Olá pessoas, segue mais uma adaptação dessa vez da autora Miranda Lee, espero que vocês gostem!
PRÓLOGO
O elevador subiu para a cobertura, parando silenciosamente antes que a porta se abrisse com suavidade, revelando um foyer de mármore sob os pés. E uma vista de tirar o fôlego à frente. O porto de Sidney num dia claro de verão sempre era uma paisagem a ser contemplada, com sua água azul brilhante e redondezas pitorescas, porém, era ainda mais espetacular daquele ponto alto.
Edward meneou a cabeça quando saiu do elevador e foi em direção à enorme janela de vidro, sua expressão irônica ao olhar para Emmett, que tinha ficado um pouco atrás.
— Posso entender por que não teve problemas em vender estes apartamentos — observou ele para seu amigo e colega profissional. — Nunca apreciei uma vista mais bonita.
O semblante bonito de Emmett parecia satisfeito quando ele se aproximou e parou ao lado de Edward.
— Sempre ajo de acordo com aquele velho ditado imobiliário: posição. Além de estar de frente para o norte, com a magnífica vista da ponte, este ponto em East Balmain fica a apenas um pequeno trajeto de balsa do centro de Sidney, e um trajeto ainda mais curto de Darling Harbour.
— É um excelente lugar, especialmente sendo perto do CBD — acrescentou Edward. — No passado, houve murmúrios no banco de que eu usei dinheiro deles para apoiar um de seus muitos projetos. Minha nova posição como diretor-executivo poderia estar em perigo se isso tivesse se provado um investimento inútil. Os executivos ficaram muito preocupados quando você não permitiu que investidores comprassem a planta.
Emmett sorriu.
— Ah, mas estes apartamentos não eram designados a investidores, e sim às pessoas que se apaixonassem por pelo menos um deles e quisesse viver aqui. Também devotei dois pisos a uma academia de ginástica, sauna e quadra de squash. Mandei mobiliar e decorar todos os apartamentos. O custo de cada um ficou entre cem e duzentos mil, mas provou ser a mais bem-sucedida ferramenta de venda.
Edward assobiou.
— Duzentos mil para decorar cada apartamento? Meu Deus! Ainda bem que você não me disse isso antes. O pessoal do banco teria tido um ataque. Talvez até eu — acrescentou com uma risada.
Havia facções do banco que não tinham aprovado a promoção de Edward no ano anterior.
Alguns dos executivos mais velhos o consideravam muito jovem... com 38 anos... para dirigir uma instituição financeira multimilionária.
— Por isso não lhe contei até agora — disse Emmett. — Sei quando devo manter um segredo. Mas você riu por último, caro amigo — adicionou, batendo no ombro de Edward. — Abrimos as vendas em outubro, e o edifício já está noventa e cinco por cento ocupado. Três meses e só resta uma cobertura vazia, juntamente com poucos apartamentos nos andares mais baixos.
— O que há de errado com esta cobertura que você não vendeu? — perguntou Edward. — Muito cara? Algum erro na decoração?
— Não. Ela não está no mercado.
— Ah. Você a reservou para si mesmo.
Os olhos azuis de Emmett brilharam.
— Venha. Vou lhe mostrar.
— Posso entender agora por que você ficou com esta — comentou Edward dez minutos mais tarde.
O imóvel não se parecia nada com outras coberturas que Edward tinha visto na vida. E já vira muitas. Aquela era como uma casa de praia completa, com canteiros, uma piscina e grandes terraços, onde se poderia estender-se sob o sol e apreciar a vista.
Do lado de dentro, a decoração continuava a promessa de um estilo de vida relaxado e descontraído. O piso frio era cor de creme, assim como as paredes. A maior parte dos móveis era de bambu, com estofados macios em vários tons de azul. Tapetes em azul e amarelo davam calor aos pisos frios.
Não havia cortinas ou persianas para bloquear a vista, embora ninguém do lado de fora pudesse ver através dos vidros. Naturalmente, havia tanto ar condicionado quanto aquecimento central. Todos os cômodos possuíam portas de correr que levavam aos terraços. Um muro alto de cimento separava as duas coberturas, proporcionando privacidade e tranquilidade na área da piscina.
Quando Edward entrou na espaçosa suíte principal, com sua cama luxuosa e uma tela de tevê embutida na parede oposta, pura inveja o consumiu. Ele sempre admirara Emmett por sua tenacidade e otimismo. Admirava a forma que ele havia saído de uma quase falência alguns anos atrás, para levantar-se e escalar a sua atual posição, como o grande talento na construção civil de Sidney.
Mas nunca, jamais o tinha invejado.
Até agora.
