O sol de verão estava subindo. Julgando pela sua posição no céu, Kagome Higurashi acreditava que eram aproximadamente onze horas. Isso significava que ela tinha estado em seu atual dilema por mais de duas horas, e o dia estava ficando cada vez mais quente.

Ela suspirou com tristeza resignada enquanto dava uma olhada rápida para sua perna direita elevada onde a calça jeans tinha sido cortada em duas pelo arame farpado. A bota estava presa nas teias do arame farpado que compunha a cerca, e as pernas estavam enroladas porque ela tinha se torcido ao cair. Ela estava tentando remendar a cerca de arame farpado para impedir que o gado saísse. Estava usando as ferramentas do pai para fazer isto, mas, tristemente, ela não tinha a força dele. Em horas assim ela sentia uma falta insuportável do pai, e fazia apenas uma semana desde seu enterro.

Ela deu um puxão na gola de sua pequena camisa de algodão e levou as mechas úmidas do cabelo loiro para trás prendendo-as em sua arrumada trança embutida. Não tão arrumada agora, ela pensou, pois deveria estar desordenada e despenteada com a queda. Perto, inconsciente do dilema de sua ama, a égua castanha, Bess, pastava. Acima, um falcão fazia desenhos graciosos contra o céu sem nuvens. Ao longe era possível ouvir o som do tráfico na auto-estrada distante em volta de Jacobsville indo até a pequena fazenda do Texas onde Kagome estava presa na cerca de arame.

Ninguém sabia onde ela estava. Ela viva só na pequena casa decadente que tinha compartilhado com o pai. Eles tinham perdido tudo depois que a mãe dela os tinha abandonado sete anos antes. Depois daquele baque terrível, o pai, que tinha sido criado em um rancho, tinha decidido voltar a se estabelecer na cidade em que a família tinha morado antigamente. Ela não tinha nenhum outro parente, a menos que se pudesse contar um primo que morava, a mais de três mil quilômetros, em Montana.

O pai de Kagome tinha provido o lugar com um pequeno rebanho de gado de corte e uma horta. Era uma vida magra, se comparada à mansão próxima a Dallas que era mantida pela riqueza da mãe dela. Quando Kana Higurashi se divorciou inesperadamente do marido, ele teve que achar um modo de viver sozinho, e depressa. Kagome escolheu ir com ele para a casa de sua juventude em Jacobsville, que era melhor do que suportar a presença indiferente da mãe. Agora o pai estava morto e ela não tinha mais ninguém.

Ela tinha amado o pai, e ele a tinha amado. Eles viviam muito felizes juntos, mesmo sem uma grande renda. Mas a pressão do trabalho físico intenso no coração dele, que ela não sabia que tinha problemas, tinha sido demais. Ele tinha sofrido um ataque cardíaco alguns dias antes, e tinha morrido durante o sono. Kagome o tinha encontrado na manhã seguinte quando havia entrado em seu quarto para chamá-lo para o café da manhã.

Inuyasha tinha vindo imediatamente por causa do telefonema frenético de Kagome. Ela não tinha pensado em chamar, em primeiro lugar, a ambulância em vez de seu mais próximo, e muito anti-social, vizinho. Mas isso foi porque Inuyasha era muito capaz. Ele sempre sabia o que fazer. Este dia tinha sido assim, também. Depois de dar uma rápida olhada no pai dela, ele tinha telefonado para uma ambulância e conduzido Kagome para fora do quarto. Mais tarde ele tinha dito que tinha percebido imediatamente que era muito tarde para salvar o pai dela. Ele tinha passado um tempo fora do país no exército, onde tinha visto muitas mortes para poder se confundir.

A maioria das pessoas evitava Inuyasha Taisho tanto quanto possível. Ele possuía o armazém e o moinho local, e criava gado em suas terras enormes ao redor de Jacobsville. Ele tinha achado petróleo na mesma terra, então falta de dinheiro não era um de seus problemas. Mas com pavio curto, antipatia legendária a mulheres e uma reputação de franqueza o fazia impopular na maioria dos lugares.

