Conseqüências
Obs 1: Saint Seiya não me pertence, como todos devem saber. Por ser um fic de Universo Alternativo os personagens deverão sofrer algumas alterações em suas personalidades.
Obs 2: o nome Carlo designado a Máscara da Morte foi originalmente criado pela Pipe. Todos os créditos à ela.
Obs 3: Este é um fic dedicado especialmente à uma grande pessoa. À uma amiga de todas as horas, batalhadora, sincera e que sempre procura ajudar em todos o momentos. Acredito que não é necessário uma data comemorativa para dedicarmos algo feito de coração à uma pessoa especial. Valeu Nehe-chan \o/
Obs 4: O casal principal dessa história é Milo e Aiolia. Eu sei bem que existem leitores que simplesmente não aceitam o Milo com um outro cavaleiro que não seja o Kamus. Mas, EU sou a favor dos casais alternativos e amo ver esses dois juntos principalmente porque na MINHA opinião, são os dois cavaleiros mais putos do santuário. Portanto, se você não gosta de ver o Milo com o outro, por favor não leia para depois ficar me enchendo a paciência. Agora se você está aberto a novas experiências, leia e comente. Sem flame! Obrigada! E boa leitura!
1
Aiolia Leon havia vasculhado, com extrema atenção, todos os cantos daquela rua estreita. De repente, seu olhar se fixou num movimento estranho, impossível de ser identificado a distância. Aproximou-se e viu o corpo de uma mulher, seminua, caída no chão entre o amontoado de lixo, próximo à entrada da ruela.
Mas como? De onde surgira aquela criatura? Quando verificara o local, minutos antes, encontrara apenas um gato revirando as latas, algumas madeiras velhas e pilhas de caixas de papelão. Talvez seus instintos aguçados estivessem começando a falhar. De algum modo, aquela mulher passara despercebida. Seria possível?
- Eu o estou incomodando, Senhor Leon? – perguntou o homem bem vestido, com aquela voz rebuscada e educada, que tanto irritava Aiolia. Nos últimos seis meses, Aiolia esforçou-se em persuadir Carlo Cancerini a aceitar esse encontro.
- Não, eu estava pensando em sua oferta, Carlo. – Na posição em que se encontrava, Aiolia tinha uma boa visão da intrusa inesperada. Esperava manter o homem distraído para que ele não a visse.
- Você parece ter gasto muito tempo refletindo. – Carlo retirou um lenço do bolso e enxugou a testa. – Descobriu algo mais interessante, depois de nossa última conversa?
- Nada é mais interessante para mim do que nosso acordo. – Aiolia deu dois passos à frente, esboçando um sorriso cínico.
Carlo e seus dois capangas recuaram um pouco, o suficiente para que a mulher saísse da linha de tiro. A pulsação de Aiolia acelerou. Estava pressentindo que, em breve, perderia o controle da situação. E, nesse tipo de trabalho, isso seria um grave erro: qualquer atitude impensada poderia ser fatal. E a vítima poderia ser aquela mulher, escondida detrás dos entulhos.
Aiolia respirou fundo, tentando acalmar-se. Investira muito de si naquele caso para permitir que tudo fosse por água abaixo, por causa de uma qualquer que apareceu no lugar errado, na hora errada. Quem era ela afinal?
Um pouco de sorte era tudo o que Aiolia precisava. Em alguns minutos, o acordo seria feito. E Carlo, junto com os dois capangas, seria desmascarado. Mas a sorte nunca fora uma companheira constante para Aiolia. De súbito, latas e caixas de madeira rolaram pelo chão, fazendo um barulho alarmante.
Agindo por instinto, Aiolia precipitou-se em direção à mulher, que agora era descoberta por mais três pares de olhos curiosos. Atirando-se sobre ela, Leon ouviu-a gritar, e ambos caíram no asfalto sujo, levantando toda a poeira dos entulhos.
- É alguém que você conhece, Leon? – perguntou Carlo, num tom irônico e descontente. – Não sabia que tinha uma parceira.