Subitamente, Edward queria aquela cobertura. Queria ir para lá todas as noites, em vez de para o apartamento sem alma que vinha ocupando desde a morte de sua esposa, 18 meses atrás. Até mesmo queria compartilhar aquela cobertura com alguém, o que era uma surpresa também. Até aquele momento, o pensamento de compartilhar sua vida... e sua cama... com outra mulher lhe era inaceitável. Estivera emocionalmente destruído desde que enterrara Tanya. E fechado sexualmente também.
Não era de admirar que viesse trabalhando 24 por dia no banco. Seus hormônios masculinos tinham sido dirigidos para outro lugar. Parecia, todavia, que seus hormônios estavam sendo descongelados, porque quando Edward olhou para a cama king size, não se visualizou dormindo sozinho.
Sua pele se arrepiou com a imagem mental de si mesmo fazendo amor com uma mulher sobre a colcha azul de seda. Ninguém que já conhecesse. Uma estranha atraente. Morena. De olhos suaves. Seios generosos. E muito disposta.
— Você realmente gosta deste lugar, não é? — perguntou Emmett.
Edward riu.
— Não pensei que eu tivesse sido tão óbvio. Mas, sim, gostei muito. Consideraria vendê-lo para mim?
— Não.
Edward foi tomado por uma forte sensação de frustração.
— Ora, Emmett, você já tem uma mansão na água aqui perto. Para que quer esta cobertura?
— Para dar a você.
— O quê? — Edward arqueou as sobrancelhas.
Emmett esboçou aquele sorriso desarmado que lhe era típico.
— Aqui estão as chaves, meu amigo. É seu.
— Não seja ridículo! — exclamou Edward, embora o coração estivesse disparado dentro do peito. — Não posso deixá-lo fazer isso. Este lugar vale uma pequena fortuna.
— A outra cobertura foi vendida por cinco milhões e quatrocentos mil dólares, para ser preciso. Mas esta é melhor e maior. Aqui. — E ele pressionou as chaves na mão de Edward.
— Não, não. Você tem de me deixar pagar por ela.
— De jeito nenhum. É toda sua, em agradecimento. Você me ajudou, Ed, quando ninguém mais fez isso. E não estou falando apenas sobre dinheiro. Você me deu sua amizade, e confiou em meu julgamento. Isso vale mais do que todo dinheiro do mundo.
Edward não sabia o que dizer. Somente duas vezes em sua carreira bancária tinha feito amigos pessoais ou emprestado dinheiro. Estas não eram atitudes aconselháveis. Mas nunca se arrependera de tais decisões.
E, claro, era difícil negar algo para Emmett, e impossível não gostar dele.
Jasper fora um caso totalmente diferente. Com uma personalidade mais séria do que Emmett, o jovem gênio da informática tinha ido ao banco diversos anos atrás a fim de pedir um empréstimo para iniciar sua própria companhia de software. Tendo sido um delinquente com um permanente senso de inferioridade, Jasper não tinha a menor habilidade para negociar um empréstimo.
Mas era certamente brilhante, honesto e ambicioso. Edward ficara tão impressionado que investira seu próprio dinheiro na companhia de Jasper, assim como o dinheiro do banco.
Com o passar do tempo, Edward havia passado a gostar de Jasper também, apesar do jeito rude do jovem. Ele convencera Jasper a ir a uma das famosas festas de Emmett, e os três logo tinham se tornado melhores amigos.
Hoje, Edward considerava Emmett e Jasper seus melhores e únicos amigos. Outros colegas em sua vida fingiam amizade, mas Edward sabia que o trairiam assim que tivessem chance.
— Você não tem ideia do quanto isso significa para mim — disse Edward, fechando as mãos ao redor das chaves.
— Mas aceitar uma cobertura luxuosa de presente me colocaria numa posição impossível com o banco. Meus inimigos teriam um dia cheio. Haveria todo tipo de rumores sobre corrupção e só Deus sabe o que mais. Você precisa me deixar pagar por isso.
— Você e aquele banco maldito, e aqueles patifes que trabalham ao seu lado.
Edward riu.
— Sim, eu sei, mas é meu maldito banco agora, e eu gostaria de manter isso assim. Eu lhe darei o valor de mercado. Qual seria? Seis milhões?
— Provavelmente. — Emmett suspirou. — Muito bem. Seis milhões.
— Ouça, eu tenho condições para isso — apontou Edward. — Fiz dinheiro com a casa de Palm Beach que comprei. — Que foi vendida uma semana após o funeral de Tanya.
Edward não adicionou que, durante os 18 meses desde a morte de Tanya, ele também triplicara sua fortuna pessoal no mercado de ações. Incrível como se podia ter lucros quando não temia os riscos que se está correndo.
