História Sem Título

Era véspera de ano novo, 23 horas. As estrelas estavam tímidas naquela noite fria e nublada. Alguns casais estavam na mesma praça que a garota esperava seu amado. Ao lado ficava o templo, já cheio, mas não completamente lotado. Não demoraria muito para que ele enchesse de pessoas que iriam para fazer seus pedidos.

A garota, já sem esperanças, esperava num banco qualquer da praça, a chegada do amado, que estava duas horas atrasado. Seus olhos estavam marejados e indicavam que não aguentaria esperar mais... E assim foi. A leve maquiagem começava a ser visível ao se misturar com as lágrimas que rolavam pela alva face da morena.

Amaji Eri, uma linda garota, mas que sempre amava a pessoa errada. Chorava por um garoto que não ligava para os seus sentimentos. Só conseguia pensar no que aconteceu com o rapaz, que não lhe dera nenhuma notícia. Limpou as lágrimas quando ouviu a voz de seu melhor amigo atrás de si:

- Chorando por não me ver na véspera de ano novo? – ele perguntou, abafando uma risada com as mãos. – Não precisa chorar, já estou aqui. – mostrou um lindo sorriso e afagou os cabelos de Eri.

- Yuu-kun... Baka! – sorriu fraco.

- O que houve? Minha flor está tão murchinha... – sentou-se ao lado dela.

- Ele não veio...

- Eu te avisei Eri-chan... Você sabe que Shintani-kun não presta.

O frio aumentava e o silêncio entre os dois ficou insuportável, mas ambos não tinham o que falar. Os casais da praça começavam a ir embora e pessoas chegavam ao templo. Yuuki (apelidado de Yuu) e Eri foram os únicos a ficarem. O vento gelado soprou mais forte fazendo com que a garota se encolhesse. O rapaz olhou em seu relógio para constar as horas.

- Falta pouco menos de meia hora para meia noite. Vamos juntos ao templo, minha flor? – ele indagou.

- Não quero ver os fogos... São os mesmos de sempre...

- Eri-chan, não deve ficar assim por causa do Shintani-baka. – disse – Vamos, onegai! – pediu carinhosamente.

- Não. – ela fez bico.

- Então sorria!

- Não tenho motivos para sorrir... – ela abaixou a cabeça.

- Quer ter um?

- Claro...

- Vamos ao templo que eu te dou um motivo... – ele sorriu.

- Tudo bem... – ela suspirou e levantou-se.

- Yey! – ele gritou e também se levantou.

Os dois caminharam pouco até chegar ao templo, já infestado de pessoas. Pararam em frente a uma estátua que havia no meio do local e ficaram se olhando por um tempo. Até que ela quebrou o silêncio, perguntando:

- O que me fará sorrir?

- Eu te amo. – ele disse e sorriu meio ruborizado.

- Yuu-kun... – murmurou incrédula.

- Eu sei que é meio de repente, mas precisava te dizer isso ainda esse ano. – deu uma risada, pois assim que terminara a frase os fogos começaram a ser soltos. – Feliz ano novo, minha flor.

- Feliz ano novo... – ela falava baixo.

- Eri-chan... – aproximou-se e rapidamente roubou-lhe um beijo.

A garota ficou estática em seu lugar, o selinho imediato havia a pego de surpresa. Logo os braços dele envolveram suas costas. Era um abraço tão aconchegante e quente que Eri resolveu corresponder e o abraçar também. Ele sorriu, a olhou e depositou um beijo na testa da amiga – ou mais que amiga.

- Vamos fazer nossos pedidos minha flor. – ele disse.

- Hai! – ela respondeu alegre.

Juntos foram fazer seus pedidos e assim que o fizeram, sentaram num banco mais afastado do templo. Os fogos já estavam no fim, mas eles ainda tinham mais alguns minutos de espetáculo. Pena foi que quando Yuuki avisaria Eri sobre as hanabi, ela estava adormecida em seu ombro. Sorriu e a abraçou. A partir daí os dois começariam uma história sem título, onde estariam juntos até o fim.