- E não tenho. – Aiolia procurava u ma explicação satisfatória para aquela situação absurda; acabou optando pela verdade. – Ela deve estar aqui por acidente.
- Nada eficiente, Leon. Você me garantiu que este lugar era seguro. – o homem disse de forma séria.
Aiolia se afastou, colocando-se entre a mulher e os outros três. – Todos sabem que não há lugar seguro nesta região de Washington.
Protegido por seus dois guarda-costas armados, Carlo Cancerini aproximou-se.
- Fique onde está! – O tom de voz autoritário de Aiolia impediu-o de se aproximar.
Um dos homens, que tinha cabelos negros e espetados, olhos verdes e ameaçadores, gesticulava com um revólver calibre trinta e oito. – E ela?
- Eu cuidarei dela – prontificou-se Aiolia. A mulher devia estar apavorada, pois não movia um músculo sequer.
Os dois seguranças fitaram o patrão, aguardando novas ordens. Carlo hesitou, parecendo refletir sobre suas opções. Observou, por algum tempo, o corpo caído no chão.
Prendendo a respiração Aiolia Leon desejou poder sair com vida dessa enrascada.
- Sua atenção a detalhes deixa muito a desejar, Leon.
- Tem certeza de que quer discutir isso agora? Talvez... – acrescenta Aiolia, sabendo que suavas palavras poderia encerrar aquele malfadado encontro. – ...ela não esteja sozinha.
Temeroso, Carlo olhou ao redor e fez um sinal aos guarda-costas. – Deixaremos Leon cuidar da mulher. – avisou ele, arrumando a gola do paletó, que, pela elegância, devia ter custado mais do que Aiolia poderia economizar em dois meses. – Estou certo de que ele entende a importância de resolver a situação.
Deixando aquelas palavras ameaçadoras no ar, Carlo e seus capangas caminharam até o Mercedes cor de prata, estacionando no fim do beco estreito.
Frustrado, Aiolia viu escapando entre seus dedos seis meses de trabalho. Não se mexeu até ver o carro desaparecer na esquina. Então, soltou um suspiro de alívio. – Tudo bem, garota, levante-se. Vamos dar o fora daqui.
Porém ela não se moveu. Irritado, ele baixou a cabeça, examinando-a. O rosto da desconhecida estava voltado para o asfalto e, apesar da pouca luminosidade fornecida pelo poste de luz no fim da rua, Aiolia pôde ver sangue entre os cabelos claros da moça.
Amedrontado, Aiolia colocou a mão sobre o ombro delicado, coberto apenas pela alça do vestido decotado. A pele estava fria, e a mulher não reagiu. Com cuidado, ele virou-a e fitou seu rosto.
Um momento, o vestido era decotado mas... onde estavam os seios? Arregalou os olhos ao perceber que não era uma mulher, mas um homem. Ótimo, além de estar inconsciente ainda era uma Drag Queen, tão bem arrumado que enganaria qualquer um. E agora? Olhou para os lados, certificando-se de que não eram observados; a rua permanecia deserta. Faltava pouco tempo, e o relógio continuava em seu ritmo monótono.
Mesmo sabendo que deveria fugir, Aiolia parou para analisar o corpo inerte à sua frente. O vestido era muito sensual; o perfume, na certa de origem francesa, exalava um odor adocicado, e o rosto estava todo maquiado. Os cabelos longos pareciam ser tingidos. Só Zeus sabia onde ele conseguira aqueles cachos dourados.
Não foi difícil deduzir, os longos anos de experiência de Leon ensinaram-no a reconhecê-los. Aquele homem era um garoto de programa. Mas o jovem estava bem distante da região adequada para os "negócios". O que teria ele visto e ouvido antes de desmaiar?
O rapaz se mexeu, resmungando algo incompreensível. As pálpebras piscaram e se abriram. Por alguns segundos, ele apenas o fitou. Aiolia reconheceu o misto de pânico e sobressalto no brilho intenso daqueles olhos pintados. Apoiando o braço sobre o asfalto, o homem se tentou se levantar, mas recuou, parecendo sentir dor. Desistindo, deixou-se cair no asfalto.
