Disclaimer: Não, a Merida e o Soluço não são meus. Obviamente. Se fossem eu seria a Disney e a Dreamworks. –q

N/A: Já mencionei como eu amo desafios? Eu AMO desafios! Eles fazem meu sangue correr mais rápido e me divirto muito tentando – muitas vezes inutilmente – escrever algo que deixará a pessoa feliz e satisfeita.

Então é ainda melhor quando o desafio foi proposto pela minha diva, Bubby-divs! Bubby, espero realmente que goste dessa pequena (?) fic!

Beijos!

É um crossover, se ainda não perceberam... Hehehe. No mundo de Valente.

Sumário: Ele sempre foi o motivo de risadas em sua cidade, ela buscava mudar seu destino. Os dois eram filhos dos líderes de suas cidades e viviam em mundos povoados de magia e seres extraordinários, mas a magia não podia ser confiada. O que mais poderia acontecer de errado em suas vidas?

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Eu te amo, porra!

Enganara-se acreditando que havia se acostumado ao jeito maluco e desvairado do pai, que adorava, acima de tudo, uma boa luta – como um bom escocês. Talvez realmente tenha desejado que as coisas com sua mãe tivessem dado certo, ainda tinha aqueles momentos em que apostava corrida a cavalo com a mãe como um dos mais felizes de sua vida.

Mas, acima de tudo, lutou até o último instante para esquecer-se que era uma princesa e que tinha um dever a cumprir. E como odiava ter que se lembrar deste fato justo agora, justo quando os vikings se aproximavam e os quatro clãs deveriam novamente se unir contra a ameaça que surgia diante deles.

Não, não estava nem um pouco feliz.

- Merida, querida, já se passaram três anos.

- Eu sei...

- Você foi cortejada e respeitada...

- Eu sei...

- E agora nós precisamos que você tome uma decisão, consegue entender?

- Eu sei! – não tivera a intenção de gritar, mas já tinha uma semana que sua mãe repetia a mesma ladainha sem fim. – Mãe, você realmente acha que eu não entendo que devo tomar uma decisão?

Elinor levou as mãos aos ombros de sua filha e a fitou através do espelho, tinha um sorriso triste nos lábios.

- Então o que a impede, filha?

A ruiva apenas jogou os braços para o alto, afastando-se da mãe e aproximando-se da janela aberta. Podia ver a floresta ao longe, os muros do castelo que pareciam próximos o bastante para tocar e, entre o castelo e a floresta, um mar de tendas das mais diversas cores, as fogueiras que cada clã mantinha acesa para se aquecer no inverno que se aproximava.

- Eu não os amo, mãe...

A voz da garota estava embotada de tristeza. O que poderia realmente fazer? O perigo era iminente, estava – literalmente – batendo em sua porta, não poderia se dar ao luxo de esperar mais, poderia? Daria tudo para encontrar uma solução, mas não havia nenhuma. Devia escolher seu futuro marido e lutar contra os vikings.

- Talvez...

Sua mãe tinha um vinco em sua testa, claro sinal de que estava pensando, talvez ela encontrasse uma solução? Ela sempre encontrava afinal...

- Talvez..?

- Estava apenas pensando alto, querida.

- Mãe, o que foi?

- Não é nada...

- Elinor! Por favor... me diga... – e apelou para sua voz mais suplicante, o olhar de ursinho perdido, aquele leve tremor no seu lábio – Por favor?

Com um suspiro sua mãe cedeu, balançando a cabeça e ficando ao lado da filha, observando a preparação dos clãs.

- Talvez você possa esperar até o final da guerra..?

- Mas achei que isso poderia ser ruim... Um dos filhos poderiam morrer...

- É apenas uma ideia. E, bem, se um deles morrer só facilitaria sua escolha, não?

- Mãe!

- É sempre assim, Fergus pode fazer todas as piadas, mas quando eu faço... – ela sorriu e se dirigiu à porta do quarto – Pense no que eu disse, Merida, você pode deixar para se decidir depois da guerra.

Fechou a porta atrás de si e Merida encarava o local onde sua mãe estivera. Esperar até o final da guerra? Mas a guerra podia durar anos, podiam todos morrer, podiam perder! O que será que deu em sua mãe?

