Capítulo I – Todo Fim Tem Um Começo

But darling,

(Mas querido,)

You are the only exception

(Você é a única exceção)

Because none of it was ever worth the risk

(Porque nada disso algum dia valeu o risco)

You are the only exception

(Você é a única exceção)

15 de Janeiro de 2012, 20h30min, Jacksonville, Flórida, EUA

Narração por Hermione Granger

Eu estava em uma festa na casa de Eve*, em Jacksonville. Ela se mudara de Los Angeles para cá, quando o marido, Dimitri Ashton Freestone, fora transferido há dois anos.

Dimitri era um sujeito alto de cabelos cor de caramelo e forte, que possuía os olhos amendoados mais bonitos que eu já vira. E apesar dele ser um verdadeiro pedaço de mau caminho, como Gina dizia, o homem que vinha ao lado dele conseguia ser mais bonito ainda. Era uma das únicas, ou a única pessoa que eu não conhecia ali. Ou pelo menos não me lembrava de conhecer, apesar de já pensar ter visto aquele rosto em algum lugar.

Captei as primeiras impressões enquanto ele olhava pra mim. Cabelos castanho-escuros, olhos azuis como o céu, braços fortes e pernas divinas, ou pelo menos foi o que pude ver pelo smoking. O rosto tinha traços marcantes, a barba por fazer, um nariz fino e reto, maçãs do rosto um pouco salientes e uma boca de tirar o fôlego. Ele mais parecia um deus do Olimpo do que um homem.

- E aí, Mione?

- Oi, Dimka.

- Onde está Draco?

- Viajando – e revirei os olhos. – Volta mês que vem.

- Você nunca gostou muito disso, não é?

- Arrependo-me piamente de ter me casado com alguém que é muito requisitado no Ministério. Enfim, não vamos estragar a noite falando disso, não é?

- Claro que não. Acho que devo lhe apresentar – e virou-se para o estranho ao lado dele. – Este é Andrew Witherspoon. Ele vai trabalhar conosco no St. Mungus.

- Ah, seja bem-vindo então, Witherspoon.

- Andrew, por favor – e beijou-me a mão.

- Andrew, esta é Hermione Granger-Malfoy, médica do hospital.

- Prazer em conhecê-la, Hermione.

O olhar que me lançou foi tentadoramente irresistível, e senti minhas pernas ficarem bambas.

- O prazer é todo meu – e lancei-lhe um sorriso, que foi retribuído.

- Bom, já que já estão devidamente apresentados, Eve está me chamando. Divirtam-se.

Era o que eu pretendia.

- Então, Hermione... Você trabalha com o quê no St. Mungus?

- Sou pediatra, e você?

Ele pegou duas taças de champanhe, entregando-me uma, da bandeja antes de responder-me.

- Bem... – Ele bebeu um pouco, analisando-me. – Sou cirurgião.

- Não sabia que Dave precisava de outro cirurgião no hospital.

- Desculpe, quem?

- Ah, esqueci-me que você ainda não conhece a equipe. David Oleander, que chamamos simplesmente de Dave, é uma espécie de "chefe" da equipe de medicina do hospital.

- Certo.

- Por que você veio parar logo aqui em Jacksonville? Você não deve ser daqui pelo que parece.

- Sou de Nova York.

- Meio distante, não?

- Pedi transferência para cá, por causa de Dimitri. E eu não podia mais ficar em Nova York.

- Dimitri?

- Sim. Dimitri é meu primo. Compartilhamos o nome do meio, mas como eu uso apenas o último quase ninguém sabe. – Ele sorriu.

- Pensei que Dimitri fosse da Califórnia.

- Ele é sim de lá, e eu também. Estava apenas passando um tempo em NY. Não há grande coisa que me prenda a nenhum dos dois lugares, então vivo pedindo transferência.

- Quanto tempo passa em cada lugar?

- No máximo dois anos.

Pesei aquela frase em minha cabeça. "No máximo dois anos." Um tempo relativamente pequeno.

- Por quê?

- Me canso de ficar no mesmo lugar o tempo todo. Não sou casado, de qualquer forma.

- Solteiro?

- Absolutamente.

Perguntei-me como um homem daqueles poderia ficar solteiro. Se eu pudesse, já teria agarrado aquela visão do paraíso.

