Era bonita, muito bonita, do tipo que os homens torciam o pescoço para acompanhar seu caminhar sem o menor pudor. Percorria as ruas escuras da periferia de New York com seu extenso cabelo naturalmente ruivo balançando ao vento. Não parecia se importar com os homens que a olhavam com segundas e terceiras intenções, muito pelo contrario, sorria de forma perversa a cada elogio, por mais estranho ou vulgar que fosse. Tirou do bolso da calça jeans um isqueiro zippo vermelho cromo e de dentro do sobretudo um maço de cigarros já quase vazio. Acendeu o fumo casualmente antes de adentrar um beco sujo e escuro que poucos ousariam sequer passar por perto. O beco estava silencioso a ponto do som das botas de salto alto em contanto com a calçada imunda ser ouvido. Seguiu até o fim da passagem onde desceu uma escada discretamente posicionada até o subsolo de algo que parecia ser um bar, ou melhor, um inferninho. Bateu duas vezes na porta e deu uma tragada longa no cigarro antes de uma pequena janelinha que permitia ver somente os olhos de quem estava do outro lado se abrisse.

- Pois não? - disse, gentilmente, o dono dos olhos castanhos.

- Como assim "Pois não"? – desdenhou a ruiva – Sua polidez não combina com essa merda de lugar.

- Ah, Crimson*. – destrancou a porta ao reconhecê-la – desculpe, mas você não costuma freqüentar essa "merda de lugar" aos sábados. Como está?

- Se estivesse bem não estaria por aqui. – respondeu ao passar pela porta e parar ao lado do homem. – Mas... Quem sabe uma bebida melhorasse drasticamente meu humor. – concluiu de forma absoluta e propositalmente inocente.

- Ainda não está muito movimentado, posso conversar com você por uns 10 minutos. Me dê seu casaco e me espere no bar. – e estendeu as mãos para pegar o longo casaco.

- Cuidado que esse é um Chanel legitimo, provavelmente vale mais que esse lugar. – disse enquanto tirava seu sobretudo e dava-o ao amigo.

- Sim senhora, cuidarei dele como se fosse meu filho. – falou com humor antes de sumir pela multidão.

Seu nome não vinha ao caso, mas todos a chamavam de Crimson. Não era alta, mas isso não era nada que um bom salto não pudesse resolver. Tinha olhos verdes, pele anormalmente branca e cabelos levemente ondulados. Corpo magro, sem nenhum atributo realmente chamativo além do rosto maravilhoso. Usava um batom carmim berrante, esmalte da mesma cor e um risco preto nos olhos. Suas roupas eram simples, porém prefeitas; jeans simples que lhe caiam muito bem, um cinto largo de couro e uma regata branca. Usava também relógio, grandes argolas nas orelhas e uma pequena no canto direito de seu lábio.

- A especialidade da casa. – pediu assim que se sentou no banco alto encostado ao balcão principal.

O barman assentiu para a ruiva e começo a preparar a bebida. Aquele lugar não mudara nada, nadinha mesmo, observou Crimson. O chão continuava encardido, as prostitutas se exibiam no poledance e os maiores criminosos no NY ainda sentavam nas mesmas mesas isoladas cercados de mulheres semi-nuas. Deprimente, pensou por fim.

- Seu Bloody Mary. – o homem atrás do balcão colocou uma taça cheia de liquido vermelho a sua frente e se virou para continuar atendendo.

Bebericou o drinque e teve que admitir, estava maravilhoso. Nenhum bar na cidade vendia aquele Bloody Mary.

Então, subitamente, sentiu uma vontade louca de fumar, mas assim que tocou o colo se lembrou que deixara o maço no sobretudo.

- Merda, sua burra... – ralhou consigo mesma em baixo tom.

E a necessidade só aumentava. Odiava ter essas vontades repentinas e intensas.

É bem verdade que há muitos anos já não era normal, mas haviam lhe dito que a intensidade de seus capriços e sentimentos diminuiria com o tempo. Que nada, ela continuava a sofrer com os impulsos quase incontroláveis e repentinos. Suas mãos começaram a tremer e ela virou a taça a sua frente entre seus lábios, tomando todo o drink de uma única vezes, mas ainda sim necessitava dos malditos cigarros. E, de repente, o maço estava na sua frente.

- Deixou no bolso interno no casaco.

Crimson olhou sutilmente para o amigo com quem conversara na entrada, River. Este percebera, mesmo recebendo apenas um olhar discreto, que a jovem não parecia bem.

- Está há quanto tempo sem? – perguntou tendo a certeza de que a outra saberia sobre o que se tratava.

