História: Muitos dirão que o final é um grande Deus Ex Machina, e é, mas muito baseado em A Rosa de Ferro, filme do Jean Rollin, assisti esses dias e imaginei o quão incrível a história seria colocada numa Mérope/Tom. Personagens geniais da J.K.
Recomendo fortemente o filme.
A Rosa de Ferro
"a beleza salvará o mundo"
Era quase tardar do anoitecer, o sol crepitava no horizonte num alaranjado vibrante, quase cansado, e o vento que embalava a aldeia de Little Hangleton parecia triste. Não havia ninguém nas ruas, e via-se a fumaça saindo da chaminé de muitas casas, tendo o tom aconchegante de uma casa quentinha nesse começo de uma nova estação.
No meio do vento ruidoso, dois fantasmas pareciam estar andando na rua deserta. Uma mulher, não tão nova, mas com uma aparência horrenda de velhice, juntava-se a um menino mais novo, sem expressão, embora com um belo rosto. Parecia bem-amado, e muito bem alimentado. O caminho que seguiam parecia difuso na penumbra, quando na primeira hora viram os portões de ferro do seu destino, o cemitério.
- Tom, você já viu a rosa de ferro? Você já a viu? – a mulher, com uma aparência de insanidade, perguntou.
- Não sei do que está falando, mãe.
O garoto deu de ombros, parecia entediado. Não viram quando uma senhora vestida de negro, encapuzada, colocou belas rosas vermelhas num dos túmulos.
- Claro que sabe, foi para isso que viemos aqui, Tom. Para vê-la. – Estava irredutível, sonhara com a tal rosa, precisava procurá-la. Tinha que ser dela.
Tantos túmulos, as árvores pareciam se esconder no meio da imensidão. Cacos de vidros jogados no chão, flores pisadas, sangue. Era tudo um grande circo, uma palhaçada.
Quando os olhos do garoto encontraram se detiveram algo ao lado de uma capela.
- Ali está, Mérope. – apontou. Não se importava.
A mulher correu buscá-la como se fosse um tesouro, seu bem mais precioso. Olhava sua pequena rosa de ferro com ternura, carinho. Temia que a perdesse.
- Vamos embora, então. Não há nada mais que fazer aqui.
- Espere, Tom. – Dirigiu ao seu filho um olhar calmo, nunca estivera tão feliz.
O momento que se seguiu foi um reflexo de seus mais longínquos pensamentos, Mérope o beijou, um único selinho. Seus lábios cortados e cheio de sangue tocaram os de Tom, tão belos e macios, estava tão agradecida por ele tê-la acompanhado.
Em menos de um segundo, ele se afastou, não parecia impressionado, não parecia estar sentindo nada.
- Não faça isso de novo.
- Não farei.
O próximo ato de Mérope fora há muito pensado, tinha uma pequena tesoura escondida no seu vestido, e sem qualquer hesitação, a enfiou no coração de Tom. Ele grunhiu, a lesão foi profunda. A tesoura entrou profundamente na sua carne. Sangue saía da sua boca, morte saía de sua boca também.
- Vamos ficar juntos para sempre. – pegou o Tom praticamente morto no chão e o jogou em um pequeno bueiro úmido, mas consideravelmente fundo e largo.
Olhava para o fundo com excitação, estava esperando tanto por esse momento. E lentamente, entrou também, e com um sorriso no rosto, foi fechando a tampa.
- Os vivos estão mortos e os mortos estão vivos.
Um estampido, a tampa trancou.
Nenhum dos dois vira quando a senhora de negro voltou, com um vaso de flores e as colocou na tampa do bueiro. Nenhum dos dois vira a cor vermelha de suas rosas, e muito menos o sorriso estampado em seu rosto.
