ARC – Resgate
Saga e Shura
Eu jurei te proteger…
Capítulo I
And the life goes on
(E a vida continua)
Autoras: ShiryuForever94 e Akane Mitsuko (ShiryuMitsuko)
Gênero: romance/yaoi/angst leve/insinuações de violência e de abuso de álcool
Em capítulos
Personagens: Saga e Shura/MDM e Afrodite/Camus e Milo/Ikki e Shiryu/Dohko e Shion
Disclaimer: Saint Seiya não me pertence porque não tive a sorte de nascer no Japão com a mente do Kurumada. Talvez tenha sido melhor assim ou eu seria presa por atentado violento ao pudor no primeiro mangá.
Dedicatórias especiais
Para minha co-autora, com carinho. Sem ela muitas cenas perderiam muito do charme e da elegância. Muitos dos mais profundos sentimentos do Shura se perderiam sem o toque genial de Akane Mitsuko. Uma ficwriter de mão cheia e uma alma repleta de talentos. Preciso dizer que sem ela eu jamais conseguiria? Conversas mis e muitas mudanças e ela sempre dando um toque a mais. Parabéns meu docinho pelo seu enorme talento. Meu agradecimento sincero por topar essa loucura toda comigo.
Para nossa beta reader, Yuu (Julian/Poseidon/Kanon/Mu) Fico sem palavras para agradecer alguém que surta junta conosco lendo zilhões de páginas, zilhões de versões. Ela só tem um defeito. Gosta do que a gente escreve e aí não desce o malho nunca na fanfic rsrsrsrsrs. Tá, ela fala quando tá ótimo. Ou seja, quase sempre (morrendo de rir aqui...) Obrigada querida, por tudo.
AVISO: Fanfiction yaoi – RELACIONAMENTO AMOROSO E POSSIVELMENTE COM SEXO ENTRE HOMENS. Além disso, há abordagem de temas como violência, vício em drogas lícitas (cigarro e álcool) e alguma menção à violência sexual. NÃO INDICADA PARA MENORES DE 18 ANOS. Aviso dado...
Capítulo I
And the life goes on
(E a vida continua)
Um calorzinho agradável. Abriu os olhos e suspirou, levando alguns momentos para perceber onde estava e como estava. Sentiu uma respiração leve e morna e olhou ao seu lado. Shura de Capricórnio aconchegara-se a ele e estava com o braço direito sobre seu peito e uma perna sobre a sua, ressonando suavemente. Devia ser cedo. Ouviu uma batida leve na porta e pensou se respondia, poderia acordar Shura. Apenas falou com a voz firme.
- "Um minuto." Viu Shura mover-se levemente mas continuar dormindo, parecia tão em paz. Desvencilhou-se dele devagar e o pegou no colo, sentindo-o encostar a cabeça em seu ombro. Queria guardar a cena na memória para sempre. Depositou-o na cama e cobriu-o com um lençol, ambos haviam adormecido nus e assim haviam acordado. Pegou uma toalha no banheiro e pôs na cintura, abriu a porta com cuidado e olhou a serva que esperava pacientemente. Era Trisha.
- "Bom dia. Shura está dormindo, fale baixo."
A serva esperara à porta, dando um gentil sorriso quando ele apareceu. Logo percebeu como ele estava, e aquilo a levou a tirar certas conclusões. Bem, não estava ali para aquilo. Havia recebido uma mensagem de um soldado e era isso que deveria transmitir.
- "Mestre Saga, um soldado veio aqui há pouco, avisar que sua missão é em dois dias."
Gêmeos franziu a testa e suspirou fundo. Dois dias. Precisava se certificar que Shura ficaria bem. Agradeceu a moça e pediu gentilmente que ela preparasse o café, evitando comidas gordurosas e sugerindo frutas, sucos e alguns pães. Olhou-a fixamente com um brilho no olhar.
- "Ele precisa de força. E cuidado. Ah, eu não sou o dono desta casa mas, se me permite, eu gostaria mesmo que preparasse tudo. Eu... Ele... Bem, creio que não é nenhuma imbecil." Deu um sorriso aberto destruidor e bagunçou o cabelo da jovenzinha numa carícia paternal e sussurrou que o amava. Muito.
