Todos sabem fiquei emocionalmente insegura desde que fui expulsa de casa. Depois de um ano turbulento, eu comecei a dar valor às outras pessoas – menos para Rachel, ela me irrita- e perceber quem eram os meus verdadeiros amigos. Ah, Rachel Berry, a pequena estrela com grandes olhos castanhos me irritava em só abrir a boca, o que me fazia descontar a raiva fazendo desenhos eróticos dela no banheiro ou fazer caricaturas com corações em volta. Isso me perturbava profundamente; por que corações e não caveiras? Eu tinha que tirar isso a limpo com Berry, e já que não somos muito próximas resolvi mentir.

- Pensei que tivesse aula de química agora. – Puxei assunto.

- Eu sou da sua classe de química – Ela fechou a porta do armário – O que você quer?

- Lembra quando você se ofereceu para me ajudar com meus vocais? – Perguntei apreensiva, ao ver que a morena apenas assentiu com a cabeça, continuei - Se você puder ir lá em casa hoje...

- Tudo bem – Ela falou olhando o próprio relógio e em seguida voltou a olhar para mim – Eu chego lá as sete em ponto.

Ela virou as costas e saiu andando, me deixando para trás com um meio sorriso no rosto. Provavelmente ela estava intrigada comigo, pois quase nunca falei com ela sem brigar no corredor da escola. Tudo o que eu tinha que fazer era esperar.

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Às sete horas em ponto a campainha tocou. "Ela nunca se atrasa" pensei, deixando um sorriso brotar em meus lábios. Abri a porta e deixei que ela entrasse, mas isso não aconteceu.

- O que você realmente quer de mim, Fabray? – Ela perguntou com os braços cruzados contra o peito – Vai me humilhar ou algo parecido?

- Eu só quero ajuda com meus vocais – Eu peguei sua mão e a puxei para dentro de casa.

Eu a levei direto para meu quarto e em seguida tranquei a porta. Rachel tinha um olhar medroso, o que fazia com que ela parecesse mais vulnerável e particularmente mais fofa que o normal.

- Por que você trancou a porta? – Perguntou ela sem me olhar.

- Não quero que ninguém nos atrapalhe. – Eu me sentei na cama e fiz sinal para que a pequena fizesse o mesmo – O que tem em mente?

- Sua voz é doce – Ela falou ainda sem olhar para mim – então pensei em Save You.

- Eu amo essa música.

No Ipod de Rachel já tinha os instrumentais da música, que começava a cantar o primeiro verso. Seus olhos estavam fechados e ela sorria.

I wanna rock-n-roll
I wanna give my soul
I'm wanting to believe
I'm not too old
Don't want to make it up
Don't want to let you down
I want to fly away
But i'm stuck on the ground

Comecei a cantar o refrão, ela não me acompanhou mas foi a primeira vez que me olhou.

So, help me decide
Help me to make up
Make up my mind
Wouldn't that save you
Wouldn't that save you
Wouldn't that save you

Watched it all go by
Was it really true
Is that what it was?
Was that really you?

I'm looking back again
Tracing back the threads
You said i was a mess
Or was it just in my head

Parei de cantar para que Rachel pudesse juntar sua voz a minha, e cantamos o resto da música com sorrisos significativos.

So, help me decide
Help me to make up
Make up my mind
Wouldn't that save you
Wouldn't that save you
Wouldn't that save you

Something's gotta break
You gotta swing the bat
Too many years of dying
Why is that?

So, help me decide
Help me to make up
Make up my mind
Wouldn't that save you
Wouldn't that save you
Wouldn't that save you

- Isso foi realmente incrível, Quinn! – Ela riu – O que foi?

Eu não parava de olhá-la, sua risada havia despertado algo em mim e eu precisava descobrir o que era. Me aproximei da pequena cantora e posicionei uma de minhas mãos em seu rosto, ela estava parada.

- Eu quero experimentar algo – Falei, me aproximando e deixando nossos lábios a menos de um centímetro de distância do outro – Rach.

E juntei nossos lábios como se fosse apenas um. Ninguém estava nos julgando, ninguém podia nos interromper. A pequena mão de Rachel cobria a minha agora, puxando-me para si tentando fazer nossos lábios se aproximarem mais.

- Obrigada, Rach – Falei ao me separar dela.

- Pelo quê? – Perguntou ela tentando recuperar um pouco de fôlego.

- Por me esclarecer as coisas – Eu respondi voltando a me aproximar dela – Eu sou gay.

- Quer saber de um segredo? – Ela me deu um selinho e logo após um sorriso – Eu estou indo para o mesmo caminho.

~FIM~