Mudaram as estações...

Nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu...

Desde a última vez que olhei para o meu melhor amigo, a única pessoa pelo qual me importei e amei, o vi chorando e me olhando com desprezo igual os outros. Fiquei irritado. O tratei mal como nunca antes. E, por fim ele saiu correndo acreditando que não era mais o "Hao" que ele conhecia. Porém me veio as seguintes palavras em minha mente: "Lamento Opacho, mas esse é o verdadeiro Hao...". Por um instante senti raiva de quem eu era, senti raiva de tudo aquilo que eu me esforcei para ter ao vê-lo correndo (com motivos) para longe de mim. Opacho era uma criança e não entendia como a vida funcionada, ele era puro e tinha medo de monstros. Se fosse outra ocasião com certeza eu ia atrás dele, o pegaria no colo, mexeria em seus cabelos e falaria "Opacho bobo". Senti-me envergonhado por assustar aquela criancinha que me seguia como se eu fosse seu irmão mais velho e que tinha fé de que o protegeria de tudo e de todos. O desiludi deixando minha mascara cair e o fazendo enxergar que o monstro esse tempo todo era eu.

Está tudo assim tão diferente,

Me lembro quando a gente chegou um dia acreditar,

Que tudo era pra sempre sem saber que o pra sempre...

Sempre acaba...

Nunca pensei no termo "para sempre" no modo sentimental, para mim isso nunca existiu e não iria existir até conhecer uma pequena criaturinha que pela primeira vez não me lançou olhares de agressividade, de vingança, de desprezo ou com outros motivos para me destruir. Pelo contrário, foi a primeira pessoa que se tornou meu amigo! Nunca pensei em ter um e nunca pensei que fosse tão doloroso perder um também... Foi um momento confuso no meu ser onde tudo mudou de lugar e me fez esquecer-se de quem realmente eu era. Tenho ódio de admitir, mas naquele dia... Eu entendia o Yoh.

Mas nada vai conseguir mudar,

O que ficou...

Quando penso em alguém só penso em você,

Ai então estamos bem...

Á mim mesmo confessei-me que sentia falta dele, da vozinha infantil, dos passinhos curtos e rápidos que ele dava para me alcançar. Lembrei também das vezes que rimos juntos ou até quando ele se metia em alguma confusão e eu tinha que ir salva-lo. Eu contenho minhas risadas ao lembrar-se desses momentos especiais onde eu podia ser eu mesmo, com ele por perto poderia me libertar daquela cela de ódio e ambição e ter apenas quatorze anos... Pensando nisso enxergo um lado positivo, porque por mais que ele esteja distante, os momentos que estivemos juntos me marcaram cravaram-se em minha memória e dando-me certeza que mais para frente, seja para daqui um futuro breve ou no meu próximo renascimento, vou poder dizer que já tive um amigo com quem brincar e que já experimentei ser criança um dia.

Mesmo com tantos motivos

Pra deixar tudo como esta...

Nem desistir, nem tentar agora, tanto faz.

Estamos indo de volta pra casa...

Não irei ir atrás dele, mas não nego que tenho esperança de um dia revê-lo e que de preferencia ele venha ao meu encontro. Não irei desistir da nossa amizade, pois quando se é verdadeira nem o tempo, nem o espaço, nem distancia ou a força separarão. Irei deixar tudo como esta. Não irei tentar. Apenas decidi agir como tanto faz, porque ao fugir dos meus pensamentos e pousar na realidade veio-me a razão do porque da minha existência. Opacho, só peço que fique bem sem mim. Esse é o meu Adeus. Do seu amigo: Hao Asakura.