- "C-certo. Que bom mestre Saga. Farei o que me pediu e, vocês fazem um casal muito bonito." Corou um pouco ao falar e logo desapareceu pelo corredor. O cabelo curto e marrom todo emaranhado. Iria fazer o que aquele homem pedira. Gostara da presença dele e achava que estava fazendo bem para seu mestre.
Saga entrou no banho, tinha que ver Saori e falar com Camus. A missão seria em dois parcos dias. Iria tirar ambos de folga e nem queria saber. Treinaria sim e fariam outras coisas. Tinha planos, todos com Shura. Lavou-se com aprumo e saiu apenas de toalha, foi até o quarto de hóspedes pegar roupas, produtos de higiene e se arrumou, colocou uma calça jeans azul clara e camiseta regata preta, mocassins pretos nos pés. Já fizera a barba no banho e escovara os dentes, penteara os longos cabelos e os prendeu rapidamente. Saiu e foi espiar Shura novamente, queria se certificar que estava tudo bem.
Abriu os olhos com vagar, sentiu uma certa claridade incomodando-o. Alguns raios passavam pelas cortinas, clareando o quarto devagar. Estranhou ao sentir o fofo colchão sob seu corpo, que lembrasse tinha dormido no tapete e recordou o que ocorrera à noite, corando bastante. Ouviu um barulho atrás de si, perto da porta e virou-se, vendo Saga, já completamente vestido, olhando-o.
- "Bom dia." Foi até a cama e sentou-se, passando os dedos cuidadosamente pelo rosto de Shura.
- "Desculpe amor, se não esperei você. Tenho compromissos, a Deusa mandou avisar que minha missão é em dois dias e eu preciso resolver algumas coisas. Tomei a liberdade de pedir à uma de suas servas, Trisha se não me engano, que preparasse seu café da manhã. Se quiser, posso tomá-lo com você. Devo levar uma ou duas horas despachando com Camus e Saori. Gostaria de sair comigo depois?"
- "Hum, certo." Capricórnio deu um pequeno sorriso. Fingia não ter notado, mas percebera sim quando ele se referira a missão, era impossível não se preocupar quanto a isso e olhou interrogativamente murmurando que poderiam sim, sair. Apoiara-se no colchão e elevara um tanto o corpo.
- "Eu espero você se arrumar então." Levantou-se e foi até a janela, o sol ia aumentando seu calor, seria um belo dia, não conseguia parar de pensar no quanto a missão o preocupava, tinha para quem voltar agora. Não podia fracassar.
- "Espanhol, lembre-se de não ficar sozinho em lugar algum, pelo menos por enquanto. Eu irei ao 13º templo rapidamente. Sei também que você é muito forte e capaz de se cuidar, no entanto, é melhor termos cuidado, sei que entende." A voz era forte mas suave, preocupava-se.
- "Ok." Observava o outro indo até a janela enquanto levantava lentamente da cama. Ouviu o que ele dizia, concordando com um murmúrio. Sabia muito bem do que ele falava, andar por lugares onde não houvesse ninguém por perto, considerando que tinha dois cavaleiros de ouro furiosos consigo, não era mesmo uma boa idéia, mesmo que parte de seu orgulho quisesse contradizê-lo e argumentar ser capaz contra ambos sozinho. Suspirou, esquecendo aqueles pensamentos e foi até seu armário, pegando uma calça jeans e uma regata vermelha. Foi até o banheiro, tomou uma ducha rápida e se vestiu, saindo com os cabelos ainda um pouco úmidos.
- "Você é muito bonito de manhã, aliás, acho que a qualquer hora. Vamos descer? O café deve estar pronto." Foi até Shura e deu-lhe um selinho carinhoso.
- "Sim, vamos." Disse, sorrindo novamente ao sentir o selinho. Enquanto desciam as escadas, respondeu que o outro também era bonito.
- "Obrigado amor. Hum, estamos de mãos dadas. Quer que solte? Se bem que eu disse a sua serva que te amo." Sorriu de maneira sapeca e continuou.
- "Acho que não é segredo para ninguém mais que nós estamos juntos mas, se fizer questão..."
- "Não, não precisa. Se bem conheço Trisha, ela já espalhou a novidade entre as outras servas. Não por maldade." Disse com um leve sorriso, a jovem sempre fora bastante extrovertida, falando com todos, mas nunca com segundas intenções.
