Prólogo
— Bom dia…
Erza sorriu enquanto sentia sua cintura ser apertada com força pelos braços do marido.
— Você me acostuma tão mal — ela resmungou enquanto girava para ficar encaixada em um abraço.
— Bem, foi o que eu prometi, não foi? Depois que você finalmente aceitou sair comigo depois de sei lá quantos mil foras me deu – ele fez bico e ganhou uma bufada como resposta.
— Realmente quer falar sobre isso essa hora? — a ruiva retrucou fingindo irritação.
— Fiquei com um trauma muito grande por tantos foras... - ele fez drama.
— Você me mereceu, Jellal. Como pode me enganar daquele jeito? E ainda passar uma cantada de quinta pra cima de mim?
— Cantada de quinta? Eu estava falando a verdade! — Jellal retorquiu ofendido.
Erza girou os olhos e fez o movimento de que iria se afastar, mas Jellal a segurou e a prendeu na cama usando seu corpo para ficar por cima do dela.
— Dizer "Essa gargantilha ficaria linda no seu pescoço, pois o seu pescoço é mais lindo da recepção" é cantada de quinta. Não. Melhor. Nem dá pra considerar cantada. Pescoço lindo? — Erza fez uma careta e tentou empurrá-lo de cima de si, mas Jellal segurou os pulsos dela com força e a impediu de se mover. Ele se inclinou e deslizou levemente a língua pelo pescoço da esposa. Ele sorriu ao senti-la estremecer.
— O que posso fazer se tenho um fraco por pescoços e o seu era o mais lindo da recepção? — ele sussurrou próximo a orelha dela.
Erza sabia que ele tinha plena consciência do seu ponto fraco e se aproveitava totalmente disso para "dobrá-la". Ela nunca conseguia empurrá-lo ou até mesmo socá-lo quando ele falava manso perto da sua orelha daquele jeito.
Erza e Jellal se conheceram em uma exposição de joias dele. Na verdade, aquela era a exposição de estreia dele e quem organizou foi Natsu, o namorado da melhor amiga de Erza, Lucy. Natsu era um caça talentos e ficou louco quando viu a habilidade que Jellal tinha criar e produzir joias. Depois de algum esforço por causa da relutância de Jellal de largar o escritório de advocacia no qual trabalhava, Natsu conseguiu convencê-lo a criar algumas peças e lancar a exposição. Jellal não estava tão certo assim de que suas peças valiam a pena e muito menos de que poderia viver apenas disso.
Então, ele impôs como condição de que ninguém soubesse de imediato quem era o criador das joias e por isso a primeira coleção foi assinada apenas com seu sobrenome: Fernandes.
Paralelamente, Lucy estava enchendo a paciência de Enza, pois já iam fazer cinco meses desde que a loira começara a namorar Natsu e sempre que Lucy chamava Erza para apresentá-la ao namorado, a ruiva alegava cansaço ou estar ocupada com o trabalho e Lucy nunca conseguia apresentá-la a Natsu. Até que Lucy fez a chantagem de "Ou você vem ou eu nunca mais falo com você!" e Erza acabou sendo obrigada a ir na exposição.
Ela estava observando as peças expostas enquanto esperava por Lucy e Natsu, quando Jellal se aproximou.
— Parece que você gostou dessa gargantilha — ele comentou enquanto ela olhava deslumbrada para a gargantilha de rubis.
— É linda, mas não cabe no meu bolso — Erza respondeu em um tom de brincadeira.
— É uma pena. Essa gargantilha ficaria linda no seu pescoço, pois o seu pescoço é mais lindo da recepção.
Erza se virou pronta para soltar os cachorros nele e dizer que aquela havia sido uma das piores cantadas que ela já ouvido, mas… Bem, ela não gostava de admitir, mas se apaixonou a primeira vista. Antes de conhecê-lo ela sempre achou que isso de amor a primeira vista ou qualquer outro tipo de amor fosse balela. Mas Jellal apareceu e virou tudo o que ela conhecia e sentia de ponta cabeça.
Mas, apesar de apaixonada, Erza não cedeu fácil. Primeiro ela ficou muito irritada quando soube que ele era o artista e disse isso logo ao se apresentar. Erza ficou se sentindo uma idiota já que ficou reclamando do preço das joias e ele lá só ouvindo. Depois ela ficou enciumada quando as mulheres descobriram que ele era o criador das peças, ficaram praticamente se atirando em cima dele e ele não fez nada para afastá-las.
Aí ela decidiu que ele era um galinha, cachorro, sem vergonha e que não merecia que ela lhe desse uma chance. Jellal teve que suar muito para conseguir mudar essa visão dela.
Um dia, cansada de tantos devolver os chocolates, joias e flores que enviava, ela resolveu ceder e aceitou um convite para jantar.
— Sai – ela resmungou enquanto tentava empurrá-lo, mas Jellal estava dificultando o trabalho ao dar diversos beijinhos pelo pescoço dela. — Ao contrário de você, eu tenho que ir trabalhar!
— Você está me chamando de vagabundo? — Jellal estreitou os olhos de um jeito que Erza imaginava que ele pensava ser ameaçador. Se ele soubesse que aquele olhar não assustava nem a filha pirralha da vizinha.
— Vagabundo, vagabundo... não — Erza disse lentamente. — Folgado, talvez.
— Hey! — Jellal exclamou indignado. Erza aproveitou a distração dele, o empurrou e correu, rindo, para o banheiro. — Você sabe que eu vou cobrar com juros essa ofensa, não sabe? — ele perguntou e foi entrando no banheiro sem qualquer cerimônia. Apenas a risada de Erza foi ouvida como resposta.