- Vá com calma. – aconselhou Aiolia, querendo mantê-lo consciente.
Sacudindo a cabeça, o rapaz tentou sentar-se novamente. Dessa vez, conseguiu.
- Você está bem? – o olhou de forma preocupada.
Em silêncio, o desconhecido fez um delicado movimento com a cabeça. Para um homem observador como Leon, a sutileza daquele gesto provocou a lembrança de algum membro da família real. Com certeza, aquele não era seu lugar. Mesmo vestido daquele jeito, não escondia sua classe.
Com dificuldade, o rapaz conseguiu ficar em pé. No entanto, precisou apoiar-se na parede para não perder o equilíbrio.
Numa atitude instintiva, Aiolia aproximou-se e estendeu-lhe a mão. – Você consegue andar?
- Sim, consigo. – a resposta foi seca.
Sua intuição lhe dizia que aquele belo rapaz não aceitaria sua ajuda com facilidade. Sendo assim, Aiolia decidiu ser mais firme. Segurou-o pelo braço, conduzindo-o na direção oposta à que Carlo tomara. Enquanto isso, preparava-se para carregá-lo, pois duvidava que ele tivesse forças para caminhar até o fim da rua.
Alguns passos, o homem hesitou. – Espere – disse ele, tentando desvencilhar-se de Aiolia. – Para onde está me levando?
- Para longe daqui – informou Leon, impaciente e temeroso com o ferimento que o jovem tinha na cabeça.
De forma abrupta, o rapaz parou, obrigando o outro a fazer o mesmo.
- O que é agora? – Aiolia perguntou, exasperado.
Com aqueles ridículos sapatos dourados, o desconhecido ficava tão alto quando Aiolia. Como alguém conseguia usar um salto daquele tamanho, ainda mais um homem, num beco deserto e afastado da cidade? Ele devia ser um iniciante, refletiu Aiolia. De repente, ele percebeu a forte atração que sentia por aquele homem, mas repudiou tal sentimento.
Como se tivesse lido os pensamentos de Aiolia, o outro o encarou por alguns segundos antes de perguntar: - Nós já nos conhecemos?
- Podemos dispensar as formalidades até sairmos daqui? – grunhiu em resposta.
Porém o loiro de longos cabelos cacheados não se moveu. Ainda encarando-o, molhou os lábios, vermelhos de batom. – Você sabe quem sou eu?
Aiolia compreendia, embora não pudesse explicar como, que aquela atitude provocante não significava uma tentativa de sedução. Depois de tantos problemas, ele não merecia isso.
- Escute doçura – começou, na tentativa de conter a raiva. – Precisamos sair daqui, e rápido. Antes que nossos amigos mudem de idéia e retornem.
- Nossos amigos? – o loiro o olhou, confuso.
- Ora, você os viu. Aquele homem elegante, acompanhado de dois capangas, que esteve aqui minutos atrás. Lembra-se?
A expressão do belo rosto mostrava confusão e dúvida, mas, mesmo assim, o loiro pôde disfarçar. – Certo. Para onde vamos?
Talvez Aiolia pudesse deixá-lo à mercê da própria sorte, porém descartou essa possibilidade. Afinal, tinha algumas perguntas a fazer, e, se Carlo voltasse, ele não teria a menor chance. Além disso, que problemas um mero prostituto poderia trazer?
- Meu carro está a dois quarteirões daqui. Acha que pode andar até lá?
O belo jovem não respondeu. Contudo, quando seguro pelo braço, ele não ofereceu resistência.
A cabeça latejava, e sua garganta estava seca devido ao medo que sentia. O rapaz tocou o ferimento atrás da orelha esquerda, notando que o sangue parara de correr. Esse movimento inesperado chamou a atenção de Aiolia, que dirigia, em alta velocidade, pelas avenidas iluminadas.
- Você não vai desmaiar de novo, não é? – ele perguntou.