Ele gostava de Kagome, porém. Isso a tinha fascinado desde o início, porque ele era um misógino e não fazia nenhum segredo do fato. Talvez ele considerasse que ela estava segura por causa da diferença de idade. Inuyasha tinha trinta e seis e Kagome tinha apenas vinte e dois. Ela era esbelta e de altura média, com cabelo loiro escuro, rosto pequeno e comum que se tornava interessante por causa dos olhos azuis escuros e enormes que o dominavam. Ela tinha o queixo firme e arredondado, junto com o nariz reto e boca em formato de um arco perfeito com tom rosa claro natural, sem maquilagem. Ela não era bonita, mas seu conjunto era delicado, mesmo quando usava calça jeans azul e camisa de algodão desbotada com dois botões faltando, estes tinham sido arrancados quando ela tinha caído. Ela fez uma careta. Não tinha perdido tempo procurando um sutiã no cesto de roupa limpa nessa manhã porque estava com pressa de consertar a cerca antes que algum touro saísse para a estrada. Ela parecia uma stripper juvenil, com as curvas firmes dos seios muito notáveis onde os botões estavam faltando.

Ela sombreou os olhos com a mão e deu uma olhada rápida ao redor. Não havia nada a quilômetros além de Texas e mais Texas. Ela devia ter prestado mais atenção ao que estava fazendo, mas a morte do pai a tinha arrasado. Ela tinha chorado por três dias, especialmente depois que o advogado da família tinha dito a ela sobre aquela cláusula humilhante no testamento que ele tinha deixado. Ela não poderia suportar a vergonha de contá-la a Inuyasha. Mas como ela poderia evitar quando isso envolvia os dois? Papai, ela pensou tristemente, como pôde fazer isso comigo? Podia ter me deixado um pouco de orgulho!

Ela enxugou as lágrimas. Chorar não ajudaria. Seu pai estava morto e ela teria que lidar com o testamento dele.

Um som chamou sua atenção. No silêncio do campo, era um som muito alto. Tinha ritmo. Depois de um minuto, ela soube por que soava familiar. Era o galopar de um garanhão puro-sangue. E ela sabia exatamente a quem aquele cavalo pertencia.

E então, um minuto depois um cavaleiro alto surgiu. Com seu chapéu de aba larga bem abaixado sobre o rosto magro e bronzeado, junto com o jeito elegante de montar, Inuyasha Taisho era bem fácil de localizar, mesmo de longe. Mesmo que ele não fosse tão notável, o cavalo, Cappy, era. Cappy era um Palomino com linhagem impecável, utilizado para procriação. Ele era notavelmente gentil para um cavalo não adestrado, embora pudesse ficar nervoso às vezes. Ainda assim, ele não permitiria ninguém, exceto Inuyasha, em suas costas.

Enquanto Inuyasha ficava ao lado do corpo prostrado dela, ela podia ver a indulgência divertida em seu rosto antes que pudesse ouvir sua voz profunda.

- De novo? - ele perguntou resignado, obviamente se recordando das outras vezes que tinha salvado-a.

"A cerca tinha caído", ela disse de modo hostil, tirando uma mecha de cabelo loiro da boca. "E para usar essa porcaria de ferramenta para cerca é necessário ser um atleta!".

"Certo, querida", ele disse lentamente, cruzando os antebraços sobre a cerca. "As cercas não sabem nada sobre o movimento de liberação das mulheres".

"Não comece com isso de novo", ela murmurou.

A boca dele se curvou para cima. "Você não está em posição de lançar desafios, não é?", ele murmurou secamente, seus olhos escuros viram mais do que deveriam enquanto deslizaram pelo corpo dela. Por um momento algo relampejou neles quando eles descansaram brevemente sobre as curvas reveladas dos seios dela.

Ela se moveu inconfortavelmente. "Vamos, Inuyasha, solte-me", ela pediu, ziguezagueando. "Eu estou presa aqui desde as nove horas e estou louca por algo frio para beber. Está muito quente".

