Era manhã, mais especificamente 8:30, e o dia se mostrara extremamente bonito nessa sexta-feira. Ginny estava deitada na sua cama de casal, esparramada por entre os lençóis, não se podendo dizer com o que ela sonhava, porque isso nem ela iria se lembrar ao acordar, mas, a julgar por sua expressão, não devia ser algo ruim.

Quando o som do telefone tocando chegou aos ouvidos da bela ruiva, ela se mexeu levemente, como se estivesse ponderando se aquilo fazia parte do seu sonho, porém acabou concluindo que o som não pertencia ao mundo onírico quando este tocou mais algumas vezes, insistente.

- Alô.

- Ginny, é o Diego – sim, não tinha como não reconhecer a voz de ser chefe do outro lado da linha, pois, assim como todo seu corpo, sua voz era forte – Bem, sei que você tinha pedido essa semana de folga, mas as coisas andam apuradas por aqui... Precisamos de você.

- Bem, no que exatamente vocês precisam?

- Já ouviu falar no Malfoy?

- Draco? – ele anuiu e ela continuou – Bem, o cara é destaque por todo lado, por ser jovem e ter herdado as empresas da família, mas não sei mais do que isso...

- Precisamos que você faça uma matéria sobre ele... Você teria, hum, um prazo de duas semanas, não é nada urgente, na verdade é para ser publicada no dia do aniversário dele, dia 05, mas sabe, a chefia quer um especial sobre ele...

- Ah, então eles devem estar envolvidos... É o que sempre acontece quando Lara está saindo com alguém.

- Creio que sim, mas acho melhor não discutirmos isso por telefone, ainda estamos trabalhando...

- Hora, fale por você, pois ainda estou deitada! – Havia algum tempo que Ginny e Diego se consideravam bons amigos, antes mesmo dele acabar se tornando seu chefe.

- Isso parece tentador – disse Diego num tom divertido.

- Quem mesmo disse que estamos em horário de trabalho?

- Ahh, sim, então Lara quer um especial sobre ele, ela não sabe ainda aonde vai divulgá-lo, se será na emissora ou no jornal – o jornal em que Ginny trabalhava pertencia ao mesmo grupo que uma conceituada emissora de tv e Lara era a principal acionista de ambos – portanto não se preocupe com a edição por hora, mas seria bom você tirar algumas fotos também.

- Ganharei mais por fazer o trabalho de repórter e fotografa ao mesmo tempo, não?

- Já que você insiste... Você é a jornalista mais excêntrica que eu já vi, se pedirem para você fazer todas as partes do trabalho, desde a pauta até a edição e se precisar faz a parte gráfica também...

- Bem, mas esse trabalho é diferente de todos que eu recebi e você sabe bem que eu não gosto de fazer o estilo colunista... Gosto de escrever sobre coisas que realmente importam...

- Eu sei muito bem, mas você sabe que é uma das melhores que temos por aqui e acho que justamente por isso que Lara te chamou...

- Então ela está gostando mesmo dele – e ambos caíram na gargalhada.

- Bem, você já sabe o que tem que fazer...

- Tudo bem então, até mais.

Ginny era jornalista e, depois de se formar, quis fazer outra faculdade que também era sua paixão: a fotografia. No início fora ruim conciliar as horas de "investigação" que seu trabalho exigia juntamente com a faculdade, mas ela acabara conseguindo. Gostava do que fazia, por isso não se importou em ter que voltar ao trabalho, mesmo não podendo 'atuar' na sua área preferida.

Levantou-se, espreguiçando-se dentro de uma camisola de seda amarela, e, pegando seu notebook, correu para pesquisar tudo o que pode sobre o tal Malfoy.

Assim passou a manhã. Pela tarde, saiu para descobrir mais sobre a vida do jovem rapaz, já sabendo exatamente aonde encontrar o que queria, consultou várias pessoas, fontes de informações valiosas e a noite já pode fazer um esboço do que mais tarde se tornaria sua matéria especial.

"Draco Malfoy (...) jovem com 26 anos, tornou-se uma celebridade ao se tornar o homem que, apesar da pouca idade, conseguiu administrar de forma honrosa a produtora de filmes e programas televisivos, a Mlf (...) Nos sete anos que esteve à frente da sua empresa quadruplicou o número de vendas e a expandiu para diversos países (...)"

