrinho atravessou o suave tecido do véu e finalmente o olhar triunfante da mulher.
A princípio Harry não percebera porquê, afinal Sirius apenas tinha caído, estava do outro lado da cortina preparando-se para atacar de novo e acabar com ela, mas, quando Harry alcançou com o olhar o outro lado do arco, nada se encontrava lá, nada perturbava o harmonioso movimento ondulatório do véu. Como?
Porque é que tinha de acontecer com ele, Harry, será que já não chegava tudo o que tinha vivido até aí?
Lágrimas pesadas invadiram os olhos do rapaz, que não fez o mínimo esforço para as conter, já as tinha sustido por demasiado tempo.
Tentara o feitiço Avada Kadavra em Bellatrix, mas este não teve o efeito que Harry pretendia, não era poderoso o suficiente para o executar, não conseguira matá-la. E foi aí que chegou a pessoa, que de alguma maneira, ele já estava à espera desde que chegara ao ministério da magia, Lord Voldemort.
Quando pensou em Voldemort, a tristeza que até agora preenchera o coração de Harry, transformou-se em ódio. Tudo ia dar a ele, tudo o que acontecera de horrível na sua vida tinha sido por sua causa.
Fora Voldemort que matara os seus pais, que lhe fizera aquela cicatriz, fora ele que o atormentara durante todos os anos anteriores em Hogwarts, fora por causa de Voldemort que Harry tivera que ir viver com os Dursleys, também a prisão de Sirius estava, de alguma maneira, fortemente relacionada com ele, tal como a sua morte.
Harry nunca pensou que fosse possível desejar tanto a morte de alguém, mas ele sentia-o, ele queria tanto que Voldemort morresse, mais, queria ser ele a matá-lo, não com uma varinha, mas com as suas próprias mãos.
Foi afastado dos seus pensamentos homicidas por um leve bater na sua janela. Colocou os óculos e viu Hedwing a bicar impacientemente o vidro. Levantou-se e dirigiu-se até ela, pisando vários pergaminhos e livros da escola, que sem paciência para os arrumar depois de tentar fazer alguns trabalhos, deixou-os para ali.
Abriu a janela e Hedwing, depois de lhe dar uma bicada amigável no dedo, voou para o seu poleiro.
-Andas a ficar muito vadia, agora sais de dia e de noite, mas vejo que não trazes nenhuma carta. Que diabos fazes tu na rua tantas vezes?- Perguntou Harry enquanto se dirigia ao armário para ir buscar o pacote de biscoitos da coruja, ao que ela lhe respondeu com um longo e suave pio.
Deu-lhe uma bolacha e afagou-lhe a cabeça.
Os seus amigos até que lhe mandavam cartas, não tantas como gostaria, mas pelo menos mais do que no Verão passado. Recebia ocasionalmente correspondência de Ron, Hermione, Hagrid, Lupin e até recebera uma de Ginny, perguntando-lhe como estava, se estava a recuperar de todas as coisas que passara no ano escolar anterior.
Mas agora não precisava das cartas para saber o que Voldemort andava a fazer, eram cada vez mais as notícias de muggles que desapareciam sem deixarem rasto. Soube também que Cornelius Fudge, ministro da magia, se estava a ver a braços com sérios problemas, por causa das acusações que estava a sofrer por parte da comunidade mágica, acusando-o de ter tentado ocultar a verdade para seu benefício próprio, colocando em perigo a vida de todos.
Recebeu também um exemplar do Profeta Diário, em que na primeira página, em letras bem gordas, dizia que todos os feiticeiros queriam Albus Dumbledore para ministro da magia, já. Por vezes divertia-se a imaginar a cara de Fudge a ler aquela notícia. Mas brincadeiras à parte, a situação estava, sem dúvida, cada vez pior.
Harry olhou em volta, e o seu olhar foi poisar num envelope com a marca de Hogwarts impressa. O envelope do pergaminho com as suas notas. Ainda se lembrava da felicidade que sentira quando o recebera e constatara que atingira níveis suficientes que lhe permitiam seguir a carreira de Auror. Pegou nele, para mais uma vez admirar o sobrescrito que lá se encontrava dentro, no entanto um baque estrondoso na porta fez com que ele deixasse cair o envelope, devido ao susto.
-Anormal, o pai mandou-me vir aqui para te mandar chamar. Está à tua espera na sala.- Ouviu Harry através da porta. Era a voz irritante e gutural do seu primo gigantesco, Dudley. Nem o encontro com os Dementors o ano passado o fizera acalmar.
Resignado, Harry dirigiu-se à sala, passando pelo seu calendário, o qual assinalava faltarem 4 semanas para o início de um novo ano escolar em Hogwarts.
Quando chegou ao fundo das escadas Harry viu Dudley à porta, preparando-se para sair, colocou um maço de tabaco no bolso do casaco e depois de olhar para Harry e de lhe fazer um gesto nada bonito com a mão, saiu, batendo a porta com tal força que pouco faltou para que esta saísse dos gonzos.
Harry entrou na sala e viu o tio Vernon em frente à televisão.
Sem dar tempo sequer de Harry dizer alguma coisa, o tio Vernon perguntou, numa voz extremamente baixa, apesar de se encontrarem completamente sozinhos:
-Diz-me uma coisa rapaz, isto é tudo por causa da tua gente esquisita não é?-
Harry olhou para a televisão e compreendeu o que o Tio Vernon queria dizer, quando viu a apresentação de uma notícia de última hora.
-Porque é que quer saber? Interessa-lhe?- Perguntou Harry.
-Interessa-me, porque parece-me que tu és o grande gerador de todas as confusões que se passam, e és tu a única coisa que nos liga a essa gente, e sendo assim começo a considerar fortemente pôr-te na rua de uma vez por todas. Quer a tua tia queira, quer não.-
-Olhe para a minha cara de preocupado.- Disse Harry sem a mínima paciência para estar a ouvir o tio.
Este pegou-o pelos colarinhos da camisola, que Harry comprara com o dinheiro que ganhara no seu emprego de Verão, e disse, numa voz ameaçadoramente baixa:
-Escuta aqui rapaz, se pensas que podes falar para mim como bem entendes estás muito enganado, e eu se fosse a ti respondia já à minha pergunta.-
Sentindo a mão forte e enorme do Tio Vernon junto a si, Harry pensou na sua varinha, guardada na sua gaveta do quarto. Então, desprovido de qualquer defesa começou a falar, numa voz destituída de qualquer emoção:
-Sim, isto tem a ver connosco. Passam-se coisas muito graves no mundo dos feiticeiros.-
Ao ouvir a palavra feiticeiros os olhos do Tio Vernon tornaram-se mais pequeninos que nunca.
-Já te disse para não dizeres essas barbaridades debaixo do meu tecto.-
-Ok, agora faz o favor de me largar.-
O Tio Vernon retirou o braço e olhou de novo para a televisão, pensativo.
-Posso ir?-
-Vai, vai, desaparece e não me chateies mais.-
Harry virou costas e dirigiu-se de novo para o seu quarto. Quando lá chegou deixou-se cair desamparadamente na cama.
Quem lhe dera que os Dursleys o expulsassem, assim talvez Dumbledore o deixasse ir viver com os Weasleys.
Dumbledore. Harry ainda se lembrava perfeitamente da última conversa que tivera com ele, da revelação que mais tarde ou mais cedo, ele, Harry, viria a ser assassinado, ou assassino. Não contara nada sobre a profecia a ninguém, nem a Ron ou a Hermione, não se sentia preparado para isso.
-Quem me dera ter um Pensatório. Só queria esvaziar um pouco a minha cabeça, só um pouco já era bom.-
Olhou para o céu azul lá fora, e dedicou-se a imaginar a sua vida se não existisse Lord Voldemort.