"Certo, criança". Ele desceu da sela e passou as rédeas de Cappy por sobre a cabeça do animal, deixando-o pastar por perto. Ele se agachou por entre as pernas presas dela. A calça jeans dela estava apertada contra os músculos poderosos das pernas dele e ela teve que friccionar os dentes por causa do prazer que sentia só de olhar para ele. Inuyasha era lindo. Com o tipo de beleza masculina que faz até as mulheres muito mais velhas suspirarem quando o veem. Ele tinha a aparência de um gracioso cavaleiro, e um rosto que uma agência de publicidade amaria. Mas ele era totalmente desavisado de seus próprios atrativos. A esposa o tinha abandonado dez anos antes, e ele nunca tinha desejado se casar com nenhuma outra mulher desde o divórcio. Sabia-se na comunidade que Inuyasha tinha apenas um uso para as mulheres. Ele era discreto e taciturno quanto às suas ligações, e apenas Kagome parecia saber que ele as tinha. Ele era notavelmente franco com ela. De fato, ele conversava com ela sobre coisas particulares que não compartilhava com mais ninguém.

Ele estava inspecionando o dano, os lábios frisados pensativamente, antes de ele começar a tentar desenredar o arame farpado com as mãos enluvadas. Inuyasha era metódico em tudo que fazia, sincero e deliberado. Nunca agia sem pensar. Era outra característica que não passava despercebida.

"Não, isso não vai dar", ele murmurou e colocou a mão no bolso. "Eu vou ter que cortar o jeans para te soltar, querida. Sinto muito. Eu te darei uma nova calça jeans".

Ela corou. "Eu não estou na miséria ainda!".

Ele olhou para baixo, para os olhos azuis escuros dela e viu a cor de suas bochechas. "Você é tão orgulhosa, Kagome. Nunca pediria ajuda, mesmo que isso te fizesse morrer de fome". Ele abriu o canivete. "Acho que é por isso que nos damos tão bem. Somos semelhantes em muitas coisas".

"Você é mais alto do que eu e tem cabelo preto. Eu sou loira", ela disse intencionalmente.

Ele sorriu amplamente, como ela sabia que iria. Ele não sorria muito, especialmente ao redor das outras pessoas. Ela amava o modo como os olhos dele cintilavam quando sorria.

"Eu não estava falando sobre diferenças físicas", ele explicou desnecessariamente. Cortou o jeans para soltar o arame. Era uma boa coisa ele estar usando luvas, porque o arame farpado era afiado e traiçoeiro. "Por que você não usa cerca eletrificada como os rancheiros modernos?".

"Porque eu não posso pagar, Inuyasha", ela disse simplesmente.

Ele fez uma careta. Cortou o último arame e puxou-a fazendo-a se sentar, o que tinha sido inesperadamente íntimo. A blusa dela caiu aberta quando ela se debruçou para frente e, como qualquer homem, ele encheu os olhos com a visão dos seios firmes, macios e suaves dela, com os mamilos intumescidos em montículos rosa suaves. Ele prendeu a respiração audivelmente.

Envergonhada, ela pegou as extremidades da camisa e juntou-as bem apertado, corando. Ela não conseguia encontrar os olhos dele. Mas estava ciente de seu olhar fixo, cheio de intenções; do cheiro de couro e da essência lânguida de água-de-colônia que estava impregnada na pele dele e do cheiro de limpo que vinha de sua camisa de manga longa de cambraia. Os olhos dela foram até a base da garganta dele, onde o cabelo preto espesso era visível. Ela nunca tinha visto Inuyasha sem camisa. E sempre tinha desejado ver.

A mão magra dele alisou a bochecha dela e seu polegar apertou o queixo dela. Os olhos procuraram os olhos tímidos dela. "É isso o que eu mais gosto em você", ele disse rouco. "Você não mente. Todos os movimentos que faz são honrados". Ele manteve o olhar dela. "Eu não seria muito como um homem, sabe, se desviasse os olhos. Seus seios são bonitos, como mármore rosa com pequenas pontas firme que fazem eu me sentir muito masculino. Você não deveria ter vergonha de uma reação natural assim".

