Doces Lembranças
Por Arashi Kaminari

Capítulo 1

Lembro-me de uma certa vez, ter visto Shaka conversar calmamente com uma amazona. Sua máscara tinha um desenho, em forma de um corte paralelo na face direita que aparentava sangrar, mas era somente um desenho. A cavidade dos olhos era contornada pela cor preta.

Conversavam sobre ela, sobre a viagem e o início do seu treinamento como amazona. Parecia conhece-lo muito bem, também parecia ser fria como ele. Sua máscara transmitia expressão de frieza.

Fizeram silêncio. Talvez tivessem percebido minha presença. Em seguida a amazona saiu, deixando-o só.

- Se ousar chegar perto dela, pode começar a temer sua vida.

- Sentiu minha presença?

- Claro. Ela também.

- Como ela se chama?

- Suzu é minha irmã. Não chegue perto dela.

- Calma

Início do Flashback

Não nos dávamos bem. Eu sempre fui rival de Shaka e vice-versa. Num torneio feito entre nós para quebrar a monotonia de nossos dias de treinamento, eu fui adversário de Shaka. Lutávamos, enquanto nos ofendíamos verbalmente. Ganhei a luta, mas Shaka não se conformou.

- Seu filho da puta. Eu ainda acabo com você.

- Minha mãe pode ser uma puta, mas pelo menos não é uma puta que pari viado.

Era uma briga insignificante, se eu não tivesse presenciado o que aconteceu naquele quarto, naquela noite.

Eu seguia pela casa de Virgem, apertando o passo até a aldeia. Era dia de festa. Passando em frente ao quarto de Shaka, ouvi gemidos. Tapei meus ouvidos, mas foi em vão. Os gemidos cresciam mais e mais. "Não têm pudor mesmo", pensei comigo. Olhei pela brecha da porta entreaberta, para saber quem estava acompanhando Shaka. Acho que a surpresa foi mais dele do que minha. Ele estava deitado com Afrodite, ambos nus, no auge do clímax. Seu corpo estava sob o de Afrodite, sendo preenchido pelo do outro. Sem querer, Shaka desviou seu olhar de encontro ao meu. Seus olhos arregalaram-se como nunca.

- Miro! – tentou gritar, embora não saísse mais que um simples gemido.

Fim do Flashback

Alguns dias após ver Shaka com a "irmã", vi alguns cavalheiros de bronze lutando contra uma amazona.

- Não sabem que são proibidas lutas, principalmente contra uma amazona?

- Ela que quis. Seria mais fácil se ela mostrasse esse rostinho pra mim.

- Largue ela.

Não sei quanto tempo demorei pra botar todos pra correr, mas foi o suficiente para cortarem-lhe a máscara ao meio.

Aproximei-me dela sem perceber, que ela tentava esconder o rosto entre as mãos.

- Está bem?

- Não olhe! Eu lhe imploro! – nesse instante percebi que era a voz da irmã de Shaka.

- Não se preocupe. Eu não contarei a ninguém que vi seu rosto. – joguei, afinal, estava louco por ver o rosto por detrás da voz potente.

- Eu não posso. Sabe o que acontece quando um homem vê o rosto de uma amazona?

Nem consegui responder. Ela era linda por demais. Seus olhos eram esverdeados, contrastando com o seu cabelo castanho comprido e a sua pele curtida pelo sol.

Seu nariz era inconfundível, seu olhar penetrante e sua boca carnuda, a qual eu estava louco pra desfrutar.

- Sabe? – ela indagou novamente.

- Sim. Não quero que me ame por causa disso.

- ...

- Bom. Eu não vou deixar me matar também, mas se quiser tentar ... O que houve? A Esfinge comeu a sua língua, Suzu ?

- Hã! Como sabe meu nome?

- Conversei com seu irmão depois que você foi embora. Já tem alguns dias.

- Como se chama?

- Miro.

- Então devo mata-lo por duas razões; nem eu e nem meu irmão gostamos de você.

- Mas nem me conhece.

- Mas viu meu rosto.

- Como posso reverter essa situação?

- Não pode.

Não resisti a sedução daqueles lábios e aproximei-me para beija-los, sendo impedido, repelido. Em seguida, ela me indagou se havia algum modo de chegar a casa de Virgem, sem que qualquer pessoa visse seu rosto. A informei que dando a volta pelo lado leste do santuário, chegaria as escadarias entre as casas de Virgem e Libra.

