SEGREDOS DE UM CORAÇÃO

Teria o amor forças para brotar em corações endurecidos pela guerra?

Inglaterra, primavera de 1865.

Lily Evans ressurgira das cinzas da guerra determinada a construir uma vida nova. Mas o preço pela sobrevivência era alto e poderia custar-lhe o amor de James Potter, cuja honestidade era tão forte e real quanto sua paixão

Fanfic baseada no livro de Ruth Langan

Aviso: Todos os personagens pertencem a JK (menos Robert, Sra Bessie, que são de Ruth) e o texto, a Ruth Langan. Eu apenas modifiquei e transformei-a numa Fanfic J/L.

PRÓLOGO

Inglaterra, primavera de 1865

Um grupo esfarrapado de mulheres e crianças surgiu por debaixo dos arbustos e dirigiu-se à praia. Lily, líder reconhecida daqueles miseráveis, divisou um pequeno barco e incitou os outros a tomarem posse dele.

— Mas... não é nosso! Não podemos roubá-lo! — protestou uma garotinha morena, com ar solene.

— Não temos outra escolha, Clara — Lily respondeu, secamente. — Ou será que prefere voltar?

Uma mulher ainda jovem, de cabelos negros, aproximou-se para observar e disse em arrastado sotaque irlandês:

— Lily, há uma tempestade se formando.

— Não podemos evitá-la, podemos? — Lily falava, enquanto erguia mais duas crianças para, com muita dificuldade, colocá-las dentro do barco. — Além do mais, não temos outro lugar para onde ir, a não ser o mar. Não podemos retornar agora.

Uma outra garota, um pouco menor do que a primeira, segurou a mão de um menino, ameaçando correr, apavorada com as rajadas de vento, que faziam o barco balançar como uma casca de noz.

— Não posso ir, Lily! — balbuciou, com lágrimas caindo-lhe pelo rosto. — Estou apavorada!

O tom de comando, mais firme ainda na voz da jovem mulher, deteve as crianças:

— Marlene, Nathanael, ajudem Emmeline a entrar no barco! Não há tempo a perder! Lembrem-se do que nos espera se voltarmos!

A moça irlandesa, ajudada pelos que Lily chamara, agarrou mais uma criança e procurou entrar na embarcação. Passou um dos braços sobre os ombros de Emmeline e amparou-a, dando-lhe estímulo a subir também. A garotinha se agarrava com receio às mãos de ambos.

Assim que todos estavam a bordo, Lily ergueu a âncora e pressionou a ponta de um dos remos contra a areia, empurrando o barco em direção ao mar aberto. Passou, então, a remar vigorosamente e, depois de alguns segundos de absoluto silêncio, começou a dizer, encarando cada um dos membros do grupo:

— Agora que estamos livres, temos de fazer um pacto: não importa o que venha a acontecer, vamos jurar que jamais revelaremos o que vimos e o que passamos há pouco.

— Isso seria o mesmo que mentir... — mais uma vez, a ousada Clara se manifestava.

— Mas essa menina... — Nathanael começou, porém calou-se logo quando percebeu o olhar severo de Lily.

Ela voltou-se para a garotinha e, remando cada vez com mais força, explicou:

— Escute, Clara, nossas vidas dependem deste segredo.

Naquele instante, muitas das crianças começaram a chorar baixinho, o que fez com que os olhos das mulheres se enchessem de lágrimas. No entanto, Lily forçou-se a prosseguir, pois sabia que, de sua força, dependia o bem-estar daquela gente:

— O perigo não passou ainda. Talvez nunca passe. Mas de uma coisa tenho certeza: não devemos revelar nossa história a ninguém. Entendem o que digo? Então, jurem que manterão segredo!

— Eu juro! — Nathanael gritou, inflamado.

— E você, Belle? — Lily voltava-se para uma menina de seis anos, de grandes e brilhantes olhos castanhos.

Ela apenas assentiu.

— Emily?

Os cachinhos dourados de uma garotinha na ponta do barco também balançaram quando concordou, com um movimento de cabeça.

— E você, Clara? Vai jurar também?

Foi como se todos prendessem a respiração no aguardo daquela resposta. Clara parecia ter se tornado a porta-voz da consciência de todos ali, e sua resolução pesava muito,

— Eu juro — disse ela, por fim, um tanto a contragosto, e todos respiraram aliviados.

— Eu também juro — Marlene acrescentou.

— Eu também — murmurou Emmeline, ainda trêmula de medo.

— Ótimo. — Lily sentiu como se todo o seu corpo relaxasse diante da anuência dos demais. Voltou-se um pouco e percebeu que já não se podia mais divisar a praia. O vento forte e as ondas cada vez maiores tinham arrastado o barco mar adentro. Estavam, agora, à mercê da tempestade.

— Agora — ela voltou a falar —, é melhor orarmos para que o Senhor nos envie algum tipo de ajuda porque acho que acabamos trocando um grande perigo por outro...

Assim que os lábios trêmulos de todos iniciaram a prece fervorosa, o temporal desabou sobre suas cabeças com uma fúria inimaginável, fazendo com que um dos remos fosse praticamente arrancado das cordas que o prendiam à beira da embarcação.

Marlene agarrou-se à criança que tinha nos braços, mas a vilania da tempestade jogava-a de um lado ao outro, arrastando Clara consigo. Ambas bateram com a cabeça na madeira forte do fundo do barco e, quando o próximo brilho apavorante dos relâmpagos clareou o céu enegrecido, um filete de sangue pôde ser visto descendo pela têmpora de Marlene. A seu lado, Clara jazia imóvel.

Lily avançou na direção das duas, procurando cobri-las com sua capa, para amenizar os efeitos da tempestade e depois sentou-se no lugar de Marlene, abraçando algumas das crianças, que choravam assustadas. Mesmo estando apavorada demais para poder falar, as palavras do salmo bíblico continuaram a passar por sua mente, em um rompante de fé e esperança: "E mesmo que eu ande por um vale de trevas, eu não temerei, pois o Senhor, meu Deus, me guiará!"

~*~T/L~*~

N/A: Espero que gostem!

Bjos