Sorriu consigo mesma, não conseguia se decidir, não é mesmo? Em um momento queria apenas uma solução mais do que tudo, mas quando ela aparece começava a ter dúvidas se devia ou não aceitar a saída proposta.

Parecia que finalmente crescera e tornara-se a dama que sua mãe tanto sonhava.

Ou talvez apenas precisasse de alguns instantes na mata treinando seu arco e flecha com Angus. É, faria isso.

Desceu as escadas correndo, carregando consigo o arco e a aljava cheia de flechas. As empregadas e os guardas já estavam acostumados, apenas saindo do caminho da garota, mas pegar Angus e sair pelos portões era outra história.

Seus pretendentes queriam acompanhá-la – e ela devia reconhecer que melhoraram e muito em 3 anos -, mas precisava deste momento para si mesma. Precisava pensar e não conseguiria isso com os três tentando impressioná-la de alguma forma.

E foi nesse momento que seus irmãos surgiram, desafiando cada um deles para um duelo. Seria eternamente grata aquelas pestinhas. Sem perder um segundo instigou o cavalo a meio galope e correu para a sua floresta.

Divertia-se enquanto atirava suas flechas, cada uma acertando em cheio o centro do alvo, Angus mal precisava ser guiado, conhecia o caminho perfeitamente e sentia quando Merida o tocava com os joelhos, incitando-o a correr e a virar de tempos em tempos.

E ao se aproximar do último alvo, houve um estrondo, o chão tremeu sob seus pés e errou.

- Droga...

Angus batia os cascos no chão, nervoso, enquanto Merida desceu de seu flanco para recuperar a flecha caída próxima a árvore à frente. Uma rajada de vento trouxe o cheiro de queimado ao seu nariz e levantou os olhos, intrigada.

- Fogo?

O cavalo continuava nervoso, relinchando e procurando em vão a origem do cheiro. A ruiva se aproximou e coçou seu pescoço ao montar. Havia uma linha de fumaça sobre a copa das árvores e resolveu segui-la.

- Vamos, Angus, vamos descobrir o que está acontecendo.

Irritado, o cavalo seguiu aos comandos de sua dona, aproximando-se da origem do fogo, agora em silêncio, como se desconfiasse que algo ruim poderia acontecer. Merida agradecia a grama que recobria o chão da floresta, sabia que o perigo espreitava e a grama abafava o som dos cascos de Angus.

Após alguns minutos, percebendo que estava próxima do fim das árvores, resolveu que seria melhor deixar Angus e seguir à pé. Seria mais silenciosa e teria uma melhor chance de se esconder sob os galhos baixos. O cavalo não gostou de ser deixado para trás, mas confiava em sua amazona.

- Já volto, Angus, tenha paciência.

A garota seguiu com calma, evitando ao máximo fazer qualquer barulho enquanto se aproximava da próxima árvore. Olhou com cuidado enquanto se escondia atrás da árvore e segurava o arco com uma flecha já pronta. Quase deixou o arco cair com o que viu.

Um grande lagarto negro e alado rolava na grama alta logo à frente. Segurou a respiração e resolveu que já havia visto o suficiente, quando viu um rapaz com cabelos castanhos se levantar do chão próximo à besta. O rapaz caminhava com certa dificuldade, mancando da perna esquerdae a besta abriu os olhos – verdes – e observava cada movimento do humano.

Ao perceber que o rapaz não estava armado, Merida sai de seu esconderijo, apontando o arco para a besta.

- Cuidado!

Foi instantâneo. A besta que até então apenas observava o rapaz virou-se para ela com os dentes à mostra e em posição de ataque, estava pronta para atirar e se perguntando como pôde ter sido idiota ao ponto de dar sua vida por um completo desconhecido. Ao menos não teria mais que se preocupar em encontrar um marido... Quase riu de como sua mente funcionava nos seus úlimos instantes e, antes de soltar a flecha, percebeu que o rapaz se colocara entre si e o lagarto.

- Banguela! Pare com isso, garoto!

Mal podia acreditar. Esse garoto estava chamando a besta por um nome? E um nome que não fazia o menor sentido, visto que os dentes do lagarto brilhavam. Mais impressionante foi ver a besta fechando a boca, mas mantendo seu olhar preso na flecha.