- "Fico feliz. Não me envergonho de você, nem de nada que nos diga respeito. Hum, belo café da manhã." Viu três servos perfilados e um tanto sorridentes e não resistiu.
- "Se eu soubesse que namorar o dono da Casa de Capricórnio me renderia tantos sorrisos, já tinha resolvido isso mais cedo." Sentou-se na cabeceira da mesa, estava feliz.
Shura sentou-se à mesa, ouvindo o que ele dizia e soltando um pequeno riso. Estava feliz, calmo e verdadeiramente em paz como não estava há tempos. A presença dele lhe dava aquilo. Segurança. Serenidade. E aquele sentimento que crescia pouco a pouco.
- "Eu acho que podemos treinar ao fim do dia. Vou falar com Camus e após, se puder, me espere na casa de Áries, vamos sair. Acho que não terá problemas, todos os cavaleiros parecem estar em suas casas e aqueles dois não nos causarão problemas por enquanto. Hum, do jeito que você está vestido está perfeito. Vamos comprar algumas coisas."
- "Hum, concordo." Decidiu não pensar em MDM e Afrodite.
- "E, também..." – Virou-se com calma para Alícia e Trisha – "Desmontem o quarto dele, tirem tudo, móveis, roupas de cama e tudo o mais. Haverá mudanças aqui." - Olhou para Shura com amor – "Se você permitir, é claro."
Shura surpreendeu-se, olhando-o sem dizer nada por alguns momentos, pensando. Realmente, aquele quarto estava cheio de coisas, que o lembravam do que não queria, não... podia... lembrar. Quando ele olhou para si, pedindo permissão, concordou com a cabeça, murmurando mais para si do que para qualquer um que era preciso mudar.
- "Então está tudo acertado. Volto logo." Terminou a refeição e levantou-se. Num gesto muito natural foi até Shura e beijou-o na boca, lentamente, na frente de quem quisesse ver. Sorriu e se despediu.
- "Ok." Disse, correspondendo ao beijo e corando levemente após. Acenou com vagar para ele, vendo-o se afastar. Trisha e Alicia se entreolharam sorrindo. Agora sim tudo ficaria bem. Alguns dos outros servos sorriram alegremente e até um certo cantarolar das mocinhas que arrumavam todo o templo se podia ouvir. Shura terminou seu café da manhã com um pequeno mas perceptível sorriso maroto nos lábios. A alegria estava de volta àquela casa.
A reunião correra bem. Camus ficara o tempo todo olhando de soslaio para ele, tentando adivinhar "coisas". Gêmeos apenas sorrira e dera um abraço no aquariano, feliz. Saori notou seu estado de espírito e quis saber o que era aquele ar tão alegre. Em poucas palavras, disse apenas que seu coração estava em paz, e o de Shura também. A deusa sorrira compreensiva e revirara os olhos, dizendo que não ia sobrar homem para a perpetuação da espécie e que ela seria deusa de um mundo sem habitantes... Um exagero, sem dúvidas, mas fora engraçado.
Desceu pela casa de Afrodite e apenas pediu passagem que não lhe foi negada nem houve qualquer conversa. O peixinho o olhava estranhamente mas não tinha tempo a perder. Aproximou-se da casa de Capricórnio e viu os servos pondo tudo que era móvel do quarto de Shura para fora. Bom. Logo teriam outros, novos. Enquanto os novos não chegassem poderiam ficar no quarto de hóspedes. Alargou o sorriso pensando que simplesmente se estabelecera com Shura naquela casa e que tudo parecia tão normal. Seguiu para Áries, cumprimentando a todos, passou incólume pela casa de MDM, ele não ousou negar passagem nem o enfrentou. Era bom ou mau sinal? Depois veria... Chegou em Áries sorridente e viu Shura andando meio inquieto de um lado a outro.
Shura descera lentamente as escadas, como se tivesse todo o tempo do mundo. Ao passar por Câncer teve um tanto de receio, mas seu morador não parecia estar ali, ou ao menos, não descera. Espantou esses pensamentos e continuou a descida. Ao chegar na escadaria em frente a Áries, primeiramente se sentou, calmo, porém, devagar, pouco a pouco, começou a se inquietar, mordendo levemente os lábios. Sentia falta de... seus vícios... Desde que estava com Saga nunca mais fumara, nem bebera como costumava fazer, e por mais que estivesse satisfeito com isso, seu organismo não estava. Começou a andar de um lado para outro, sem muito da calma de antes.