-------------------------
Harry preparava-se para se deitar, quando ouviu a tia Petúnia e o tio Vernon a falarem exaltadamente enquanto subiam as escadas.
-Não Vernon, não há a mínima hipótese de o pormos na rua, fim de assunto.-
-Mas querida, ele tornou-se um perigo para a nossa família, para o nosso Dudley. Eu tenho visto as notícias, muitas pessoas têm-
-Não. Já disse. Querido, sabes que eu também não me importava nada de me ver livre dele, e de todo aquele mundo, mas há outras coisas…-
-Que outras coisas, aquela carta o ano passado, nunca me contaste. De quem era, o que queria dizer?
-Lamento querido, mas não posso contar. Agora vamo-nos deitar que estou cansada.-
-Mas Petúnia-
O resto da conversa Harry não conseguiu ouvir, pois ou o Tio Vernon ou a Tia Petúnia fechou a porta do quarto.
Harry encostou a cabeça à almofada e de alguma forma sentiu vontade de pegar em tudo e partir, mas não o fez, apenas se deixou envolver por mais uma noite repleta de pesadelos.
---3 Dias Depois---
Harry andara toda a tarde a vaguear por Privet Drive, necessitava estar sozinho, e agora preparava-se para voltar para casa. Quando estava em Magnólia Crescent viu Dudley virar uma esquina um pouco à sua frente, com o braço em volta de uma rapariga, rodeados do resto do grupinho do primo.
Harry fez questão de manter uma certa distância, não queria que o Dudley o visse.
Quando já estava perto de casa, Dudley despediu-se de todos os que o acompanhavam e dirigiu-se ao nº4. Harry acelerou então o passo, mas quando chegou ao portão viu que o primo estava estacado à entrada de casa, de porta escancarada. Aproximou-se, colocou-se em bicos de pés e olhando por cima do ombro de Dudley viu Mr. Weasley, Ron, os gémeos e Charlie.
Harry teve que olhar durante uns bons minutos para acreditar no que os seus olhos viam. Afastou o primo e entrou em casa. O Tio Vernon e a Tia Petúnia estavam ambos encostados à parede, o primeiro a proteger nitidamente a mulher, mas tentando ostentar uma expressão de como se nada de especial fosse.
-Harry, viemos-te buscar, o Dumbledore deixou o pai-
-Ron, não devias começar por um «olá Harry»?- Perguntou Mr. Weasley.
-Ãh, tens razão pai. Olá Harry.-
Harry riu-se para o amigo, que estava bem mais alto que ele, mas de resto continuava igualzinho.
Charlie tinha o cabelo curto, espetado, igualmente ruivo e uma mão ligada, provavelmente alguma queimadura proveniente do seu encantador trabalho.
-Então Harry, as férias têm sido boas?- Perguntou Charlie numa voz grave e animada.
-Vão indo.- Respondeu Harry sorrindo.
Os gémeos ostentavam ambos um sumptuoso fato preto, e camisinha branca, quase parecendo a Harry importantes homens de negócios, não fossem as gravatas, uma amarela outra laranja, com figuras de vassouras que voavam de um lado para o outro.
-Que achas do nosso novo look Harry? Vimos uns muggles vestidos assim, pareceu-nos fixe, mas acho que preferia uma camisa roxa. Não achas que ficava melhor?- Perguntou Fred.
-Sem dúvida.- Respondeu Harry, tentando por tudo conter o riso incontrolável que lhe assaltava o espírito.
-Depois de termos o nosso próprio negócio, achámos que devíamos parecer mais responsáveis, mas eu ia mais para a camisa cor-de-rosa.- Disse George.
-Bem Harry, tal como o Ron já te disse, viemos-te buscar. Isto é, se quiseres claro.- Disse Mr. Weasley.
-Só vou preparar as malas.- Disse Harry rapidamente.
-Eu vou ajudá-lo.- Disse Ron, apressando-se para acompanhar Harry.
-Porque é que não mandaste nenhuma carta a dizer que vinham?- Perguntou Harry abrindo a porta do quarto.
-Queríamos que fosse surpresa e além disso quando o pai escreveu ao Dumbledore para perguntar se te podíamos vir buscar, não tínhamos a certeza que ele fosse deixar. Como a carta dele chegou esta manhã, decidimos vir hoje mesmo buscar-te, e então não deu tempo para avisar.- Respondeu Ron começando a colocar tudo o que Harry tinha pelo chão, para a mala.
-Ainda bem que vieram, já não suportava estar aqui.-
-A Hermione também está lá em casa, vais ter um choque quando a vires.- Disse Ron.
-Porquê?-
-Depois vês. O Bill também lá está, o banco deu-lhe uns dias de férias, e adivinha quem ele leva para lá de vez em quando.-
-Quem?-
-Fleur. Lembras-te dela, não lembras? Pois bem, estão juntos. A mãe enche-a de mimos quando ele a leva lá, e depois o Bill não se descola dela, ás vezes até mete impressão. A mãe já vê véus, grinaldas e bebés por todo o lado, apesar do Bill estar sempre a dizer que ainda é mesmo muito cedo para pensar sequer em casar, quanto mais em filhos. Mas valha-lhe isso, porque se a mãe não tivesse alguma coisa em que pensar se não no que tem acontecido ultimamente, dava em doida de preocupação. Ãh, desculpa, estou para aqui eu a falar e nem te deixo dizer uma única palavra.-
Harry sorriu a Ron abanando a cabeça.
-Continua à vontade. De certeza que tens muito mais para contar que eu. Mas vamos indo para baixo, antes que os Dursleys façam alguma parvoíce.- Disse Harry fechando a mala.
-Eu ajudo. Pega nesse lado que eu pego neste.- Disse Ron.
Chegados de novo à sala, Harry reparou no olhar perdido de Mr. Weasley a observar o novo leitor de DVD dos Dursleys.
-Ah, já aqui estão, podemos ir indo então.- Disse Mr Weasley acordando.
-Nós vamos para-
-Vamos para nossa casa Harry.- Respondeu Mr. Weasley, como que apressado em cortar-lhe a palavra, como que sabendo que Harry se iria referir ao nº12, Grimmauld place, quartel secreto da Ordem de Fénix.
-Ah, e vamos como?- Perguntou Harry.
-Com o pó de Floo, como nós ainda não podemos desmaterializarmo-nos, temos de ir assim.- Respondeu Ron.
-Então já que estamos todos prontos, é melhor irmos indo, temos muita gente à nossa espera. Mr., Mrs Dursley, Dudley, um resto de boas férias, o Harry estará de volta no próximo Verão.- Disse Mr. Weasley sorrindo amigavelmente.
O Tio Vernon consentiu com a cabeça, parecendo temer que se abrisse a boca pudesse vomitar.
-É isso mesmo amigo Dudley, até à próxima. Será que não quererás um rebuçadinho da nossa loja, é de graça?- Perguntou Fred dando palmadinhas nas costas de Dudley. A cara deste contorceu-se de raiva, mas a ponta da varinha à vista, debaixo do casaco de Fred, impediu-o de fazer qualquer coisa.
-Fred, pára com isso, vamos.- Disse Mr. Weasley, apontou a sua varinha ao chão e uma chama imensa surgiu no meio da sala dos Dursleys –Harry, tu primeiro.- Deu a Harry um saquinho e ele nem esperou por explicação, pegou numa mão do pó esverdeado e depois de o lançar à chama disse alto e bem claro:
-A TOCA.-
Harry sentiu a chama engoli-lo por completo, e passado pouco tempo sentiu-se cair no chão duro da Toca. Apesar de já ter viajado várias vezes com o pó de Floo ainda não conseguia controlar a queda.
-Harry querido, então?- Perguntou a voz de Mrs. Weasley ajudando-o a levantar –Como estás?-
Harry compôs os óculos e respondeu:
-Estou bem, e por aqui?-
-Por aqui também está tudo bem Harry.- Respondeu uma voz agradável e descontraída ao seu lado.