Como era longe, ela deve ter chegado tarde. Pela manhã, fiquei escutando a conversa dos dois, depois que Shaka viu Suzu dormindo e sua máscara cortada, no meio dos lençóis.

- Suzu. O que aconteceu?

- O idiota do Talles tentou tirar minha máscara.

- ...

- Um cavalheiro de ouro me salvou e...

- ... Viu seu rosto. Presumo que tenho sido Miro de Escorpião.

- Como sabe?

- Além de mim, somente Escorpião e Libra sabem desse caminho. Libra não vive aqui, então por eliminação resta Escorpião. Qual caminho optará?

- Mata-lo.

- É meio impossível. É um cavalheiro de ouro.

- Prefiro morrer a amá-lo. Ele é nosso inimigo.

- Nosso inimigo? Seu inimigo.

- Não é o que você dizia até ontem.

- Não enche. – disse usando seu poder para consertar a máscara. – Pronto.

- Aonde vai?

- Treinar no lugar de sempre.

- Espero que não vá atrás dele.

- Não se preocupe comigo. Preocupe-se com você.

Parti pensando no que haviam dito. Pensei que Shaka fosse atrás de mim e me torturaria como um prisioneiro de guerra com seus poderes psíquicos, mas ao invés disso, simplesmente saiu para treinar e disse que não era meu inimigo. Era um bom começo.

Treinei a tarde inteira com Kamus. Estava me sentindo mais leve por um lado e mais pesado por outro. Kamus era o mais sábio entre nós. Logo perguntou se eu estava preocupado com alguma coisa.

- Eu vi... uma amazona.

- (risos) Este é o motivo de sua tensão?

- Ela não. Mas temo o irmão dela.

- Suzu?

- Como sabe o nome dela?

- Sei o nome de todas. Afinal, sou eu que tenho o dever de tomar conta delas para que não infrinjam as regras. E aí? Ela é bonita?

- Muito. Não tenho palavras para explicar.

- É. Você se meteu numa merda das grandes. Duvido que Shaka deixe tudo por isso mesmo.

- É isso que temo. Shaka não é um oponente que pode se deter com palavras. Desde que Suzu chegou, ele parece desprovido de emoção, de sentimentos.

- Que bom! Pensei que somente eu havia percebido isso. É complicado saber o que se passa na cabeça dele. Talvez seja um típico comportamento de irmão mais velho.

- Como assim?

- Quer que ela tenha medo dele. Quer que ela tenha respeito por ele.

- Que idiotice!

- É minha opinião. Mudando de assunto... Ela é bonita mesmo? Às vezes sua voz fica tão potente, que parece com a de um homem.

- Ah! Kamus. Que pergunta! E que comentário!

- Sim ou não?

- Sim. Muito bonita... já disse. Não é hora para conversarmos sobre amazonas.

- É está na hora de dar uma ronda pelo alojamento delas mesmo. Te vejo amanhã.

Treinei por mais tempo. Até a noite para ser mais preciso. Andei até a praia. Queria ficar sozinho, repensar tudo o que havia acontecido. O Santuário me lembrava a Ilha de Miros, às vezes. Sentei-me naquela areia branca e fofa. Há tempos não fazia isso. Não precisava. Olhei adiante e vi que a praia não estava deserta. Ela estava lá.

Estava quieta da mesma forma que uma estátua fica. As águas do mar iam e vinham molhando os seus pés. Seus olhos não piscavam ( observação idiota, já que ela estava com a máscara ). Aproximei-me sem saber o que dizer.

- Não se aproxime mais. – disse com uma voz fria.

- Já se decidiu?

- Já. Prepare-se.

- O quê?

Num rápido movimento, trespassou sua mão esquerda pelo meu lado direito cortando alguns fios de meu cabelo. Ela era tão rápida que não vi, muito menos previ seu movimento. Não era à toa que ela era conhecida como a "Deusa dos Raios de Sol", Suzu de Guepardo.

Percebi a escolha dela pelo seu ato. Não revidei. Ela continuou me atacando. Seus movimentos eram mortais. Ela não estava brincando. Comecei a me defender, sem atacá-la. Nunca passou pela minha cabeça em sequer levantar a mão para uma garota.