- Um mês, duas semanas e três dias. – ela abria a caixa de cigarros com urgência e acendia o rolinho com mais pressa ainda. – Nossa, estava precisando disso. – admitiu após a tragada mais desejada e longa da sua vida. – Não sabe como isso alivia a ansiedade e inibe minha fome.

- Estava quase dizendo que isso mata, mas isso não se aplica a você. – comentou River – Alias, me diga o motivo da sua visita; não posso demorar muito.

- Preciso saber se conhece essa pessoa. – disse após tirar do bolso da calça uma foto 3X4 e uma em tamanho normal dobrada e quatro partes, ambas novinhas e bem coloridas; reveladas há poucos dias.

- Deixe-me ver... – River colocou as duas fotos no balcão, bem na sua frente, e pareceu pensar por alguns segundos – Já vi o homem de cabelos acinzentados e compridos, da foto maior. Houve um tempo em que ele vinha muito aqui, mas sumiu faz uns dois anos. Ares, se não me engano.

- Quanto ao outro? – indagou a ruiva.

- Não, nunca vi o outro.

- Droga...

River levou seu olhar das fotos para Crimson. Ela era linda, sempre achara, porém tinha consciência que a mulher ao seu lado era igualmente perigosa e letal. Uma amizade íntima era o máximo que ele se permitia, embora muitas vezes seu lado masculino pedisse muito mais que isso.

- Bom... Muito obrigada. Preciso ir agora. – olhou para o relógio e fez uma careta – Só tenho mais cinco horas.

- Vai matá-lo? – indagou o amigo.

- Não, pelo menos minhas ordens são de apenas interrogá-lo.

- Mais um que, talvez, saiba demais?

- Parece que sim. – disse enquanto colocava as fotos no bolso da calça – De qualquer forma, ainda estou resolvendo os problemas que inadimplência de Olivia causou. – e se levantou do banco – Tenho que ir, River. Passo pra te visitar na segunda.

- Até, e se cuida.

Duvidou que ela tivesse ouvido, pois já tava passando pelo meio do salão com seu caminhar elegante que marcava tanta presença. Viu-a passar pela saída já com seu sobretudo e sumir assim que a passagem se fechou. E então olhou para a mesa, lá estavam os cigarros de Crimson e a taça marcada pelo batom rubro vibrante. Certas coisas nunca mudam, pensou, e essa era uma delas; ela sempre esquecia os cigarros. Soube, portanto, que ela realmente voltaria na segunda e não pode deter um leve sorriso ao deduzir isso.

-----XxX-----

O sol nascia na Grécia. Tudo indicava que seria mais uma manhã de sol radiante com a temperatura nas alturas, e isso parecia incomodar especialmente o morador da décima primeira casa.

- Bom dia Camus! – Milo adentrou a casa usando sou traje dourado e conservando seu sorriso maroto de sempre – Quente hoje, não?

- Infernal – concordou o aquariano que também usava sua armadura naquela manhã – e você está atrasado.

- Relaxa gelinho, Athena só chega em 20 minutos. – falou despreocupadamente – Além do mais, encontrei Mu e Shaka conversando na casa de Virgem, assim como Máscara da Morte, Afrodite e Aiolia em Leão. – observou quando começavam a caminhar juntos em direção ao décimo terceiro templo.

- Isso não me surpreende. – Camus falou reprovador – Todos andam muito descansados ultimamente. Isso não é bom...

- Pelo amor do bom Zeus que nos ressuscitou daquele inferno, Camus! – exclamou Milo – Merecemos um folga, nossa, como merecemos!

- Sabe a minha opinião sobre isso.

- Sei que isso é falta de mulher, isso sim.

Milo foi, pra variar um pouco, totalmente ignorado pelo amigo aquariano. Porém, toda a brincadeira tem um fundo de verdade e Camus sabia muito bem disso.

Subiram as escadas com Milo tagarelando sem parar sobre o tempo, o santuário, a última mulher com quem saíra e quem estava espreitando para atacar. Camus seguiu calado, no máximo concordando ou soltando um grunhido de reprovação tão comum por parte do aquariano.

- Atrasados. – disse Shion quando os cavaleiros de escorpião e aquário pisaram no ultimo degrau.

- Culpa do Camus! – apontou Milo descaradamente – Se ele tivesse reclamado menos teríamos subido mais rápido.

- Sua cara de pau chega a me comover, escorpião – rebateu a grande mestre já com cara de poucos amigos. – Entrem logo, vamos.

Ambos reverenciaram o antigo Cavaleiro de Áries e adentrarem o opulento templo. Pegaram uma linha reta para a sala do trono, onde os outros cavaleiros já deviam estar reunidos, mas está se encontrava quase vazia. Aiolos e Shura conversavam no pé da escada que levava ao grande trono de Athenas, enquanto Aldebaran conversava com Dohko e Saga. Kannon jazia a esquerda do trono vazio, sem nenhum traje de batalha.

