Somente Mais Um Dia Das Bruxas
Hoje é Halloween, e como de costume eu vou sair pelas ruas perguntando, de casa em casa, porta em porta, "Doces ou travessuras?". Tenho 17 anos e continuo fazendo isso, todos os anos. Infantil, né? Mas eu gosto, fazer o quê. Minhas amigas Sakura, Hinata, Ino e Temari também saem comigo, então tudo fica mais engraçado. Mas talvez esse ano só vá minha querida Hyuuga... As outras estão ocupadas demais com seus namorados... Trágico!
- Tenten-chan! – chamou a doce voz de Hinata, lá de fora.
- Estou indo! – gritei em resposta.
- Já está pronta?
- Estou. – sorri e saímos andando.
Hinata estava com um vestido longo, branco, um pouco sujo de manchas vermelhas (para fingir sangue) e bem largo. A maquiagem em seu rosto fazia parecer que ela estava pálida e com profundas olheiras. O cabelo, bem escorrido, caia um pouco no rosto. Hinata era uma perfeita Sadako!
Já eu estava com um vestido mais curto, decotado e colado no corpo, branco também, que tinha partes com ossos, parecendo que eu não tinha alguns pedaços do corpo. Um dos braços estava completamente em osso. Carregava na mão um balde de abóbora, para colocar os doces.
Passamos pelas casas de várias pessoas, ganhamos muitos doces. E para terminar a noite, eu fui à casa de Hyuuga Neji, primo de Hinata, maior de idade, que morava sozinho e um pouco isolado das pessoas do bairro. Nessa altura do campeonato, Hinata já havia ido embora, pois senão problemas poderiam surgir para o lado dela, então fiquei lá sozinha.
- Doces ou travessuras? – perguntei assim que o rapaz abriu a porta.
- Nenhum dos dois. – ele ia fechá-la na minha cara.
- Espere! Por que você sempre é assim?
- Assim como?
- Mal educado!
- Não sou mal educado.
- Claro que é. Não aprendeu que é feio fechar a porta na cara dos outros?
- Aprendi. Mas também não quero pessoas vindo pedir doces para mim!
- Insensível.
- Infantil.
No fim, sempre acabávamos discutindo mesmo. Eu ia a casa dele todos os anos, só para provocar. Conhecíamos fazia 10 anos mais ou menos, mas de uns tempos para cá ele havia se isolado tanto, que sua frieza ficou insuportável. Mas de certo modo, eu gostava dele, como um amigo, na verdade, mais que amigo. Tinha uma atração enorme por ele desde os 14 anos.
- Então, vai me dar os doces ou não? – sorri.
- Escolho travessuras, não doces. – e ele deu o seu famoso sorriso de canto.
- Ah é? – olhei para ele.
- É. – ele passou os olhos por todo meu corpo.
Dei passos lentos e curtos, bem calculados, como se eu fosse uma felina prestes a atacar sua presa. Segurei levemente a gola da camisa dele e fui guiando-o até o sofá, onde o sentei e falei:
- Agora fique ai, feche os olhos e abra a boca. – ele me obedeceu.
Coloquei nele uma capa, uma dentadura de vampiro e fiz pequenas manchas vermelhas de sangue descendo pelos seus lábios.
- Maldita. – ele reclamou.
- Está lindo! – tirei uma foto.
- Você não tem jeito mesmo né. – ele tirou a dentadura e a capa.
- Não. – dei uma risada curta. – Mas foi você quem escolheu travessuras.
- E você? O que escolhe? Doces ou travessuras?
- Travessuras. – respondi.
- Feche os olhos e relaxe. – eu obedeci. – Agora venha. – ele me pegou no colo e me levou até seu quarto.
- O que vai fazer comigo?
- Travessuras.
E depois disso, meus Dias das Bruxas nunca foram iguais.