Poderia se aposentar agora, e viver do dinheiro de suas propriedades e ações.
Mas é claro que não faria isso. Gostava dos altos e baixos do mundo financeiro, apreciava o poder e prestígio que alcançara em sua nova posição. Edward imaginou como Tanya teria reagido ao seu sucesso, se ainda estivesse viva. Ela apreciaria o dinheiro, a vida social que o novo cargo dele requeria. Mas isso a teria mantido somente na cama dele?
Edward duvidava.
Uma mulher que encontrava um amante depois de estar casada dois anos não era fiel por natureza. Não fosse pelo resultado da autópsia, Edward nunca teria descoberto a terrível verdade sobre a mulher que amava. Ele questionara o investigador do caso sobre a idade da criança que Tanya esperava quando o acidente de carro tirou-lhe a vida, mas fora certificado de que não havia engano. Aproximadamente seis semanas.
Edward estivera viajando a negócios por um mês próximo do período de concepção.
A criança não era sua.
Ele apertou mais as chaves na mão. Quisera tanto um filho com ela. Mas Tanya vivia dizendo que não estava pronta para fraldas sujas e noites em claro.
O que mais o atormentava... agora que suportava pensar nisso... era como ela o cumprimentara quando ele tinha voltado para casa da última vez. Como se tivesse sentido muita saudade. Como se realmente o amasse, quando, durante o tempo todo, carregava o filho de outro homem.
Claramente, Tanya iria dizer que o bebê era de Edward.
Que tipo de mulher podia fazer isso?
Edward havia enterrado ambos com um coração partido, então enterrara a si mesmo, no trabalho.
Diziam que o tempo curava tudo. Talvez sim. Mas Edward sabia que sua vida nunca seria a mesma depois de Tanya. Para começar, nunca mais seria capaz de se apaixonar. Essa parte sua tinha morrido com ela.
Mas não queria continuar vivendo sozinho.
E ainda queria um filho.
Era definitivamente hora de seguir em frente. Hora de encontrar uma esposa, do jeito que Emmett encontrara Rosalie depois que a noiva o dispensara.
— Você está com aquela expressão no rosto — disse Emmett, quebrando o silêncio no quarto.
— E que expressão é essa?
— Aquela que você assume quando está prestes a me fazer infinitas perguntas, normalmente sobre um novo projeto que estou começando.
Edward sorriu.
— Você é um homem intuitivo. Tenho algumas perguntas a lhe fazer. E, sim, é sobre um projeto seu. Mas não um novo. Um que você completou o ano passado. Vamos nos sentar no terraço?
— Nunca o vi tão misterioso — disse ele enquanto seguia Edward para a luz do sol.
Edward puxou uma cadeira do terraço e se sentou. Esperou até que Emmett se acomodasse à sua frente, então falou:
— Decidi que quero me casar novamente.
— Mas isso é ótimo! — proclamou seu amigo. — Eu não sabia que você estava saindo com alguém.
— Não estou. Mas espero estar em breve, uma vez que você me ponha em contato com a gerente de Esposas Procuradas.
Emmett franziu o cenho.
— Mas você não aprovou a ideia quando eu lhe falei sobre isso.
— Fiquei surpreso, só isso. — Uma reação normal, na opinião de Edward. Emmett não parecia o tipo de homem que usaria uma agência de namoros para uma apresentação. A confissão que fizera ao seu padrinho antes do casamento, no ano anterior, de que encontrara sua linda noiva através de um site na Internet tinha sido um choque.
A agência se chamava Esposas Procuradas, seu objetivo era combinar homens profissionais com o tipo de mulheres que muitos deles queriam se casar, especialmente aqueles que já tinham sofrido uma decepção amorosa no passado. Aparentemente, seu banco de dados estava repleto de mulheres atraentes que só estavam interessadas em uma carreira.
Casamento. Mulheres cuja prioridade não era necessariamente amor, mas segurança e compromisso.
Muitas delas haviam tido casamentos ou relacionamentos anteriores, que tinham fracassado em lhes dar o que queriam da vida. Algumas possuíam uma profissão, mas estavam dispostas a abrir mão de suas carreiras pelo homem certo.
— Foi Jasper quem não aprovou — apontou Edward. — Mas não esqueça que ele não conhecia Rosalie naquela época.
Felizmente, Edward tinha impedido Jasper de repetir para Emmett, na recepção, sua crença de que todas as mulheres que se inscreviam naquele tipo de agência eram frias e interesseiras, procurando uma boa oportunidade de enriquecer. Jasper vociferara tal opinião para Edward, todavia. Mais de uma vez.
Mas ninguém que conhecesse a esposa de Emmett pensaria isso dela.