Piquei seus pés, colocando duas agulhas de Escorpião em cada pé, paralisando-a. Deti seus punhos com as minhas mãos. Ficamos paralisados por alguns instantes. Podíamos ouvir nossas respirações.

- Tire a máscara. – ela pediu com voz doce e suave.

- Primeiro eu vou tirar as agulhas.

- A máscara primeiro. – senti determinação nas suas palavras – Anda.

Tirei sua máscara bem devagar, queria apreciar cada minuto, sua beleza. Ela olhava atentamente para dentro de meus olhos e vice-versa. Percebi que o efeito das agulhas estava fazendo efeito e em horas iria mata-la. Mas eu estava imóvel. Não conseguia me mexer, estava totalmente paralisado por ela.

Ela aproximou seu rosto ao meu e eu fiz o mesmo. Nossos lábios roçaram e nossas respirações se encontraram até tudo terminar num longo beijo. Larguei seus punhos e deixei que os mesmos me envolvessem. Suas mãos eram macias. Faziam carinho em minha nuca. Por um instante quis que aquele momento durasse eternamente. Sua língua adentrando a minha boca, procurando a minha língua e ambas se digladiando, colando-se, agarrando-se com fervor. Afastou-se primeiro, acabando com o meu sonho. Olhou fixamente para os meus olhos e disse secamente:

- Anda!

Fiquei parado sem saber o que fazer. "O que ela queria dizer com ANDA?" Então percebi seus olhos moverem-se de encontro com os seus pés e entendi o sentido do ANDA. Tirei as agulhas e o veneno de seu corpo. Ouvi um urro de dor. Com certeza não era fácil agüentar a dor.

- Pronto! Sente-se bem?

- Acho que sim.

- Que bom! Daqui alguns minutos vai sentir-se bem melhor.

- Já que não posso mata-lo, fico com a segunda opção.

- Não posso negar que gostei do beijo, mas... Não quero que me ame por causa de uma regra estúpida.

- O problema não é seu. É meu. E além do mais, não tenho outra opção.

- Já vi que não passo de amanhã.

Eu disse arrastando pé pela areia. Ouvi um risinho contido que chamou minha atenção. Levantei a cabeça e direcionei o meu olhar à ela. Ela estava sorrindo.

- Não se preocupe com Shaka. Eu cuido dele.

- Vocês são mesmo irmãos?

- Somos. Por que?

- São muito diferentes.

- É o que todos dizem.

- É muito bonita. – senti ela corar.

- Obrigada. – disse timidamente.

Não sei o que deu nela. Simplesmente, ela me abraçou e começou a chorar em meu ombro. Não sabia o motivo, mas também não ousei perguntar. Só deixei que ela chorasse. De repente, ela adormeceu em meus braços. Gostei por um lado, já que pude leva-la em meus braços, mas por outro lado, tive que ficar frente a frente com Shaka. Uma coisa que eu não queria.

- Então ela escolheu... Não importa.

- Eu não estou interessado em sua irmã.

- Isso não me importa. O que aconteceu?

- Adormeceu enquanto chorava.

- Espero que tenha gostado.

- Do quê?

- Do beijo.

- Que coisa feia ficar vigiando a sua irmã.

- Faço o que quiser.

- Boa noite. – eu disse com um meio sorriso nos lábios à Suzu, antes de deixa-la com Shaka.

Talvez ela estivesse começando a mexer comigo.

Pela manhã acordei com a grave voz de Aldebaran, entrando e preenchendo a casa de Escorpião. Todas as manhãs, eles nos acordava pelas caixas de som.

A minha surpresa foi acordar e ver a máscara da amazona de Guepardo, rente a meu rosto. Meu cabelo estava desgrenhado, meus olhos mal conseguiam abrir e minha boca estava colada de tão seca que estava. Minha surpresa foi tanta que eu caí da cama.

- Você está bem?

Ela indagou com um certo ar de ironia. Nada respondi. A minha reação foi puxar todas as cobertas possíveis para cobrir-me. Eu estava vestindo uma cueca de algodão branca, nada mais. Mas tudo parecia normal para ela.

- Eu só vim te agradecer... por ontem.

- Sem problemas. Hã!...