Desde que fora levado até o carro, aquela era a primeira vez que o rapaz conseguiu observá-lo com maior atenção. Vestindo um jeans desbotado, uma camiseta velha e jaqueta de couro, Aiolia era o protótipo de bandido. Qualquer um que se prezasse detestaria encontrá-lo numa rua escura e deserta. E aquela faixa de algodão ao redor da cabeça, impedindo que os cabelos caíssem nos olhos, confirmava essa impressão.
- Não sei se posso definir como "desmaio" o que aconteceu comigo. – Uma pancada na nuca seria a definição ideal, pensava ele, tocando o ferimento outra vez.
Uma risada contida soou dentro do automóvel, e Aiolia fitou o outro com diferença. – Tudo bem, querido. Vou reformular a pergunta: como está se sentindo?
- Minha cabeça está doendo demais. E não me chame de "querido", muito menos "doçura". – A resposta agressiva fez aumentar sua ansiedade, pois, nesse momento, o loiro percebeu que não conseguia se lembrar de seu nome.
- Muito justo – Aiolia resmungou, atento ao tráfego da noite. – Meu nome é Leon. E o seu?
Desesperado, o rapaz tentou responder, mas a memória voltou a falhar. A pergunta rodava em sua mente, mas não havia possibilidade de encontrar uma resposta. Precisava controlar-se e evitar ser dominado pela histeria. As lembranças pareciam perdidas num mundo de trevas. No entanto, o bom senso o prevenia de que esperasse e com cautela descobrisse quem era esse sujeito. Saber por que ele o socorrera e do quê.
Não conseguia recordar-se de nada. Sentia-se envolto em sombras e escuridão. A única lembrança era o momento em que acordara sobre o cimento frio daquela rua suja. Por enquanto, deveria ser prudente em relação a esse pequeno detalhe, não deveria revelar sua perda de memória.
Após um longo período de silêncio, Leon encarou o garoto, intrigado, aguardando uma resposta. – A pergunta é muito difícil?
Pergunta? Oh, sim, ele perguntara seu nome. – Mac – respondeu ele, dizendo o primeiro nome que lhe veio à mente.
- Mac – repetiu Leon, parecendo aceitá-lo como verdade.
- Para onde está me levando? – o loiro o olhou com curiosidade.
- Estamos indo para longe do perigo. – De maneira abrupta, Aiolia pisou no freio, virando a direção para a direita, para desviar de um carro que ultrapassara o sinal vermelho. – Espero que consiga.
Aquela manobra brusca jogou o outro para o lado esquerdo da porta, fazendo-o bater a perna contra um objeto duro, envolvido num tecido cinzento.
- Ponha o cinto de segurança. – ordenou Aiolia. – Não pretendo ter mais aventuras esta noite.
Mac obedeceu sem retrucar. – A delegacia de polícia não seria uma escolha lógica? – Eles já haviam passado por várias.
- Creio que não. – Leon franziu o cenho.
- Por que não?
Aiolia fitou-o, acariciando o corpo curvilíneo com o olhar desejoso. Mac sentiu um calafrio.
- Considerando o modo como está vestido, meu conselho é que se mantenha distante dos policiais.
Olhando para baixo, o jovem deu uma rápida verificada nos trajes que usava. O minivestido deixava boa parte de suas coxas à mostra; as meias de seda, também pretas, estavam presas por uma cinta-liga de renda bordada. Os sapatos eram um dourado quase ofuscante, feitos para chocar, e não para caminhar.
Considerando o decote ousado da roupa, apesar de não ter nada na frente, por que não usava um casaco para se proteger do vento frio da noite? Na verdade, ele não queria pensar nas razões que o levaram a isso. Mais uma vez, tocou a ferida na cabeça. – Então que tal um hospital.
- Não seria uma atitude inteligente.
- Não?
- Nossos amigos podem estar vigiando os hospitais. – explicou Leon.
De novo os nossos amigos. Por que ele se referia aos supostos inimigos nesses termos? Queria ter coragem para perguntar-lhe o que acontecera. Mas ainda sentia-se desorientado. Temia demonstrar fragilidade, se começasse a questionar antes de calcular os riscos. Afinal, nunca vira aquele homem em sua vida.