E muitas outras informações se juntaram a essas, relatos de pessoas, fatos ocorridos e tudo o que Ginny conseguiu encontrar, que mais tarde seriam selecionados para formar a matéria. Estava indo tomar um banho quando seu celular tocou.

- Fale. – disse ela reconhecendo o número.

- Novidades, o Malfoy vai dar uma festa beneficente em sua mansão aqui em New York neste sábado. Terá início as 22:30 e adivinha? Já arrumei um jeito de você entrar.

- Ahh, obrigada J., irei lhe recompensar em breve.

Desligou o telefone, feliz com a idéia de uma festa para ir, mesmo sendo, nesse caso, uma penetra.

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As oito horas em ponto o despertador ao lado da cama da ruiva tocou. Ginny levantou e foi se arrumar, coisa que nunca lhe tomava muito tempo. Colocou uma calça jeans com um sapato de salto e uma blusinha de alçinha, prendeu seus cabelos ruivos num rabo desleixado, deixando algumas mechas lhe cairem pelo rosto perfeito. Pegou seus óculos de Sol e saiu em direção ao local de trabalho.

Não lhe tomaria muito tempo, pois morava em Manhattan e o local onde ela trabalhava era na mesma ilha. O nome do grupo em que Ginny trabalhava era World News, mas era "carinhosamente" chamado por todos de WN.

Ginny se dirigiu para um dos elevadores, como se estivesse programada para isso, ignorando o imenso saguão lotado e apertou no número 43. Um sorriso surgiu em seus lábios quando ela lembrou da reação da mãe ao descobrir que a filha trabalhava no 43º andar.

- Olá, – disse Thomas, um rapaz alto que trabalhava no mesmo departamento que ela.

- Oi, que tal andam as coisas por aqui?

- Ah, o de sempre, aquela velha correria.

Ginny sorriu para o colega e continuou andando. Subiu um lance de escadas e parou em frente a mesa de Mariette, secretária de Diego.

- Bom dia, Mariette. Será que você poderia me anunciar para o Diego?

- Claro, aguarde alguns instantes.

Ginny sabia que Mariette nunca fora muito com a sua cara, mas não conseguia entender o motivo de tal antipatia. Na verdade isso não lhe incomodava, mas gostava de ter as coisas em pratos limpos. Sentou-se em uma poltrona e aguardou até que a secretária finalmente decidiu que já estava na hora de passar o recado a Diego.

- Pode entrar – falou a secretária.

- Ginny, você está atrasada.

- Não estaria se sua secretária não esperasse uns dez minutos antes de me anunciar.

- Pensei que já tinha resolvido esse assunto com ela. Bem, mas me diga, o que descobriu?

- Bastante coisa, mas, julgando que pelas pesquisas que fiz, a imprensa não sabe muito sobre ele além da vida profissional e alguns passeios ocasionais.

- Então a apuração já está concluída? Você foi rápida dessa vez.

- Não totalmente, na verdade, fiquei sabendo que essa noite ele fará em sua mansão um festa beneficente, então pretendo recolher alguns depoimentos de pessoas mais intímas e, se tiver a chance, quero falar com o próprio.

- Você sabe que nessa festa não haverá imprensa, não é?

- E quem disse que eu vou como jornalista? Hora, sou apenas uma menina interessada. – ambos caíram na gargalhada com a cara de inocente que Ginny fez.

- Então você não vai levar a câmera?

- Não, mas você sabe bem que terei várias oportunidades para fotografá-lo, tenho pouco menos que duas semanas, isso é tempo suficiente.

- Mas não esqueça que você tem que terminar a matéria sobre Axel Wrage.

- Sim, como poderia esquecer? – Ginny fez uma cara preocupada

- O que está havendo?

- Nada, as mesmas coisas de sempre...

- Que coisas? Ameaças? Estão te ameaçando é isso?

- É isso, mas não se preocupe, ambos sabemos muito bem que quando a gente começa a cavar em lugares perigosos esse tipo de coisa sempre acontece...

- Ginny, sei que, mesmo pedindo como amigo, você não vai parar de investigar para escrever sua matéria, mas tenha extremo cuidado com essa gente, sabemos que ele não é apenas um político corrupto... Sabemos que tem muita coisa por trás disso tudo, muito poder.