The truth is hiding in your eyes

(A verdade está escondida nos seus olhos)

And its hanging on your tongue

(E está pendurada na sua língua)

Just boiling in my blood

(Apenas fervendo no meu sangue)

But you think that I can't see

(Mas você acha que eu não consigo ver)

Narração por Andrew Ashton Witherspoon

Quase pude ver as engrenagens na cabeça dela processando a informação de que eu era solteiro. Eu ocultara a informação de que eu não suportava mais ficar em Nova York por causa da minha ex-namorada, mas isso não importava.

- Bem... – ela começou.

- Quer sair um pouco daqui? Dar uma volta, talvez? – Perguntei, observando seus olhos castanhos que eram um mar de perdição.

- Claro. Está um pouco calor aqui, não está?

- Um pouco.

E saímos deixando as taças em uma mesa vaga. Era inverno, e ninguém jamais poderia sentir calor em pleno inverno. Mas a temperatura parecia ter subido um pouco desde que eu a vira pela primeira vez.

- Então, Hermione... Tem muito tempo que você trabalha no St. Mungus?

- Acho que há uns treze anos mais ou menos, creio eu. Sim, treze anos. Quando Elisabeth nasceu eu já trabalhava lá há três anos.

- Você tem filhos? – Perguntei, arqueando as sobrancelhas, em sinal de surpresa.

- Sim – ela sorriu simplesmente.

- Você não parece ter uma filha de dez anos.

- Não pareço?

O som do riso dela me inebriou.

- Não. – Sorri, afastando os cabelos dela de seu rosto e pondo-os atrás de sua orelha. Por algum motivo, eu não consegui me afastar, e meus dedos pareciam queimar em brasa ao sentir a textura da pele de seu pescoço.

Ela tampouco se afastou, inesperadamente dando um passo a frente que nem parecia ter percebido.

Narração por Hermione J. Duff Granger-Malfoy

Quando ele me tocou foi como se algo em mim, que eu não sentia há tanto tempo, despertasse novamente à realidade e fizesse-me sentir viva.

Encarei seus olhos azuis, e por mais que minha mente me alertasse constantemente que eu não deveria fazer isso, quando eu vi a textura de seus lábios, abruptamente eu dei um passo à frente.

- Está frio aqui fora, não está? – Perguntei, vendo-o dar outro passo na minha direção.

- Muito. – Seus lábios se aproximavam cada vez mais dos meus.

- Nós não devíamos...

- Não. – Mas mesmo com essa resposta, senti-o cada vez mais próximo... A apenas uma respiração de distância. E por fim, nada mais nos separava.

O beijo que começara lentamente e, que se parecia mais com um teste, foi se tornando cada vez mais profundo enquanto suas mãos desciam para a minha cintura, aproximando seu corpo ao meu. Mal pude resistir à vontade insana de arrancar-lhe as roupas ali mesmo e partir para o passo seguinte. Eu não deveria. Eu mal o conhecia, afinal. Mas era tão... Irresistível. Ele era tão irresistível.

Afastamo-nos subitamente com as respirações entrecortadas, e encaramo-nos enquanto tentávamos conseguir pronunciar algo.

Stuck on you 'till the end of time

(Presa a você até o final dos tempos)

I'm too tired to fight your rhyme

(Eu estou muito cansada para combater sua rima)

Stuck on you 'till the end of time

(Presa a você até o final dos tempos)

You've got me paralyzed

(Você me tem paralisada)

No, I can't escape your inside rhyme

(Não, eu não posso escapar de sua rima interna)

When you shoot it deep

(Quando você disparar profundamente)

Straight into my mind

(Direto pra minha mente)

- Uau! Isso foi...

- Hermione! – Gritou uma voz do interior da mansão para mim.

- Droga!

Vir-me-ei sem dizer uma palavra, e só pude ver de relance o sorriso no canto dos lábios carnudos.

Narração por Andrew Witherspoon

Só pude ver de relance, enquanto ela se virava, a expressão frustrada em seu rosto inebriante.

Narração por Hermione Granger-Malfoy

Aquilo só podia ser brincadeira, alguém só podia estar brincando com a minha cara. Merlin só podia mesmo estar brincando comigo.