No começo, Edward ficara perplexo ao saber que Emmett tinha encontrado sua amada Rosalie através da agência. Um homem com a aparência e posição dele poderia ter escolhido qualquer mulher do círculo social.
Quando Edward lhe perguntara, durante a festa do casamento, o motivo daquela atitude, Emmett havia respondido de modo pragmático:
— Foi uma questão de tempo. Eu queria uma esposa e uma família, mas não queria me incomodar com o processo longo de uma cortesia tradicional. Quando quero uma propriedade com certos requerimentos, meu assistente seleciona algumas opções antes que eu vá olhar pessoalmente. Usei a mesma técnica para encontrar uma esposa. Dei uma lista de requerimentos para Esposas Procuradas, e eles selecionaram diversas candidatas para que eu visse através da Internet. Escolhi três que me agradaram. Só tive de sair uma única vez com cada uma para saber com quem queria me casar.
Edward tinha ingenuamente perguntado se era um caso de amor à primeira vista, do que Jasper rira.
— Emmett não está interessado em amor — Jasper o informara. — Não depois da sujeira que a outra vadia fez com ele. Certo, Emmett?
Emmett confirmara que amor não tinha entrado na equação, de nenhum dos lados, embora alegasse que não teria se casado com Rosalie sem alguma química sexual entre os dois.
Alguma química sexual?
Edward considerava tal declaração muito fraca, tendo visto Emmett e Rosalie juntos, antes e depois do casamento. Aos seus olhos, a química sexual entre eles era elétrica, especialmente da parte de Emmett.
Rosalie era linda. Magra e alta, com cabelos loiros, pele clara e olhos verdes, mas não exatamente o tipo de Edward. Ele preferia morenas com corpos exuberantes e curvilíneos.
Tanya tinha cabelos loiros, olhos pretos e um corpo voluptuoso. Não que Richard quisesse se casar com algum clone de Tanya. Na verdade, queria que a segunda sra. Edward Cullen fosse o mais diferente possível da primeira. Em personalidade e caráter, isto é. Fisicamente, sempre se sentira atraído por morenas com curvas. Sabia que, quando estudasse as candidatas de Esposas Procuradas, não iria selecionar loiras esqueléticas.
— Tem certeza sobre isso? — perguntou Emmett agora.
— Absoluta.
— Suponho que não esteja procurando por amor.
— Sua suposição é correta.
— Você quer um casamento de conveniência, como o meu.
— Sim.
Emmett franziu o cenho.
— Não tenho certeza se este tipo de relacionamento é para você, que, no fundo, é romântico.
— Não sou mais.
Edward desejou que não tivesse soado tão amargo. Emmett pareceu perplexo. Não sabia nada sobre a traição de Tanya. Não se contava uma coisa dessas nem para os melhores amigos.
— Estou decidido sobre isso — declarou Edward com firmeza.
— Posso perguntar por quê?
— Nenhum motivo misterioso, meu amigo. Apenas preciso de companhia. E de sexo regular.
— Você poderia obter isso de uma namorada.
— Eu não quero uma namorada. Quero uma esposa.
— Ah, entendi. É por causa do banco. Sua posição como diretor-executivo seria consolidada se você fosse casado.
Agora foi a vez de Edward ficar perplexo.
— Isso não tem nada a ver com o banco. Simplesmente quero me casar. Quero o que você tem, Emmett. Uma mulher bonita que se sinta bem em ser minha esposa e me dê um filho.
— Eu não sabia que você queria uma família.
— Por que não?
Emmett deu de ombros.
— Você ficou casado com Tanya por dois anos, tempo mais do que suficiente para ter um bebê.
— Isso não foi escolha minha — Edward o informou, tentando soar casual.
— Pensei que você fosse feliz com Tanya.
— Eu era. — Aquilo era verdade. Sua infelicidade tinha começado após a morte de Tanya.
— Eu era louco por ela. Mas ela se foi, e agora estou solitário, certo? Quero uma esposa. Mas não quero romance. Já tive essa experiência.
Emmett assentiu.
— Sim, entendo.
— Sei que entende. Sei como você se sentia sobre Katte. Motivo pelo qual apelou para Esposas Procuradas. Porque ainda era apaixonado por ela.
— Do mesmo jeito que você ainda é apaixonado por Tanya.
Edward não negou. Se negasse, teria de explicar.
— Agora que está tudo resolvido, vou entrar para dar mais uma olhada na minha nova cobertura fabulosa. — Ele se levantou. — A propósito, posso me mudar antes que a escritura seja transferida?
— Mude-se hoje, se quiser.
Edward não era um homem impulsivo por natureza, mas hoje as coisas estavam mudando.
— Sabe de uma coisa? Acho que vou fazer isso.
