Ela estava na porta do apartamento dele. Não conseguia entender o que a levara ali. Não gostava dele. Ele era rude, não se importava com os sentimentos de ninguém, nem mesmo com os dele.
Mas, naquele momento, parecia fazer sentido que fosse ele quem ela mais quisesse ver.
Então ela tocou a campainha, se achando uma covarde por sentir medo da reação dele ao vê-la ali.
- Eu não esperava que viesse. – House disse após examinar seu rosto por alguns segundos. – Entre. Wilson foi a um congresso de oncologistas.
Ela entrou sem dizer nada. Depois de dois anos você se acostuma com o jeito de House estar sempre a par de tudo.
-Eu já soube que Foreman demitiu você. Isso era previsível. Já você ter vindo aqui não é algo que eu pudesse prever.
Treze pensou por um momento antes de dizer, desanimada:
-Eu não tinha mais ninguém.
Não era um desabafo, portanto House não sentiu pena dela. Treze despertava interesse nele, pois nada nela fazia sentido para sua mente ávida por lógica.
-Você quer beber alguma coisa? – Não havia constrangimento nesse gesto. House sentia mais empatia por Treze do que por qualquer um dos outros da equipe. Só os dois sabiam o que era ser uma pessoa marcada.
-Você tem Scotch?
-Acho que o Wilson tem uma garrafa no armário.
Ele pegou a garrafa e dois copos.
-O que você pretende fazer? Quero dizer quanto a Foreman?
-Eu terminei com ele. Não achei que ele fosse tão egocêntrico para se surpreender com isso, mas ele se surpreendeu.
Alguns goles depois, House se viu dizendo:
-Você sabe que vai ter seu emprego de volta. Eu não passei por toda aquela idiotice de competição para ter meus escolhidos demitidos assim.
-Obrigada, House.
Os dois continuaram conversando, sobre tudo e sobre o nada. Estavam ficando bêbados, mas não ligaram.
-Aos namorados egocêntricos – disse House levantando um brinde.
-Aos médicos brilhantes e loucos – disse Treze.
-Às mulheres bissexuais estonteantemente bonitas com Huntington.
-Ai, essa doeu – disse ela, fingindo magoa.
House se levantou para pegar mais uma garrafa, Treze foi junto. Quando ele se virou deu de cara com ela. Muito perto dele.
Os dois se encararam e House se afastou um passo.
-Você é forte. – disse ela. – Mas porque ser forte agora?
- Você não me quer. Você só está aqui porque quer esquecer o Foreman.
-E daí? Ninguém vai sair machucado disso. Eu sei que foi por isso que você dispensou a Cameron e a Cuddy. Deus sabe que eu não dispensaria. – Disse ela rindo. House tentou não pensar em Treze com Cameron. Precisava de toda a sua concentração naquele momento.
Ela se aproximou dele. "Deus é um sacana. Como alguém tão lindo assim pode estar com seus dias contados" House pensou. A beleza de Treze o fascinava.
Ela colou seu corpo junto ao dele, suavemente, roçando sua boca na dele.
-Você me quer, House. Não estou apaixonada por você. Só quero alguém. Quero você esta noite.
Era assim que ela agia.
Foi assim com cada mulher que ela levou para casa quando descobriu sua doença. Ninguém conseguia resistir a ela quando ela o escolhia.
House não foi exceção. Além do mais, ir para cama com a ex-namorada de Foreman era algo que ele não podia deixar de adorar, se não bastasse que Treze fosse a mulher mais linda e sexy que ele já tivesse visto.
Eles fizeram sexo durante a noite inteira. Treze era tudo o que House imaginara. E ele não deixava por menos.
Não passaria daquela noite. Mas duraria por muito tempo na lembrança de ambos. Porque quando não se tem mais ninguém, suas escolhas podem surpreender até a você mesmo.