Adivinha só por que eu fora tirada do melhor e mais insano momento da minha vida? Aliás, por quem? Por quem? Draco Blythe Malfoy, meu marido. Argh! Sem sombra de dúvida eu ia arrebentar a cara dele da próxima vez que o visse. Tudo para me perguntar se eu estava bem, pois não conseguira me achar no celular (que, aliás, eu nem ouvira tocar), e avisar que chegaria na próxima semana.

Apesar que eu deveria ficar feliz com isso, e a minha voz ao telefone parecer feliz, eu não sentia mais nada. Ou era o efeito do champanhe que eu bebia enquanto falava com ele para tirar Andrew da minha mente, ou...

Céus! Eu só podia estar pirando. Quer dizer, eu estava casada há tanto tempo, e... Uau! E, no entanto, eu pensava em um cara que eu acabara de conhecer.

Observei as estrelas no céu pela janela da biblioteca e lembrei-me vagamente da lua de mel em Paris, dez anos atrás. Fora maravilhoso, fora... Épico. Mas tudo isso fora pelo ralo em questão de minutos. Em questão de segundos. O que eu estava fazendo?

Bebi o resto do champanhe, e já está no meio do caminho para voltar para a festa, quando esbarrei em Andrew.

Encaramo-nos aturdidos por um momento, sem a menor sombra de dúvida, os dois recordando os instantes em que estávamos do lado de fora da casa.

Um desejo sobre-humano pulsava nos olhos dele. Pulsava no fundo daqueles lindos olhos azuis brilhantes que eu adorei desde a primeira vista.

Eu sabia, entretanto, que o desejo, ou melhor, um pouco dele, mostrava-se evidente em meus olhos, e martelava convulsivamente e cruelmente em minha corrente sanguínea.

Seus dedos tocaram a taça na minha mão, como que para pegá-la, e segurei seu braço sem saber se o afastava ou o aproximava. Logo em seguida, seus lábios tocaram os meus, impacientes. Desde então, tudo o que acontecera fora imprevisível e inevitável.

Aparatamos num dos quartos de hóspedes no andar de cima, que estava absolutamente escuro, mas a taça não estava mais nem em minhas mãos, nem nas dele. A porta foi trancada com um estalar de dedos, e eu apenas vi roupas voando em todas as direções antes de nos atracarmos um ao outro.

- Nós dois sabemos que isso é um erro. – Ele disse, mas tirou-me o sutiã do corpo enquanto minhas costas tocavam o colchão macio da cama.

- Se eu não soubesse disso, não estaria aqui. Preciso de um pouco mais de riscos em minha vida. – Mordi-lhe os lábios, e ele sorriu quando segui para seu pescoço, voltando a ficar em silêncio.

Foi fantástica... Foi grandiosa... Foi realmente épica aquela noite. Eu pude esquecer até mesmo quem eu era, meus princípios e o quanto eu estava cansada de ficar sem Draco e do trabalho. E onde eu realmente estava.

I've got a tight grip on reality

(Eu tenho uma forte noção de realidade)

But I can't

(Mas eu não consigo)

Let go of what's in front of me here

(Deixar o que está na minha frente)

In the morning, when you wake up

(Quando você acordar de manhã)

Leave me with some kind of proof it's not a dream

(Me deixe uma prova de que não é um sonho)


Acordei na manhã seguinte, com ele me sacudindo e chamando meu nome.

- Hermione, acorde. Por favor, acorde.

Ouvi gritos. Gritos meus. Abri os olhos assustada e encarei-o, já novamente calada.

- O que aconteceu? – Perguntei, afastando alguns fios de cabelo do meu rosto, meio sonolenta.

- Você aparentemente estava tendo um pesadelo. – Ele arqueou as sobrancelhas. – Ou pelo menos eu imagino que sim.

- Um pesadelo? – De repente as imagens do sonho acertaram-me em cheio.

Eu sonhava com Draco, mas não como eu costumava sonhar, e sim com ele descobrindo-nos e matando ambos com... Uau! Senti o sangue corando meu rosto, e vi um sorriso se formando nos lábios dele.

- Desculpe, eu não pude evitar.

