Al sabia que deveria ter suspeitado. Era o histórico contra a denúncia.
Quando aquela mulher voltou a nova moradia dele em Xing após uma temporada com Ed e Winry, ele deveria ter desconfiado. Deveria ter instigado mais, mas só a ideia de seu irmão estar em perigo o fez atravessar o deserto e entrar no trem rumo a Resembool e ainda levar Mei naquela viagem intensa.
Onde estava com a cabeça?
Mas Oli entrou chutando a porta da casa, gritando por seu nome completo e usando o tom sério e centrado para comunicar:
- Eu sinto a presença de um ser, Al. Um ser intenso e forte que entrará na vida deles.
- Ai, Al! - Mei se estremeceu ao seu lado e ele julgava ser mais pelo tom da voz dela do que pelas palavras.
- Um ser capaz de desestruturar a vida de Winry e principalmente a de Edward.
Chamar pelo nome inteiro era prelúdio de morte - ou perigo intenso.
Alphonse ficou tenso por todo o instante em que começou a preparar as malas. Oli sumira da casa antes mesmo de se despedirem. Edward em perigo, e ainda mais agora que não podia usar alquimia para se proteger! Tinha de voltar imediatamente.
A estranha vizinha de seu irmão, que tinha o estranho hábito de acompanhar o crescimento diário de suas plantas e documentar cada mudança, se mostrou uma ótima pessoa para espantar qualquer curioso acerca da vida atual de Ed. E quase espantara o próprio do seu casamento.
- Edward. Tempos nebulosos imprevisíveis iniciarão hoje, mas essa garota já sofreu muito na vida e você também. Não seja metade, de metades ela já tem os automails e você não deve ser mais um exposto na mesa dela. Assuma suas responsabilidades e destrua o sofrimento. Lutas mais árduas virão. Você precisa ser paciente para saber quando batalhar.
Os dois ouviram aquele discurso que deixaria a Major-General Armstrong orgulhosa, e outros tantos com calafrios.
De fato o discurso era para ser outro, bem mais ameno, segundo o que Winry contou depois, ao seu pedido só para saber se Ed não tinha se arrependido do pedido precoce e Al só conseguia pensar na folha estendida, os olhos vidrados e escurecidos diante das mãos trêmulas dos irmãos ao quase assinarem, coagidos, um termo de responsabilidade - com sangue.
E foi assim, sendo recebido pelas gentis lambidas e latidos alegres de Den, que Al se sentiu manipulado. Tanta experiência em andar por esse mundo e lidar com as pessoas enganada pelo olhar duro daquela pequena mulher estranha. E foi com a porta se abrindo e com a expressão de espanto em Winry e seu irmão logo atrás cerrando os olhos em incredulidade que Alphonse Elric, ainda um respeitado alquimista e mais ainda como estudioso, percebeu que o ser em questão era aquele que crescia na barriga de sua cunhada.
- O que vocês estão fazendo aqui?
Ed fechou os olhos e respirou fundo, lembrando-se de quando, no meio de um jantar, mencionara à vizinha como sentia falta do irmão e como seria bom tê-lo por perto nessa nova fase de suas vidas.
- Ok - Oli dissera naquela noite.
E foi com seu nome sendo bradado pelos campos verdes que os irmãos Elric, provindos da certeza da dramatização e estranheza da vizinha, correram sem certeza se gostariam de encontrá-la de fato.
Mas o que está mais explícito nessa história é que Al voltou, enganado e manipulado, mas voltou para Ed mais uma vez.