- "Amor, tome... São chicletes de nicotina, vão melhorar seu desespero. Sim, eu sei que está com crise de abstinência de nicotina. Vai passar... Vamos?" Não ia ficar comentando. Sabia como o gênio do outro era. Melhor apenas mitigar a agonia dele e deixar para lá. Sabia que não seria fácil. Álcool e nicotina. Até isso MDM e Dite tinham feito com ele... Não que Dite fumasse ou bebesse mas... Também não se importava.
Shura observou seu namorado chegar e aquela visão distraiu-o um pouco. Ouviu o que ele disse, estendendo algumas coisas para si. Não conseguiu evitar se sentir um tanto envergonhado com aquilo, mas concordou com o que ele dissera, descendo as escadas com ele e abrindo um dos chicletes.
- "Quanto você fumava? E, desculpe, mas... Quanto bebia? Talvez precise de auxílio médico. Não estou brincando. Embora sejam vendidos livremente, álcool e tabaco são drogas potentes. Eu sei do que falo, já bebi o suficiente por minha vida toda." - Observou o outro mastigar o chiclete e o viu ainda meio magro para os padrões anteriores. – "E acho que um pouco de suplementação vitamínica será bom. Vamos cuidar disso. Mas apenas se você concordar e saiba que é porque te amo. Não me importo se você ficar mais magro ou mais gordo, mas quero muito tempo perto de você, muitos anos, e para isso, teremos que nos manter saudáveis. Ah, droga, estou parecendo sua mãe, não seu amante." Parou em frente ao carro, seu Bugatti era realmente impressionante. Vestira por cima da camiseta regata uma outra, de mangas curtas, verde escura. Estava animado.
Capricórnio ouvira as perguntas dele, retesando um pouco os maxilares. Não lhe agradavam aqueles assuntos, mas ele merecia saber. O outro continuava a falar um tanto sobre o assunto e logo pararam em frente ao carro.
- "Shu, vamos à locadora? Quero pegar alguns filmes. Pedi os próximos dois dias de folga para ficar com você e podemos fazer várias coisas. Uma delas é ver filmes agarradinhos no sofá. Talvez comprar uma tv de plasma para o nosso quarto na sua casa. Vai descobrir que adoro brinquedinhos tecnológicos." Sorriu absolutamente feliz com tudo aquilo.
Shura apenas concordava. Aquele homem era um tornado? Mil assuntos na mesma frase, uma energia impressionante, sem falar nos olhos lindos que lançavam raios em sua direção. Suspirou, respondendo então aos questionamentos.
- "Bem, dependia, normalmente um maço, ou dois por dia e uma garrafa de bebida, qualquer uma mas, enfim, às vezes era mais e havia alguns dias que não fumava nem bebia nada mas é algo que não chego a lembrar com tanta clareza." Suspirou novamente, sentindo-se triste pelas lembranças que vieram junto com as respostas. Saga logo desviou o assunto, felizmente, perguntando se queria que fossem a locadora. Assentiu brevemente. Esqueceu os pensamentos anteriores enquanto saíam do santuário e rapidamente percorriam a pequena vila que o rodeava, chegando à cidade, enquanto ouvia o que ele dizia sobre programas interessantes para se fazer e vez por outra apertava sua mão na dele. Deixava-se levar pelas idéias dele, a animação contagiando-o aos poucos, novamente.
Enquanto dirigia, Saga analisou as respostas e calculou que não era assim tão grave. Continuou conversando e logo estavam chegando ao shopping principal da cidade. Estacionou o carro e foram saindo. Deu um longo suspiro e falou bem sério. Odiava essa parte.
- "Amor, eu te amo demais, infelizmente estamos fora do santuário e, aqui fora, não é normal, nem aceito, nosso amor. Eu sinto muito, muito mesmo, mas não posso sequer lhe dar a mão. Isso me enerva e magoa mas, não quero problemas. Apenas aviso que, se alguma das moças daqui te paquerar, nem sei o que faço. Se for um rapaz então... Eu te adoro." Deu um último aperto na mão de Shura e assumiu uma postura um tanto diferente da habitual. Estava sério, contrito e, por que não dizer? Lindo.
