Cap 1 – Perfect Drug

"my blood wants to say hello to you
my fear is born again inside of you
my soul is so afraid to realize
how very little there is left of me"

Isabella não conseguia tirar esses versos de sua cabeça. Ainda mais quando se está ouvindo a mesma música repetitivamente há mais de uma semana. Ela se identificava com cada letra.

Os fios de seu ipod passavam por suas costas, escondidos sob a roupa preta, e iam direto para suas orelhas, lá eram escondidos pelos longos cabelos castanhos.

Ela não poderia correr o risco de ser pega fazendo algo proibido na aula. Digamos que seu boletim não era um exemplo.

Mas quem tem paciência para aula de espanhol? Totalmente inútil, para não falar insuportável.

A garota rabiscava a letra da música na mesa enquanto pensava em Gabe e não tinha nem noção do que ocorria a sua volta.

De repente, um pequeno pedaço de borracha atinge sua testa, fazendo-a, além de tomar um susto, chutar a mesa para frente, acertando a cadeira de Ursula e, como se não fosse humilhação suficiente, o som da mesa se chocando com a cadeira ecoou pela sala, fazendo com que todos olhassem para trás.

Paralisada e completamente vermelha, Isabella escorregou na cadeira até o que a única coisa que pudessem ver fosse sua testa, marcada pela borracha, claro.

- Lizzie!? – gritou sussurando

- Desculpa Isa! – com uma expressão que podia ser facilmente confundida com um basset hound. – Mas você não ouviu quando eu chamei do método convencional, então...

Por sorte, o professor de espanhol, Juanito Perez, havia sofrido um acidente envolvendo um pombo, um guaxinim, e um aparelho celular, que resultou na deficiência de sua audição no ouvido esquerdo, fazendo com que nem ao menos hesitasse à escrever a lista completa de "los pronombres" na lousa.

- Certo, o que você quer?

- Seu ipod... – disse, e completou com um sorriso cínico que colocava o sorriso do limãozinho da pepsi no chinelo.

- Aaaaaaaaaiiiiiiii!!!!!!!!!!! – Falou irritada, puxando os fios das costas – Pega!

Lizzie Dunn se tornou sua melhor amiga desde o momento em que se esbarraram nos corredores de Salinger High. Ambas distraídas, se esbarraram com tanta velocidade que cada uma caiu para um lado, no meio do corredor, derrubando alguns nerds e seus livros, além de jogar uma menina em cima do bebedouro. Desde então, melhores amigas.

Deitou a cabeça na mesa apoiada nos braços, e não pode deixar de pensar em Gabe. Não importa o que fizesse, o capitão do time de basquete não saia de seus pensamentos. Deu uma suspirada, não do tipo cansada, nem do tipo irritada; foi um suspiro apaixonado, que, por menos esperta que seja uma pessoa, é evidente a natureza de tal suspiro, qualquer um percebe. Mas infelizmente, não era um suspiro correspondido. Mostrava angustia, tristeza e ansiedade. Do tipo que trás borboletas ao estomago. Milhares delas. Isabella tinha uma paixão secreta por Gabriel Brightman desde o primeiro colegial, quando entrou em Salinger High. Foi amor a primeira vista. Tem quem acredite nessas coisas, mas Isabella nunca foi de acreditar em coisas simples assim, não até conhecer Gabe. O garoto jogava basquete na quadra quando Isabella foi para uma aula teste no colégio. Se ela não tivesse visto ele talvez nunca tivesse se matriculado. Garotos altos sempre atraíram sua atenção, mas seus olhos azuis acinzentados e seus cabelos louro escuro dominaram completamente o coração da adolescente. Mas não foi só isso. O que a encantou realmente foi a suavidade de como ele jogava a bola e acertava de "chuá" a bola na cesta. Com uma paixão que poucos têm. O modo com que se movia, como uma preza calma e distraída, sendo observada por um feroz e faminto lince, mas é claro, o que Isabella queria não era tê-lo como janta... bom, talvez sobremesa mas isso não vem ao caso! O fato é que, um simples olhar passageiro entre os dois determinou os próximos três anos. Os dela pelo menos.

Enquanto sonhava acordada, não percebeu a movimentação da sala. A adorável Ursula acabava de contar para o Sr. Perez que Isabella estava dormindo em sala de aula, e ainda adicionou que ela estava roncando e atrapalhando sua concentração.

- Srta. Isabella! – disse, com seu sotaque espanhol.

Isabella levantou a cabeça rapidamente, mas já era tarde.

- Detenção! Essa tarde. Mas agora, você vai até a sala da diretora por que aposto que ela vai adorar ouvir sobre seu sonho. Se você lembrar de algum, por que pelo jeito o sono foi profundo...

Isabella com certeza lembrava do sonho, porque foi um sonho, acordada!

Olhou para el professor como se quisesse arrancar seus olhos com a caneta que apertava, mas respirou fundo.

- Vaca, você me paga! – sussurrou em direção a Ursula, se segurando para não levantar da cadeira e espancar a garota.

...continua...