- Ótimo – resmungou o loiro, por fim, tentando esconder o medo. – Então, deixe-me em qualquer lugar. Posso me virar sozinho.
- Sinto muito, mas será impossível. – Leon parecia encarar a sugestão com seriedade. No entanto, de algum modo, o outro sabia que seria essa a resposta.
- Qual o seu problema? – perguntou Mac, impaciente. – Você é o cavaleiro solitário, com a missão de proteger os fracos e oprimidos, ou meu anjo da guarda? – Aquela frase ativou alguma coisa em sua memória, desaparecendo em seguida, antes que pudesse contê-la. Sentindo as mãos frias e trêmulas, ele cruzou os braços, tentando aquecê-las.
- Garanto-lhe que nenhum desses termos condiz com minha personalidade. – Os lábios de Leon se abriram num sorriso cínico e tenso.
Mac sentiu um arrepio correr-lhe pelo corpo. Aiolia conduzira o carro para um dos bairros mais violentos de Washington. Àquela hora da noite, os traficantes já haviam iniciado as vendas de seus produtos. Sendo assim, as ruas tornavam-se ameaçadoras. Garotas e garotos, com saias justas e curtas, semelhantes à que Mac usava, caminhavam pelas calçadas, oferecendo-se aos transeuntes e motoristas.
Outro flash. Amedrontado, Mac imaginava qual a relação entre ele e aquelas pessoas. Quem era? Por que estivera sozinho naquela rua? E o que acontecera?
- Importa-se de dizer o que planeja fazer comigo? – questionou, de forma séria.
- Agora? – Aiolia ergueu uma sobrancelha. – Bem, conheço alguém que poderá dar uma olhada no seu ferimento.
Essa parecia ser a atitude mais sensata naquele momento, tendo em vista a dor aguda em sua cabeça. Sentindo-se enfraquecer, acomodou-se no banco do carro e concentrou todos os esforços que lhe restavam para não sofrer outro desmaio.
Ao menos durante algum tempo, estaria a salvo quaisquer perguntas embaraçosas que sabia não ser capaz de responder.
Shaka Virgo dava o último dos três pontos na nuca do belo jovem, e Aiolia Leon observava, silencioso.
- Pronto – avisou Shaka, ajudando Mac a sentar-se. – Em breve o corte estará cicatrizado.
- Obrigado. – Mac apoiou-se na maca, sentindo-se prestes da desmaiar.
O comportamento daquele rapaz impressionava Aiolia. Ele suportara calado os pontos dados sem anestesia. Não emitiu um som sequer de desagrado, enquanto Shaka costurava o corte. Na verdade, desde que acordara, naquela ruela, Mac agira de forma estranha. Mantinha-se controlado, embora algumas vezes se mostrasse assustado com algo que Leon não compreendia.
- Obrigado, Shaka. Ficarei lhe devendo mais um favor. – Aiolia sorriu levemente ao amigo.
- Tem razão, você me deve vários. Já perdi a conta há muito tempo. – riu.
Shaka era um grande amigo do irmão de Aiolia. Com vinte e poucos anos, tinha um aspecto simpático e amável, mas aparentava ter bem mais idade. Aiolia sabia que a vida lhe fora dura e implacável, mas o outro sempre mantinha o rosto bondoso.
Em algum momento de seu passado, Shaka adquiriu um vasto conhecimento médico. Para felicidade de Aiolia, ele estava sempre pronto para atender emergências, o que fazia com solidariedade e discrição. E, como das outras vezes, o temperamento reservado não permitia a Shaka fazer nenhuma pergunta comprometedora.
- Não precisa me lembrar disso. – Aiolia sorriu, com carinho.
Depois de olhar para Mac de um jeito crítico, Shaka recolheu os instrumentos médicos. – Ele precisa de um médico, Aiolia.
Soltando um suspiro, Leon fitou o amigo, com uma expressão séria. – Não posso correr esse risco.
