Marlene McKinnon não estava preparada para os acontecimentos que viriam á seguir, na verdade ninguém poderia estar. Há meses o seu relacionamento com Regulus Black ia de mal á pior e os amigos começavam a se preocupar com Marlene, que facilmente poderia ser vista pelo castelo com lágrimas nos olhos e apavorada. Os únicos momentos de clareza eram aqueles em que se distraia com os amigos. Havia decidido colocar um ponto final no relacionamento com Black e apesar de saber que aquilo poderia literalmente a matar, tinha certeza de que as coisas ficariam bem no final de tudo.
– Sabe Mary. As coisas acontecem por um motivo, não nego que algo me uniu á Regulus, porém, ele está se transformando em um monstro. – Os olhos ficaram cheios de água, mas, Marlene decidiu engoli-lás, evitando que estas escapassem dos olhos. – E tudo está fugindo do meu controle. Ele não pode escolher entre eu e o caminho predestinado á ele, então, que ele seja feliz. – Dor, um aperto dolorido dentro do coração, capaz de tirar todo o ar necessário para a sobrevivência, capaz de tirar a vontade de viver, e continuar, porém, apesar de toda a imensidão dolorida, havia algo em Marlene que não a deixaria desistir, e Mary, por sua vez aproximou-se da amiga e a abraçou, dizendo palavras animadoras, e dizendo o quanto Marlene era especial e sem dúvidas aquilo era confortante. Marlene sorriu de um jeito delicado e agradeceu o apoio, porém, decidiu ir caminhar na tentativa de espairecer a mente, e esquecer Regulus por alguns segundos. Certo, caminhar de um lado para o outro não estava aliviando nem um pouco a tensão, Regulus não era criança e muito menos precisava dos cuidados de Marlene, mas, ainda assim a morena se preocupava. – Por Godric Gryffindor, não se meta em confusão, Regulus, não se meta. – Marlene caminhava de um lado para o outro pelo Salão Comunal, e então decidiu que dormir seria a melhor opção, acordou quando Mary quase a obrigou a ir jogar cartas com ela e os garotos, aceitou sem protestar, não queria mais pensar em Regulus, ou qualquer outra coisa. O seu pior pesadelo estava ali, de relance Marlene olhou para Sirius e era impossível não ver Regulus, por mais que as personalidades fossem diferentes, a semelhança entre os dois era impressionante, Marlene suspirou e tentou descontrair, e realmente havia conseguido cumprir com a missão, ao menos durante o jogo e a conversa com Sirius e Lupin.
Remus Lupin, o melhor amigo. O que eu posso dizer sobre Remus¿ Aparentemente ele se preocupa comigo, talvez Sirius Black tenha contado á ele o que está acontecendo, enfim, ele parece querer me animar, ele parece querer me fazer rir, e isso está sendo definitivamente fofo. Um dia irei agradecer por ter tanta paciência e por me trazer tanta paz, eu prometo. (Fragmento do diário de Marlene. Trecho escrito rapidamente, antes de ter ido á torre de astronomia, naquela mesma noite.)
O lugar favorito dentre todos os lugares de Hogwarts, e havia passado um tempo ali, com Remus e havia sido sem dúvidas maravilhoso, e apesar das poucas palavras, esclarecedor, assim como o sentimento que nutria por Remus. Marlene já sabia o quão grandioso ele era, porém, não sabia que ele poderia ser o melhor amigo, e ele se mostrou o melhor amigo, e apesar de não ter dito nada á ele, Marlene havia prometido á si mesma que faria o impossível para protegê-lo. O final daquela noite não poderia ter sido diferente, Remus a abraçou e disse que ficaria tudo bem, e aquelas palavras foram tão convincentes que Marlene realmente sentiu que tudo ficaria bem. O caminho de volta para o dormitório foi tranquilo, Marlene sentia-se leve, e dormiu como um anjo naquela noite. Apesar de almejar com todas as forças noites como aquela, demorou para reencontrar Remus, talvez pelo excesso de estudo, talvez pelo excesso de preocupação, e só voltou a vê-lo no Três Vassouras, passou o dia tentando decifrar o que estava se passando com Remus, o que infelizmente não aconteceu, por intervenção de Mary, Emmeline e os amigos de Remus, aquilo deixou Marlene levemente enfurecida, porém, ao deixá-lo sabia que ele estava em boas mãos, e precisava se preparar para o que viria á seguir. Marlene deixou Emmeline e Mary á sós e disse que deveria colocar um ponto final na história dela e Regulus, as duas amigas se entreolharam, concordaram e não falaram muita coisa, Marlene não sabia muito bem o que fazer, foi até o local onde encontraria Regulus, decidida á terminar tudo, porém, quando o olhou nos olhos sentiu que não seria capaz de deixá-lo, mas, uma voz dentro de si lhe dizia que deveria ser forte e que não poderia hesitar. Lágrimas, dos olhos de Regulus, e Marlene se sentiu um ser incapaz, engoliu seco por duas vezes a voz embargou, antes de ir embora segurou a mão dele e entregou uma carta, jamais teria coragem de falar tudo aquilo que Regulus deveria saber, e tentou ser o mais cordial possível ao terminar com ele, sabia que não seriam amigos, não havia nenhum elo que os ligasse mais, e assumir aquilo era assumir a própria falha, como namorada, como amiga e como protetora, e aquilo simplesmente destruiu Marlene, em inúmeros sentidos. A morena deixou Regulus sozinho e aproveitou a caminhada até as amigas para chorar, não chorou tudo o que guardava dentro de si, porém, o suficiente para sentir que aquilo era o que devia ser feito, e antes de aproximar-se lembrou-se da noite passada, quando escrevia a carta.
