Toque da Chuva
Meu nome é Uzumaki Naruto e faz horas que me sentei nesse balanço esperando a chuva que ameaçava cair a tempos. Eu a acho tão fascinante, ela é forte e livre. Queria que minha alma fosse livre como ela! Tenho esperado a chuva só para vê-la, senti-la e me despedir do seu toque misericordioso, penso até que suas gotas se pareçam com minhas lágrimas de angústia que não derramei por falta de coragem.
Sinto pingos de chuva que aos poucos vão aumentando então pude, enfim, despencar me em lagrimas de angustia, medo, agonia e pânico, que a chuva lavava com piedade. Me dei o direito de levantar do balanço e andar pelo parque abandonado, tentando limpar a amargura de meu ser.
O parque. O lugar que realmente fui alguém e realmente fui feliz, apesar de tudo. Sinto falta da minha, era tão bom viver nesse mundo que eu achava perfeito, era tão bom não enxergar a maldita realidade desse sujo mundo destinado ao fracasso. Engraçado é saber que quando somos crianças não nos importados com a diferença de ninguém, mas quando crescemos somos fadados a reparar nas diferenças que a sociedade nos impõe.
Caminho pela rua ainda admirando o grande poder da chuva e sentindo o seu doce toque gelado. Não ligo par o frio. Não! Pelo contrario, gosto do frio, de sentir se vivo, a dor que isso provoca me ajuda a lembrar da minha existência. A chuva é tão boa para mim, ela não me descarta, ela me protege!
Indiferença. Saber que sente afeto, mas esse sentimento nunca será recíproco dói tanto, pesa o meu coração, machuca de um jeito que parece que vai sangrar. Nunca senti que alguém me amava e por não conhecer tal sentimento não saberia amar direito. Nunca senti o amor de minha família por que jamais os conheci. E amizade? Meu melhor amigo me abandonou, me humilhou, não ligou pra nada. Se é assim, quero que todos me odeiem, é bem melhor ser odiado do que saber que você não faz uma pequena diferença na vida de alguém. O mesmo de não existir!
Aos poucos em passos lentos e ainda de baixo de chuva, me aproximo de casa. Começo a pensar em como as pessoas são falsas se escondendo por detrás de uma máscara procurando, assim, serem perfeitos para o mundo, escondendo o que sentem para agradar outros fingidos. Por isso nunca me aceitaram nessa destrutiva linda mentira, me rejeitaram como se eu fosse algo imundo, bizarro. Me rejeitaram por não aceitarem minha diferença.
Prisão. Fecho a porta atrás de mim, percebo que da pra escutar o barulho abafado da chuva. Olho e analiso a minha casa, que para mim se assemelhava a uma prisão. As minhas roupas escorriam água que ao pingarem no chão me lembrava gotas de chuva que nunca mais verei. Vou direto ao banheiro e lá ligo o chuveiro, para me lembrar mais ainda da chuva, e fico para receber a sua piedosa água. Ponho a mão no bolso em busca de um objeto e fecho os olhos para me lembrar melhor da chuva.
Dor. Vejo pingos vermelhos cair e se misturar com a água do chuveiro no chão do banheiro, olho o meu pulso cortado que sangrava aos horrores e vejo beleza naquilo. Sangra muito, mas não ligo. Como é engraçado não sentir dor física quando está acostumado com a dor emocional. Mas seria mentira se eu falasse que não sinto dor, eu a acho tão prazerosa, me sinto com vida quando sinto dor. Saber que vive é sentir dor!
Escuridão. Minha a minha visão esta começando a embaçar e encosto as minhas costas na parede, corto o outro pulso e mesmo a minha visão embaçada reparo no aumento da tonalidade vermelha no chão molhado. Aos poucos escorrego ate chegar ao chão e manter as costas amparadas pela parede. Cada vez mais minha visão escurece e nem consigo escutar o som da chuva. Agora sim todos serão obrigados a prestar atenção em mim! Percebo a escuridão chegar. Sei que é ridículo, mas tenho medo do escuro, começo a me desesperar. Não quero passar a eternidade no escuro! Agora é tarde para fugir do medo, tarde demais para fugir da escuridão.
