Bruce estava na caverna, com roupas casuais, para variar. Ele lia alguns casos no computador e analisava alguns fatos, os cruzando quando pertinente. Tão absorbo com o trabalho, nem reparou quando Robin se aproximou.
— Pai. Qual é o seu problema?
Bruce respirou fundo, pedindo forças para lidar com o filho caçula. Não era o tipo de saudação que queria, mas ele estava falando de Damian, afinal de contas.
— Se importa em elaborar?
— Qual o seu caso com criminosas?
Agora Damian tinha toda a sua atenção. Bruce se virou do computador principal com os olhos arregalados, até aquele momento ele não havia nem mesmo comentado sobre Selina com o filho. O garoto estava com seu fiel uniforme de Robin, até mesmo com a máscara. Uma carranca em seu rosto juvenil, como sempre presente.
— Perdão?
— Primeiro a minha mãe, e nós dois sabemos o que saiu disso. Agora, a Mulher-Gato. Pai, daqui a pouco você vai me aparecer com um anel pra Arlequina.
— Okay. — Bruce começou a massagear as têmporas, uma dor de cabeça já começando a aparecer. — Damian, é complicado.
— Na verdade não, é bem simples. Você não se casa com criminosas, você as coloca na maldita cadeia.
— Damian. — O seu tom mostrava que ele não estava com paciência para as opiniões impertinentes do garoto de treze anos.
— O quê? Não, sério, o quê? O que você está planejando com isso? O senhor aprendeu nada com a Tália? Quais as chances de você virar as costas e ela cravar uma adaga no seu peito? Ou em qualquer um de nós?
— Selina não faria isso. Eu confio nela com a minha vida.
— Agora estou começando a ficar preocupado com o seu julgamento.
— Damian! Sei que está preocupado comigo e estou... estranhamente tocado. Mas mantenha seus comentários para si. Selina é uma boa pessoa e você pode confiar nela.
— ... Certo. Que seja. Vamos torcer para que dessa vez ninguém mate o próprio filho.
Bruce subitamente enrijeceu, memórias dolorosas voltando. Talvez o surto do garoto tenha algo mais profundo do que simples preconceito pelo histórico de Selina.
— Está com medo da história se repetir? Damian-
— E por que não se repetiria? — Ele o interrompeu, a carranca aumentando. — Mais uma vez o senhor está se envolvendo com uma criminosa. Ela pode não parecer uma psicopata, mas bem, Tália também não parecia uma antes. E Mutano diz que o amor é cego, logo, resta a única pessoa com bom senso nessa família a te mostrar os fatos. Eu.
— Filho — Bruce suavizou o tom, estava cansado e queria evitar conversas emocionais pelo menos até o dia seguinte, quando tivesse algumas horas de sono. — com tudo acontecendo eu esqueci de te perguntar o que você achava da história. Esqueça por um minuto do histórico criminal de Selina, só me diga o que acha.
Damian o encarou por alguns longos segundos, o olhar descrente. Por fim, inalou fundo, provavelmente se preparando.
— Desde quando minha opinião importa?
Bruce conseguiu evitar de demonstrar o choque. Travou a mandíbula e franziu a testa, claramente descontente com a resposta.
— É claro que importa, Damian. Por isso estou perguntando.
O garoto soltou uma risada seca, sem humor.
— Ah sim, é por isso que está me perguntando depois de já ter feito o pedido? Certo. Que seja. Não sei o que quer que eu diga, pai. — Damian se virou e caminhou para a saída, de costas para o pai. — Kyle não gosta de mim e o sentimento é recíproco. Então o senhor provavelmente me verá menos. Não, é claro, que isso seja alguma novidade.
Bruce gritou para o filho voltar, mas não obteve resposta. O garoto se fora, provavelmente fugiu para Bludhaven ou São Francisco. Parou por alguns segundos, reproduzindo a conversa na cabeça.
Ele então se virou de volta para o computador, voltando a digitar. Damian sabia se virar sozinho.