Harry olhou e viu a mão estendida de Bill Weasley, que continuava igual desde a última vez que o tinha visto. Apertou-lhe a mão e sorriu para a rapariga que estava ao lado de Bill. Fleur continuava linda, tinha o seu belo cabelo loiro platinado apanhado atrás na cabeça, com algumas pontas soltas à frente, vestia uma mini-saia de ganga, uma t-shirt rosa e umas sapatilhas. Fleur retribuiu-lhe com um grande sorriso.
-HARRY- Gritou alguém, ao mesmo tempo que um par de braços se enrolava à volta do seu pescoço.
-Hermione calma.- Disse Harry divertido.
Hermione deixou que ele se virasse e finalmente compreendesse o porquê de Ron dizer que ele se iria admirar quando a visse. Hermione estava de facto diferente, o seu cabelo já não era basto e o seu porte era diferente. Estava mais alta, resumindo, mais bonita.
Nesse momento chegou Ron, seguido dos gémeos, Charlie e por fim, Mr. Weasley.
-Arthur querido, Remus mandou uma coruja para ti, disse que precisava que fosses até ao ministério da magia.-
-Nem me deixam respirar. Bom então, meninos, até à hora do almoço. Portem-se bem, mas de qualquer maneira não devo demorar muito.- Disse Mr. Weasley.
-Pai eu vou consigo.- Informou Charlie.
Mr Weasley concordou com a cabeça e desmaterializaram-se em seguida.
-Porque é que vocês não vão ajudar o Harry a desfazer as malas, enquanto eu fico aqui a tratar do almoço?- Perguntou Mrs. Weasley dirigindo-se a Ron, Hermione e aos gémeos.
-Não podemos mãe, vamos já para a Diaggonal, temos negócios para tratar. Só vamos buscar uns papéis ao quarto e é seguir para lá.- Respondeu George subindo em seguida as escadas com o irmão.
-Então sempre é verdade, eles montaram mesmo uma loja. De partidas não é?-
-Sim, é isso mesmo Harry. Apesar de eu ter preferido que eles fossem para o ministério, devo dizer que depois do que aconteceu com o Fudge, deixei de ter tanta certeza, e a loja vai muito bem, qualquer dia já ganham mais que o pai, que por acaso, foi promovido.- Esclareceu Mrs. Weasley sorridente.
-Já não falta muito, ao princípio pensámos que eles eram demasiado cabeça no ar para gerir uma loja, mas depois eles provaram que têm olho para o negócio.- Disse Bill.
-Eles fazem coisas muito engraçadas, apesar dos tempos difíceis que estamos a atravessar, as pessoas continuam a não resistir a comprar as brincadeiras deles.- Comentou Fleur –Mrs Weasley, quer ajuda com o almoço?-
-Não querida, eu dou conta do recado.-
-Então eu e a Fleur vamos dar um passeio. Vamos?- Perguntou Bill olhando para Fleur.
-Sim.- Respondeu a rapariga sorrindo. Deram as mãos e dirigiram-se para a porta, mas antes que a pudessem abrir esta abriu-se primeiro e uma rapariga ruiva entrou.
-Fogo, raio da coruja que voa que se farta. Mas consegui apanhá-la. Oh, olá Harry.- Disse a rapariga.
Harry não queria acreditar, não, não podia ser.
-Ginny!- (N/A: eu vejo esta Ginny assim tipo uma Lindsay Lohan! lol)
A rapariga sorriu e perguntou animada:
-Não me digas que já não te lembravas de mim?-
-Lembrava-se de ti, mas não de ti toda espalhafatosa como estás agora.- Disse Ron.
-Ron!- Disse Hermione em tom reprovador.
-Não é preciso Hermione, as bocas do meu irmãozinho à muito tempo que me deixaram de afectar.- Disse Ginny, apesar de estar um pouco corada.
-Ronald Weasley, isso não é maneira de falar para a tua irmã.- Disse Mrs Weasley.
Ron fez uma cara de rapazinho imcompreendido mas calou-se.
-Não, por acaso não estás nada espalhafatosa, estás muito bonita Ginny.- Comentou Harry.
-Obrigado Harry.- Agradeceu Ginny, corando um pouco mais.
-Bem, vamos desfazer as malas Harry?- Perguntou Ron impaciente.
-Sim vamos.-
-Eu levo a Hedwing.- Disse Hermione.
Os três subiram as escadas até ao quarto de Ron, que ao contrário de quando Harry lá dormira pela última vez, agora só tinha duas camas.
-Os gémeos estão no quarto do Percy.- Disse Ron.
-Mas ele ainda não voltou?- Perguntou Harry.
-Ele já esteve aqui, já fez as pazes com o pai mas preferiu continuar a viver em Londres. Disse que lhe dava mais jeito.- Esclareceu Ron.
-Então e tu Harry, como tens passado, depois… depois daquilo?- Perguntou Hermione sentando-se numa das camas.
-Depois da morte do Sirius?- Perguntou Harry, apesar de saber perfeitamente que era a isso que ela se referia.
Ron e Hermione entreolharam-se.
-Bem, sim.- Disse Hermione.
-Vai-se indo, que é que vocês querem que eu diga? Só morreu a última pessoa da minha família que gostava de mim.- Disse Harry olhando para o horizonte através da janela.
-Harry, eu não posso dizer que sei como é que tu te estás a sentir, mas quero que saibas, que eu e o Ron estamos aqui sempre que precisares.- Disse Hermione, aproximando-se dele e colocando-lhe as mãos nos ombros.
-Sim, é isso mesmo companheiro.- Disse Ron aproximando-se também.
Harry virou-se para eles e sorriu-lhes, pensou também na hipótese de ser aquele o momento de lhes contar sobre a profecia.
-Tenho… tenho uma coisa para vos contar.- Começou.
-O quê?- Perguntou Ron.
-Bem-
-Eih meninos, querem vir voar um bocado?- Perguntou Ginny da porta do quarto, interrompendo Harry.
-Não Ginny, estamos a ter uma conversa importante, importas-te?- Perguntou Ron.
-Não é nada de especial Ron, pode ficar para outra altura. Voar é uma excelente ideia.- Disse Harry.
-Tens a certeza Harry?- Perguntou Hermione.
-Sim, tenho.- Respondeu Harry tirando a sua Flecha de Fogo da mala. Ao tocar-lhe sentiu Sirius mais perto dele.
-Então vamos.- Disse Ron pegando também na sua vassoura e dirigindo-se para a porta –Harry. Vens ou não?-
Harry estava parado a olhar para a vassoura que tinha na mão, olhou para o amigo e respondeu:
-Sim, vamos.-
Seguiu Ron, Hermione e Ginny até ao jardim e quando já estava a montar na vassoura viu Crockshanks a correr no terreno ao lado.
-Não queres uma vassoura Hermione?- Perguntou Ron.
Hermione olhou para ele sorrindo ironicamente.
-Não me parece Ron, não vou desperdiçar o meu talento natural a voar contigo. Prefiro ficar a ler o meu livro, mas obrigada na mesma.-
-Tu lá sabes.- Disse Ron sorrindo.
--4 Semanas depois--
As últimas semanas tinham sido os melhores dias de férias, que Harry alguma vez tinha tido. Os Weasleys faziam tudo para que ele se sentisse bem e feliz, para que se esquecesse por momentos da morte de Sirius, mas Harry já se tinha apercebido que isso era impossível.
Todos os Weasleys, Harry, Hermione e Fleur estavam à mesa a tomar o pequeno almoço.
-Não podemos demorar muito, temos que ir comprar os vossos livros meninos.- Disse Mrs Weasley.
-Mãe, nós já não somos meninos, por favor, não me chames isso.- Disse Ron.
-Ronald Weasley, come e cala-te.-
Harry e Hermione riram-se, juntamente com os gémeos.
Harry olhou para Bill que colocava um pedaço de pão com doce na boca de Fleur, para de seguida lhe dar um pequeno beijo nos lábios. Por momentos Cho preencheu os seus pensamentos, mas Hermione despertou-o.
-Acho que decidir-me pela carreira de feitíclinica foi uma boa escolha, não me estava a ver na carreira de Auror, a capturar feiticeiros negros para o resto da vida.-
-Sim, feitíclinico é uma boa carreira, mas as níveis de magia e feitiçaria que são precisos atingir são bastante altos.- Disse Mr Weasley.
-Ainda acho que vocês não deviam ter ido para Auror, é tão perigoso.- Comentou Mrs Weasley.
-Desde que conheci o Olho Louco que não me vejo a fazer outra coisa. Isto é, o falso Moody Olho Louco. Apesar de tudo o que aconteceu, ele soube como me mostrar a emoção de capturar Devoradores da Morte.- Disse Harry.
-Mas também é preciso muita astúcia Harry, inteligência e sangue frio. Não é qualquer um que consegue ser um bom Auror, mas tu, tu acho que chegas lá.- Disse Mr Weasley.
-Arthur, vens à Diagonal connosco não é?- Perguntou Mrs Weasley.
-Sim Moly, preciso espairecer um bocado, temos tido muito que fazer na Ordem, tentamos antecipar sempre os passos seguintes do Quem Nós Sabemos, e dos seus seguidores, mas não tem sido nada fácil.-
-Arthur, não vamos falar disso à mesa do pequeno-almoço.-
-A mãe tem razão pai.- Disse Bill.
-Ontem nem tive tempo de me despedir do Charlie.-
-Bem, ele foi feliz e contente ter com os seus dragões, com certeza não vai ficar chateado contigo por não lhe teres dado um beijinho de despedida.- Disse Ginny irónica e descontraidamente.
-A nossa menina está a ficar muito engraçadinha, está.- Disse Mr Weasley em tom divertido, sorrindo –Então e o Fred e o George, já foram para o trabalho!-
-Sim, disseram que tinham ainda que ir buscar umas encomendas. E nós vamos também, ficamos hoje a dormir no Caldeirão Escoante e amanhã bem cedinho, vamos directos para a estação.- Informou Mrs Weasley.
-Eu vou dormir em casa da Fleur mãe, mas amanhã vou ter com vocês à estação.- Disse Bill.
-Pois, dormir, está-se mesmo a ver.- Comentou Ron com Harry num sussurro.
Ambos sorriram e acabaram rapidamente de comer as torradas, pois Mrs Weasley já estava de pé e com o pó de Floo na mão.
Mais uma vez Harry aterrava descuidadamente no chão, mas desta vez no caldeirão escoante.
Seguiram-se Hermione, Fleur, e o resto dos Weasleys.
-Bem, dêm-me as listas que eu vou comprar os vossos livros. Enquanto isso podem ir dar aí uma voltas.- Disse Mrs Weasley.
Já na comprida avenida da Diagonal Harry, Hermione e Ron caminhavam lentamente, olhando para todas as novidades que as lojas apresentavam.
-Nota-se na cara das pessoas a tensão que trazem.- Comentou Hermione.
-Sim, mas também, não é caso para menos, afinal Voldemort voltou.- Disse Harry, não ligando ao arrepio que percorreu os amigos quando ouviram o nome.
-Olhem, o Seamus e o Dean.- Disse Ron.
Hermione e Harry olharam para ele apercebendo-se de que aquilo era uma táctica para mudar de assunto, mas Harry acabou por dizer:
-Vamos lá ter com eles.-
-Vão indo, eu só vou ver uma coisa à loja de poções, preciso de montes de ingredientes novos.-
-Então depois vai lá ter connosco.- Disse Ron.
Hermione fez um sinal afirmativo quando já ia a caminho da loja de poções.
Olhou por momentos para a montra, para em seguida se dirigir para a porta, mas quando a ia para abrir, alguém o fez do lado de dentro com imensa força e como aquela porta abria para os dois lados, o resultado foi Hermione levar com ela na cara.
Caiu ao chão e sentia as mãos doridas por causa de ter amparado a queda com elas.
-SERÁ QUE NÃO DÁ PARA TER CUIDADO?- Perguntou Hermione esfregando as mãos.
-Com coisas como tu não vale a pena.- Disse uma voz fria e escarninha que Hermione conhecia tão bem.
Levantou-se e olhou de frente Draco Malfoy.
-Tu!- Disse Hermione friamente.
Draco arqueou a sobrancelha e perguntou sorrindo:
-Então, ainda não houve nenhum Devorador da Morte que fosse ter contigo e com a tua nojenta família de Muggles? E onde é que estão o Potter e o Weasley? Escondidos dentro de casa com medo, é?-
-Achas que pessoas como o teu pai têm alguma hipótese contra nós? Nem sonhes com isso. Então e o teu papá, tem feito muitos servicinhos para o senhor dele, tem? Oh, desculpa, esqueci-me que ele está preso em Azkaban!-
Malfoy cerrou os olhos perigosamente.
-Nojenta sangue de lama. Este ano tu e os teus amiguinhos vão ver, talvez venham a ter umas surpresinhas.-
Dito isto, passou rapidamente por Hermione e sem olhar para trás seguiu o seu caminho.
Hermione perdeu-se durante alguns minutos, a pensar o que Malfoy poderia querer dizer com aquilo. Sem conseguir chegar a qualquer conclusão resolveu esquecer.
Harry e Ron estavam na Florean Fortescue's acompanhados de Seamus e Dean, cada um com uma enorme taça de gelado à frente, quando viram Hermione a chegar ladeada de duas enormes sacas.
-Bem, Hermione, compras-te a loja de poções inteira, a avaliar pelo tamanho das sacas.- Comentou Ron.
Mas Hermione não respondeu, o que surpreendeu Harry, apenas sentou-se junto deles com um ar pensativo.
-Hermione, tas aí? Tok, tok, hello, está alguém em casa?- Tentou novamente Ron.
-Ãh, desculpa, que estavas a dizer?- Perguntou Hermione meio perdida, como se tivesse acordado apenas naquele momento.
-Que se passa?- Perguntou Harry enquanto Seamus e Dean ouviam interessados.
-Nada, não se passa nada. Então, como foram as vossas férias?- Perguntou ela a Seamus e Dean, enquanto Harry e Ron entreolhavam-se como que perguntando que se teria passado naquela visita à loja de poções.
------------------------
Depois do jantar Harry, Ron e Hermione reuniram-se num canto do Caldeirão Escoante, sentados nuns sofás já algo puídos.
-Ai, não quero ver comida à minha frente pelos próximos vinte anos.- Comentou Ron massajando o estômago.
-Dizes isso porque não tens nada agora à tua frente que possas comer.- Disse Hermione em tom divertido e irónico.
-Ah, Hermione, não nos disseste porque estavas tão estranha hoje à tarde.- Disse Ron.
-Não é nada de especial, mas não o queria dizer à frente do Seamus e do Dean. É que pelo caminho encontrei o Malfoy, e ele disse uma coisa que deu a entender que ele sabe alguma coisa importante, e que vai acontecer em Hogwarts.- Explicou Hermione.
-Mas o que é que ele disse?- Perguntou Ron.
-Ele disse que talvez tivéssemos umas surpresas este ano.-
-Talvez ele se vá embora.- Tentou Ron esperançado.
-Não, não é isso.- Disse Hermione pensativa.
-Acham que tem alguma coisa a ver com Voldemort?- Perguntou Harry.
-Não sei Harry, não sei mesmo.- Disse Hermione.
-Olhem, e se esquecêssemos o Malfoy. Estou a ficar enjoado de estar a falar dele.- Disse Ron.
-Se estás enjoado é porque comeste como um porco.- Disse Hermione.
Ron olhou para ela ofendido, abriu a boca para responder, mas voltou a fechá-la.
-Meninos, está a ficar tarde, amanhã têm de levantar-se cedo, portanto toca a ir para a cama.- Disse Mrs Weasley.
-Ok mãe, já estamos a ir.- Disse Ron.
-É melhor mesmo irmos indo, estou um bocado cansado.- Disse Harry enquanto limpava os óculos.
-Sim, eu também. Vamos indo então.- Concordou Hermione bocejando.
Harry olhou para as suas malas já prontas para o dia seguinte, ia ser bom voltar a Hogwarts, mas ao mesmo tempo estava receoso da tal surpresa de Malfoy. Poderia ser que de alguma maneira Voldemort estivesse envolvido?
Hedwing estava no seu poleiro, desperta, Harry abriu a janela para ela poder sair.
-Quero-te cá amanhã antes de partirmos.- Disse, antes da coruja branca sair para a noite.
Ficou a olhar por momentos para o céu negro, para depois se deitar na cama já um pouco velha do seu quarto.
-----------------------
-Vamos meninos, despachem-se, não temos muito tempo.- Dizia Mrs Weasley enquanto colocava as malas na bagagem do carro do ministério.
-Verem que afinal o pai tinha razão no que tocava a Voldemort, teve algumas implicações no comportamento do ministério para com ele.- Comentou Ron olhando para o carro.
-Não vem ninguém da Ordem connosco?- Perguntou Harry.
-Para que achas que eu vim Potter?- Perguntou uma voz cavernosa atrás deles.
Harry virou-se e viu um pequeno olho azul eléctrico, que girava de um lado para o outro sem parar.
-Professor Moddy!- Disse Harry. Apesar de o verdadeiro Moddy Olho-Louco nunca ter sido seu professor, Harry sempre o tratara como tal.
Moddy carregava uma expressão um tanto cansada, mas sempre atenta e alerta.
-Como estás Potter?- Perguntou Moddy com o que pareceu a Harry um sorriso, mas o que só serviu para acentuar as cicatrizes na sua face.
-Oh, olá professor Moddy.- Disse Hermione quando chegou perto deles juntamente com Ginny.
-Olá Hermione! Espero que as vossas férias tenham corrido bem, felizmente não tivemos nenhum contratempozinho, se é que me entendem.- Disse Moddy olhando com o olho normal para Harry, o que o fez ter quase a certeza, de que tal como no Verão passado, alguns membros da Ordem o tinham andado a vigiar.
-Meninos, estamos prontos. Vamos a entrar para o carro.- Anunciou Mrs Weasley.
-Finalmente, com o vosso regresso a Hogwarts, vamos poder ficar mais descansados.- Comentou Moddy, enquanto Ron entrava para o carro.
Depois de estarem todos os quatro confortavelmente sentados no banco de trás, Moddy e Mrs Weasley sentaram-se no banco da frente.
-O professor Moddy é um tanto sinistro não é?- Comentou num sussurro Ginny com Harry.
Harry sorriu-lhe e respondeu-lhe no mesmo tom baixo:
-Sim, mas eu, pessoalmente acho-o fixe.-
-Diga-se de passagem, tu também não funcionas com o esquema todo, portanto não me admira que gostes dele.- Comentou Ginny num tom de voz divertido mas que só Harry conseguia ouvir.
-Hei, que raio vão vocês aí a cochichar?- Perguntou Hermione sorrindo.
-Deixa-os lá, a Ginny deve ir a dizer ao Harry, Oh, Harry, gosto taaaaaaaaaaaanto de ti.- Disse Ron, numa voz feminina e lamechas, dando por fim três suspiros.
Ginny cerrou perigosamente os olhos.
-Pois, mas eu não ficava a olhar para o Harry com ar sonhador, como tu ficavas a olhar para a Hermione, quando ela estava distraída.- Finalizou.
Ron corou muito e olhou para a irmã como se ela tivesse acabado de dizer as palavrinhas mágicas, para acabar com a vida dele.
Hermione corou um pouco também, mas começou-se a rir, tal como Harry.
-O que é que tu estás para aí a dizer sua…. sua…. Nem tenho nomes para te descrever.- Disse Ron.
-Começas para aí a gozar comigo, depois olha, é o que ganhas. Além disso eu não estava a dizer nada disso ao Harry.-
-Então meninos, que barulheira é essa aí atrás?- Perguntou Mrs Weasley olhando para trás.
-Nada mãe.- Respondeu Ron.
-Então vão-se preparando porque estamos a chegar.-
Quando os carros pararam, os passageiros depois de tirarem todas as coisas da mala, foram apressados para a estação 9/3/4.
O Hogwarts Express estava exactamente como no ano anterior.
Harry nunca pensara muito nisso, mas agora de volta ao mundo da magia, espantava-se por não se ter alterado nada drasticamente. Afinal o maior mago negro de todos os tempos tinha regressado.
-Ãh, Professor Moddy, não há feiticeiros a patrulhar isto nem nada?- perguntou Harry.
-Claro que há, mas tu não os consegues distinguir. Chama-se disfarce. As pessoas que protegem o mundo dos muggles é que andam sempre pateticamente vestidas, assim são sempre reconhecidas.- Respondeu Moddy.
Harry percebeu que ele se estava a referir aos polícias e sorriu, imaginando o tio Vernon ouvir este comentário acerca das fardas policiais, vindo de uma pessoa que usava uma capa negra toda puída, uma perna de pau e que ainda tinha um olho azul eléctrico que não parava de girar.
Hermione despedia-se agora de Mrs Weasley, esta última caminhando por fim para perto de Harry.
Abraçou-o e disse-lhe:
-Harry querido, agora mais que nunca é preciso ter cuidado. Por favor não se metam em coisas perigosas.- Largou-o e depois de um beijo na face deixou-o entrar no comboio.
-Harry, temos que ir- Começou Hermione, mas Harry interrompeu-a.
-Já sei, têm de ir na carruagem com os outros perfeitos. Vão lá, mas se tiverem um furinho vejam se vêem ter connosco.- Disse sorrindo.
-Ok bro, podes crer que nos vamos tentar escapulir, aquilo é uma seca. É como se visse Percy's múltiplos.- Comentou Ron.
-Desta vez tenho de concordar.- Disse Hermione rindo.
Ela e Ron viraram costas e começaram a caminhar para o lado oposto do corredor.
-Bem vamos?- perguntou Ginny.
-Sim, espero encontrar uma cabine rápido, porque esta mala pesa.- Disse Harry sorrindo.
Ginny adiantou-se a ele, olhando pelas janelinhas das portas, procurando lugares vagos, e agradáveis.
Harry parou para massajar a mão que puxava a mala.
-Harry aqui.- Ouviu Ginny dizer, olhou para a frente e viu-a três cabines à frente dele.
Começou a caminhar para lá, mas da porta ao seu lado saiu alguém e ambos chocaram, Harry ouviu o som de algo a cair ao chão.
Esfregou a cabeça e olhou para a pessoa em quem tinha embatido, e o que viu fê-lo ter vontade de se beliscar para ter a certeza de que o que via era real.
Era a rapariga mais bonita que Harry alguma vez vira, os seus olhos hipnotizaram-no imediatamente, mas ele forçou-se a olhar para o resto, desde a pele bronzeada e brilhante até ao corpo, que a Harry parecia esculpido pelos deuses. (N/A: qualquer coisa como uma Jéssica Alba, mas com olhos azuis acinzentados! Got it? ñ? tb ñ importa! )
-Ai o meu braço.- Disse a rapariga numa voz inumanamente cativante.
-Hey, tu estás bem?- Perguntou ela sorrindo.
Mas Harry não conseguiu responder, teve a impressão de que se abrisse a boca algo de terrivelmente estúpido ia sair dela.
-Harry, que se passa?- Perguntou uma voz conhecida vinda do lado esquerdo deles.
Harry olhou e viu Ginny.
-Então chamas-te Harry. Estás magoado na cabeça ou assim?- Perguntou de novo a rapariga.
Harry apercebeu-se que ainda tinha a mão na cabeça e baixou-a rapidamente. Por fim a voz pareceu voltar a tomar conta das suas cordas vocais.
-Eu… eu estou bem.-
-Ainda bem. Foi um choque e tanto, tens de ver por onde andas. Os meus doces é que já não parecem ter salvação.- Disse a rapariga olhando para o chão.
Ginny estava a achar patética a forma como Harry olhava para a estranha rapariga, não conseguia ver nada de especial nela.
Harry acompanhou o olhar da bela desconhecida e viu montes de doces espalhados pelo chão, desde feijões de todos os sabores até sapos de chocolate, e também um exemplar do Profeta diário.
-Sou um desastrado.- Disse Harry baixando-se para apanhar as coisas.
A rapariga baixou-se também e parou-lhe as mãos.
-Não é preciso, a sério, eu apanho. Não me custa nada.- Disse ela sorrindo.
-Mas e os doces e chocolates? Não te deixo antes de te comprar novos.- Disse Harry atrapalhado.
-Não é preciso, eu já tinha comido a maioria e além disso, não devo comer muitos doces. Qualquer dia sou considerada uma espécie de baleia em vias de extinção.-
Harry sorriu e ficou a olhar para ela, indeciso entre insistir ou não, ainda a sentir as mãos quentes dela sobre as suas.
De repente a rapariga levantou uma mão e passou-a suavemente sobre a testa de Harry, arredando-lhe o cabelo.
Harry sabia que tal como todos os outros ela vira a sua cicatriz.
Ginny olhava para a cena pensando que nunca vira uma rapariga tão atrasada e convencida.
-Tu…-
Harry já se preparava para abrir a boca e confirmar, que sim, que era o Harry Potter, mas a desconhecida antecipou-se:
-Tu… tens uns olhos lindos.-
Harry segurou-se para não cair de costas tal foi o espanto, ela fora a primeira pessoa que reparara mais rápido nos olhos dele, do que na sua estúpida cicatriz. Sentiu também as faces a ficarem mais quentes.
-Bem, é melhor ir indo, antes que pensem que caí do comboio ou assim.- Disse ela pegando no Profeta Diário, levantando-se juntamente com Harry, e depois de mais um breve sorriso, caminhou durante algum tempo e entrou numa cabine, que estava umas cinco à frente deles.
-Harry, vais ficar aí muito tempo a babar-te ou vens para ao pé de nós?- Perguntou Ginny em tom aborrecido.
-Ãh… ah, sim, vamos.- Respondeu Harry pegando nas malas.
Harry entrou na cabine em que Ginny entrara e viu Neville e Luna Lovegod. Esta última olhava perdidamente para a janela.
-Oh, olá Harry.- Disse Neville levantando-se para ajudar Harry a guardar a mala e a gaiola de Hedwing, que dormia profundamente.
Ginny sentou-se ao lado de Luna e Harry sentou-se frente a ela, enquanto Neville se sentava ao seu lado.
-Então, como foram as férias? As minhas foram uma seca, a minha avó protegia-me até da minha própria sombra.- Comentou Neville.
Harry não a censurava, depois do que aconteceu aos pais de Neville por causa de Voldemort, Harry compreendia que a gigantesca avó dele o quisesse proteger, agora que Voldemort voltara.
-As minhas também não foram grande coisa Neville, pelo menos até ir para casa do Ron.- Disse Harry.
Sentiu o olhar de Ginny sobre ele e olhou para a janela, tentando abstrair-se disso.
A rapariga desconhecida surgiu-lhe na memória, o que Harry não achou estranho.
Enquanto o céu cinzento lá fora se acercava das montanhas e vales Harry deu-se conta de que não sabia nada dela.
Nunca a vira em Hogwarts, tinha a certeza que ela nunca lá estivera, senão ele tinha reparado. Também não se lembrara de lhe perguntar o nome, como pudera ser tão estúpido.
-Deve estar frio lá fora.- Comentou Luna quebrando o silêncio que imperava.
Todos olharam para ela, mas ela nem sequer pestanejou.
Mais uma vez o silêncio foi quebrado pela voz a anunciar a chegada do carrinho dos doces.
-Eu vou buscar.- Disse Harry. Levantou-se e comprou tudo a que tinha direito.
Voltou a entrar e colocou tudo no banco.
-Podem-se servir.-
-------------------------
As horas foram passando e o negro apoderou-se do céu lá fora.
Na cabine de Harry, Ginny, Neville e Luna, vários papéis coloridos enchiam os bancos.
Depois de alguns sapos de chocolate o ambiente ficou bem mais agradável.
Neville acabara de contar um episódio de perseguição da sua avó a Trevor, o sapo de Neville e todos riam a bom rir, incluindo Luna.
-Mas que animação!- Disse uma voz divertida da porta da cabine, agora aberta.
Hermione e Ron olhavam a sorrir para eles.
-Entrem.- Disse Ginny.
Eles assim fizerem e Hermione sentou-se ao lado de Neville e Ron ao lado de Ginny.
Olharam para as caixas de feijões de todos os sabores.
-Bem, a farra estava boa. Não deixaram nada para nós.- Comentou Ron.
-Então, como estavam os perfeitos?- Perguntou Harry.
-Aborrecidos como sempre.- Respondeu Ron.
-Não sei para que vamos lá, já sabíamos todas as regras do ano anterior. Mais valia termos vindo logo com vocês.- Comentou Hermione.
-Por aqui também não aconteceu nada de especial.- Disse Ginny.
-Valha-nos isso.- Disse Ron.
Quando o Hogwarts Express parou na estação de Hogsmead, começou a chover fininho.
Todos saíram já com os uniformes vestidos.
Harry começou a procurar e viu Hagrid, lá ao fundo, à espera dos primeiros anos. Acenou-lhe. Mas não era só ele que Harry procurava, no entanto não teve sorte com a busca.
-Harry, nós vamos encaminhar os primeiros anos, guardem-nos lugar na carruagem.- Disse Hermione afastando-se.
Harry acenou com a cabeça e apressou-se a seguir Ginny, tentando fugir da chuva que se fazia sentir mais intensamente.
Antes de entrar na carruagem Harry olhou de soslaio para os Theastrals, os cavalos sombrios, anunciadores da morte.
Passados uns cinco minutos, depois de Ron e Hermione entrarem, a carruagem entrou em movimento.
Pararam em frente ás imponentes portas do castelo de Hogwarts, ladeadas por grandes tochas.
Todos os alunos saíram e entraram apressados no Hall de Entrada, passando depois para o Salão, sentando-se nas respectivas mesas.
Harry sentou-se ao lado de Ron, em frente de Hermione.
Hermione olhou à volta e o seu olhar encontrou por acaso o de Malfoy, que lhe sorriu sarcasticamente, formando duas palavras com os lábios, e Hermione tinha a certeza de que sabia o que era. Olhou para ele desdenhosamente sentindo a varinha queimar-lhe na capa. Foi Ron quem no último momento a impediu de enfeitiçar Malfoy ali mesmo.
-Hermione olha. Conheces?-
Ela seguiu-lhe o olhar e encontrou a mesa dos professores, viu Dumbledore bem ao centro, Flitwick, Snape e… e uma cara desconhecida para Hermione. Pela aparência era com certeza o novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Destacava-se incrivelmente do resto dos professores. Era muito mais novo, incrivelmente bonito e não parecia nada um professor, era descontraído, aparentava um ar, sem outras palavras, fixe. Trajava uma camisa branca, sem ser apertada até ao colarinho, por baixo da mesa Hermione conseguia ver umas calças nem justas, nem largas, negras e umas, e isto foi o que mais a espantou, sapatilhas também negras, mas com umas riscas laterais a laranja vivo.
Muitas raparigas olhavam vidradas para o novo professor, mas ele nem parecia ligar, meio recostado na cadeira, brincava distraidamente com o garfo.
-Olha como o Snape o fulmina com os olhos.- Comentou Harry.
-Sim, antes ele até se devia sentir um bocadinho ao nível dos outros, apesar de não o estar, mas agora, meu, este gajo derrota-o completamente. Ele nem sequer sabe o significado de estilo e ser ultrapassado pelo menino bonito, deve ser demais para o Snape.- Comentou Ron.
-Ser bonito, ou fixe, não quer dizer que seja bom professor.- Disse Hermione.
-Hermione, olha à tua volta. Achas que as tuas coleguinhas se vão importar se ele é o maior feiticeiro do mundo ou se é pior que o Lockhart, claro que não, olha para elas, já o adoram.- Disse Harry.
-Mas ele parece ser porreiro, pelo menos melhor que o Snape é de certeza.-
A conversa foi interrompida pelo abrir das portas do Salão. A professora McGonagall entrou, seguida de uma fila de pigmeus encharcadas e assustados.
Após o Chapéu Selecionador ter-se pronunciado com a sua habitual canção, um a um os novos alunos de Hogwarts foram sendo seleccionados.
Gryffindor não se podia queixar, tinham agora as suas fileiras bem reforçadas, mas o estômago de Harry estava também a pedir por reforços.
Dumbledore levantou-se e todo o barulho na Salão cessou.
-Meus queridos alunos, sei que há muitos assuntos para discutir, mas não o vamos fazer hoje, pois imagino que durante o vosso tempo de descanso, não tenham ouvido falar senão dos problemas, que os nossos tempos atravessam, portanto deixemos isso para outra altura. Só vos digo uma coisa, na vida, temos sempre no mínimo duas escolhas, apenas a morte não nos dá escolha, mas até a nossa hora chegar, podemos escolher entre viver e morrer, podemos escolher entre ir e ficar…
Podemos escolher o caminho que achamos mais certo, podemos escolher também o que nos se afigura mais fácil, mas podemos… sempre… escolher. Pensem um pouco nisto quando estiverem com a cabeça descansada sobre a almofada.
Agora, sei que devem estar com imensa fome, mas devo-vos dizer que a nossa selecção ainda não terminou.-
Todos se entreolharam no Salão e olharam para as grandes portas, mas nenhum aluno do primeiro ano lá estava.
Dumbledore voltou a falar:
-É verdade, não há mais nenhum aluno do primeiro ano, contudo, há alunos novos, vindos de outra escola de magia e feitiçaria, que iremos receber com imenso gosto. O sexto e o sétimo ano vão ter ambos alunos novos, que não podem passar sem a selecção, pois têm de ter uma equipa, uma casa. Venham os nossos jovens professora McGonagall.- Acabou Dumbledore, sentando-se de novo.
As portas voltaram-se a abrir e duas pessoas entraram e Harry viu-a pela segunda vez naquele dia. Ostentava o sorriso mais belo que alguma vez lhe fora dado a ver. Não parecia minimamente incomodada com os milhares de olhares poisados sobre ela. Harry reparou que todos os outros rapazes, incluindo Ron, olhavam estupefactos, boquiabertos para ela, como que não acreditando em tamanha beleza. Mas também as raparigas estavam da mesma maneira, não a olhar para a rapariga, mas para quem se encontrava ao seu lado.
Era um rapaz alto, entroncado, olhos azuis, cabelo castanho elegantemente despenteado.
Tinha um ar superior que enervava terminantemente Harry, mas que pelos vistos apaixonara todas as raparigas do castelo. Parecia aborrecido, como se achasse toda aquela gente inferior, mas nem assim deixava de ser, Harry tinha que admitir, muito bonito. Como nem nunca Cedric Diggory alguma vez fora, nem nenhum rapaz que Harry conhecesse ou alguma vez tivesse visto. Mas, estranhamente, ele fazia-lhe lembrar alguém, só não sabia quem. (N/A: TOM WELLING! imaginei-o tipo ele! lol)
Harry olhou para Hermione e teve vontade de rir, pela primeira vez ela não iria poder condenar as outras raparigas, pois também ela estava decididamente fixada no rapaz.
-Quem… quem é ele?- Perguntou ela quase sem fala.
-Vamos lá Hermione, acorda.- Disse Harry.
-Ãh?.. Oh sim… Oh meu deus, que figurinha que eu estou para aqui a fazer, mas é que-
-Eu sei, eu compreendo-te.- Interrompeu Harry sem tirar os olhos da rapariga.
Ron nem dera pela conversa, continuava a olhar para os recém chegados.
Foi então que a voz da professora McGonagall se fez ouvir no Salão:
-Fehashe, Liah Magan.-
Então Liah era o nome dela.
Liah avançou num passo gracioso, seguro e confiante.
Pegou no Chapéu Selecionador, sentou-se no banco e colocou o primeiro na cabeça.
Harry tinha quase a certeza de que ela viria para os Gryffindor, afinal tinha tudo o que era preciso, Harry não a conhecia, mas pelo pouco tempo em que estiveram juntos, Harry sabia-o.
Mas pela segunda vez nesse dia experimentou a sensação de ter que se agarrar para não cair de costas, mas desta vez, desta vez Harry ficara completamente incrédulo, só poderia ter ocorrido um engano, o Chapéu enganara-se, pois da dobra que é a sua suposta boca não saiu Gryffindor, saiu sim:
-SLYTHERIN-
A mesa dos Slytherin rebentou num forte aplauso e Harry viu Malfoy arranjar espaço à sua direita, e mais uma vez Harry surpreendeu-se quando viu Liah, sem qualquer hesitação, tomar o lugar e começar logo a meter conversa com Malfoy, como se já se conhecessem. Seria possível enganar-se tanto acerca de uma pessoa?
Mas a professora McGonagall voltou a falar, desta vez provocando um arrepio que percorreu todas as mesas excepto a de Slytherin, um arrepio de estupefacção, de incredulidade ao soar o nome do rapaz que acompanhava Liah.
No Salão soou solitário o nome:
-Lestrange, Thomas-
Harry não queria acreditar no que ouvia, nem mesmo a professora McGonagall parecia acreditar no que lera, olhara de viés para Dumbledore, mas este continuava a sorrir, calmamente, acompanhando o caminho de Thomas até ao Chapéu.
Harry lembrou-se e olhou subitamente para Neville, tal como Ron e Hermione.
Neville estava completamente pálido, nem um pingo de cor ensombrava-lhe o rosto, nos seus olhos um véu transparente e brilhante começou a surgir, seguia cada passo de Thomas, e reagia como se cada um lhe roubasse um pouco do ar que tinha nos pulmões.
Por momentos Harry jurava tê-lo visto colocar a mão ao manto, como se se preparasse para puxar da varinha.
Por seu lado Thomas caminhava sorridente, como se ficasse tremendamente feliz com a reacção ao seu nome, tal como Liah, caminhava seguríssimo de si.
-Queres tentar adivinhar para onde este vai?- Sussurou Ron ao ouvido de Harry.
Desta vez Harry não se surpreendeu minimamente quando o Chapéu gritou:
-SLYTHERIN-
Thomas sentou-se ao lado de Malfoy e sorriu-lhe, a ele e a Liah, que lhe retribuíram o sorriso.
-Esta devia ser a surpresa de que Malfoy falara.- Comentou Hermione
-Como pôde Dumbledore tê-lo aceite?- Perguntou Ron olhando para a mesa dos Slytherin.
-Muito bem, selecções feitas, meus alunos, atirem-se à comida.- Pronunciou Dumbledore e o gelo que até então imperara no castelo, quebrou-se.