Ela não estava muito certa do que ele queria dizer. "Reação... natural?", ela hesitou, com os olhos arregalados.

Ele fez uma carranca. "Você não entende?".

Ela não entendia. A vida dela tinha sido notavelmente fechada. Ela tinha descoberto seus sentimentos por Inuyasha quando tinha apenas dezessete anos, e ela nunca tinha olhado para nenhum outro homem. Ela tinha saído apenas com dois meninos. Os dois tinham sido tímidos e um pouco nervosos com ela, e quando um deles a beijara, tinha achado desagradável.

Ela já tinha visto filmes, alguns muito explícitos. Mas eles não explicavam o que acontecia fisicamente com as pessoas, apenas mostravam.

"Não", ela disse finalmente, fazendo uma careta. "Bem, sou uma inútil, acho. Não tenho encontros, não tenho tempo para ler romances picantes...!"

Ele estava observando-a muito próximo. "Algumas lições custam um preço alto. Mas é seguro o suficiente comigo. Aqui".

Ele tomou a própria mão dela e, surpreendentemente, tirou o tecido de perto do seio dela e pôs o dedo sobre o bico firme. Ele observava o corpo dela enquanto fazia isso, tornando a experiência mais sensual.

"É o desejo que causa isto", ele explicou tranquilamente. "O corpo do homem incha onde ele é mais masculino. O intumescer dos seios da mulher torna os mamilos duros. É uma reação que vem da excitação, não é nada para se envergonhar".

Ela mal respirava. Sabia que o rosto estava vermelho, e o coração batia absurdamente. Ela estava sentando no meio de um campo aberto deixando Inuyasha olhar para seus seios e explicar a ela o que era desejo. A coisa inteira parecia uma fantasia tão grande que a fez arregalar os olhos.

Ele sabia disso. E sorriu. "Você é bonita", ele disse suavemente, removendo a mão dela e juntando as pontas da blusa. "Não faça uma tempestade. É natural, não é, conosco? Sempre tem sido assim. É por isso que eu posso conversar com você muito facilmente sobre as coisas mais íntimas". Ele fez uma ligeira carranca. "Eu desejava minha esposa o tempo todo, já te disse isso? Ela me provocava e me deixava louco para tê-la, de forma que eu faria qualquer coisa para conseguir isto. Mas eu não era rico o suficiente para ela. Meu melhor amigo tinha ganhado muito com imóveis e ela ficava o tempo todo atrás dele como um cachorro atrás do osso. Eu acho que ela nunca olhou para trás quando me deixou, mas eu não dormi por semanas, desejando-a. Eu ainda a desejo, de vez em quando". Ele suspirou rouco. "E agora ela está de volta, ela e Kouga. Eles estarão na cidade por algumas semanas enquanto ele se livra de todos os investimentos que possui. Ele está se aposentando, e quer me vender seu cavalo de corrida. Que situação dos diabos, não é?", ele murmurou friamente.

Ela sentiu a dor dele e não o deixou perceber como isso a tinha perturbado. "Obrigada por me soltar", ela disse sem ar, desviou dele, e começou a se levantar.

A mão dele a fez parar. Ele parecia que a estava estudando e avaliando. "Não faça isso. Eu quero tentar algo".

Os dedos dele foram para as casas dos botões da camisa de cambraia e ele começou a desabotoá-la, puxando a camisa para fora da calça jeans à medida que ela saía. Seu tórax era largo e bronzeado, com pelos espessos.

"O que você está fazendo?", ela sussurrou surpresa.

"Eu te disse. Quero tentar algo". Ele a colocou de Bankotsulhos, e desabotoou os botões restantes da camisa. Ele olhava de modo perspicaz para a expressão dela. Ela estava muito chocada para protestar, e então ele a puxou para perto, deixando-a sentir pela primeira vez na vida o choque da seminudez de um homem contra seu próprio corpo.