- Às vezes vejo Shaka de cueca.

Ela levantou-se e andou até a mim. A cada passo, meu coração batia mais rápido. Tudo o que fazia era sexy, inacreditavelmente sexy. Tirou a máscara e acariciou os meus lábios com as pontas dos dedos. Nos beijamos, enquanto nossos hálitos fundiam-se e nossas línguas sugavam-se.

- Bom dia!

- Bom dia pra você também.

Ela ia saindo pela porta quando a deti pelo punho, esquecendo da forma que eu me encontrava.

- Aonde vai treinar hoje?

- Não sei.

Soltei-a para prender o meu cabelo em um coque. Nós, cavaleiros, tínhamos o hábito de fazer um coque logo após despertarmos.Ela acabara de colocara sua máscara novamente, escondendo o que eu apreciava observar, o seu rosto.

- Você fica um gatinho assim, sabia?

- ... – senti meu rosto arder como o fogo. Era a primeira vez que uma pessoa falava que eu era bonito.

- Me espere no começo da tarde nas ruínas. Vou ver se consigo uma autorização de Kamus pra treinar com você.

- "timo.

Não sei o que acontece comigo quando a vejo. Meu coração é tomado por uma súbita felicidade e dispara, batendo no mesmo compasso que o dela. O seu beijo traz a esperança de viver mais um dia para ver o seu sorriso. Talvez ela não seja uma pessoa tão fria quanto aparenta. Seus atos a denunciam.

Passei a tarde à sua espera, queria vê-la, toca-la. Será que Kamus não havia deixado? Mesmo assim ela iria me avisar. Tudo parecia um sonho. Às vezes penso; e se ela fosse feia? Será que eu iria sentir a mesma coisa por ela?

A noite caiu e nenhum sinal de Suzu, muito menos de uma alma viva. Não pude esconder minha decepção. Eu estava ansioso por vê-la, mas... Parei e lembrei das últimas palavras de meu mestre.

- Miro.

- Sim mestre.

- Nunca ame uma mulher até ter certeza que está pronto para isso. Um erro e sua vida e a dela acabarão em uma mera fração de segundos.

- Não se preocupe. Tô novo pra isso. E além do mais... "mulheres em segundo plano".

Eu estava com 11 anos na época. Não sabia o que estava dizendo.

Voltei à casa de Escorpião e da entrada senti um cheiro gostoso vindo da cozinha. Vi que Suzu terminava de preparar a sobremesa e pô-la sobre a mesa. Suzu deu um sorriso convidativo e apontou uma cadeira para mim. Sentei-me e pus a admira-la. Estava vestida de forma diferente; estava com uma túnica branca que modelava seu corpo, seu belo e esbelto corpo. Parecíamos que estávamos num jogo de sedução, no qual ela tinha o poder. Sua expressão facial confirmava isso.

- Desculpe por não ir. Houve um imprevisto.

- ... – nada disse, não havia nada o que dizer.

- Não vai perguntar qual foi o imprevisto?

- Claro. Qual?

- Nenhum. Hã!... Está a seu gosto?

Ela me indagou, mas nada respondi. Fisicamente, eu estava ali, mas mentalmente, eu estava em órbita. Realmente eu estava chateado com ela.

- Miro!

- Hã!

- Esquece.

- Desculpe. O que perguntou mesmo?

- Nada. Você tem uma garrafa de champanhe? Eu não achei nenhuma.

- Tem uma de vinho num fundo falso embaixo da pia junto com as taças.

Rapidamente ela achou o vinho. Parecia que já sabia que ele estava ali, antes mesmo d'eu falar. Encheu duas taças e ofereceu uma à mim. Brindamos e tomamos um pouco daquele "amigo de 50 anos". Ainda tomando o vinho, ela sentou-se no meu colo, de frente para mim, com uma perna de cada lado. Coloquei minha taça vazia sobre a mesa e recostei-me na cadeira. Eu sentia que meu sexo começava a ficar excitado. Observei-a, enquanto brincava com o resto do vinho que estava na taça. Passou seu braço esquerdo pelo meu pescoço e terminou com o vinho restante na taça. Beijou-me calorosamente, enquanto eu pude sentir o gosto quente e doce do vinho em nossas bocas. Ela envolveu meu pescoço com os braços e foi levando seu corpo de encontro ao meu, arrastando seu sexo no meu, para meu desespero. Eu já estava de pau duro. Isso não iria acabar bem.