- Banguela?

- Ele não gosta muito de armas... Será que poderia..?

Ele não estava pedindo para guardar a flecha, não é? O rapaz sorria confiante, como se estivesse exatamente onde queria estar, segurando a boca fechada do grande lagarto alado atrás de si. Angus relinchava assustado atrás de Merida e, contra todo o treinamento que teve, abaixou o arco, dando a benção da dúvida para o rapaz à sua frente.

- Obrigado. Ele costuma ser superprotetor comigo.

O lagarto praticamente ronronava, voltando a se esfregar no campo. A garota estava incrédula, o que estava acontecendo?

- Acho que devo agradecer a você, também. Não que eu precisasse ser protegido do Banguela, ele é incapaz de fazer mal a uma mosca.

E enquanto o rapaz dizia isso a grande besta se joga em cima de um coelho, que não conseguiu fugir rápido o suficiente. Começou a se preocupar com Angus, se essa coisa tentasse algo contra seu cavalo...

- Percebe-se...

- Ele apenas está com um pouco de fome, foi uma longa viagem afinal.

- Uma longa viagem..?

Não, sua sorte não seria tamanha de, no primeiro instante que tinha um tempo para si mesma, se deparar com os vikings, não é? A roupa dele não era muito diferente dos outros clãs...

- É. Céus, onde estou com a cabeça, meu nome é Soluço, e o seu?

Soluço. Que tipo de nome era esse? Com certeza não era de um dos outros clãs. Será que saberia quem era? Deu de ombros.

- Sou Merida.

O rapaz sorriu. Deu um passo manco – no lugar de sua perna havia uma perna de ferro – para o lagarto e colocou a mão em sua pata.

- E esse dragão mal educado é o Banguela. Desculpe se a assustamos.

Olhava desconfiada para os dois. Viu a sela nas costas do dragão e cruzou os braços.

- Sempre achei que os dragões eram lendas.

Não era uma pergunta. Afirmava o que conhecia, mas sabia que podia estar errada. Se existia magia, por que não criaturas fantásticas como os dragões? O rapaz simplesmente riu.

- Em Berk é a única coisa que temos certeza da existência.

- Maravilha!

Merida passou a mão incrédula pelo rosto e se virou para montar Angus. Soluço a encarava sem entender.

- O que houve?

Ela simplesmente virara as costas e antes de deixar a clareira disse.

- Você é um viking.

E com isso incitou o cavalo a meio galope, desaparecendo de vista em segundos. Não podia acreditar que eles tinham dragões. Dragões! Não estavam preparados para algo assim. Como conseguiram se aproximar tanto sem que ninguém os visse? Precisava contar aos líderes de clãs o que descobrira.

Com certeza não acreditariam nela. Deixou que Angus ditasse a velocidade com que voltavam para casa e pensava no que havia se passado. Se aquele tal de Soluço quisesse podia ter feito o dragão matá-la ali mesmo, mas pelo contrário, ele fez com que o dragão não a atacasse. Se os vikings realmente quisessem dominar a Escócia o rapaz não teria perdido a oportunidade de tomá-la como prisioneira, mas não o fez, mal pareceu reconhecer seu nome.

Será que deveria contar ao pai o que viu? Será que estava se superestimando? Ou será que o rapaz simplesmente deixara que ela fosse embora? Não tentou segui-la, afinal.

Ótimo. Fora para a floresta para esquecer-se de seus problemas e apenas voltou com mais alguns.

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N/A: Originalmente essa fic seria postada de uma vez só (e sem esse título), mas como a vida é bela, a fic está atualmente com 12 páginas e não se aproximando do meio, resolvi dar este título e, com a permissão da Buba (Tothless ou Pinguim Sensual-q), dividí-la em capítulos.

Espero que gostem, é minha primeira fic com o universo de Valente e Como Treinar seu Dragão, minha primeira Mericcup (minha alma Jarida sofre enquanto eu a escrevo, mas só um pouco) e quero deixar claro que é o Soluço de Como Treinar seu Dragão 2. Prometo dar mais detalhes sobre ele mais pra frente, para isso ficar bem claro. Hehehe.

E é isso.

Deixem seus recados com críticas e sugestões.

Beijo da tia Tifa (ou Papai Pinguim-q)