A respiração dela era forte e audível. Havia maravilha em seus olhos quando ela os ergueu para ele com curiosidade fascinada.

As mãos dele foram até as costelas dela e ele a puxou lenta e sensualmente, contra a almofada áspera de seu tórax. Fez cócegas nos seios dela e os mamilos ficaram ainda mais firmes. Ela pegou nos ombros dele, aprofundando as unhas involuntariamente enquanto todos os sonhos dela pareciam se realizar de uma só vez. Os olhos dele ardiam como um fogo negro. Que desceu até a boca dele que se curvou na direção dela.

Ela sentiu o calor firme dos lábios dele lentamente nos dela, abrindo-os, provocando-os. Ela prendeu a respiração, saboreando-o como um vinho raro. Vagamente ela sentiu a mão dele ir entre os seios dela ternamente e acariciar um seio inchado. Ela ofegou novamente, e sua cabeça ergueu de forma que ele pudesse ver os olhos dela.

O dedo polegar dele brincou com o bico firme e ela estremeceu por toda parte, impotente no abraço dele.

"Sim", ele sussurrou distraidamente, "isto é exatamente o que eu tinha pensado. Eu podia me deitar com você aqui mesmo, agora mesmo".

Ela apenas o ouvia. Seu coração estava agitado. Os dedos a tocavam, provocando seu corpo. Ela arqueou na direção dele, desesperada para não perder o contato.

Os olhos dele estavam por toda parte do rosto dela; os seios nus dela apertados muito junto dele. Ele sentia o toque até a alma. "Eu te quero", ele disse tranquilamente.

Ela soluçou, porque não deveria ter sido assim. O próprio corpo dela tinha-a traído, mostrando todos os segredos guardados a muito custo.

Mas havia dúvida nele. A mão estava parada sobre o seio dela, a boca pairava acima da dela enquanto seus olhos escuros sondavam, observavam.

"Você ainda é virgem, não é?", ele perguntou asperamente.

Ela tragou, os lábios inchados com o toque dos dele.

Ele suavemente a agitou. "Diga-me!".

Ela mordeu o lábio inferior e olhou para a garganta dele. Ela podia ver a pulsação batendo lá. "Você já sabe disto". Ela falou com dificuldade.

Ele não pareceu respirar por um minuto, então houve uma lenta e fraca exalada de respiração. Ele a envolveu com os braços e se sentou abraçando-a bem firme, balançando-a, o rosto dela enterrado na garganta quente dele, contra a pulsação rápida.

"Sim. Eu apenas queria ter certeza", ele disse depois de um minuto. Ele a soltou centímetro por centímetro e sorriu tristemente enquanto fechava a blusa dela novamente.

Ela se soltou dele, confusa. Os olhos dela se agarraram aos dele como que procurando sanidade.

Os lábios dela estavam inchados. Os olhos tão redondos quanto um pires azul escuro em um rosto lívido. Naquele momento ela era mais bonita do que ele jamais tinha pensado que ela pudesse ser.

"Tudo bem", ele disse suavemente. "Nós aprendemos mais um sobre o outro do que sabíamos antes. Nada vai mudar. Nós ainda somos amigos".

Ele tinha feito a frase soar como uma pergunta. "É... claro", ela gaguejou.

Ele se levantou, ajeitando a própria camisa e desamassando-a enquanto olhava para ela com uma nova expressão. Possessividade. Sim, era isto. Ele olhava para ela como se ela pertencesse a ele agora. Ela não entendia a própria reação que sentia pelo olhar dele.

Ela ficou de pé, movendo-se para ver se havia algo machucado.

"O arame não rasgou a pele, sorte sua", ele disse. "Esta calça jeans é de tecido grosso, firme. Mas você precisa de uma vacina antitetânica, da mesma maneira. Se você não tomou ainda, eu te levo à cidade".