- Não tem problema. Acontece. – Ele pôs os cabelos que caíam em meu rosto atrás da minha orelha de deixou a mão ali, como fizera na noite anterior.

Encarei-o, esperando o que vinha a seguir. Nada.

- Se for demorar muito me avise.

Ele riu, e eu me perdi naquele som.

- Ah, quer saber? Que se dane! – E beijei-lhe os lábios, empurrando-o e fazendo-o se deitar novamente, exatamente no momento em que o meu celular tocou. – Droga! Isso só pode ser brincadeira!

Saí de cima dele e levantei para procurar o bendito celular perdido no chão. Achei já no último toque.

- Hermione, onde você está?

Gina.

- O que aconteceu, Gina?

- Você tinha marcado de se encontrar comigo, mas não está em casa.

- Desculpe, tive que sair. Estou com uma dor de cabeça do cão.

E estava mesmo, mas não era tão forte assim.

- Onde você está?

Olhei para um Andrew que me encarava com diversão.

- Lhe encontro em meia hora aí. Espere-me. – E desliguei o telefone ficando sem resposta.

- Meia hora não é suficiente.

- Eu espero que seja. Seja rápido dessa vez.

Ele lançou-me um sorriso torto, e acabamos começando tudo outra vez.


Acho que devia melhorar meu conceito de "rapidinha". Cheguei em casa com meia hora de atraso e troquei de roupa antes de encontrar Gina. Eu não aguentaria ver a cara dela de desaprovação ao me ver chegando de uma festa às 10h da manhã.

Assim que vi a ruiva fiz uma careta. Eu nem tinha tomado café da manhã ainda, droga.

- O que foi, Gina?

- O que você queria?

Pensei em uma desculpa convincente o suficiente, já que eu havia esquecido o que era tão importante para contar a ela. Por fim, dei de ombros, dizendo:

- Era só pra você me ajudar a escolher um vestido para... – eu já ia completar com "essa noite", mas pensei melhor e reformulei a frase. – Para quando Draco chegar e nos formos sair.

Ela sorriu,

- Era só isso?

- Sim – sorri de volta, com a consciência ficando pesada por mentir para ela.

- Onde quer ir?


Gina desconfiara da parte de eu não ter tomado café, mas eu mudei de assunto logo em seguida enquanto comprava um donut e um cappuccino no shopping. Passei o resto do dia aprontando os detalhes finais para a noite que se seguiria e o fim de semana agradável que eu provavelmente teria. Deixei meus filhos na casa de meus pais e uma bolsa pequena já arrumada, antes de ir tomar banho.

Enquanto enxugava os cabelos, olhei fixamente para o vestido perfeitamente apropriado para ocasiões que exigiam um figurino mais elegante, e o colar ao lado dele que Andrew havia me enviado por intermédio de Dimitri. Um Dimitri que me encarou com sobrancelhas arqueadas e um pouco tenso.

- Andrew pediu-me para lhe entregar isso. – Disse baixinho e estendeu-me uma caixa preta pequena e fina de veludo que eu peguei com cuidado. – Pediu-me também para avisar-lhe que espera que você realmente o acompanhe. E isto. – Deu-me um cartão às escondidas, já que minhas filhas me observavam na sala, antes de despedir-se de mim e ir embora.

- Mamãe? – Mary-Kate encarou-me duvidosa.

- Eu... Eu já volto – e aparatei no meu quarto para ler o cartão, inevitavelmente me lembrando da noite anterior e de como ele me chamara para sair com ele. Para ir a uma ópera.

Deste modo que me encarei satisfeita no espelho, já vestida, e indo pegar na cama o colar de diamantes que Andrew me enviara. Eu sabia que deveria devolvê-lo, mas era muito bonito e surpreendentemente combinava comigo e com meus cabelos loiros, como ele logo tratou de citar quando me pediu para usar.

Peguei a bolsa em cima da cama, antes de conferir tudo novamente e partir satisfeita para mais uma noite memorável.

Fim Do Capítulo I.

*(ver capítulo 7 de Novo Jeito de Ser 2)


N/A: Hi people! As músicas em sequência são The Only Exception, Decode, Stuck On You e The Only Exception, de novo. Todas do Paramore. Bem, os comentários eu deixo pra quem leu mesmo. Espero que tenham gostado. Xoxo.