Me desculpe se eu falhei, eu tentei o meu melhor, eu gostaria de salvá-lo, gostaria de dizer á todos que a sua escolha foi ficar ao meu lado, porém, acontece que nem sempre as coisas são como gostaríamos, me desculpe se eu fracassei na única coisa que eu deveria ter feito de uma maneira diferente. Você é incrível, porém, incrível não é o bastante, eu decido viver, viver a minha vida da melhor maneira, viver a minha vida e um jeito saudável e apesar de te amar, não estava sendo saudável. Concordamos que a única solução seria a sua mudança, porém, quem sou eu para competir com os seu destino¿ espero que encontre a paz, um dia, e saiba que eu jamais perderei as esperanças, saiba que apesar de estar desistindo agora, eu acredito que as coisas possam mudar. Estarei aqui, Regulus, esperando o nosso milagre se tornar real.
E mais algumas lágrimas tomaram conta do rosto de Marlene, que avistou Lilian Evans e decidiu aproximar-se. Obviamente limpou os lábios e lançou o seu melhor sorriso, como se nada acontecesse naquele momento, tinha que ser forte e repetia aquelas palavras mentalmente, segurando-se em uma fé inabalável, e também inexistente. Conversou pouquíssimo com Lily, e quando decidiu seguir os garotos pensou que poderia ser algo divertido, mas, queria saber antes o que veria e teria decidido jamais segui-los, Regulus havia por fim tomado a pior das decisões, e Marlene estática assistiu ao espetáculo, o coração apertou mais uma vez, queria chorar, mas ainda estava seguindo a linha da fé inabalável, e tudo o que fez foi acompanhar os amigos, agora Remus, Sirius e Potter também estavam ali, e apesar da mente estar cheia, Marlene tinha em pensamento a noite que havia passado com Remus na Torre de Astronomia, e um sorriso no canto dos lábios havia lhe tomado o rosto. Nunca havia sentido a necessidade de estar com alguém, até aquele momento, sentia vontade de estar com Remus e aquilo crescia dentro de si. Poderia até ser confusão mental, porém, Marlene sabia que não iria conseguir controlar aquilo por muito tempo, e na verdade, não queria controlar, queria sair correndo e dizer á Remus para passar a noite, para olhar as estrelas, queria calma ao seu coração e á mente. Imaginar o que Remus estaria pensando era difícil, e apesar de caminhar ao lado dele em direção ao castelo, e sentar-se ao lado dele nas carruagens que os levaria de volta á Hogwarts, não conseguia nenhuma informação concreta, e o olhava com intensidade, como se pudesse invadir a mente dele á qualquer segundo. Ou melhor, como se pudesse abraçá-lo á qualquer segundo. Marlene balançou a cabeça em confusão e quando a carruagem parou, ela desceu, puxando Remus e caminhando em direção ao Salão comunal da Grifinória. Não trocaram uma palavra, até que Marlene o soltou e o abraçou. – Obrigada. – Sussurrou, certamente ele não entenderia, nem mesmo Marlene entendia, e antes que ele pudesse fazer algo, ela o soltou e correu até o dormitório feminino, onde não demorou para dormir.