O espanhol observava o jeito sério dele, ouvindo as palavras que lhe eram dirigidas. Por fim suspirou, concordando. Aquele local era realmente público e, como ele dissera, ali não era normal. Engraçado que nunca se vira nessa situação antes. Não saía com MDM e Dite a não ser para lugares nem um pouco familiares. Aliás, nunca saíra com um namorado assim. Quando mais novos, todo o tempo era dedicado ao treinamento, depois vieram as batalhas. Seu olhar se aqueceu. Apreciava Saga e o jeitão com que ele deixava transparecer que tinham um relacionamento. Sentiu um aperto em sua mão e olhou-o, enquanto o grego novamente tomava aquela postura séria, controlada. Deu um sorriso de canto e respirou fundo, voltando ao jeito reservado e quieto de sempre, andando com Saga pelo local.
Não demorou muito um grupo de adolescentes passou por eles, as meninas riam encantadas e os rapazinhos olhavam para eles com uma cara estranha. Uma das garotas esbarrou em Shura, de próposito, devia ter seus 18 anos e sorria lindamente.
- "Er, desculpe. Não te vi, quer dizer, é impossível não te ver. Vem sempre aqui?" Sorria sedutoramente.
Saga sentiu seu sangue esquentar um pouco, virou-se para uma vitrine e fingiu que não estava vendo, não queria confusão. Uma outra moça parou ao lado dele, sorrindo.
- "Oi. Não é sempre que vemos dois homens tão lindos juntos. Meu nome é Lorena, qual é o seu? Gosta de cinema?"
Shura sentiu o esbarrão e logo após a tentativa de puxar assunto. Continuou com a expressão fria de sempre, tentando não ser grosseiro e apenas respondeu um não sem entonação alguma. O ar de decepção da moça não o intimidou. Virou-se para Saga vendo-o ser abordado por outra das garotas. Para sua surpresa, seu sangue ferveu de raiva, estava com ciúmes. Intenso e furioso. Controlou-se e antes que o geminiano conseguisse responder aproximou-se chamando a atenção de ambos e falou como se estivesse absolutamente desinteressado naquilo.
- "Gemini, vamos. Elas estão nos esperando na outra loja."
- "Sim, amigo, desculpem garotas, temos donas." Percebera que seu par frisara o 'elas', dando a entender algo que pareceu decepcionar as meninas, fazendo-as se afastar sem maiores comentários e com risadas dos rapazes que lhes diziam para não serem tão atiradas.
- "Ótima idéia amor." Gêmeos seguiu seu namorado e estava bem feliz.
- "Hum, obrigado." Soltou um riso baixo e logo se viu diante da loja que Saga queria. Um local de móveis bem feitos e bonitos, Havia detalhes em cada entalhe, em cada peça. Não era uma loja simples, era especializada em design e se pegou pensando que aquele seu namorado era mesmo cheio de surpresas. Namorado. Sim, aquele homem de longos cabelos azulados e o porte de um deus grego era seu namorado. Estava orgulhoso do fato e nem sabia que era capaz de se sentir assim. Foi tirado de seus pensamentos pela pergunta do outro.
- "Que tipo de cama gosta? Prefiro as enormes, por motivos óbvios." Na última frase chegara-se ao outro e sussurrara como quem não quer nada, mas ainda não terminara o comentário.
- "Shu, nós dois faremos horrores em cima de uma bela cama nova não acha? Ou talvez no chão. Já inauguramos o tapete. Que tal sofás novos, mesas novas, estou cheio de idéias de onde fazer amor com você."
- "Quer se controlar?" Era incrível. Será que Saga tinha alguma área do cérebro permanentemente ligada em atividades sexuais? Se bem que, a idéia não era ruim. Conteve o sorriso que ia aparecendo quando o vendedor se aproximou solícito e Saga pediu para ver camas de casal, de preferência boxes super king size, apresentando o cartão da fundação Kido e vendo o sorriso do vendedor se acentuar. Era um nome bem conhecido.
- "Precisamos instalar um de nossos executivos, mostre-me o que há de melhor. E também quero dois sofás, duas mesas de cristal de rocha com as cadeiras e aparadores, um home theater e se não me falha a memória, um daqueles ofurôs belamente entalhados que vi aqui numa outra ocasião."