"Eu tomei no ano passado", ela disse, evitando os olhos dele enquanto começava a andar na direção de Bess, que estava olhando para o garanhão com um pouco de curiosidade. "É melhor você pegar Cappy antes que ele comece a ter alguma ideia".

Ele pegou a rédea de Cappy e teve que acalmá-lo. "É melhor você tirá-la daqui enquanto pode", ele aconselhou. "Eu não sabia que você tinha vindo nela, se soubesse não teria trazido Cappy. Você normalmente monta o Toast".

Ela não quis dizer a ele que tinha vendido Toast para poder pagar uma das dívidas que seu pai tinha deixado.

Ela a viu montar na sela e fez a mesma coisa mantendo-se afastado o máximo possível com o garanhão. O desejo de acasalar não era uma coisa somente humana.

"Eu virei te ver mais tarde", ele gritou para ela. "Nós temos algumas coisas para discutir".

"Como o quê?", ela perguntou.

Mas Inuyasha não respondeu. Cappy estava ficando descontrolado enquanto ele tentava controlá-lo. "Não agora. Vá para casa!".

Ela girou a égua e galopou na direção do rancho, esquecendo-se da cerca com a pressa impetuosa. Ela teria que voltar mais tarde. Pelo menos agora ela podia sair do sol e beber algo frio.

Quando ela chegou à casa pequena, olhou-se no espelho do banheiro após uma chuveirada e não pôde acreditar que era a mesma mulher que tinha saído para o pasto de manhã. Ela parecia tão diferente. Havia algo novo em seus olhos, algo mais feminino, misterioso e reservado. Ela sentiu novamente o toque lento e explorador dos dedos firmes de Inuyasha Taisho e corou.

Tinha existido uma rara e bela magia entre eles lá no campo. Ela o amava tanto. Não havia o toque de nenhum outro homem em seu corpo, nunca nenhum outro homem havia existido em seu coração. Mas como ele iria reagir ao saber do conteúdo do testamento do pai dela? Ele não queria se casar novamente. Tinha dito isso vezes suficientes. E embora ele e Kagome fossem amigos há longo tempo, ele tinha recuado quando a tinha feito admitir que era inocente. Ele queria um caso, obviamente, mas tinha percebido que seria impossível se justificar com a própria consciência. Ele não podia seduzir uma mulher inocente.

Ela entrou no quarto e colocou calça comprida e uma camisa azul de tricô, deixando o cabelo recentemente lavado e seco solto ao redor dos ombros. Ele disse que eles conversariam mais tarde. Isso significava que ele tinha ouvido a fofoca sobre o testamento? Ele iria pedir a ela que o contestasse?

Ela não tinha nenhuma ideia do que esperar. Talvez fosse melhor assim. Ela teria menos com o que se preocupar.

Ela caminhou em torno da sala de estar os olhos sobre a mobília triste e gasta que ela e o pai tinham comprado tantos anos atrás. Não tinha havido nenhum dinheiro no último ano para comprar novos tapetes ou novos adornos. Eles tinham colocado todo o dinheiro que tinham naquelas poucas cabeças de gado de corte e no progenitor do rebanho. Mas o mercado de gado estava em baixa e se um inverno rigoroso viesse, não haveria meio de ela conseguir comprar alimento para eles. Ela teria que plantar bastante feno e milho para conseguir passar pelo inverno. Mas o melhor peão tinha deixado-a depois da morte do pai, e agora tudo o que ela tinha eram dois ajudantes de meio período, que ela mal podia pagar. Mesmo uma mulher cega seria capaz de ver que ela não conseguiria se manter agora.

Ela poderia lamentar as chances perdidas. Ela não tinha mais do que o segundo grau e nenhum jeito real de conseguir sobreviver. Tudo o que ela sabia era como ajudar a parir os bezerros, cuidar da alimentação e vender a linhagem. Ela tinha ido a leilões e sabia como vender, comprar e escolher o gado em boas condições. Ela sabia muito menos sobre cavalos, mas isso dificilmente importava. Ela tinha apenas Bess e um dos homens de meio período cuidava dela—e de Toast, até que ele tinha sido vendido— tratava, alimentava e dava água. Ela sabia ao menos selar o animal. Mas para Kagome, um cavalo era uma ferramenta para usar com o gado. Inuyasha tinha se encolhido quando ela tinha dito isto. Ele tinha Palominos puro-sangue e amava todos eles. Ela não conseguia imaginar ninguém que amasse os cavalos tanto quanto ele.