Aquelas palavras fizeram com que os músculos de Mac se retesassem. Os eventos das últimas horas o afetavam de forma angustiante. Não tinha certeza de quanto tempo poderia agüentar as dores que sentia pelo corpo inteiro.
Colocando ambas as mãos no bolso da jaqueta, Aiolia fitou Shaka com intensidade. – Você acha que ele ficará bem? – dirigiu-se a Shaka.
- Fiz o melhor que pude – afirmou, franzindo a testa. – Mas penso que ele deveria ver um médico.
- Vocês dois poderiam parar de agir como se eu não estivesse presente? – reclamou Mac, num desabafo. – Posso cuidar de mim mesmo, muito obrigado.
- No momento, não pode. – disse Aiolia, numa atitude decisiva e, voltando-se para Shaka, confessou: – Necessito de mais um favor.
- Pode dizer.
- Não tenho lugar onde ficar.
- Você é sempre bem vindo aqui, Aiolia – ofereceu Shaka. – Não será a primeira nem a última vez que estava casa será usada como esconderijo.
- São apenas alguns dias.
- Não se preocupe. O que mais?
- Alguém para vigiar minha casa.
- Não está pedindo muito?
- Não pediria se não fosse importante.
- Quando se trata de você, Leon, tudo é sempre importante. – declarou Shaka, num tom filosófico.
- Obrigado. Diga a Seiya para ficar com os ouvidos atentos aos rumores sobre os acontecimentos de hoje à noite. Mas previna-o de que deve manter-se fora das confusões, ok?
- Darei seu recado. – Shaka, então, virou-se para o paciente. – Descanse um pouco. E não tente nada criativo.
- Sim, senhor. – Mac sentiu-se como uma criança de cinco anos levando uma bronca do pai.
- E quanto a você – continuou Shaka voltando-se para Aiolia – mantenha o ferimento limpo e cuide do rapaz. Alguma novidade, mande me chamar.
Expressando um breve sorriso, Leon respondeu : – Pode deixar comigo.
Shaka pegou sua carteira e caminhou em direção à porta, acompanhado de Aiolia. Ambos conversavam em voz baixa, e Mac não pôde ouvir o diálogo. Gostaria de saber o que estavam dizendo. Ou talvez fosse melhor permanecer na ignorância. Quanto menos soubesse, menos medo sentiria.
Observando a faixa ao redor da cabeça de Aiolia, o loiro imaginava se aquelas cores não significavam uma associação com alguma gangue. Pensando com maior objetividade, Leon não era o tipo de homem que recebia ordens. Porém existia ainda a hipótese de ele ser o líder.
Entretanto, essa suposição não aliviava a tensão de Mac. Na realidade, o pânico o invadia, impedindo-o de raciocinar com clareza.
Verificando o ambiente em que se encontrava, concluiu que a casa de Shaka representava o lugar mais seguro e apropriado nas atuais circunstâncias. A residência era velha e pequena, porém limpa. Quando Aiolia fechou a porta e virou-se com aquela expressão impassível, Mac teve uma inexplicável sensação de agitação, como se aquele homem fosse capaz de bloquear, com apenas um olhar, qualquer tentativa de fuga.
- Eu gostaria de tomar um banho, se você não se importasse. – disse o rapaz, antes que ousasse pedir maiores explicações sobre os "nossos amigos".
Continua...
Início de mais um fic. Mais um batalhão de capítulos pela frente. O que acharam? Será que consegui atiçar a curiosidade de vocês? Bom, espero sinceramente que tenham gostado. Gostaria de deixar aqui um agradecimento especial à Litha-chan pelo apoio, à minha querida marida Sami, á P-Shurete e à Akane M.A.S.T pela betagem. O nome para o fic foi uma sugestão da própria Akane. \o/
Um grande beijo a todos os leitores e até o próximo capítulo. Se o fic for até bem aceito, certamente a publicação será rápida. Por isso lembrem-se sempre:
Dedinhos Felizes Digitam Mais Rápido! -