- Eu sei Di, mas não acho certo parar... Não agora que falta tão pouco...

- É a resposta que eu imaginava que você iria me dar.

Ginny olhou para Diego, dentro daqueles olhos azuis. Seu rosto não mudara nada desde que ela o conheceu nos corredores da faculdade, ele era dois anos mais velho que ela, agora tinha 28 anos, mas tinha o mesmo rosto forte, com feições austeras assim como todo seu modo de agir, mas era uma ótima pessoa. Lembrou-se de tudo que ele passou ao seu lado...

- Bem, acho que posso ir então.

- Ahh, Ginny, você tem algum plano para amanhã?

- Depende, o que você pretende fazer?

- Na verdade, ainda não pensei, eu poderia passar na sua casa para decidirmos o que fazer...

- Por mim parece ótimo.

- Irei à tarde, de manhã pretendo visitar meus tios.

Eles trocaram mais algumas palavras e se despediram, com um habitual beijo no rosto.

A ruiva decidiu que iria esquecer o riquinho Malfoy pela tarde e procurar mais coisas sobre Axel Wrage. Ele tinha seus 39 anos e era extremamente influente, mas extremamente corrupto e para chegar aonde chegou havia matado muita gente. Claro que Ginny não sabia de nada disso quando tinha começada a investigar, mas quando mais fundo cavava mais porcaria achava. Ela sabia muito bem que teria que perguntar as coisas certas para as pessoas certas, para não levantar muitas suspeitas e ela sabia também que já tinha gente de Wrage de olho nela.

"Mas é a minha vida e é o que eu gosto de fazer..." Dissera Ginny numa conversa com Hermione, sua melhor amiga e esposa de seu irmão.

O dia passou com Ginny reunindo informações, e ao final do dia tinha fotos, gravações e algumas notas, mas ainda assim não era suficiente.

Lá pelas seis, resolveu que seria bom dar uma caminhada, então trocou de roupa e se dirigiu para o Central Park. Adorava fazer caminhadas lá de vez em quando.

Estacionou seu carro o mais perto possível e, pegando seu Ipod, começou a caminhar. Meia hora havia se passado e, como sempre fazia, a garota corria ao mesmo tempo que cantava a música que estava ouvindo. Era meio estranho para quem estivesse vendo, ainda mais Ginny sendo muito eclética para seus gostos musicais, mas ela não se importava, pensava apenas que a música que estava ouvindo se encaixava perfeitamente com o que ela estava vivendo.

In this farewell

There's no blood

There's no alibi

'Cause I've drawn regret

From the truth

Of a thousand lies (...)

Foi quando sentiu uma mão lhe tocar o ombro, virou-se alarmada, mas era Peter, irmão de Kimerly, sua amiga da faculdade.

- Oi – começou ele

- Oi – respondeu Ginny tirando os fones – Peter, minha nossa, como você mudou!

- Para melhor espero... Quer companhia para sua corrida?

- Claro, mas que tal desacelerarmos o ritmo? Uma caminha, que tal?

- Ahh, vejo que você já perdeu a forma desde que fui embora.

- Na verdade só estava preocupada com você, fraquinho... – disse ela lhe olhando de cima a baixo, mas de fraquinho aquele homem de pele bronzeada e lindos cabelos e olhos castanhos não tinha nada.

- Ah, bem, nesse caso acho melhor irmos andando mesmo.

Enquanto caminhavam conversaram sobre várias coisas, Peter e Ginny já tiveram alguns rolos no passado, mas tudo acabou quando ele foi estudar em Oxford, há uns cinco anos. Descobriu que ele tinha acabado de se formar e que já tinha, por influencia de seus pais, conseguido um emprego em uma grande empresa de advocacia, mas Ginny sabia que a Gazzoti só tinha permanecido com ele no escritório porque ele realmente era bom, pois era uma empresa de grande prestígio. Ele a convidou para sair à noite, depois de perguntar se ela estava namorando, mas Ginny tinha que trabalhar, por isso ele pegou seu telefone e ficou de ligar.

Graças ao seu encontro com Peter chegou em casa um pouco mais tarde do que havia previsto, mas ainda assim deu tempo para tomar um bom banho e se arrumar.