Estranhamente, era o único ponto em que não concordavam. Na maioria das outras coisas eles concordavam, inclusive em política e religião. E eles gostavam dos mesmos programas de televisão. Ela sorriu, lembrando-se de quantas vezes eles tinham compartilhado entusiasmos semelhantes por uma série semanal, especialmente uma de ficção científica. Inuyasha tinha sido gentil com o pai dela, também, tão paciente quando podia com um homem que tinha desistido da própria vida como um cavalheiro da cidade para, de repente, se tornar um rancheiro aos cinquenta e cinco anos. Fazia Kagome triste pensar quanto mais o pai dela poderia ter vivido se tivesse começado a seguir uma profissão menos exaustiva. Ele tinha um bom cérebro e tanto ainda para dar.

Ela arrumou um almoço leve e uma garrafa de café e pensou em voltar para tratar da cerca caída. Mas outro desastre seria demais. Ela ficava muito propensa a agir desastradamente quando Inuyasha estava próximo dela, e ela parecia rapidamente estar ficando assim mesmo quando ele não estava por perto. Ele a tinha salvado de touros loucos, pés presos em cercas de currais, salvado uma vez de um cascavel e duas vezes de fardos de feno. Ele deveria estar se perguntando se não haveria um modo de se libertar dela de uma vez por todas.

De qualquer forma, tinha sido legal da parte dele não ter mencionado esses incidentes quando a tinha salvado na cerca. Com certeza ele tinha ficado tentado a isso.

Tentado. Ela ficou corada de novo ao se lembrar da intimidade que eles tinham compartilhado. Nos sete anos em que eles se conheciam, ele nunca a tinha tocado até hoje. Ela se perguntava o porquê de ele ter feito isso agora.

O som de um carro vindo da estrada tirou-a da cozinha e levou-a até a porta da frente, na hora certa de ver o carro preto de luxo de Inuyasha aparecer na calçada. Ele não era um homem do tipo chamativo, e não se cercava de coisas luxuosas. Isso fazia de seu carro uma exceção. Ele tinha fascínio por carros grandes que nunca pareciam envelhecer, porque os trocava a cada dois anos—para outro preto.

"Você não fica cansado da cor?", ela tinha perguntado uma vez.

"Por quê?", ele respondeu laconicamente. "Preto combina com tudo".

Ele surgiu na varanda, e a expressão em seu rosto era uma que ela ainda não tinha visto. Ele estava como sempre, bem vestido, barbeado e devastadoramente bonito, mas havia uma diferença. Depois do interlúdio breve deles no pasto, a atmosfera entre eles estava um pouco tensa.

Ele estava com a mão nos bolsos enquanto dava uma olhada rápida para o corpo dela no bonito e amarrotado vestido azul.

"Isto tudo é para mim?", ele perguntou.

Ela corou. Normalmente usava apenas calças jeans, shorts jeans ou camisetas regatas. Ela quase nunca usava vestidos pelo rancho. E seu cabelo estava solto ao redor dos ombros em vez de sua habitual trança.

Ela encolheu os ombros em sinal de derrota. "Sim, acho que é", ela disse, encontrando os olhos dele com um sorriso sentido. "Desculpe".

Ele agitou a cabeça. "Não há necessidade de se desculpar. Não mesmo. De fato, o que aconteceu esta tarde me deu algumas ideias e é sobre elas que eu quero conversar com você".

O coração dela saltou no peito. Ele iria pedi-la em casamento? Oh, Deus, se ele fizesse isso, não teria que ficar sabendo daquela estúpida cláusula no testamento do pai dela!