Inúmeras deliciosas iguarias surgiram nas mesas.
Mas Harry continuava a perguntar-se como podia ter Dumbledore aceite em Hogwarts o filho de Bellatrix Lestrange e Rodolphus Lestrange, dois fervorosos apoiantes de Lord Voldemort.
Mas o estômago de Harry obrigou-o a esquecer todas estas questões e a dedicar-se à comida.
No fim do banquete Harry e Ron mal podiam andar, de tanto que comeram.
Hermione quando se estava a levantar reparou que os talheres de Neville não estavam sequer sujos. Ele continuava de olhar fixo na mesa dos Slytherin.
-Vamos ali.- Disse ela puxando Ron e Harry para perto de Neville.
-Neville, vens connosco?- Perguntou-lhe ela amavelmente.
Ele relutantemente levantou-se e dirigiu-se juntamente com Harry, Ron e Hermione para a Hall de Entrada.
Quando se preparavam para começar a subir as escadas, uma voz grave e quente chamou:
-Longbottom.-
Todos os quatro se viraram e viram Thomas Lestrange, juntamente com Malfoy, caminharem para junto deles.
Pararam e Lestrange fixou o olhar em Neville, olhar esse que Hermione não se conseguia impedir de achar fascinante e lindo.
-Finalmente… tenho o prazer de te conhecer. Sabes… ouvi falar muito dos teus pais.- Disse ele na sua voz sedutora que levava Harry ao limite dos seus nervos, estendendo a mão.
Ron nem queria acreditar no que Lestrange estava a fazer, era nojento demais, nunca imaginou que alguém pudesse fazer aquilo, nem mesmo Malfoy, que sorria encantado com as palavras do seu novo amigo.
Hermione viu Neville olhar para a mão estendida de Thomas, e viu também os punhos do primeiro cerrarem.
Depois daquelas palavras também ela teve vontade de acabar com Thomas ali mesmo.
Neville sem aguentar mais virou costas e desatou a correr escada acima.
-Foi alguma coisa que eu disse?- Perguntou Thomas num tom falsamente surpreendido e preocupado.
-Como? Como é que alguém pode ser tão… tão…- Começou Hermione em tom furioso, mas não encontrou palavra suficientemente má para descrever Thomas.
-Tão quê arrebitadinha?- Perguntou Thomas dirigindo-se a Hermione.
Hermione fitou-o perigosamente, nunca passaria pela cabeça de Harry chamar arrebitadinha a Hermione.
-Não lhe ligues, não passa de uma Sangue de Lama.- Informou Malfoy.
-Não interessa, pode servir para as coisas mais básicas.- Disse Thomas.
Desta vez tinha ido longe demais, Ron e Harry sacaram ambos da varinha e apontaram-na a Thomas.
-Aconselho-te a não dizeres nem mais uma palavra.- Avisou Harry de varinha em riste.
Mas Thomas não parecia preocupado, fitou Harry divertido:
-Oh, o famoso Harry Potter, que violento, esperava uma coisa mais calminha, afinal perder os pais e agora aquele palhaço inútil do teu padrinho, Sirius, devia-te ter feito baixar a crista.-
Harry agora tinha ouvido que chegasse:
-Rictusempra!-
Mas Thomas que já há muito estava preparado, puxou da sua varinha e ao mesmo tempo que o feitiço saía da varinha de Harry gritou:
-Protego!-
Um escudo avermelhado surgiu à sua volta e quando o feitiço de Harry embateu nele, desvaneceu-se.
Tinha-se agora juntado uma pequena multidão à volta de Thomas, Harry, Ron, Hermione e Malfoy.
-Tu nunca me conseguirás vencer Potter.- Sussurrou Thomas.
-Harry pára, queres arranjar problemas logo no primeiro dia?- Perguntou Hermione com olhar apreensivo.
-É melhor ouvires a tua amiguinha Potter.- Disse Malfoy sorrindo.
-Mas o que é que se passa aqui!- Perguntou uma voz atrás de Thomas, uma voz que por mais que Harry não quisesse o deixava encantado.
-Estamos apenas a fazer novos amigos Liah.- Respondeu Thomas enquanto Liah se aproximava do grupo.
-Thomas deixa de ser parvo.- Disse Liah.
Harry não poderia ter adorado mais ouvi-la dizer isto.
-Calma linda, não stresses. Nós já estávamos de saída. Encantado por te conhecer Harry.- Disse Thomas.
Harry sentiu as mãos tremeram-lhe de raiva.
Thomas virou costas e juntamente com Malfoy e Liah dirigiram-se para as masmorras. Por breves momentos os olhares de Harry e Liah encontraram-se, mas ela apressou-se a desviá-lo.
Ao passar por uma rapariga morena, bonita, do sexto ano, Thomas passou-lhe suavemente uma mão pela face. O resultado foi a rapariga ficar com o ar mais feliz do mundo e corar intensamente, como se tivesse sido tocada por algum deus.
-Vamos Harry.-Pediu Hermione, ao que Harry acedeu prontamente.
Todo o caminho até ao retrato da dama gorda fora feito em silêncio.
Hermione disse a nova senha, Ishlibiddish, e o retrato abriu-se para os deixar passar.
Poucas pessoas se encontravam na sala comum, apenas um grupo de raparigas, entre elas Ginny.
Conversavam animadamente, e Harry nem quis acreditar quando se apercebeu de quê. Aquele grupo de raparigas de Gryffindor, estavam a falar das mil e uma qualidades do menino Thomas Lestrange. Será que elas não tinham ouvido bem o nome? Será que não sabiam que os Lestrange são impiedosos Devoradores da Morte?
Ron apercebendo-se também do que Ginny estava a falar e preparava-se para ir ter com ela, mas Hermione agarrou-lhe o braço.
-Hey, deixa-as estar, vamos dormir.-
Ron ainda hesitou, mas decidiu dirigir-se ao dormitório dos rapazes juntamente com Harry, enquanto Hermione ia para o das raparigas.
-Já não nos bastava o Malfoy?- Perguntou Ron enquanto vestia o pijama, mantendo a voz baixa, pois Dean, Seamus e Neville já se encontravam deitados.
Harry concordou com Ron, mas teve a sensação de que daí a uns dias, Ron ia preferir dezenas de Malfoy's ao invés de Thomas Lestrange.
Deitou-se, fechou a cortina e envolvido pelo escuro começou a relembrar todas as coisas que aconteceram nessa noite.
Naquele momento no comboio, tivera a certeza de que Liah era uma rapariga diferente das outras, especial. Mas pelos vistos enganara-se, ela era uma Slytherin, amiga de Thomas Lestrange e Malfoy. Como é que alguém com todas estas "qualidades" podia ser especial no bom sentido?
Também ainda não percebia como é que podiam ter aceite em Hogwarts a descendência de dois dos maiores apoiantes de Lord Voldemort. Mas o que mais enervava Harry era a facilidade com que Thomas Lestrange, apesar de tudo o que tinha contra ele, conseguia cativar as pessoas, colocá-las rendidas a si, principalmente as raparigas, mas também reparou nas caras de alguns rapazes, que de alguma maneira, viam nele um exemplo a seguir. Se tivessem ouvido só uma pequena parte do que ele disse a Neville.
Mas o pior foi quando ele mencionara Sirius, como se atrevia a falar dele, ainda por cima daquela maneira?
Perdido nos seus pensamentos Harry deixou-se levar pelo sono, carregado pelo cansaço.
Continua...
N/A: Bem... espero que tenham gostado! Se gostaram, mandem review, se não gostaram... mandem na mesma! Quem é que não precisa de ouvir uma criticazinha de vez em quando né! ) Oh, o meu primeiro post, que emoção! (ou então ñ! lol) e como foi o primeiro, se alguma coisa na apresentação estrutural da fic estiver eskisita ou mal, não liguem tá! Fikem bem! ;)