- "Ofurô?" Shura se punha a imaginar o que aquele maluco pretendia.
- "Apenas repare que eu sou bem alto e a água do ofurô precisa cobrir meus ombros, como é de tradição. Temos uma altura parecida, eu e o novo executivo." Saga esperou o vendedor se afastar para falar baixo.
- "Sim amor, acho que uma boa terapia de banhos em ofurô vai ajudar você. Adorarei lhe dar banho para depois imergirmos num bom banho morno. Além disso, é sabido que acalma as tensões e traz calma e serenidade. Nada como ter uma Deusa encarnada numa grega que foi criada no Japão para aprender algumas coisas sobre hábitos nipônicos. Sem falar dos Cavaleiros Shiryu, Ikki, Shun e Seiya. São todos japoneses, como você bem sabe. Deixe tudo por minha conta. Você vai gostar."
- "Ei, eu sei o que é e para que serve um ofurô, apenas nunca me imaginei tendo um em nossa casa e..." Parou no meio da frase ao notar que dissera 'nossa casa' e olhou bem no fundo dos olhos de Saga.
- "Shura, para mim será nossa casa, quer seja a de Capricórnio ou a de Gêmeos ou um barco no meio do mar. Na verdade, qualquer lugar com você é nossa casa." Teve vontade de gritar que o amava mas não podia.
- "Tudo bem." Viu o vendedor surgir com um catálogo de produtos e passaram o restante da manhã escolhendo os móveis. Quando foi instado a opinar sobre as mesas de cristal, optou por uma de tom esverdeado e outra de jato de areia que Saga logo mandou marcar com o símbolo de Capricórnio. O vendedor olhou de um para outro. Executivos? Bem... Do jeito que se olhavam? Talvez outra coisa... Ah, achava esses membros da fundação Kido todos meio estranhos mesmo.
- "Serão entregues em cerca de dois dias. Talvez mais tempo, somos cuidadosos."
Shura tinha que admitir que o grego tinha bom gosto. Depois, escolheram um sofá marrom de couro polido, elegante, sóbrio e macio. Os comentários de Saga sobre o que gostaria de fazer com ele no sofá o fizeram corar levemente. Aquele geminiano não tinha jeito mesmo. Se bem que eram boas idéias. Deu um meio sorriso cúmplice. Podia se acostumar com o jeitão do namorado mas não ia ficar pensando em sexo o tempo todo se bem que, perto de Saga, era meio difícil. Estavam bem perto um do outro e sentiu o cheiro do perfume dele. Pegou-se reparando no tórax dele e desviou o olhar quando pensamentos não muito puros invadiram sua mente. Resolveu prestar atenção no que o vendedor mostrava.
Outro sofá, agora de veludo carmim. Segundo Saga, o estilo sóbrio de Capricórnio combinava com marrons, vermelhos fechados e cores neutras. Sobriedade não era o forte de Gêmeos mas ele realmente fazia idéia do gosto que o capricorniano tinha e o fato deixou Shura com uma sensação de carinho e ternura muito grande. Shura estava apreciando aqueles momentos. Espantou-se com o quanto de bom gosto e de cuidado Saga tinha com tudo que dizia respeito aos novos móveis, novos tapetes. Terminaram e foram almoçar na praça de alimentação.
Nota das autoras:
OFURÔ vem de um milenar ritual japonês, visando a sociabilidade entre amigos e parentes, com espiritualidade e misticismo, afim de tornar o momento do banho uma purifição mental, espiritual e psíquica, além da própria higienização e tratamento da pele.
Terapeuticamente falando, OFURÔ representa a harmonização entre CORPO, MENTE, EMOÇÕES E SENSAÇÕES, reintegrando e interagindo o Homem com a Natureza.
Os banhos de OFURÔ promovem o alívio das tensões, relaxamento muscular, estímulo da circulação sangüínea, desintoxicação da pele, muita calma e serenidade.
Para a pele, ele a tonifica, regenera, nutre e amacia, e também é muito recomendado para quem tem artrite e reumatismo.
Fonte: wwwpontopiscinaesossegopontocompontobr/ofuro/ofuro2pontohtml