- Melhor parar.

- Não sou tão inocente como pensa. Por que acha que estou aqui?

- Sei lá.

- Acreditaria se eu dissesse que sou viúva?

- Viúva? ( rs rs rs ) Que brincadeira é essa?

- Shaka me casou com um homem que eu nem conhecia. Ele era bonito, charmoso, gentil, dotado... – disse apertando meu pênis -...Mas não era o homem que eu queria. O traí com um dos criados. Pensei que ele fosse se divorciar, mas acho que ele não agüentou.

- Onde ele está agora?

- Não sei. Talvez no céu... ou no inferno.

- O quê?

- Ele suicidou-se. Por isso Shaka me trouxe para a Grécia.

- Ele devia gostar muito de você.

- Gostar? Gostar de me fuder, né?

Ela beijou várias vezes seguidas o meu pescoço. Beijos molhados, exóticos, selvagens... Ela estava conseguindo me dominar. Sua sedução era maior que a minha vontade de parar tudo, mesmo estando extasiado.

Pedi desesperadamente para ela parar. Shaka, que não havia feito nada até aquele momento, se visse aquela cena, duvido que não faria um escândalo e mandaria Suzu de volta à Índia.

- Pára Suzu! Pára!

- Por que?

- Porque eu não quero.

- Engraçado. Seu corpo expressa outro sentimento.

- Suzu!

Suzu me beijou fervorosamente, deixando passar um pouco de sua aflição e ansiedade, num momento de descuido. Sua boca colava com a minha e a sua língua procurava a minha desesperadamente. Eu estava ficando sem fôlego. Tentei me afastar, mas era em vão. Suzu sempre me envolvia mais e mais. Deixei-me manipular. Sabia que algo ali estava soando mal. Suzu nunca faria nada disso. Alguma coisa estava acontecendo. Suzu afastou-se ofegante. Passei o dorso de minha mão pelo seu rosto, enquanto ela correspondia aninhando-se na curva do meu ombro. Estava triste.

- O que houve Suzu?

- Nada.

- Você não fez tudo isso por fazer.

- Claro que não. Fiz pra você.

- Por que?

- Eu tive vontade.

Senti ela agarrar os meus cabelos mais e mais, aninhando-se contra mim, sentindo o meu cheiro, abandonando-se em meus braços, como uma criança carente de amor. Brinquei com os seus cabelos, acariciando-os, sentido o seu aroma. Passei as minhas mãos pelas suas costas. Minha boca passeou em seu pescoço. Seu cheiro era doce.

- Obrigado.

- Se eu fosse embora, você sentiria a minha falta?

- Hã-hum!

- Responda.

- Claro que sim.

- Como amiga?

- Não. Como a garota que eu gosto.

- Fala sério!?

- Falo. Você é a pessoa mais importante pra mim... – finalmente encarou meus olhos com um lindo sorriso que logo desapareceu -... E todos os problemas que você tiver, pode contar comigo.

- Mesmo?

- Mesmo. O que houve?

- Shaka vai viajar amanhã de manhã para Índia, para aprimorar suas habilidades. Todos fazem isso. Até você.

- Suzu...

- Eu vou junto e não tenho data pra volta.

- O quê? Sabia que ele estava planejando alguma.

- Não importa. Agora eu sei o quanto eu sou importante para você.

- Pára! Assim vai me deixar vermelho! – disse num tom de ironia.

( Risos )

- Vou sentir a sua falta.

- Eu também.

Os dois aninharam-se, um contra o outro. Ambos adormeceram ali.

Amanheceu. Suzu acordou e depositou um beijo na fronte de Miro e saiu. Não queria despedir-se. Estava na porta principal quando ouviu Miro a chamar.

- O que foi?

- Esqueceu sua máscara.

- Obrigada.

- Suzu...

- Eu não quero ir. Diga uma palavra de amor e eu ficarei.

- Não posso. Vai. Seu irmão está te esperando.

Suzu nada respondeu. Voltou-se para a porta e continuou a andar em direção à casa de Virgem. Estava magoada, desapontada. Uma lágrima correu o seu rosto. Seu coração havia se quebrado.

Março de 2002