Um belo tapete vermelho vivo cruzava o salão em direção ao trono. Era ali, arrumados frente a frente, que deveriam esperar por sua deusa.

- Bom dia Milo – sorriu Aiolos – Camus.

- Bom dia! – respondeu o sempre animado escorpião, enquanto Camus apenas acenou para ambos com a cabeça.

Camus e Milo se juntaram ou capricorniano e ao sagitariano próximo a escada. A conversa não pode ser considerada construtiva, ao contrario, falaram besteiras mesmo diante do semblante sempre fechado de Camus de Aquário. Porém, o assunto descontraído não durou muito, pois Shion irrompeu pelo grandioso portal que ligava o grande corredor a sala do trono com Shaka e Mu em seus calcanhares. Máscara da Morte vinha um pouco mais trás junto com Afrodite e Aiolia. O trio, incrivelmente, parecia rir de alguma coisa secreta, pois aparentavam conter uma grande vontade de gargalhar.

- Certo, finalmente não falta ninguém. – Shion avançou pelas escadas e parou diante do trono – Em formação, agora. Ela já está no Santuário.

Todos começaram a se mexer. Afrodite se posicionou próximo ao portal e Mu aos pés da escada no lado oposto do tapete vermelho. Os demais dourados se colocaram em ordem entre o ariano e o pisciano, frende a frente e lado a lado. Kannon permaneceu ao lado do trono e Shion parou bem na frente do assento, pronto para receber sua deusa.

Saori não demorou muito tempo para aparecer carregando uma expressão cansada. Parecia não dormir direito já há alguns dias e seu corpo estava mais magro que o normal. O vestido branco de sempre fora trocado por um belo terno feminino e os cabelos jaziam presos num coque bem arrumado. Adentrou a sala do trono com passadas largas e dirigiu-se ao trono. Sentou-se de forma relaxada, cruzou as pernas e apoiou o cotovelo direito no braço do assento.

- Certo... – o tom de sua voz era arrastado – Gostaria muito de adiar essa conversa, mas não temos mais tempo.

Os cavaleiros presentes trocaram olhares que variavam entre o curioso, o divertido e o preocupado. Saori assumiu uma postura mais ereta no trono, respirou fundo e disse:

- Algum de vocês acredita em... – fez uma pequena pausa e seu olhar moribundo pareceu se esvair em segundos – Vampiros?

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Amanhecia em NY quando Crimson entrou as pressas no seu apartamento de frente para o Central Park, fechando rapidamente todas as janelas e as grossas cortinas escuras que não permitiam a passagem de um único raio de sol. Pendurou o sobretudo num gancho próximo a porta de entrada e depois caminhou por um longo corredor até a ultima porta. Adentrou seu quarto e respirou aliviada. Finalmente estava num ambiente que parecia abraçá-la de tão confortável e aconchegante.

Seu quarto era espaçoso e bem sedutor. Predominavam nos acessórios – como edredom, almofadas, quatros, velas e etc – tons de vermelho e uma meia luz também avermelhada que proporcionava um clima sugestivo para atividades proibidas à menores de idade. As paredes eram brancas, a exceção de uma única tingida de vermelho fortíssimo. Um lustre de cristal antiguíssimo suportava inúmeras velas e um lindo espelho preso à parede vermelha deva o toque final. O chão era forrado por um tapete branco, felpudo e gostoso ao toque dos pés descalça.

Tirou as botas, colocando-as do lado de fora, e correu direto para a grande cama de casal. Jogou-se nela com vontade e abraço uma almofada, encolhendo-se como um feto logo depois. Estava cansada, muito cansada, e só queria repousar. E, por algum motivo, tinha certeza que o dia seguinte prometia ser pesado.

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*Crimson: Carmesim; Enrubescer/Tingir de vermelho.

Nada demais esse primeiro capítulo, eu sei, mas eu precisava apresentar alguma coisa. A mulher chamada Crimson é a minha personagem e já deu pra notar que de humana ela tem muito pouco. Sim, ela é um vampiro, e pertence ao clã chamado Ventrue (não, não tem nada de Volture ou crepúsculo aqui).

A ficha;

Nome (Só o primeiro nome):

Apelido:

Idade aparente:

Idade verdadeira:

Aparência:

Personalidade:

História (Como foi transformada é obrigatório):

Clã (La Sombra, Ventrue, Assamita e Giovanine) (O seu sobrenome corresponde, obviamente, ao clã escolhido):

Gosta de:

Não Gosta de:

Par: (Todos os dourados, Shion e Kannon).

Estilo:

Algo que queira acrescentar: